O mosaico que se segue foi obtido a partir das imagens com melhor resolução da superfície de Plutão obtidas pela sonda New Horizons.

As imagens individuais foram captadas pela câmara LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) durante um intervalo de 1 minuto, 15 minutos antes do ponto de maior aproximação ao planeta anão, a uma distância de aproximadamente 17 mil quilómetros.

Eis o mosaico – a imagem tem cerca de 2 megabytes. A resolução varia ligeiramente de imagem para imagem, entre os 77 e os 85 metros por pixel. A dimensão horizontal do mosaico corresponde a cerca de 80 quilómetros.

A diversidade de estruturas geológicas na superfície é notável, com regiões ricas em crateras de impacto, cordilheiras de montanhas e planícies glaciais.

O topo do mosaico começa no bordo do disco de Plutão, a uma distância de 800 quilómetros da margem nordeste de Sputnik Planum, a planície gelada com estruturas poligonais no fundo da imagem. Pelo meio, pode ver-se uma grande cordilheira montanhosa informalmente conhecida por al-Idrisi Montes.

A análise das novas imagens desta cordilheira veio reforçar uma conjetura da equipa de que as «montanhas» são na realidade gigantescos blocos de gelo de água que foram empurrados e amontoados naquela região de Plutão por algum mecanismo geológico.

É importante lembrar que a superfície e o manto de Plutão são constituídos predominantemente por gelos de várias espécies químicas como o nitrogénio, metano, monóxido de carbono, amónia e água.

O gelo de água é de longe o mais abundante e, tanto quanto se sabe, o único com a rigidez suficiente para formar montanhas na superfície, algumas delas com vários quilómetros de altitude. Plutão é também constituído por rocha mas, no interior diferenciado (por densidade) do planeta anão, esta encontra-se na região nuclear.

Luís Lopes

­ Luís Lopes

Professor na Universidade do Porto e astrónomo amador há mais de 30 anos.