Eram quatro da manhã, já estava um bocadinho tocado pela bebida, por isso resolveu experimentar o mais arrojado planking de todos: esticou-se sobre um parapeito com pouco mais de cinco centímetros de largura, numa varanda de um sétimo andar. Como é da tradição, alguém estava pronto a fotografar a proeza para depois mostrá-la no Facebook.
Se não sabem o que é o planking, eis um pequeno resumo: trata-se de um meme, iniciado provavelmente em 2006, que consiste em deitar-se de barriga para baixo, cara no chão, todo esticado, nos locais mais improváveis.
A atividade tem muitos nomes e locais de origem, mas a designação em si, planking, pranchado, é cem por cento australiana. A página de fãs no Facebook está prestes a atingir as 170 mil pessoas. Outra – só com fãs australianos – chegou aos 134 mil.
Uma ideia humorística a partir da encenação de uma situação absurda e ridícula foi sendo influenciada, à medida que mais pessoas aderiam ao meme, por uma espécie de efeito jackass: quanto mais perigoso e ousado o planking, melhor.
E foi com a esperança de mostrar ao mundo, via Facebook, o seu fantástico número de planking que um australiano de 20 anos, Acton Beale, trepou ao parapeito da varanda.
O planking tem regras próprias: a pessoa deve deitar-se com o rosto pregado no chão, mantendo sempre uma expressão neutra; as pernas devem permanecer juntas e esticadas, os braços colados ao tronco, cotovelos e palmas da mão virados para cima: assim se consegue uma postura rígida, como uma tábua de engomar ou simplesmente a representação de um gajo com pouco jeito para a queca.
Regras adicionais: antes de pranchar o cenário, deve anunciar a manobra a quem quer que esteja por perto; por fim, deve ter em consideração a sua segurança e evitar fazê-lo em locais perigosos.
Acton Beale, vinte anos, demasiado álcool no sangue e determinado em arrasar a concorrência, cumpriu todas as regras – menos a última. O pé escorregou, perdeu o equilíbrio, caiu de uma altura de sete andares e morreu madrugada adentro.
A morte de Beale teve como natural consequência um aumento do número de pessoas interessadas em saber o que raio é o planking e o que tem o planking assim de tão especial e perigoso para provocar a morte de uma pessoa. A polícia entrou em cena, mostrando-se preocupada com a segurança dos plankófilos; até a primeiro-ministro da Austrália, Julia Gillard, veio à televisão para dizer que as pessoas podem divertir-se, desde que não percam o juízo. Para que o ciclo de reações fique completo, faltam apenas as extrapolações dos psicólogos.
Eu não sei qual é a vossa opinião sobre este fenómeno, sobre o mundo de pessoas que defendem o planking como um estilo de vida, uma vocação, uma espécie de amor, mas em relação à morte de Acton Beale a explicação parece-me simples: a força de gravidade pregou-lhe uma partida; o desconhecimento de que existem forças mais poderosas do que a gravidade, como a inteligência, acabou por matá-lo. Num mundo em que tantos inocentes morrem de fome e pobreza, desperdiçar uma vida inteira por simples estupidez é um luxo só ao alcance dos privilegiados.

































5 comentários
Nem a propósito:
http://broelman.files.wordpress.com/2011/05/broelman-com-au-planking.jpg?w=500&h=324
Um abraço
Marco, até aqui houve planking
A minha reacção?
Eu já tive tatuado no depósito da minha CBR RR “A vida começa aos 170Km/h”. Mais tarde ganhei juízo, percebi que começava aos 240Km/h e mudei a tatuagem!! Ainda mais tarde percebi que estava farto de contabilizar quedas…
Caí 4 vezes de(a) mota na minha vida. Sempre que caí estava parado. Duas das quedas foram provocadas por papel-manteiga com restos de bolo.
Moral da história: não estacionem a mota ao pé de uma pastelaria!
h.udo
MArco,
O último parágrafo está brutal!!! LOL
Realmente, esta coisa do “planking” só tem uma coisa a referir: ESTÚPIDOS! LOL
Eu não me deito na minha cama nesta posição, não era numa varanda… muito menos num 7º andar!
São mesmo geeks… do “planking”!