Em primeiro lugar, devem fazer o download do EAC e do codec Flac. Já que estão dispostos a experimentar o melhor, saquem o Foobar2000 e instalem-no também. Lembrem-se: o Foobar2000 pode não ser tão bonito por fora como o Winamp ou o Windows Media Player, mas dizem que é muito mais bonito por dentro!
Primeiro vamos calibrar o Exact Audio Copy. Este processo de calibração só precisa de ser feito uma vez. Coloquem um CD áudio na vossa drive. Escolham EAC->Configuration Wizard para proceder às mudanças necessárias antes de usar o programa. Se tiverem mais do que uma drive, este passo ajuda-vos a escolher a melhor. Mesmo tendo apenas uma drive, devem seguir este método. O EAC irá fazer uma série de testes para determinar qual a melhor drive para ripar ou, se tiverem apenas uma, qual a melhor configuração possível. Uma opção importante que devem escolher é I prefer to have accurate results. Velocidade não é importante aqui; apenas a qualidade importa.
Feito isto, só têm de carregar em Next para que se iniciem os testes. O teste detecta as características das vossas drives.
Isto pode demorar algum tempo, mas não demasiado: tenham paciência e deixem o programa trabalhar. No meu caso, foram testadas duas drives. Finalmente, após alguns minutos, é escolhida a melhor. O próximo passo – a instalação do codec MP3 Lame – é irrelevante para este guia; passem à frente. Depois é só escrever o email para o Freedb e escolher a opção I am an expert, let me use the full potential of EAC.
É possível que, no vosso caso (como no meu) os testes determinem que a drive é capaz de utilizar uma técnica chamada (em inglês) de C2 error information. Este método não é muito fiável, uma vez que faz uso do sistema de cache da drive e nós queremos que o programa leia os dados directamente do CD. O EAC desactiva-a por omissão, mas vamos certificarmo-nos.
Na janela principal do programa carregamos em F10 (para abrir a opção Drive Configuration Options) e seleccionamos a tab Extraction Method page. Certifiquem-se de que a opção Drive is capable of retrieving C2 error information está desmarcada.
O resto já fizemos em passos anteriores, portanto carregamos na tab seguinte, Drive. Vamos agora deixar o EAC determinar o melhor comando de extracção para a nossa drive carregando no botão Autodetect read command now. No meu caso, o EAC escolheu Read Command MMC1. Tenham em atenção que os resultados diferem de drive para drive. Simplesmente aceitem os resultados que o programa vos dá e sigam em frente.
Vamos continuar para a próxima tab, Offset /Speed. Aqui volta a ser necessário um CD áudio na drive para prosseguir. Escolham um CD mais “popular” para que seja mais fácil de encontrar na base de dados do EAC. [Neste ponto precisam de ter uma ligação à Internet activa. Se a vossa firewall vos avisar de que o EAC está a tentar estabelecer comunicação, autorizem.]
Eu escolhi um disco dos Radiohead, The Bends. Carreguem no botão Detect read sample offset correction. Alguns segundos depois, a detecção é efectuada. No meu caso, foi-me dado um valor de correcção de -522, o que corresponde à informação atribuída às características da minha drive na base de dados.
Vamos passar à próxima fase. Configuramos agora as opções do próprio programa no menu EAC->EAC Options. Na tab Extraction, activem as seguintes opções: Fill up missing offset samples with silence, No use of null samples CRC calculation, Synchronize between tracks e Lock drive tray during extraction. Em baixo, em Error recovery quality, escolham High.

Na segunda tab – General (screenshot em cima) –, certifiquem-se de que a segunda, terceira, quarta, quinta, sexta e sétima opções (a contar de cima) se encontram marcadas. Na tab Tools, coloquem um visto nas opções Use CD-Text information in CUE sheet Generation e Create ‘m3u’ playlist on extraction/Write ‘m3u’ playlist with extended information. Em Normalize, não mexam em nada; em Naming scheme, escolham de acordo com as vossas preferências pessoais.
Com as restantes tabs não precisam de se preocupar, mas mesmo assim quero chamar a atenção para um pormenor.
Na tab Directories não especifiquem um caminho para extrair os ficheiros, usem a raiz da vossa partição – qualquer partição. Porquê? Por causa dos ficheiros .cue.
Se, por exemplo, extrairem um CD para D:->Músicas->O meu grupo preferido, o texto no ficheiro .cue irá apontar para esse caminho que escolheram. Imaginem que formatam o computador ou simplesmente reorganizam os vossos backups e mudam a localização das pastas. A próxima vez que pegarem no ficheiro .cue ele vai dar erro porque o caminho já não é o mesmo. Para prevenir isto, façam a extracção para a raiz da partição (por exemplo, D:).
Se o fizerem, o ficheiro .cue aponta sempre directamente para os ficheiros, e não se fia em directórios ou pastas. Assim, desta forma, e depois da extracção estar concluída, já podem guardar os ficheiros onde quiserem – nunca afectará os dados armazenados no ficheiro .cue.
Agora que tanto a drive como o EAC se encontram devidamente calibrados, vamos guardar tudo aquilo que fizemos.
Assim, se tivermos de formatar e reinstalar o sistema operativo, não precisamos de repetir estes passos todos outra vez. Para fazer o backup do nosso processo de calibração, basta ir ao menu EAC, depois Profiles e Save Profile… Quando quiserem recuperar o vosso “perfil” de extracção, é só seguir os mesmos passos e escolher Load Profile…
Vamos então extrair um CD completo de uma forma clinicamente perfeccionista! Primeiro, na janela principal do programa, seleccionem todas as faixas do CD; depois, no menu Action, escolham Detect Gaps – esperem que acabe; depois, Action->Test Gaps on Silence – esperem que termine a análise do CD. Feito isto, escolham Action->Create CUE Sheet->Multiple WAV Files With Gaps… (Non-Compliant). O programa salvará o ficheiro .cue automaticamente. Finalmente, o último passo antes de ripar: escolher Action-> Test & Copy Selected Tracks…->Uncompressed. O processo de ripagem do CD inicia-se.

Agora resta fazer a conversão dos ficheiros .wav para .flac. É tempo então de abrir o frontend do codec Flac que descarregámos. Na janela principal do programa, certifiquem-se de que todas as opções estão desmarcadas (excepto Verify) e que, em Encoding Options, o nível se encontra no máximo (8). Por fim, carregamos no botão Tag Conf., escolhemos Custom e colocamos um X porque não precisamos deste frontend para escrever tags. Agora basta adicionar os ficheiros .wav carregando no botão Add Files, certificar-se de que as faixas estão na ordem correcta e, finalmente, carregar no botão Encode. Este processo é muito mais rápido.
Última nota: o ficheiro m3u que vocês têm junto às músicas que riparam terá de ser editado para que aponte aos novos ficheiros com extensão .flac e não os .wav. (que irão apagar agora porque já não são necessários). Não se preocupem, não é complicado e demora cinco segundos. Abrem o m3u com o Notepad, escolhem Edit/Replace e escrevem, no primeiro campo, wav e, no segundo, flac. Isto actualizará os elementos da playlist para a extensão correcta. Salvem e arrastem o ficheiro m3u para, por exemplo, o magnífico Foobar2000 de que vos falei. Por que razão é importante ter um ficheiro m3u? Imaginem que riparam um disco ao vivo ou uma obra mais conceptual dos Pink Floyd. Com um ficheiro m3u, as faixas seguem-se umas às outras, sem silêncios ou interrupções entre as faixas, como no disco original. Boas músicas.
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27 comentários
Gostei da dica. Já sou grande fã do Foobar2000 e só agora conheci o EAC
O meu conhecimento de aplicações para ripar CDs não é grande coisa, mas podes encontrar umas poucas para GNU/Linux aqui: http://gnomefiles.org/subcategory.php?sub_cat_id=117.
Para deixares de vez esse Foobar – muito porreiro, diga-se de passagem -, recomendo-te um tratamento de Rhythmbox, XMMS, Banshee, Aqualung, BMP, BMPX, christine, Exaile, Muine, Listen, Quod Libet, Audacious ou Totem.
Já tentaste emular o jogo com o Wine ou o Cedega?
Estás lá! Bom post sim sr!
Não queria dizer nada de especial, venho apenas deixar um feedback mt positivo.
Berinaisse.
Já uso o Foobar há uns 2 aninhos e o EAC há bem mais do que isso. I never looked back.
Bom guia, sim senhor.
para que usar o flac frontend quando o EAC faz o encoding directamente e automatizado?
So tens que ajustar -6 para -8 nas configuraçoes default do EAC
Post de qualidade PRO!
Continua assim e tens uma proposta de 1 million dollar de uma papão do cibermundo!
Mas que guru de ripanço me saiste!
Já conhecia tudo, mas nunca é de mais agradecer e elogiar este tutorial. Muito bem feito. Parabens
O som mais puro que se ouve é ao vivo. Não há gravação que chegue aos calcanhares de uma orquestra ao vivo. E como estamos desabituados de o fazer…
Excelente artigo.
Que mais dizer?
O EAC tb é optimo para recuperar cds riscados. Eu uso juntamente com esta espécie de plug-in http://www.accuraterip.com/. Básicamente compara os ficheiros ripados com uma base de dados.
Quanto a largar o windows de vez, para o Civilization temos o FreeCiv, penso que o wine corre o EAC e o Amarok há muito que me faz salivar pelo linux.
boa marco, a recordar velhos post ainda da Revista bits;)
ah pois quem é fã nunca esquece….é bom para os novatos;)
continua assim ()
“Porque razão então se continua a usar tanto o MP3?” – Acho que só deste 50% da resposta. Os outros 50% são “porque a porcaria que os putos ouvem hoje em dia, pouca diferença faz se tem mais um Hz ou menos um Hz porque o conteúdo não altera, desde que dê muito, MUITO alto.”
@Marco
E para o DSP do Foobar, tens algumas preferências?
Umas dicas?
@FNP.PT: Activa o Resampler e o Crossfeed (se usares phones) e fica-te por aí – quanto aos valores que deverás colocar, isso depende da tua placa de som. Vê nesta página
Só um pequeno reparo:
Neste post é referido o formato “WAV” como a referência da peça original. Isto é verdade apenas quando o dito ficheiro está em formato PCM.
Ora o formato “WAV” nada mais é que uma “norma” mux (a RIFF). Uma peça dentro de um ficheiro “WAV” pode apresentar qualquer compressão – incluíndo MPEG1 Layer3.
No fundo, ao olhar para uma extensão “WAV” não devemos assumir o que quer que seja acerca da sua compressão, tal como “AVI” ou mesmo MPG.
TexAIR
É isso mesmo, TexAIR. Tens toda a razão. Boa malha.
Txi… CIV rocka \m/
bom post
pessoalmente prefiro o dbPoweramp – acaba por ser mais rápido, e sou mais impaciente que perfeccionista…
Falavas dum tracker privado, faz falta um tracker com música portuguesa e requisitos mínimos de qualidade ou sou eu que ando mal informado?
é por isso que toda a musica de jazz qe tenho está num formato esquesito? .OGG
@é
OGG é bastante semelhante ao MP3, mas sem as patentes e consegue ter um bocadinho mais de compressão com a mesma qualidade.
Epá só há um problema… só do Zappa tenho 1100 faixas. Quem tem disco para isso tudo em FLAC?
é verdade..quem quiser ter a “discografia” do Z. tem de ter uns fora do normal 10 gigas livres, so em mp3
Boa recuperação.
Deve estar a fazer 2 anos (?) quando este artigo foi postado pela 1ª vez aqui.
Para mim valeu mais uma vez a pena e agradeço, uma vez que por descuido na 1ª não levei a coisa a fundo e só fiquei a perder.
ABraços
O de há dois anos era diferente, mais simples, está aqui. Torres, já és um velho amigo, conheces isto praticamente desde o início embora não comentes muito!
É verdade Marco.
O mais engraçado é que foi precisamente “este” post que me deixou agarrado ao bitaites.
Todos os dias cá estou.
Umas vezes desiludido porque a imagem é a mesma do dia anterior, outras em que fico realmente admirado com os tópicos apresentados.
Um grande abraço
P.S. parafraseando alguém “continuem o bom trabalho”
Já ripei o Cd com o método indicado. O meu problema (problema de quem não sabe nada do assunto) é o seguinte: com que formato devo gravar para um CD de modo a poder ouvi-lo no carro?
Já agora o FLAC em Vista deu-me este erro: runtime error 75 (a seguir vinha qualquer coisa como direitos de admnistrador requeridos para aceder à pasta onde queria gravar o output). Creio que abrindo a aplicação como administrador o problema se resolve.
Martins
Parabéns e muito obrigado . Qualidade sempre é importante e agora podemos ter o som muito próximo do original com apenas 1 click !