Faz sen­ti­do que pa­ra o lan­ça­men­to des­ta ru­bri­ca de en­tre­vis­tas te­nha es­co­lhi­do um as­tró­no­mo.

«Lançamento» é uma pa­la­vra ca­ra a to­dos aque­les que se in­te­res­sam pe­los mis­té­ri­os do Cosmos: das mis­sões Apollo ao Hubble, das son­das Viking aos robôs que ex­plo­ram a su­per­fí­cie mar­ci­a­na, as su­as his­tó­ri­as me­diá­ti­cas co­me­ça­ram sem­pre com a no­tí­cia de um lan­ça­men­to bem su­ce­di­do em di­rec­ção ao Espaço.

Também o as­tro­bió­lo­go e edu­ca­dor ci­en­tí­fi­co Carlos Oliveira, 37 anos, te­ve o seu cru­ci­al mo­men­to de lan­ça­men­to, quan­do em 2001 (ou­tra da­ta mar­can­te do ci­ne­ma de fic­ção ci­en­tí­fi­ca) vo­ou so­bre o Oceano Atlântico pa­ra ir tra­ba­lhar nos Estados Unidos, no Maryland Science Center, em Baltimore, du­ran­te 5 me­ses. Em 2003, já es­ta­va na Universidade do Texas, em Austin.

Diz ter saí­do de Portugal por que­rer ir pa­ra um país on­de fos­se da­da a «opor­tu­ni­da­de de mu­dar as coi­sas e fa­zer­mos o que que­re­mos, evo­luir­mos, tra­zer­mos ori­gi­na­li­da­de à área que gos­ta­mos.»

Não es­con­de o or­gu­lho em re­la­ção aos seus fei­tos aca­dé­mi­cos. Na pá­gi­na de per­fil dos co­la­bo­ra­do­res do blo­gue de Astronomia Astro.PT, o por­tu­guês Carlos Oliveira re­ve­la ser o cri­a­dor e pro­fes­sor de um «ino­va­dor» cur­so de Astrobiologia na Universidade ame­ri­ca­na. A pá­gi­na po­de ser con­sul­ta­da aqui. É o pri­mei­ro da lis­ta.

Quis ir pa­ra «um sí­tio on­de se ava­li­as­sem ob­jec­ti­va­men­te as pes­so­as, pe­lo seu mé­ri­to – em vez da me­di­o­cri­da­de do fac­tor cu­nha.» Saiu, en­fim, por uma ques­tão de men­ta­li­da­de: «Não me re­via na men­ta­li­da­de fe­cha­da, ne­ga­ti­va, de cons­tan­tes quei­xas, que exis­te em Portugal».

A ex­pe­ri­ên­cia es­tá a cor­rer mui­to bem. Carlos Oliveira não se tor­nou «um es­tra­nho nu­ma ter­ra es­tra­nha», co­mo o mar­ci­a­no da no­ve­la de fic­ção ci­en­tí­fi­ca de Robert H. Heinlein. Os acor­des do fado-saudade tam­bém não lhe cau­sam es­pe­ci­al res­so­nân­cia no cé­re­bro: é um emi­gran­te por­tu­guês, mas a sua ca­sa é o Cosmos – não pen­sa se­quer vol­tar pa­ra Portugal.

Tenciona sair dos EUA no pró­xi­mo ano, «ter uma ex­pe­ri­ên­cia di­fe­ren­te nou­tro país». Quando che­gar o mo­men­to de re­gres­sar, o des­ti­no se­rá no­va­men­te os Estados Unidos. Porque a vi­da pes­so­al «não tem si­do tra­di­ci­o­nal», con­ti­nua sol­tei­ro. «Talvez da­qui a cin­co anos as coi­sas se­jam to­tal­men­te di­fe­ren­tes».

Nesta en­tre­vis­ta, Carlos Oliveira dis­cu­te as fron­tei­ras do Universo, a te­o­ria dos Multiversos, Matéria Negra, Energia Negra, os li­mi­tes da ve­lo­ci­da­de da luz, os gra­vi­tões, o Big Bang, as des­co­ber­tas da Física Quântica, a bus­ca por vi­da ex­tra­ter­res­tre, a Ficção Científica, os OVNI, a Astrologia e Deus.

Oliveira é um ho­mem di­rec­to e as­ser­ti­vo – nas su­as res­pos­tas não há es­pa­ço pa­ra flo­re­a­dos di­plo­má­ti­cos. As opi­niões in­co­mo­dam, is­to é, de­sa­fi­am.

«Eu não gosto de diversas teorias científicas»

Georges Lemaître

Georges Lemaître – pa­dre ca­tó­li­co, pro­fes­sor de Física e Astronomia, cri­a­dor da Teoria do Big Bang – com Albert Einstein.

O Telescópio Espacial Hubble des­co­briu o ob­jec­to mais dis­tan­te ja­mais vis­to, uma ga­lá­xia for­ma­da quan­do o Universo era um jo­vem com ape­nas 480 mi­lhões de anos. Em 2014, o Telescópio Espacial James Webb, su­ces­sor do Hubble, con­se­gui­rá cap­tar a ima­gem das pri­mei­ras ga­lá­xi­as que se for­ma­ram. Até quan­do po­de­re­mos re­cu­ar no tem­po? Qual o li­mi­te ab­so­lu­to a par­tir do qual já não po­de­re­mos ob­ser­var mais na­da?

Carlos Oliveira – Supostamente se­ria o Tempo de Planck: 10^-43 se­gun­dos após o Big Bang.

No en­tan­to, o Universo foi «opa­co» du­ran­te mui­to tem­po, cheio de plas­ma io­ni­za­do. Só de­pois dis­so fi­cou «trans­pa­ren­te», ou se­ja, pas­sí­vel de ser vis­to. Podemos pen­sar num li­mi­te tal­vez de cer­ca de 380 mil anos após o Big Bang. No en­tan­to, o Universo nes­ta al­tu­ra se­ria «ne­gro»… Ainda lhe fal­ta a luz que é da­da pe­las es­tre­las.

As ga­lá­xi­as tal­vez se te­nham for­ma­do 200 mi­lhões de anos após o Big Bang. O Telescópio Espacial James Webb, se con­se­guir che­gar a es­tas, já se­rá ex­ce­len­te.

A te­o­ria do Multiverso se­gun­do a qual o Espaço-Tempo abar­ca não ape­nas o nos­so Universo, mas uma sé­rie de­les, era vis­ta co­mo um con­cei­to de Ficção Científica. As des­co­ber­tas quân­ti­cas e a Teoria da Relatividade pa­re­cem de­mons­trar que, afi­nal, é mes­mo pos­sí­vel que exis­tam múl­ti­plos uni­ver­sos. Qual é a sua opi­nião so­bre o as­sun­to?

C. O. – Eu não gos­to de di­ver­sas te­o­ri­as ci­en­tí­fi­cas. Sigo o Princípio da Mediocridade, se­gun­do o qual so­mos in­sig­ni­fi­can­tes no Universo. Não so­mos o cen­tro, nem se­quer so­mos es­pe­ci­ais.

Devido a is­so, há vá­ri­as idei­as e te­o­ri­as de que não gos­to.

Exemplos:

SETI – ape­sar de re­co­nhe­cer o pa­pel que o SETI te­ve no de­sen­vol­vi­men­to de com­pu­ta­do­res e rádio-telescópios, não gos­to da sua fi­lo­so­fia. Tanto o SETI co­mo ou­tras áre­as da as­tro­bi­o­lo­gia so­frem da fal­ta de ima­gi­na­ção de es­ta­rem à pro­cu­ra de hu­ma­nos no es­pa­ço! Não pro­cu­ram ex­tra­ter­res­tres, mas sim hu­ma­nos, com o mes­mo ti­po de ra­ci­o­cí­nio, a mes­ma ma­te­má­ti­ca, o mes­mo de­sen­vol­vi­men­to, a mes­ma tec­no­lo­gia, etc.

Quântica – te­nho a ideia de Einstein, de que exis­te al­go «mais abai­xo» (mais pro­fun­do) que ex­pli­ca­rá as apa­ren­tes pro­ba­bi­li­da­des da Quântica. Por ou­tro la­do, não gos­to da for­ma co­mo as ob­ser­va­ções de­pen­dem do ob­ser­va­dor (de nós), por­que, no­va­men­te, é pôr-nos no cen­tro do Universo, ser­mos mui­tos es­pe­ci­ais.

Big Bang – re­co­nhe­ço as evi­dên­ci­as ci­en­tí­fi­cas pa­ra es­ta te­o­ria, mas não gos­to de­la, so­bre­tu­do por­que foi pen­sa­da por um pa­dre que que­ria en­con­trar o mo­men­to em que Deus cri­ou o Universo. Como não gos­to de mo­ti­vos re­li­gi­o­sos (por­que nos põem no cen­tro da aten­ção de «al­guém», as­su­min­do que so­mos es­pe­ci­ais e mui­to im­por­tan­tes no Universo), en­tão to­da a te­o­ria, pa­ra mim, so­fre des­sa fa­lha.

Multiverso – a ideia do Multiverso nas­ceu da fal­sa no­ção de que se só exis­te es­te Universo, en­tão ele es­tá fei­to pa­ra nós: as su­as pro­pri­e­da­des fí­si­cas es­tão fei­tas pa­ra a nos­sa exis­tên­cia. Ou se­ja, so­fre do mes­mo pro­ble­ma dos exem­plos aci­ma.

Carlos OliveiraO Universo não quer sa­ber do que eu pen­so e das mi­nhas fi­lo­so­fi­as. Os re­sul­ta­dos ci­en­tí­fi­cos nem sem­pre são aque­les que eu gos­to

Se o Universo fos­se di­fe­ren­te, po­de­ria ha­ver vi­da to­tal­men­te di­fe­ren­te da nos­sa, e se ca­lhar es­sa vi­da es­ta­ria a pen­sar que o Universo foi fei­to pa­ra ela, e que o seu mun­do es­ta­va no cen­tro do Universo. No en­tan­to, is­to é al­go que nem se­quer é ima­gi­na­do por quem pen­sa que o Universo es­tá fei­to pa­ra nós. Ora, pa­ra con­tra­ba­lan­çar es­ta ideia ini­ci­al de que o Universo es­tá fei­to pa­ra nós, en­tão imaginou-se que es­te se­ria só um de mui­tos uni­ver­sos, e daí que não ha­via na­da de es­pe­ci­al ne­le. O que eu pen­so é que a ideia ini­ci­al es­tá er­ra­da, lo­go não é pre­ci­so con­tra­ba­lan­çar na­da.

Sempre que pen­so nes­tas coi­sas lembro-me das pa­la­vras de Xenophanes. Este fi­ló­so­fo gre­go, que vi­veu cer­ca de 100 anos, di­zia há mais de 2500 anos que se as va­cas e os ca­va­los con­se­guis­sem de­se­nhar, ima­gi­na­ri­am deu­ses à sua ima­gem. Hoje, ele di­ria o mes­mo dos ex­tra­ter­res­tres da fic­ção ci­en­tí­fi­ca, por exem­plo. Ou se­ja, te­mos sem­pre a in­crí­vel ma­nia de ima­gi­nar que os ou­tros são co­mo nós. E porquê? Porque nos acha­mos o que de mais im­por­tan­te exis­te, por is­so os ou­tros têm que ser co­mo nós. O mes­mo se pas­sa nes­tes exem­plos que co­lo­quei em ci­ma, in­cluin­do na ideia ini­ci­al pa­ra o Multiverso.

Finalizo di­zen­do al­go que me pa­re­ce que é bas­tan­te im­por­tan­te pa­ra aqui: is­to são so­men­te opi­niões mi­nhas. É so­men­te a mi­nha fi­lo­so­fia pa­ra a vi­da e pa­ra o uni­ver­so.

E uma das coi­sas que já apren­di nes­tes 37 anos, é que o Universo não quer sa­ber do que eu pen­so e das mi­nhas fi­lo­so­fi­as. Os re­sul­ta­dos ci­en­tí­fi­cos nem sem­pre são aque­les que eu gos­to. E são es­ses re­sul­ta­dos que con­tam, e não o que eu pen­so.

Estamos sós?

Alien Thinker, Lele1988

Alien Thinker, Lele1988

Admitindo que a to­ta­li­da­de do Espaço-Tempo é cons­ti­tuí­da por múl­ti­plos uni­ver­sos, is­so dei­xa o Homem nu­ma po­si­ção ain­da mais in­sig­ni­fi­can­te no Cosmos. Até ver, so­mos a úni­ca es­pé­cie in­te­li­gen­te no Universo, a úni­ca que de­sen­vol­veu cons­ci­ên­cia; não o per­tur­ba ve­ri­fi­car quão ir­re­le­van­tes so­mos ver­da­dei­ra­men­te?

C. O. – Pelo con­trá­rio.

Acho ver­da­dei­ra­men­te fe­no­me­nal ser­mos in­sig­ni­fi­can­tes, ir­re­le­van­tes, no Universo.

A mai­or par­te das pes­so­as no mun­do pen­sa que é tão im­por­tan­te no Universo que tem al­guém sem­pre mui­to aten­to a ela (se­ja Deus, ou ET’s que pi­lo­tam OVNIs). A cren­ça em OVNI’s não é mais do que uma re­li­gião (co­mo pro­vou George Adamski).

Parece-me um pro­ble­ma de ego que le­va à es­tag­na­ção, por­que to­das as res­pos­tas po­dem ser da­das por quem es­tá «aci­ma de nós» (se­ja Deus ou ET’s avan­ça­dos). Alguém dis­se: «Give a man a fish, and you’ll fe­ed him for a day; gi­ve him a re­li­gi­on, and he’ll star­ve to de­ath whi­le praying for a fish.»

(«Dê um pei­xe a um ho­mem e vo­cê alimentá-lo-á por um dia; dê-lhe uma re­li­gião e ele mor­re­rá de fo­me en­quan­to re­za por um pei­xe»)

Arthur C. Clarke, no seu li­vro Profiles of the Future, abor­dou o mes­mo te­ma di­zen­do que os hu­ma­nos de­ve­ri­am pro­gre­dir, ar­ris­car, avan­çar: «A bil­li­on mil­li­on ye­ars ago the mo­re con­ser­va­ti­ve fishes said exac­tly the sa­me to their amphi­bi­an re­la­ti­ons: ‘Existence on dry land be­ars not the re­mo­test re­sem­blan­ce to fishy li­ke un­der wa­ter. We shall stay whe­re we are’. And that is what they did. This is why they are still fishes».

(«Há mil mi­lhões de anos, os pei­xes mais con­ser­va­do­res dis­se­ram exac­ta­men­te o mes­mo aos seus pa­ren­tes an­fí­bi­os: ‘A exis­tên­cia nas ter­ras se­cas não te­rá a mais re­mo­ta se­me­lhan­ça com a da vi­da aquá­ti­ca. Fiquemos on­de es­ta­mos’ E foi o que fi­ze­ram. Por is­so ain­da ho­je são pei­xes»)

Ou se­ja, po­dem ser in­sig­ni­fi­can­tes pei­xes, mas se ar­ris­ca­rem, se avan­ça­rem, po­de­rão evo­luir imen­so e che­gar lon­ge. A ou­tra hi­pó­te­se se­rá con­ti­nu­a­rem no mes­mo sí­tio, es­tag­na­dos, à es­pe­ra que «al­guém fa­ça al­go acon­te­cer», sem eles pró­pri­os fa­ze­rem na­da por is­so.

Eu si­go a ideia do «so­nho ame­ri­ca­no»: al­guém in­sig­ni­fi­can­te con­se­guir che­gar lon­ge. Como acon­te­ceu com os men­to­res do Google, Microsoft, Facebook ou Twitter.

O mes­mo es­pe­ro pa­ra o fu­tu­ro da hu­ma­ni­da­de: al­guém to­tal­men­te in­sig­ni­fi­can­te no Universo con­se­guir não só des­co­brir os se­gre­dos des­se Universo, mas até se es­pa­lhar por ele.

Há muito, muito tempo, numa galáxia muito, muito distante

Lado Negro da Energia

Não su­bes­ti­mes o Lado Negro da Energia, Luke

O fí­si­co di­na­marquês Niels Bohr afir­mou o se­guin­te: só quem não com­pre­en­de as im­pli­ca­ções das des­co­ber­tas quân­ti­cas não fi­ca cho­ca­do com elas. O que o cho­ca mais na Física Quântica?

C. O. – Ia pa­ra di­zer tu­do… mas se quer só uma ca­rac­te­rís­ti­ca, en­tão se­rá o «en­tan­gle­ment». Como é que uma par­tí­cu­la po­de «sa­ber» ins­tan­ta­ne­a­men­te as ca­rac­te­rís­ti­cas de ou­tra par­tí­cu­la no ou­tro la­do do Universo, é al­go que pa­re­ce uma ideia «pseu­do». Mesmo Einstein chamou-lhe: «spo­oky ac­ti­on at a dis­tan­ce» [ac­ção fan­tas­ma­gó­ri­ca à dis­tân­cia]

É al­go que me cho­ca pro­fun­da­men­te! E daí que, pa­ra mim, se­ja al­go sim­ples­men­te fan­tás­ti­co e ge­ni­al!

Quando con­se­guir­mos per­ce­ber com­ple­ta­men­te es­sa ca­rac­te­rís­ti­ca, o Universo nun­ca mais se­rá o mes­mo. Tenho a im­pres­são de que mui­to do que sa­be­mos ho­je se­rá dei­ta­do ao cai­xo­te do li­xo…

Será que vo­cê vai ser a pes­soa a con­se­guir fazer-nos en­ten­der a nós, lei­gos, o que raio é a Matéria Negra e por que ra­zão é tão im­por­tan­te?

C. O. – A ma­té­ria ne­gra é al­go nor­mal. É ma­té­ria nor­mal, mas que não con­se­gui­mos ver (de­tec­tar). Só de­tec­ta­mos os seus efei­tos gra­vi­ta­ci­o­nais na ma­té­ria a que cha­ma­mos de nor­mal.

Parece-me que a des­co­ber­ta das par­tí­cu­las que for­mam a ma­té­ria ne­gra se­rá um anti-clímax, por­que na re­a­li­da­de é sim­ples­men­te al­go que pa­ra já não con­se­gui­mos de­tec­tar mas que é “nor­mal”.

Dou-lhe um exem­plo: o Sol, co­mo qual­quer es­tre­la, emi­te ra­di­a­ção. Essa ra­di­a­ção po­de, por exem­plo, ser em for­ma de luz vi­sí­vel, e ve­mos o Sol. Não ve­mos a ra­di­a­ção in­fra­ver­me­lha, mas sa­be­mos que ela exis­te por­que ve­mos os seus efei­tos (ca­lor). Não ve­mos a ra­di­a­ção ul­tra­vi­o­le­ta, mas sa­be­mos que ela exis­te por­que ve­mos os seus efei­tos (can­cro da pe­le).

Ou se­ja, não ve­mos di­ver­sos ti­pos de ra­di­a­ção, mas sa­be­mos que eles exis­tem por­que ve­mos os seus efei­tos. Mas a ra­di­a­ção, em di­fe­ren­tes com­pri­men­tos de on­da, é al­go nor­mal e que faz par­te do es­pec­tro elec­tro­mag­né­ti­co.

É im­por­tan­te pa­ra con­se­guir­mos com­pre­en­der o to­do.

Existe mais ma­té­ria ne­gra que ma­té­ria «vi­sí­vel», por is­so é im­por­tan­te com­pre­en­der­mos a mai­or par­te da ma­té­ria do Universo.
Da mes­ma for­ma que se só com­pre­en­de­mos a luz vi­sí­vel, es­ta­ría­mos li­mi­ta­dos a um pe­que­no es­pa­ço do es­pec­tro elec­tro­mag­né­ti­co sem con­se­guir­mos com­pre­en­der o res­to, e o to­do.

Se a per­gun­ta fos­se so­bre Energia Negra, aí já se­ria mais com­pli­ca­do…

Considere es­ta per­gun­ta uma for­ma de lhe com­pli­car a vi­da! Pode falar-nos um pou­co so­bre es­sa mis­te­ri­o­sa Energia Negra?

C. O. – Supostamente, a ener­gia ne­gra é uma ener­gia que fun­ci­o­na de mo­do con­trá­rio à gra­vi­da­de: é re­pul­si­va, e es­tá a ex­pan­dir o Universo.

Como es­tá a ex­pan­dir o Universo no seu to­do, en­tão não tem que se­guir as re­gras «den­tro do Universo». Exemplo: den­tro do Universo te­mos o li­mi­te de ve­lo­ci­da­de que é a ve­lo­ci­da­de da luz no vá­cuo (ac­tu­al­men­te pensa-se em C co­mo uma bar­rei­ra e não co­mo um li­mi­te, mas es­sa é ou­tra his­tó­ria). Ora, pa­ra o to­do do Universo es­se li­mi­te não exis­te, por is­so o Universo po­de per­fei­ta­men­te expandir-se a ve­lo­ci­da­des su­pe­ri­o­res à da luz, co­mo pe­los vis­tos faz.

O pro­ble­ma da Energia Negra é que não sa­be­mos o que é.

Na ver­da­de, não sa­be­mos na­da!

Ideias e te­o­ri­as não fal­tam. Possíveis so­lu­ções abun­dam.

Respostas é que nem vê-las.

Não se sa­be o que é, nem se­quer se sa­be se é uma for­ça (cu­ri­o­sa­men­te, eu tam­bém di­go que a gra­vi­da­de não é uma for­ça, mas es­sa é ou­tra his­tó­ria), nem se­quer se é ne­gra, nem se­quer se é ener­gia! Este é um as­sun­to em que a nos­sa ig­no­rân­cia é mui­to su­pe­ri­or ao nos­so co­nhe­ci­men­to.

Para a Energia Negra assume-se que o Universo se es­tá a ex­pan­dir… mas há quem ache que não es­tá! Por exem­plo, há ci­en­tis­tas que pen­sam que é o Tempo que es­tá a abran­dar. O pró­prio Hubble, que des­co­briu que os gru­pos de ga­lá­xi­as «fu­gi­am» de nós, não en­ve­re­dou por di­zer que is­so era fru­to de que o Universo se es­ta­va a ex­pan­dir.

Claramente es­ta­mos num ter­re­no em que não sa­be­mos o que pen­sar…

Até por­que es­ta­mos a fa­lar do Universo Observável… e não re­al­men­te no Universo no seu to­do, e nin­guém sa­be o que ha­ve­rá pa­ra lá do Universo Observável…

E a pró­pria di­vul­ga­ção des­ta ideia, in­cluin­do com os di­a­gra­mas da NASA, não aju­da na­da, por­que re­flec­tem con­cep­ções er­ra­das. É ca­so des­ta fa­mo­sa ima­gem fei­ta pe­la NASA, co­mo ex­pli­quei aqui.

Olhando pa­ra uma pers­pec­ti­va his­tó­ri­ca so­bre «coi­sas que não sa­bía­mos», ve­mos is­to (al­guns exem­plos):

percebeu-se dis­cre­pân­ci­as na ór­bi­ta de Úrano. Em 1 ano, descobriu-se Neptuno, ou se­ja, al­go (pla­ne­ta) que já co­nhe­cía­mos em sí­ti­os que sa­be­mos exis­tir. Ou se­ja, em 1 ano descobriu-se mais da­qui­lo que já sa­bía­mos (pla­ne­tas) – «mo­re stuff»;

percebeu-se dis­cre­pân­ci­as na es­tre­la Sirius. Em 20 anos descobriu-se a sua com­pa­nhei­ra anã. Não se sa­bia o que eram anãs bran­cas, mas é al­go que vem de al­go que já co­nhe­ce­mos (es­tre­las). Ou se­ja, demorou-se 20 anos pa­ra se des­co­brir no­vas coi­sas, al­go di­fe­ren­te, mas ba­se­a­do em al­go que já co­nhe­cía­mos – «dif­fe­rent stuff»;

percebeu-se dis­cre­pân­ci­as na ór­bi­ta de Mercúrio. Pensou-se, co­mo em ci­ma, que se­ria um pla­ne­ta mais per­to do Sol a pro­vo­car is­so, e chamou-se Vulcan a es­se pla­ne­ta. No en­tan­to, es­sa ex­pli­ca­ção es­ta­va er­ra­da por­que nun­ca se en­con­trou es­se pla­ne­ta. Mas em 70 anos, Einstein ex­pli­cou o porquê des­sas dis­cre­pân­ci­as na ór­bi­ta de Mercúrio, com uma no­va te­o­ria da gra­vi­da­de. Ou se­ja, de­mo­rou 70 anos pa­ra se ex­pli­car es­sas dis­cre­pân­ci­as e te­ve que se cri­ar uma no­va fí­si­ca (Relatividade) pa­ra is­so – «new phy­sics».

Ora, a ideia de que o Universo es­tá a ex­pan­dir e que exis­te uma for­ça re­pul­si­va res­pon­sá­vel por es­sa ex­pan­são já tem mui­tas dé­ca­das. Olhando pa­ra es­sa li­ção his­tó­ri­ca, en­tão pen­so que a res­pos­ta pa­ra o que é a Energia Negra es­tá nu­ma Nova Física, al­go com­ple­ta­men­te di­fe­ren­te da­qui­lo que pen­sa­mos ac­tu­al­men­te.

Carlos OliveiraPode-se es­pe­rar que por to­do o Universo, e nas con­di­ções mais ad­ver­sas, pos­sa exis­tir vi­da sim­ples. Mas vi­da com­ple­xa se­rá ra­ra, e vi­da in­te­li­gen­te ain­da mais

No en­tan­to, ten­do em con­ta que se ca­lhar te­re­mos que sa­ber o que se pas­sa na par­te do Universo que nem sa­be­mos o que é, por­que não é Universo Observável, en­tão a res­pos­ta pa­ra es­te mis­té­rio torna-se pra­ti­ca­men­te «im­pos­sí­vel». A ver­da­de é que há imen­so Universo pa­ra lá da­qui­lo que con­se­gui­mos observar/detectar.

Concluindo, eu sou da opi­nião do cos­mó­lo­go Karl Gebhardt: não sa­be­mos.

«Actualmente pensa-se na ve­lo­ci­da­de da Luz co­mo uma bar­rei­ra e não co­mo um li­mi­te, mas es­sa é ou­tra his­tó­ria». «A gra­vi­da­de não é uma for­ça, mas es­sa é ou­tra his­tó­ria». Pelas mi­nhas con­tas, já são du­as his­tó­ri­as por con­tar.

C. O. – Taquiões. Pensa-se que po­de­rão exis­tir par­tí­cu­las que vi­a­jam mais rá­pi­do que a luz. Ou se­ja, é pos­sí­vel vi­a­jar abai­xo de C, mas não ul­tra­pas­sar es­sa bar­rei­ra. E po­de­rá ser pos­sí­vel vi­a­jar aci­ma de C, mas não abran­dar ao pon­to de pas­sar «pa­ra bai­xo» des­sa bar­rei­ra. C não se­rá um li­mi­te, mas sim uma bar­rei­ra.

Einstein dis­se que a Gravidade é uma pro­pri­e­da­de do espaço-tempo… ou se­ja, se­rá sim­ples­men­te uma pro­pri­e­da­de no te­ci­do do espaço-tempo. Não me pa­re­ce que se­rá uma for­ça no sen­ti­do con­ven­ci­o­nal do ter­mo. Logo, pa­ra mim, não exis­ti­rão os fa­mo­sos gra­vi­tões que tan­ta gen­te an­da à pro­cu­ra…

Kevin Spacey

Kevin Spacey no fil­me de cul­to K-Pax

Se pu­des­se em­bar­car na «na­ve da ima­gi­na­ção» de Carl Sagan, qual o lo­cal do Universo que gos­ta­ria de vi­si­tar em pri­mei­ro lu­gar, e porquê?

C. O. – Todo o pla­ne­ta Terra.

Acho es­tra­nho quan­do as pes­so­as vão ver mu­seus ou ou­tros lo­cais im­por­tan­tes nou­tras ci­da­des, mas nun­ca os vi­ram na sua pró­pria ci­da­de. Daí que acho que an­tes de ver ou­tras coi­sas nou­tros la­dos, gos­ta­ria de ver o nos­so pró­prio pla­ne­ta.

Depois dis­so, gos­ta­ria de vi­a­jar com o prot, de K-Pax, com os cons­tru­to­res dos bu­ra­cos de ver­me, de Contacto, ou com os Q, de Star Trek. Eles, me­lhor que eu, sa­be­ri­am quais os me­lho­res sí­ti­os a vi­si­tar se­gui­da­men­te. Eu con­fi­a­ria nes­ses «gui­as tu­rís­ti­cos».

Interessa-se tam­bém pe­la nos­sa bus­ca por si­nais de vi­da ex­tra­ter­res­tre, in­te­li­gen­te ou não. No en­tan­to, é vi­sí­vel em mui­tos dos ar­ti­gos que es­cre­ve uma enor­me ir­ri­ta­ção em re­la­ção ao fe­nó­me­no OVNI. A Ovnilogia é uma área le­gí­ti­ma de in­ves­ti­ga­ção ou con­si­de­ra que é com­pos­ta ape­nas por char­la­tães?

C. O. – Há mui­tos in­ves­ti­ga­do­res do fe­nó­me­no OVNI que não são char­la­tães.

Dou-lhe, por exem­plo, o ca­so da PUFOI, uma so­ci­e­da­de por­tu­gue­sa que in­ves­ti­ga es­ses fe­nó­me­nos. O le­ma de­les é que pas­sa tu­do pe­lo cé­re­bro hu­ma­no. Esses são sé­ri­os.

O que me «ir­ri­ta» é o ge­o­cen­tris­mo psi­co­ló­gi­co evi­den­ci­a­do pe­los ou­tros.

Como ex­pli­quei, si­go o Princípio da Mediocridade.

Carlos OliveiraVida «hu­ma­na­men­te in­te­li­gen­te» parece-me ex­tre­ma­men­te im­pro­vá­vel, se­não mes­mo im­pos­sí­vel

Irrita-me que as pes­so­as se­jam tão pou­co ima­gi­na­ti­vas, que pre­fe­rem se­guir a vi­são re­li­gi­o­sa se­gun­do a qual as na­ves ETs são co­mo as nos­sas no sé­cu­lo XX, os ETs es­tão a «vi­gi­ar», nós so­mos tão es­pe­ci­ais que so­mos o cen­tro da aten­ção de ETs, os ETs são co­mo nós, os ETs pen­sam da mes­ma for­ma que nós, os ETs têm tec­no­lo­gia se­me­lhan­te à nos­sa, etc.

É tu­do so­bre nós.

É uma for­ma de nos sen­tir­mos es­pe­ci­ais, de nos sen­tir­mos in­te­res­san­tes.

É o ego hu­ma­no a fun­ci­o­nar, ali­a­do a uma tre­men­da fal­ta de ima­gi­na­ção pa­ra pen­sar em vi­da to­tal­men­te di­fe­ren­te da nos­sa.

Vida Extraterrestre

Esquecendo a par­te dos OVNI, quais são as su­as ex­pec­ta­ti­vas em re­la­ção à pos­si­bi­li­da­de de vi­da ex­tra­ter­res­tre in­te­li­gen­te?

C. O. – O que é vi­da in­te­li­gen­te? Como se de­fi­ne in­te­li­gên­cia?

Serão os hu­ma­nos in­te­li­gen­tes?

Quando me fa­lam em in­te­li­gên­cia, pen­so sem­pre no Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, do Douglas Adams, e no Solaris do Stanislaw Lem. Parece-me, no­va­men­te, um con­cei­to hu­ma­no e an­tro­po­cên­tri­co.

No en­tan­to… va­mos as­su­mir, «for the sa­ke of the ar­gu­ment», que até so­mos in­te­li­gen­tes, e so­mos a úni­ca es­pé­cie ter­res­tre in­te­li­gen­te.

Então, é is­to que pen­so: a vi­da que pa­ra já co­nhe­ce­mos exis­te na Terra.

A evo­lu­ção da vi­da na Terra diz-nos que pra­ti­ca­men­te sem­pre exis­tiu vi­da (des­de que exis­te Terra), que du­ran­te 4 mil mi­lhões de anos es­sa vi­da foi sim­ples, que a vi­da com­ple­xa é re­cen­te, e que a vi­da in­te­li­gen­te é ain­da mais re­cen­te. O ca­len­dá­rio cós­mi­co de Sagan de­mons­trou is­to na per­fei­ção.

É pre­ci­so per­ce­ber tam­bém que a vi­da sim­ples con­ti­nua a exis­tir em to­do o la­do. Mesmo ha­ven­do vi­da in­te­li­gen­te (nós), es­sa vi­da in­te­li­gen­te é fei­ta de mi­lhões de bac­té­ri­as. Nós não con­se­gui­ría­mos so­bre­vi­ver sem bac­té­ri­as. Já as bac­té­ri­as so­bre­vi­vem bem sem nós.

Assim, pode-se es­pe­rar que a vi­da es­te­ja es­pa­lha­da por to­do o Universo (já que foi fá­cil ela apa­re­cer na Terra), e que a gran­de mai­o­ria des­sa vi­da se­ja sim­ples. Vida com­ple­xa po­de ha­ver, mas é ra­ra. Vida in­te­li­gen­te po­de ser sim­ples­men­te uma «sor­te».

Vida «hu­ma­na­men­te in­te­li­gen­te» parece-me ex­tre­ma­men­te im­pro­vá­vel, se­não im­pos­sí­vel. Da mes­ma for­ma que não há ou­tro Carlos Oliveira com as mes­mas ca­rac­te­rís­ti­cas das mi­nhas no mun­do. Será que se for­mos ao tem­po de Cristo, con­si­de­ra­re­mos os hu­ma­nos in­te­li­gen­tes? Duvido. Será que se for­mos ao tem­po dos Neandertais, os con­si­de­ra­re­mos in­te­li­gen­tes? Duvido. No en­tan­to, es­ta­mos a pen­sar em pe­río­dos de tem­po mui­to cur­tos: 2000 anos e 100.000 anos, res­pec­ti­va­men­te. Da mes­ma for­ma que hu­ma­nos no ano 100.000 nos con­si­de­ra­rão ex­tre­ma­men­te atra­sa­dos. E 100.000 anos não é na­da, em 13 mil mi­lhões de anos. Daí que es­pe­rar que ex­tra­ter­res­tres es­te­jam no nos­so ní­vel de de­sen­vol­vi­men­to in­te­lec­tu­al e tec­no­ló­gi­co, é não ter qual­quer no­ção de tem­po.

Em ter­mos de dis­tri­bui­ção de vi­da na Terra, ve­mos que a vi­da sim­ples se en­con­tra em to­do o la­do, mes­mo em sí­ti­os «im­pos­sí­veis». Extremófilos encontram-se em pra­ti­ca­men­te to­dos os can­tos da Terra, des­de os sí­ti­os mais quen­tes até aos mais ge­la­dos, des­de o ci­mo das nu­vens até três qui­ló­me­tros den­tro de pe­dras. Vida com­ple­xa pre­ci­sa de con­di­ções mui­to mais mo­de­ra­das pa­ra so­bre­vi­ver. Vida in­te­li­gen­te pre­ci­sa de con­di­ções ain­da mais mo­de­ra­das, além de con­di­ções que se man­te­nham as mes­mas du­ran­te mi­lhões de anos.

Como dis­se Darwin, tu­do de­pen­de da adap­ta­ção ao am­bi­en­te da al­tu­ra. A vi­da sim­ples é ex­ce­len­te nis­so. A vi­da com­ple­xa mor­re ra­pi­da­men­te com mu­dan­ças brus­cas no seu am­bi­en­te. Podemos ver is­so não só em ter­mos de am­bi­en­te nu­ma cer­ta al­tu­ra, mas até ao lon­go dos anos. Por exem­plo, as ci­a­no­bac­té­ri­as mu­da­ram a at­mos­fe­ra com­ple­ta­men­te: de 0% de oxi­gé­nio pa­ra 21% de oxi­gé­nio, sen­do que já hou­ve pe­río­dos com 31% de oxi­gé­nio. Os Humanos não so­bre­vi­ve­ri­am sem o oxi­gé­nio es­sen­ci­al na at­mos­fe­ra. A vi­da sim­ples so­bre­vi­ve, mes­mo sem is­so.

Assim, pode-se es­pe­rar que por to­do o Universo, e nas con­di­ções mais ad­ver­sas, pos­sa exis­tir vi­da sim­ples. No en­tan­to, vi­da com­ple­xa se­rá ra­ra, e vi­da in­te­li­gen­te ain­da mais di­fí­cil.

Repare-se num por­me­nor: du­as for­mas in­de­pen­den­tes de ver a vi­da na Terra dão exac­ta­men­te o mes­mo re­sul­ta­do do que se po­de es­pe­rar no ex­te­ri­or.

A ha­ver vi­da com­ple­xa nou­tros pla­ne­tas, eu apos­ta­ria em al­go se­me­lhan­te a in­sec­tos (já que na Terra são uma for­ma de vi­da ex­tre­ma­men­te bem su­ce­di­da) que voe à-vontade (a me­lhor for­ma de lo­co­mo­ção), ou en­tão al­go se­me­lhan­te a pol­vos (ani­mal bas­tan­te in­te­li­gen­te) em am­bi­en­tes aquá­ti­cos nou­tros pla­ne­tas. Ou en­tão, a jun­ção dos dois: «pol­vos vo­a­do­res», pa­re­ci­dos com os Eosapien do fan­tás­ti­co do­cu­men­tá­rio Alien Planet.

No en­tan­to, se ti­ves­se que apos­tar em al­go mes­mo, apos­ta­ria em al­go que não con­si­go se­quer ima­gi­nar!

Os dados de Schrödinger

Deus não joga aos dados

Fotomontagem evo­can­do a cé­le­bre fra­se de Einstein: «Deus não jo­ga aos da­dos»

É cé­le­bre o co­men­tá­rio de Einstein às con­clu­sões da Física Quântica: «Deus não jo­ga aos da­dos». Mesmo pa­ra um fí­si­co co­mo Einstein, Deus era vis­to co­mo o Criador. E vo­cê, acre­di­ta em Deus? Perguntando de ou­tra for­ma: sen­te a imen­si­da­de do Cosmos ape­nas nu­ma di­men­são ci­en­tí­fi­ca ou sente-a tam­bém co­mo uma es­pé­cie de ex­pe­ri­ên­cia re­li­gi­o­sa?

C. O. – Qual é a de­fi­ni­ção de Deus?

Um ho­mem de bar­bas sen­ta­do num tro­no aci­ma das nu­vens, que não tem mais na­da o que fa­zer se­não con­ta­bi­li­zar as ve­zes que di­go as­nei­ras, pa­ra se vin­gar de mim, co­mo juíz, quan­do eu mor­rer?

Nesse Deus não acre­di­to. Acho, no­va­men­te, uma for­ma de pen­sar de­ma­si­a­do an­tro­po­cên­tri­ca. É um Deus cri­a­do pe­los hu­ma­nos que so­frem de ge­o­cen­tris­mo psi­co­ló­gi­co.

O que é uma «ex­pe­ri­ên­cia re­li­gi­o­sa»? Existem ci­en­tis­tas que di­zem que têm al­go se­me­lhan­te a ex­pe­ri­ên­ci­as re­li­gi­o­sas quan­do têm os mo­men­tos «eu­re­ka» nas ex­pe­ri­ên­ci­as que fa­zem em la­bo­ra­tó­ri­os.

Eu pre­fi­ro acre­di­tar nes­ses hu­ma­nos. Prefiro sa­ber que foi um mé­di­co que sal­vou a vi­da de uma cri­an­ça, por exem­plo, após um ter­ra­mo­to (pre­fi­ro di­zer que foi Graças ao Médico), do que me pôr a gri­tar Graças a Deus que foi sal­va es­sa cri­an­ça (o que le­va à con­sequên­cia que es­se mes­mo Deus dei­xou que to­das as ou­tras cri­an­ças mor­res­sem).

Quem gri­ta «Graças a Deus» não me pa­re­ce que es­tá a ter uma ex­pe­ri­ên­cia re­li­gi­o­sa. Está, sim, a acu­sar Deus de ter mor­to to­das as ou­tras cri­an­ças, o que ni­ti­da­men­te é um pe­ca­do ca­pi­tal. Mas so­bre­tu­do es­tá a ser mui­to mal-agradecido ao mé­di­co que sal­vou a cri­an­ça, ou se­ja, é tí­pi­co de al­guém que não sa­be dar mé­ri­to a quem re­al­men­te o tem.

Eu pre­fi­ro dar va­lor aos hu­ma­nos, e não a ami­gos ima­gi­ná­ri­os que ti­ve em cri­an­ça.

Infelizmente, vi­ve­mos nu­ma de­mo­cra­cia em que a mai­or par­te das pes­so­as so­fre de ili­te­ra­cia fun­ci­o­nal. Se vi­ves­se­mos num sis­te­ma de me­ri­to­cra­cia, es­tas ques­tões de «agra­de­cer ao Pai Natal» nem se pu­nham.

Por ou­tro la­do, mes­mo al­guns as­tró­no­mos di­zem que têm o que pa­re­ce ser uma «ex­pe­ri­ên­cia re­li­gi­o­sa» ao ve­rem ne­bu­lo­sas pla­ne­tá­ri­as, ao es­tu­da­rem o iní­cio do Universo, etc. Neil de­Gras­se Tyson farta-se de di­zer is­so.

Einstein di­zia que o seu «Deus» eram as leis da na­tu­re­za. Tal co­mo Spinoza di­zia. Einstein che­gou mes­mo a di­zer: «The further the spi­ri­tu­al evo­lu­ti­on of man­kind ad­van­ces, the mo­re cer­tain it se­ems to me that the path to ge­nui­ne re­li­gi­o­sity do­es not lie th­rough the fe­ar of li­fe, the fe­ar of de­ath and blind faith but th­rough stri­ving af­ter ra­ti­o­nal kno­wled­ge».

(«Quanto mais avan­ça a evo­lu­ção es­pi­ri­tu­al da Humanidade, mais cor­rec­to me pa­re­ce que o ca­mi­nho pa­ra uma ge­nuí­na re­li­gi­o­si­da­de não re­si­de no me­do da vi­da, da mor­te ou na fé ce­ga, mas no es­for­ço de al­can­çar­mos o co­nhe­ci­men­to ra­ci­o­nal»)

No li­vro Contacto, de Carl Sagan, a per­so­na­gem Eda, fí­si­co, diz que te­ve mui­tas ex­pe­ri­ên­ci­as re­li­gi­o­sas, co­mo por exem­plo quan­do com­pre­en­deu as leis da Gravidade de Newton, quan­do com­pre­en­deu a Relatividade de Einstein, etc. Tinha ti­do imen­sas ex­pe­ri­ên­ci­as re­li­gi­o­sas, sem­pre den­tro da ci­ên­cia, e nun­ca fo­ra da ci­ên­cia. Como me pa­re­ce cla­ro, si­go a es­pi­ri­tu­a­li­da­de de Carl Sagan.

Carlos OliveiraA re­a­li­da­de não se com­pa­de­ce com his­tó­ri­as in­fan­tis com o ob­jec­ti­vo de ame­dron­tar as pes­so­as, fazendo-as crer que no fu­tu­ro irão ser jul­ga­das por ‘al­guém’

Entre a es­pec­ta­cu­la­ri­da­de que exis­te no mun­do na­tu­ral ou o con­for­to de uma fa­lá­cia in­ven­ta­da pa­ra con­tro­lar cri­an­ças (assume-se as pes­so­as co­mo cri­an­ças sem res­pon­sa­bi­li­da­de in­di­vi­du­al), co­mo o Pai Natal, ou Deus, pre­fi­ro ob­vi­a­men­te a be­le­za da ver­da­de que exis­te no mun­do na­tu­ral.

Daí que pre­fi­ro sa­ber (que é o con­trá­rio de acre­di­tar) que os áto­mos no meu cor­po são ba­si­ca­men­te iguais aos áto­mos que exis­tem na me­sa on­de es­tá o com­pu­ta­dor em que es­tou a es­cre­ver. Prefiro sa­ber que to­dos es­ses áto­mos, in­cluin­do to­dos os do meu cor­po, já fo­ram par­te de es­tre­las, já fi­ze­ram par­te da cons­ti­tui­ção do pla­ne­ta, já fi­ze­ram par­te de as­te­rói­des, já exis­ti­ram em ne­bu­lo­sas…

E quan­do eu mor­rer, es­tes meus áto­mos, cons­ti­tuin­tes do meu cor­po, irão vol­tar às es­tre­las, irão espalhar-se pe­la Lua, por ne­bu­lo­sas pla­ne­tá­ri­as, por ga­lá­xi­as dis­tan­tes.

Dizendo por ou­tras pa­la­vras, pre­fi­ro sa­ber (ter co­nhe­ci­men­to, que é con­trá­rio de «acre­di­tar») que já fui par­te de vá­ri­as es­tre­las, que os áto­mos que me cons­ti­tu­em já fi­ze­ram par­te de es­tre­las e pla­ne­tas, e que, quan­do mor­rer, es­se meu ser irá no­va­men­te fa­zer par­te de es­tre­las, pla­ne­tas, ne­bu­lo­sas, e do Universo no seu to­do.

Gattaca

O Vincent do fil­me «Gattaca»

Ou se­ja, tu­do o que exis­te em mim já es­te­ve es­pa­lha­do pe­lo Universo, e pa­ra o Universo irá vol­tar as­sim que eu mor­rer (co­mo re­fe­re o Vincent no fi­nal do fil­me Gattaca: «For so­me­o­ne who was ne­ver me­ant for this world, I must con­fess I’m sud­denly ha­ving a hard ti­me le­a­ving it. Of cour­se, they say every atom in our bo­di­es was on­ce part of a star. Maybe I’m not le­a­ving… may­be I’m going ho­me»)

(«Para al­guém que nun­ca foi fei­to pa­ra es­te mun­do, de­vo con­fes­sar que es­tou a ter sé­ri­as di­fi­cul­da­des em deixá-lo. Claro, eles di­zem que ca­da áto­mo dos nos­sos cor­pos fez, ou­tro­ra, par­te de uma es­tre­la. Talvez não es­te­ja a par­tir… tal­vez es­te­ja a vol­tar pa­ra ca­sa»)

Eu fa­ço par­te do Universo, e o Universo faz par­te de mim. Sempre foi as­sim, con­ti­nua a ser as­sim, e as­sim con­ti­nu­a­rá pa­ra to­da a eter­ni­da­de.

Isto não são cren­ças; is­to é a re­a­li­da­de do Universo.

E a re­a­li­da­de é mui­to mais fan­tás­ti­ca do que uma his­tó­ria pa­ra cri­an­ças.

A re­a­li­da­de não me­te me­do: é de­ma­si­a­do ma­ra­vi­lho­sa pa­ra me­ter me­do. A re­a­li­da­de não se com­pa­de­ce com his­tó­ri­as in­fan­tis com o ob­jec­ti­vo de ame­dron­tar as pes­so­as, fazendo-as crer que no fu­tu­ro irão ser jul­ga­das por al­guém que es­tá ob­ce­ca­do por es­sas mes­mas pes­so­as.

Pode-se clas­si­fi­car is­to co­mo uma es­pi­ri­tu­a­li­da­de num con­tex­to universal/cósmico.

A re­a­li­da­de dos co­nhe­ci­men­tos as­tro­nó­mi­cos (fa­ze­mos par­te do Universo, e o Universo faz par­te de nós) traz uma es­pi­ri­tu­a­li­da­de mui­to mais abran­gen­te, pa­cí­fi­ca, sem me­dos, e ima­gi­na­ti­va, que qual­quer re­li­gião hu­ma­na (ne­nhu­ma re­li­gião, nem ne­nhu­ma cren­ça pseu­do, al­gu­ma vez lhe che­gou aos cal­ca­nha­res).

É nes­te co­nhe­ci­men­to que me ba­seio. Não é uma ques­tão de acre­di­tar, mas sim de sa­ber. E é nes­te «Deus» que acre­di­to: no ser hu­ma­no que atra­vés da sua in­te­li­gên­cia, ra­ci­o­na­li­da­de, e pen­sa­men­to crí­ti­co, irá evo­luir pa­ra com­pre­en­der ca­da vez me­lhor o Universo que o ro­deia.

Há quem cha­me a is­to hu­ma­nis­mo se­cu­lar. Mas eu não gos­to do fac­to de o Humanismo co­lo­car os hu­ma­nos co­mo o que de mais im­por­tan­te exis­te no Universo. Como dis­se an­te­ri­or­men­te, si­go o Principio da Mediocridade. Essa é a úni­ca ga­ve­ta com que me iden­ti­fi­co. De res­to, a com­ple­xi­da­de e a di­ver­si­da­de são a or­dem do dia… e ain­da bem!

Daí que lhe pre­fi­ro cha­mar: «a fi­lo­so­fia do Carlos», uma fi­lo­so­fia ba­se­a­da nos co­nhe­ci­men­tos de Carl Sagan, que vê a imen­si­dão do Universo por aqui­lo que é, e que per­ce­be que os hu­ma­nos são ac­to­res in­sig­ni­fi­can­tes e tem­po­rá­ri­os no gran­de es­que­ma das coi­sas ape­sar tam­bém de com­pre­en­der que, ao evo­lui­rem, os hu­ma­nos irão com­pre­en­der ca­da vez mais es­se pal­co cós­mi­co.

Ficção Científica e Universos sexy

Battlestar Galactica, Cylon número 6

Battlestar Galactica, Cylon nú­me­ro 6

No seu per­fil do AstroPT es­tá es­cri­to que vo­cê se li­cen­ci­ou em Ficção Científica. Explique aos lei­to­res do Bitaites o que é ser li­cen­ci­a­do em Ficção Científica. Parece-me uma li­cen­ci­a­tu­ra fas­ci­nan­te.

C. O. – A mi­nha li­cen­ci­a­tu­ra é em Astronomia, Ficção Científica, e Comunicação Científica. Ou se­ja, a Ficção Científica foi par­te de­la, mas é uma par­te me­nor, sen­do que a Astronomia foi o «bo­lo» prin­ci­pal das dis­ci­pli­nas, com a com­po­nen­te de co­mu­ni­ca­ção.

Sempre ado­rei Ficção Científica, e pen­so que é um com­ple­men­to pre­ci­o­so pa­ra não só en­ten­der a hu­ma­ni­da­de, mas tam­bém pa­ra es­ti­car os li­mi­tes da ima­gi­na­ção ci­en­tí­fi­ca.

Star Trek, por exem­plo, era uma sé­rie so­bre­tu­do so­bre os pro­ble­mas hu­ma­nos da al­tu­ra: ra­cis­mo, se­xis­mo, guer­ra fria, gays ou di­rei­tos hu­ma­nos. No en­tan­to, tam­bém foi a sé­rie Star Trek que ins­pi­rou jo­vens pa­ra anos mais tar­de in­ven­ta­rem por­tas que se abrem au­to­ma­ti­ca­men­te, com­pu­ta­do­res pes­so­ais, te­le­mó­veis, mo­to­res a iões, etc. Gosto bas­tan­te do Contacto, de Carl Sagan, Black Cloud, de Fred Hoyle, Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, de Douglas Adams, e de vá­ri­os li­vros do Stanislaw Lem.

A Astrobiologia é tão sexy co­mo se diz?

C. O.– Sim, cla­ro. A vi­da é sexy. Por is­so, a vi­da no Universo é sexy por to­do o la­do!

Uma vez que o Homem nun­ca foi à Lua e a Lua pro­va­vel­men­te ain­da é fei­ta de quei­jo, acha que os Observatórios de­vem des­pe­dir os Astrónomos e substitui-los por co­zi­nhei­ros?

C. O. – Não. Porque se­não os ex­tra­ter­res­tres na Lua, mor­ri­am.

Passo a ex­pli­car: o Observatório da mi­nha Universidade é um dos pou­cos no mun­do que en­via fei­xes de la­ser pa­ra a Lua de mo­do a cons­tan­te­men­te se sa­ber a que dis­tân­cia es­tá a Lua. Pode-se fa­zer is­so, por­que as seis mis­sões à Lua dei­xa­ram lá ins­tru­men­tos, co­mo por exem­plo, re­flec­to­res. Se o Homem não foi à Lua, en­tão não exis­tem re­flec­to­res, e o que fa­ze­mos no nos­so Observatório se­rá en­tão ali­men­tar os ETs por­que to­da a gen­te sa­be que os ETs na Lua se ali­men­tam de fei­xes de luz. Os co­zi­nhei­ros cri­am a co­mi­da, fei­xes de luz, e os as­tró­no­mos enviam-os pa­ra a Lua.

Qual é o seu sig­no? Identifica-se com as ca­rac­te­rís­ti­cas de per­so­na­li­da­de que lhe são atri­buí­das?

C. O. – Leão. Sim, identifico-me com­ple­ta­men­te com as ca­rac­te­rís­ti­cas de Leão, so­bre­tu­do com as ca­rac­te­rís­ti­cas ne­ga­ti­vas. Curiosamente, co­mo a Astrologia não quer sa­ber da Precessão, quan­do eu nas­ci na ver­da­de a cons­te­la­ção era Caranguejo. Ou se­ja, na re­a­li­da­de, eu nas­ci sob o sig­no Caranguejo. E por in­crí­vel que pa­re­ça, tam­bém te­nho ca­rac­te­rís­ti­cas des­se sig­no. E ain­da mais es­tra­nho, tam­bém te­nho ca­rac­te­rís­ti­cas de Touro e de ou­tros sig­nos que es­ta­vam bas­tan­te dis­tan­tes da po­si­ção do Sol na al­tu­ra do meu nas­ci­men­to.

Claro que is­to não tem na­da de es­tra­nho. Todos te­mos ca­rac­te­rís­ti­cas de to­dos os sig­nos, por­que na re­a­li­da­de os sig­nos não nos di­zem na­da so­bre nós.

A as­tro­lo­gia con­ti­nua pa­ra­da no tem­po, no (des)conhecimento de há 2000 anos atrás. Continua a pen­sar que é o cen­tro do Universo. Como ex­pli­quei an­te­ri­or­men­te pa­ra ou­tros ca­sos, a as­tro­lo­gia so­fre tam­bém de ge­o­cen­tris­mo psi­co­ló­gi­co.

Trocar um dia de guerra por um mês em Marte

Água em Marte, oce­a­nos sub­ter­râ­ne­os em Europa e Enceladus, la­gos de me­ta­no em Titã, vi­da ba­se­a­da em ar­sé­nio – dir-se-ia que es­ta­mos qua­se, qua­se, a fa­zer a gran­de des­co­ber­ta da Astrobiologia. É op­ti­mis­ta quan­to a es­ta pos­si­bi­li­da­de?

C. O. – Uma das mi­nhas ca­rac­te­rís­ti­cas pes­so­ais é ser bas­tan­te op­ti­mis­ta… pa­ra tu­do. Por is­so, sou op­ti­mis­ta tam­bém em re­la­ção à as­tro­bi­o­lo­gia. No en­tan­to, sou re­a­lis­ta em re­la­ção à po­lí­ti­ca e à eco­no­mia. Nós ain­da não des­co­bri­mos mui­to mais so­bre es­ses lu­ga­res de que fa­lou por mo­ti­vos eco­nó­mi­cos (não há mai­or in­ves­ti­men­to nes­se sen­ti­do) e por mo­ti­vos po­lí­ti­cos (não há von­ta­de po­lí­ti­ca pa­ra apos­tar nes­se sec­tor).

E, con­tu­do, os gas­tos eco­nó­mi­cos de um só dia de guer­ra no Iraque, por exem­plo, da­ri­am per­fei­ta­men­te pa­ra uma mis­são a Marte…

Existem mui­tos mo­ti­vos pa­ra se apos­tar na ex­plo­ra­ção es­pa­ci­al, mas cer­ta­men­te que os mai­o­res se­rão pa­ra a so­bre­vi­vên­cia da hu­ma­ni­da­de, e pa­ra um mai­or con­for­to, um me­lhor ní­vel de vi­da. Entre um mai­or co­nhe­ci­men­to do Universo, um me­lhor ní­vel de vi­da e a so­bre­vi­vên­cia da hu­ma­ni­da­de, ou an­dar às guer­ri­nhas por uma pe­que­nís­si­ma par­te num mi­nús­cu­lo es­pa­ço de pó no Universo, o po­der po­lí­ti­co pre­fe­re an­dar a ma­tar ou­tros hu­ma­nos…

Marco Santos

Bitaite de Marco Santos

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