O futuro do jornalismo não é o online, é a Educação
Marcadores: Jornalismo, Reflexão de um cão com pulgas
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Existiram tempos em que o domínio da língua portuguesa e alguma cultura geral eram muito importantes para quem quisesse ser jornalista. Havia até quem considerasse que jornalista que não soubesse escrever dificilmente saberia pensar.
Os tempos são outros – o dinheiro tomou conta de todos os nossos valores. Os jornalistas são números numa folha de papel da Contabilidade. Bons jornalistas estão no desemprego porque a qualidade e a experiência são descartáveis para quem visa apenas o lucro fácil do jornalismo fast-food. Não interessa o que são, importa é que sejam baratos.
É este o caminho que está a ser seguido. Não deixámos de saber o que é bom ou mau jornalismo, mas numa sociedade baseada no poder do dinheiro há valores que simplesmente não contam. Talvez achem exagerado que eu escreva este discurso todo a propósito desta imagem que nos faz sorrir, mas eu conheci jornalistas a sério que esconderiam a cara com vergonha se topassem um erro destes. Que poriam em causa o futuro da profissão por sentirem neste erro um sinal preocupante da qualidade da Educação em Portugal.
A malta anda muito entretida a especular sobre o futuro do jornalismo em papel e a sua vertente «multimédia», mas o que mais me preocupa é o futuro de uma profissão onde cada vez mais gente escreve «fassam» em vez de façam. Esta é a discussão mais importante, porque a tecnologia em si não resolve nada e certamente não substitui a Educação. E uma boa educação exige que o investimento seja feito nas pessoas, não em máquinas ou plataformas milagrosas. (Imagem original no blogue Reflexão de um cão com pulgas)
























Aquele rodapé não é nada… Quando trabalhei no CNL, os textos dos jornalistas no teleprompter eram uma vergonha. Lidos, não se via os erros de português absolutamente básicos.
Os erros de português não são graves apenas pela ignorância da língua; é também pela falta de curiosidade e falta de cultura que representam.
Quando são engenheiros a escrever, isso então nem se fala…
A mim não me fez sorrir. Fez-me cair o queixo…
E fico eu preocupada quando aparecem erros destes na blogosfera!
Enquanto licenciado em engenharia custa-me admitir, mas isso é bem verdade. O jornal académico do sitio onde estudei parecia escrito por macacos
.
“Fogo destroi casa de sem abrigo”
Quem escreve assim, só pode ser um produtor de textos de linha branca e não jornalista.
Um abraço do velho
É caso para dizer: que eu seja cego e veja a minha casa a arder!
E se estivermos atentos ao que dizem nos telejornais ocasionalmente ouvimos uns bons atentados à língua portuguesa
Inaceitável. O domínio da língua portuguesa devia ser um das capacidades básicas do jornalista.
Penso que o problema do jornalismo passa por um problema mais profundo do que a boa ou má escrita da língua. Acredito que a forma como se escreve é importante, um texto bem escrito passa melhor a sua mensagem por exemplo, porém quando a forma é boa mas o conteúdo não acompanha esta qualidade o problema torna-se maior. Quando falo em qualidade no conteúdo, refiro-me tanto ao que ele se refere como à forma como ele é exposto. É desta última que tenho um bitaite para dar.
Pede-se isenção ao jornalista e é isso que esperamos dele, não nos podemos esquecer que estamos a falar de seres humanos, inteligentes e (por isso) com sentido crítico, porém muito mais poderia ser feito, e o canal que possui esse rodapé é um bom exemplo disso.
Quando o esforço para a isenção é deposto pelo poder das massas e os benefícios que delas vêm, deixamos de ter um jornalismo de informação para passarmos a ter um jornalismo de avaliação que molda passivamente as ideias dos seus ouvintes, leitores, telespectadores…
Ataques a língua portuguesa até são relativamente normais, mas a última pérola que vi foi muito melhor: ataque a inteligência dos telespectadores:
O sacana que escreveu esta devia ser deixado no meio dos comunas durante a festa do Avante.
Caríssimo Miguel, não percebo o porquê de essa frase ser um ataque á inteligência dos telespectadores. Essa frase é uma pérola, quando muito, por ser a mais pura verdade.