O Futuro (1) – Linux

Publicado por Paulo Trezentos [16/Outubro/2007]. Categoria: Bits & Bytes

Relacionado (ou não): ‘Vida’ de Pacote [29/Maio/2007]
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O único objecto de utilidade pública de quem escreve crónicas é escrever sobre o futuro.
Escrever sobre o passado é matéria para historiadores. Escrever sobre o presente, matéria para jornalistas.
Sobra-nos escrever sobre o futuro.
Há uns séculos sempre tínhamos a ajuda de uns dados de seis faces, penas e sangue de um animal qualquer. Mas era uma profissão bem mais perigosa, podendo acabar na fogueira. Hoje arriscamo-nos a integrar o Jornal Nacional da TVI e falar da Maddie.
Se a área é a informática, tanto pior. À velocidade a que a tecnologia evolui, começamos o texto utilizando uma versão do software de Processador de Texto e acabamos a utilizar outra. Precisamente aquela sobre a qual escrevemos que ninguém inteligente pode sequer considerar a sua instalação, quanto mais a sua utilização.
A história do Linux confunde-se com a história das Distribuições de Linux. Mas são assuntos diferentes. O Linux é o kernel do sistema operativo. Isto é, o núcleo que faz as funções elementares. A Distribuição de Linux é o CD/DVD que inclui o kernel e outras aplicações que o complementam para uma utilização produtiva. Refiro-me a instaladores, configuradores, processadores de texto. O papel de uma distribuição de Linux, como a Caixa Mágica ou o Ubuntu, é empacotar o software de outros e garantir que a sua integração funciona bem.
A década de 90 foi a da proliferação de distribuições. A começar pelos pioneiros como Universal Linux ou Slackware, às comunitárias como Debian e Gentoo, às nacionais como Caixa Mágica e Alinex, ou às comerciais como SuSE e Red Hat. Foram criadas centenas de distribuições cada uma com as suas bibliotecas e sistema de instalação.
No novo século temos assistido a uma tendência inversa. Com o surgimento de milhares de aplicações de Software Livre/Aberto (SL/A), cada uma elas com complexidade acrescida, torna-se difícil manter e testar todas as combinações possíveis. Assim, assistir-se-á nos próximos tempos a uma concentração.
As distribuições vão começar a juntar-se em torno de um núcleo, bibliotecas básicas e instaladores/configuradores comum. Esse “core” poderá ser depois estendido. Acredito que daqui a três anos apenas restarão quatro “cores” de distribuições de Linux disponíveis. É o caso de SuSE e RedHat, as mais significativas a nível empresarial. É o caso da Debian, base do Ubuntu – dentro daquelas que apenas dependem do espírito comunitário. E da Mandriva/Turbo/Caixa Mágica, dignas representantes do continente Europeu e Asiático (a Turbo Linux é asiática).
As especificações manter-se-ão e cada uma terá as suas mais valias: localização para determinado país, suporte a hardware local e suporte de qualidade. Mas a base será a mesma e partilharão custos de manter a equipa de desenvolvimento da mesma.
Mas não há necessidade de se empacotar o software Emacs para cada uma das distribuições mas partilhar entre eles. Partilhar é a palavra chave.
Assim, acredito que o futuro são 3 ou 4 “cores” partilhados entre várias distribuições. Isto permite que os mais pequenos se juntem em consórcio e ganhem massa crítica. Não havendo diferenciação pelo software, tal como comodidades como o petróleo, o carvão ou o arroz, é necessário diferenciar pelos serviços. Neste ponto a competência e a qualidade interessará muito.
Vamos então preparar esse momento em que as empresas SL/A terão de se distinguir por essa qualidade.
Vamos apostar na diferenciação e em formação.

A imagem incluída significa que este post de Paulo Trezentos e os seguintes estarão sob licença “CC”: pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.

  1. Nuno Pinheiro
    pode (ou não!) estar a usar Konqueror Konqueror 3.5 em Linux Linux

    Sinto grande alegria ao saber que a caixa agora Mandrivesca, é que é a minha distribuição de eleição. Para dizer a verdade em todos os computadores que tenho a meu cargo mais de 10 (não sou um S.A.) Só tenho Caixa e Mandriva são excelentes distribuições.
    Parabéns Paulo, Parabéns Caixa.

  2. Bruno Miguel
    pode (ou não!) estar a usar Debian IceWeasel Debian IceWeasel 2.0.0.6 em Debian GNU/Linux Debian GNU/Linux

    Não será mais correcto chamar ao sistema operativo GNU/Linux?!

    Já existe uma iniciativa semelhante ao “core” descrito, mas não me consigo recordar do nome. Este projecto não tem a participação do projecto Debian, não sei porquê.
    Em parte, este “core” era bom para dar alguma uniformização às distribuições, por outro lado acabava um pouco com o conceito liberdade.

    Seja qual for o futuro, espero que seja o melhor para a comunidade. Usar software livre é uma cena muito à frente que poucas pessoas tiveram o prazer de sentir.

  3. ricardo nunes
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.7 em Windows Windows XP

    apesar de concordar na maior parte com o artigo do Paulo Trezentos contínuo a achar que a caixa mágica teria um melhor futuro se fosse baseada em Debian, tal como a caixa já se viu forçada a abandonar as suas roots SuSE creio que um dia tb terá de abandonar as novas e por certo acabará por ser baseada em Debian.

    cumps,

  4. DarkLord
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.5 em Linux Linux

    Ricardo,

    a Caixa Mágica não se viu forçada a nada…. a mudança para outra base teve como principal razão as nossas boas relações com a Mandriva derivada de alguns projectos europeus em comum e que proporcionou um nível de colaboração que não seria possível ter com a SUSE (por vários motivos, desde a distanciação fisica agora com a sua aquisição pela novell, a sua complexidade e tamanho, etc). A mudança para Mandriva foi até muito ponderada devido à alteração drástica de toda a base de pacotes, instaladores e configuradores, mas uma coisa que absolutamente não iríamos alterar era o facto de ser uma distribuição baseada em RPMS.

    Diz qual achas ser a grande vantagem dos DEB’s em relação aos RPM’s para um utilizador comum? Nós usamos o Synaptic e o APT para a gestão dos nosso RPM’s, logo isso não é… diz lá mais coisas?


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