Já ouviram falar do Sinal Wow? É um mistério de 40 anos. E agora parece ter sido desvendado. Notaram a ausência de notícias sobre o assunto? Sim, adivinharam a razão do desinteresse: não há extraterrestres na história.

Na noite de 15 de agosto de 1977 — ano em que estreou o filme «Encontros Imediatos de 3º Grau» — o professor e astrónomo Jerry Ehman, voluntário do SETI, notou uma determinada sequência numérica nos dados recolhidos pelo telescópio Big Ear que o deixou muito excitado.

Não será exagerado afirmar que o homem se passou com o que viu. Aliás, ficou tão impressionado que rabiscou um Wow à volta dos números. E acrescentou-lhe logo a seguir um ponto de exclamação. Quando um cientista acrescenta um ponto de exclamação ao comentar uma observação, podemos ter a certeza absoluta de que se trata de um assunto sério.

Afinal que tinha sido observado? Jerry Ehman detetara um sinal focado, intermitente e de enorme potência proveniente da constelação de Sagitário na frequência de 1.42GHz. A estrela mais próxima dessa constelação encontra-se a 220 anos-luz.

1.42 GHz já está dentro do espectro de frequência (até 1.7GHz) onde não existe ruído de fundo. Se civilizações extraterrestres estivessem em comunicação umas com as outras, seria possível que aproveitassem esse «silêncio» para se fazer ouvir. A Radioastronomia chama-lhe «janela de água» por corresponder à frequência do hidrogénio.

Nem Ehman nem ninguém voltaram a ouvir o sinal — e as tentativas para voltar a captá-lo prolongaram-se durante anos. Nada. Tão depressa como surgira, desaparecera. Seriam extraterrestres ou um fenómeno natural por explicar? Os astrónomos tinham excluído satélites, planetas ou asteroides como os responsáveis pelo sinal. E nunca se conseguiu uma resposta decisiva.

Não admira por isso que Seth Shostak, astrónomo do projeto SETI e um rosto familiar em programas de divulgação científica, tenha escrito a propósito deste episódio: «A não ser que voltemos a encontrar o sinal captado pelo Big Ear, o Sinal Wow permanecerá sempre o Sinal What.»

So what? Mistério desvendado

Cometa Lovejoy

Os anos passaram e o Sinal Wow transformou-se numa daquelas histórias que se contam à volta da fogueira numa noite de Van Gogh. Um momento único na história do projeto SETI. Pela primeira vez na história da Humanidade, um sinal de uma civilização alienígena podia ter sido captado.

Em novembro de 2016, o cientista planetário e professor de Astrofísica Antonio Paris prometeu desvendar o mistério. E anunciou duas datas em que a sua hipótese podia ser verificada: 25 de janeiro de 2017 e 7 de janeiro de 2018.

25 de janeiro deste ano foi a data da passagem do cometa 266P/Christensen. 7 de janeiro de 2018 será o dia da passagem do cometa P/2008 Y2.

Paris defendera então que o Sinal Wow fora provocado pela passagem de cometas. Os cometas são compostos essencialmente de água, metano, amónia e dióxido de carbono congelados. Quando passam perto do Sol, a água aquece e é criada uma nuvem de hidrogénio à volta do núcleo com uma extensão que pode ir aos milhões de quilómetros.

Os dois cometas, notou Paris, estavam em trânsito na direção da constelação de Sagitário, precisamente de onde parecia vir o Sinal Wow.

O telescópio Big Hear, suspeitara Paris, podia ter captado um sinal de curta duração proveniente do gás libertado. E esse sinal estaria obviamente na frequência de 1.42GHz — a frequência do hidrogénio.

E foi isso que aconteceu, como Paris previra. Os sinais provenientes do cometa 266P/Christensen coincidem com aqueles que o telescópio Big Hear registara, quarenta anos antes. Ninguém no SETI desvendou o mistério porque na década de 70 a existência destes cometas ainda não era conhecida.

Oh, não. Lá se foi mais uma esperança. Vou ouvir uma música para desanuviar.

Oh No!

Para aqueles que ainda têm a esperança de viver a descoberta de vida extraterrestre — inteligente ou não — esta notícia desilude. Mas vi recentemente um cartoon que me fez pensar que a malta que acredita em OVNIS também pode estar em maus lençóis.

Sinal Covfefe

Donald Trump está na presidência dos EUA há mais de 100 dias. Se existissem cadáveres extraterrestres na Área 51, destroços de naves espaciais em Roswell e uma conspiração global para esconder do grande público os contactos já feitos, Trump já se teria chibado no Twitter.

Contudo, até agora, nem uma palavra. Bem, na verdade usou uma com possível etimologia extraterrestre, mas não sei se conta.

Sinal Covfefe

Se fosse o pessoal dos OVNIS rezava a todos os santinhos cósmicos para que eles nunca visitem a Terra. Ou pelo menos que não o façam ainda. Esperem mais uns anitos. Podem imaginar a vergonha que iríamos passar se o ET pousasse nos EUA, como acontece nos filmes, e dissesse algo do género «Take me to your leader»? O planeta Terra seria a chacota da galáxia inteira.

Estas coisas deixam-me deprimido. Proponho que oiçam mais uma canção. Esta é de uma banda de indie rock que eu gosto, os Cloud Cult. O tema é apropriado para uma terça à noite em que não arranjei nada melhor para fazer do que escrever sobre sinais Wow, sinais Covfefe, trumpes e extraterrestres.  Play!

Cloud Cult

Marco Santos

­ Marco Santos

Editor @Sapo. Blogger @Bitaites. Legendas @LegDivx. Pai em todo o lado. Queres contactar-me?