Os principais fabricantes de microprocessadores – AMD e Intel – estão a preparar-se para uma renovação da sua gama de produtos para este ano. Novos socket, novas arquitecturas, tecnologias, nomenclaturas – para quem não se preparar de antemão, irá ser apanhado desprevenido e facilmente se confundirá.
Acabou-se definitivamente a distinção de processadores pela velocidade (Mega hertz), passando a haver modelos e séries específicas para finalidade específicas. Temos, por exemplo, o caso da Intel, com o Pentium da série 500 para mercado mainstream, série 600 para mercado empresarial e entusiastas, e série 800 para o Dual-Core e mercado empresarial.
Contudo, apesar de já nos termos habituado a estas nomenclaturas, a Intel irá renomear este ano tanto os processadores já existentes como os novos, e com nomes completamente novos e diferentes. Mas este exemplo aplica-se em ambos os fabricantes.
Intel
Com um ano de 2005 para esquecer, a Intel preparou todas as suas armas para em 2006 voltar à ribalta com o lançamento de vários microprocessadores e chipsets que irão revolucionar totalmente a tecnologia de futuro da empresa: estamos a falar do fim do NetBurst, criada pela Intel durante o desenvolvimento dos Pentium4, em 2000.
Esta tecnologia permitia que, com a utilização de pipelines de maiores dimensões (10 fases nos Pentium3, 20 nos Pentium4, e 31 no Pentium4 Prescott), se tornasse possível atingir os 10GHz teoricamente.
Infelizmente tal não foi possível, tendo a Intel encontrado bastantes problemas no aumento de frequência dos seus processadores, nomeadamente na capacidade de dissipação do calor gerado e pelo facto de o desempenho por relógio ser cada vez inferior. Como tal, a Intel vai mudar totalmente a sua arquitectura base, baseando-se na já existente e bem sucedida tecnologia do Pentium Mobile.
O sucesso desta plataforma foi tal que fez com que a Intel alterasse toda a estrutura e tecnologia base, no sentido de ir ao encontro de um novo lema, Performance por Watt. O autor desta revolução será o Yonah, na sua vertente Single-Core e Dual-Core (Core Solo e Core Duo), ainda que, inicialmente, venha a ser lançado apenas para o mercado de portáteis, (sucedendo ao Dothan). Inicialmente funcionará a 2.16GHz, e deverá chegar aos 2.33GHz. Mas este processador é apenas um ponto de partida para uma nova gama inteira de processadores que deverá aparecer na segunda metade de 2006, com processadores tanto para Desktop, Mobile e Servidores.
Todos eles partilham a mesma arquitectura baseada no Yonah, mas com pipelines de 14 fases (ao contrário dos 12 dos Athlon64).
No caso dos modelos Desktop, teremos o Conroe, com velocidades que começarão nos 2.4GHz, FSB a 1066MHz e muitas outras optimizações para permitirem um TDP muito inferior aos actuais processadores, que deverá rondar os 65W, o que é muito baixo comparativamente tanto aos Pentium4 e PentiumD actuais como os Athlon64.
Estes processadores terão uma nomenclatura totalmente diferente dos actuais Pentium, e serão lançados no início apenas 4 modelos: E6700, E6600, E6400 e E6300, com 2.67GHz, 2.4GHz, 2.13GHz e 1.86GHz, respectivamente. Os modelos E6700 e E6600 terão 4MB de memória cache L2, enquanto o E6400 e E6300 terão apenas 2MB.
Para o final do ano deverá ser lançado o E6800, que funcionará a 2.93GHz com FSB 1066 e 4MB de cache L2, e será lançado o novo Extreme Edition, que funcionará a 3.33GHz e usará um FSB de 1333MHz, mas também terá 4MB de cache L2. O seu TDP, por sua vez, será já mais elevado, e rondará os 95W.
Na gama de portáteis, existirá o Monroe. Para servidores e workstations, teremos o Woodcrest. Muito se desconhece ainda destes modelos. Nem sequer sabemos ao certo quais as datas e chipsets utilizados, mas pensamos que serão compatíveis com os chipsets a serem lançados brevemente, explicados mais à frente.
O canto do cisne
Enquanto esta nova tecnologia não aparece no mercado de sistemas Desktop, a Intel lançou recentemente os Cedar-Mill e Presler, os últimos processadores que se baseiam na tecnologia NetBurst, fabricados a 65nm, Single-Core e Dual-Core e com 2MB de cache L2 por core.
Os Single-Core Cedar-Mill são diferenciados pela nomenclatura 6×1, como, por exemplo, 631, que indica que funciona a 3GHz e é produzido a 65nm, enquanto os Dual-Core Presler possuem a nomenclatura 9xx, como, por exemplo, 930 que funciona a 3GHz e é produzido também a 65nm.
Para estes processadores, a Intel desenvolveu os novos chipsets 975X – estes não oferecem nada de inovador relativamente ao anterior 955X, para além de permitir uma gestão dinâmica de utilização das lanes para os slots PCI-E e de ser o único que suporta os novos processadores Extreme Edition, como o 955.
Nos chipsets para o futuro, a nomenclatura passará a ser o contrário do que foi até hoje, passando as letras a figurar no início do nome.
Como chipset para topo de gama teremos o P965, enquanto as restantes gamas serão a Q965, Q963 e G965.
Não se sabe o suficiente ainda para podermos diferenciar estes chipsets: todos eles suportarão FSB 1066/800/533MHz e memórias DDR2 533/667/800MHz, excepto no caso do Q963, que não suportará DDR2 800.
Todos os chipsets – menos o P965 – irão possuir gráficos onboard, sendo o modelo Q965 Dual-Head Display; o Q963, por seu turno, não permitirá que se coloque mais nenhuma placa gráfica no sistema. O Chipset G965 será indicado para sistemas Media Center, com capacidades multimédia extras comparativamente aos restantes chipsets com gráficos onboard.
AMD
No caso da AMD temos uma mudança nos socket, sendo a mais relevante a passagem dos Athlon64 do socket 939 para o AM2, o novo socket com 940 pins, mas de disposição diferente dos actuais 940.
Os novos Athlon64 terão uma designação de Revisão F e possuirão suporte para memórias DDR2 533/667 e 800MHz.
Com uma alimentação mais alta (passa de 80 para 95 amperes), o TDP destes processadores poderá atingir os 125W, um valor equivalente aos Intel Pentium4 Prescott e PentiumD de 90nm.
Muito provavelmente, por causa disso, o novo socket terá um sistema de retenção diferente, bastante mais seguro e resistente, o que poderá indicar que os coolers necessários para arrefecer estes novos Athlon64 deverão ser maiores, mais pesados e mais eficazes.
Anteriormente, o sistema de retenção era o mesmo entre os sockets 754, 939 e 940, que usavam apenas 2 pontos de fixação, enquanto o socket novo AM2 possui 4 pontos de fixação, que relembra o anteriormente utilizado no socket A (462) ou nos Intel Pentium4 478.
Com novos nomes, os Athlon64 Single-Core serão os Orleans com a nova tecnologia Pacifica (que permite utilização de vários Sistemas Operativos simultaneamente), e os Dual-Core serão os Windsor. Dos Orleans, inicialmente, apenas existirão 3 modelos: 3500+, 3800+ e 4000+. Dos Windsor existirão vários: 4200+, 4600+, 4800+, 5000+ e 5200+. Os novos FX-62 serão também baseados no core Windsor e deverão sair ao mesmo tempo que os restantes processadores AM2.
No caso dos Sempron, apesar de o socket 754 desaparecer por completo, continuará a existir o socket 939 até ao Verão de 2007. No entanto, e logo na mesma altura do socket AM2, sairão novos modelos Sempron designados por Manila. Vários modelos estão reservados para este socket, desde o 3000+, 3200+, 3400+, 3500+, 3600+ e 3800+. Ao contrário dos Athlon64, os Sempron não possuirão suporte para o sistema Pacifica.
No campo dos processadores portáteis, os AMD Turion também irão receber suporte para DDR2 com um novo socket, o S1. Pouco ainda se sabe sobre estes novos Turion, apenas que irão suportar DDR2, Socket novo S1, e Pacifica, para além do facto de existir um modelo Single-Core, Keene, e um Dual-core, Taylor.
Nos servidores e workstations, os Opteron não irão ser afectados pela troca de socket, permanecendo “fiéis” às memórias DDR registadas.
As únicas alterações serão apenas no aparecimento da gama HE (High Eficiency) que possuem um TDP de apenas 55W (comparativamente aos 95W da restante gama), e dos modelos x54, que serão os únicos modelos Single-Core para os Opteron, passando toda a restante gama Dual-Core.





























