Um relato da «sessão espírita» no Twitter
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A «sessão espírita» via Twitter com a «presença» de quatro fantasmas do Jet7 celestial – Michael Jackson (músico e bailarino), William Shakespeare (dramaturgo), Kurt Cobain (músico) e River Phoenix (actor) – acabou por suceder mais ou menos à hora marcada: dez da manhã. Eis um resumo das extraordinárias revelações que a médium Jayne Wallace nos proporcionou a todos.
O actor River Phoenix, o primeiro a ser contactado, lamentou o uso de drogas e a morte devastadora que magoou a família e os amigos (morreu em 1993 com uma overdose) e, entre outras «revelações» sobre a sua preferência pela música, consultáveis em entrevistas ou biografias, afirmou ter adorado o filme «Entrevista com o Vampiro», estreado um ano depois da sua morte (River Phoenix fora contratado para a personagem do entrevistador). O actor viu o filme num balcão do Além, a médium Jayne Wallace criou a sua própria versão do Cinema Paraíso.
Seguiu-se Kurt Cobain, a alma dos Nirvana, que veio dizer que as drogas o fizeram desligar-se da música e, quando a música morreu, ele morreu também. Questionado sobre o jogo «Guitar Hero», o fantasma de Kurt aconselhou os pais a comprar guitarras eléctricas aos filhos e a afastá-los dos jogos de computador. O músico afirmou mais umas quantas banalidades vagas e inócuas sobre a sua vida terrena e foi-se embora.
Era a vez de William Shakespeare, mas a presença dele, contou Jayne, era demasiado fraca. «Há aqui mais alguém», twittou então a médium, mantendo o suspense alguns minutos. «É muito mais forte, é alguém que morreu recentemente, alguém que está à nossa espera.» Adivinharam, era Michael Jackson.
Lendo os sucessivos twitts desta sessão, fica-se com a ideia de que os mortos formaram uma fila à espera de ser convocados por Jayne Wallace: o River à frente, o Kurt atrás, depois o William e logo a seguir o Michael. Se foi este o caso, então o Michael cometeu a indelicadeza de passar à frente dos mais velhos (Shakespeare terá nascido em 1564). Estar morto não é desculpa para se ser mal-educado.
A conversa com Michael Jackson foi igualmente reveladora: «Encontrei os meus fãs espirituais e anjos da guarda estão a proteger-me», comunicou Jayne, parecendo dar a entender que, para ela, o Paraíso é um sítio onde as vedetas dão autógrafos protegidos por guarda-costas com asinhas. Infelizmente, o fantasma de Michael não chegou a responder à melhor pergunta que os fãs enviaram via Twitter: «Ó Michael, já ensinaste o Jesus a fazer o moonwalk?»
Depois de mais uma série de bonitas e comoventes mensagens que qualquer fã já leu em elogios fúnebres, a «espírita» despediu-se do Além e desligou o Twitter, não invocando Shakespeare.
O pobre William ficou assim esquecido na fila de espera dos fantasmas, onde permanecerá forever and ever and ever and ever tentando que alguém esclareça a imortal formulação To twitt, or not to twitt: that is the question.
























Decididamente, not to twitt!
To Twitt Or Not To Twitt
ok, caí para o lado.
de tanto rir!