Há dias tropecei num gajo qualquer no Twitter a queixar-se porque o sistema impõe um limite máximo ao número de contas que pode seguir: duas mil. Não sei se isto é verdade, mas ele dizia querer acompanhar muitas mais e sentia-se um bocadinho decepcionado. O tipo em questão não é spammer, mas um genuíno utilizador do serviço.
Sigo actualmente 86 contas no Twitter – já são muitas. Acompanhar as actividades e mensagens de oitenta e seis contas já é difícil, imagino o esforço e o tempo necessários para acompanhar 500. Mil está para além das minhas possibilidades, mesmo usando aplicações que filtram, catalogam e dividem os diversos «twitters» em critérios de selecção que podemos definir. Acompanhar 2000 marmanjos é uma singularidade do juízo, ou seja, um «estado» do Twitter onde as leis do bom senso já não se aplicam.
O Twitter começou por ser uma ferramenta maioritariamente usada por geeks, mas ao longo dos últimos meses cada vez mais gente começou a aderir, incluindo até os representantes da pachecosfera – excepto o seu presidente e mentor, claro. Como resultado, sempre que vou ao Twitter sinto-me como se estivesse dentro de um piano do Lumpy Gravy ou de uma daquelas peças musicais do Ligeti, Adventures.
Não conhecem? É uma maravilha! Nessa peça o Ligeti propôs aos músicos uma experiência musical diferente de tudo o que se fizera até então: colocar de lado os instrumentos e criar sons com as próprias vozes sem grandes considerações pela harmonia como fez o Coltrane quando aderiu ao free-jazz. Depois incorporou, montou e misturou esses sons numa peça tão original e bizarra que Kubrick a usou para adensar o ambiente misterioso das sequências alienígenas do astronauta Bowman em 2001: Odisseia no Espaço.
Claro que o ambiente no Twitter não tem realmente nada a ver com o Adventures do Ligeti, mas a multiplicidade de vozes transmite a mesma sensação de granel global, como se acabássemos de chegar a uma esplanada tão grande que dá a volta ao planeta: por mais que um gajo tente, não consegue arranjar uma mesa mais sossegada.
A própria natureza do Twitter impele-nos a seguir as conversas, como quando navegamos na web ao sabor do link. Por exemplo, vou ao Twitter e leio um tipo que estou a seguir dizendo a outra pessoa que os canais de Marte são óptimos para plantar rabanetes. «Rabanetes em Marte?» – penso eu. «Pá, essa merda é muito interessante. Deixa-me lá clicar no nome do gajo a quem ele está a responder para apanhar a conversa».
Ah, cá está! Afinal o primeiro gajo só falou nos rabanetes marcianos porque este aqui mandou uma mensagem dizendo que é melhor plantar hortaliças em Vénus do que rabanetes em Marte. E mesmo este das hortaliças venusianas, percebo eu agora, já estava a responder ao não-sei-quantos que tinha dito que as tipologias endoplasmáticas da Scarlett Johansson lhe faziam lembrar as montanhas do Vale Marineris.
Neste não-sei-quantos acabarei por encontrar alguém que falou sobre o axioma da redutibilidade dos esquentadores a gás – um tema muito popular na Twittosfera – em resposta a outro marmelo que afirmara que a plantação de nabos e rabanetes nos canais de Marte era perniciosa do ponto de vista da lei de Euclides, portanto não sei se estão a ver, no Twitter actual um gajo navega como uma bola enfiada dentro de uma daquelas antigas mesas de flipper, a ziguezaguear de um extremo ao outro do sistema até o cérebro fazer «tilt» com tantos bits e bytes e bips e blips, regressando finalmente ao sítio de onde nunca deveria ter saído: o seu próprio, e sossegadinho, blogue, onde as conversas começam no princípio e acabam no fim. Ufa!
Como vêem, cada vez gosto mais do Twitter.






























7 comentários
Boas,
Eu uso o twitter e tenho a dizer que não concordo com o limite…
Tudo bem que não dá para acompanhar 2000 pessoas ou mais, mas também não é por eu fazer “follow” a alguem que os obrigo a seguirem os meus twitts, logo não é SPAM para ninguem.
Assim como eu sigo gente que não me segue de volta, também há gente que me segue que eu não sigo.
Em relação as 2000 pessoas para fazer follow… acho que o limite devia estar ao critério de cada um, eu sigo 104 de momento e algumas vezes deixo de fazer “follow” a alguns e fazer a outros novos, mas ando sempre por volta dos 100. Acho que mais que isso ja era muito complicado seguir…
E pronto fora isso, o twitter é um serviço engraçado para seguir amigos/conhecidos/desconhecidos, e tambem para mandas uns bitaites de vez equando
O limite é um artificio.
Creio que se pode seguir mais de 2000 pessoa caso tambem for seguido por muitas pessoas (Vejam o caso do @TwitPortugal). Creio que seja para evitar que se tente seguir todas as pessoas do twitter ou algo parecido.
Recebo todos os dias notificações que me seguem. Sou seguido por pessoas que em nada se relacionam comigo e não tenho duvida que o fazem só para ter numero.
Creio que seja uma maneira de criarem um perfil que interprete os textos e crie um IA para twittar SPAM no meio de tweets semi-válidos.
A imagem da esplanada é boa. E o resto também.
Eu tenho problemas com um esquentador inteligente burro. É aqui que pergunto ou é no Twitter?
Aqui, claro.
Mas não digas nada a ninguém, é segredo.
eu sigo 1500 e é extremamente fácil! é que a maioria dos twitters não envia mais que um twitter ou dois por dia…
Marco, experimenta o TweetDeck e vais ver que não queres outra ferramenta para twittar
Olhem… Twittem-mos!