A norma Office da Microsoft conseguirá o voto português?

Publicado por Paulo Trezentos [24/Julho/2007]. Categoria: Cenas Geek [1,224]
Relacionado (ou não): iPhone da Apple: uma outra experiência [1/Setembro/2007]

A melhor explicação do conceito de “Norma” que conheço foi apresentada por António Coutinho, da Universidade do Minho.
Para explicar a necessidade de normas a uma audiência de alunos, o António levava um parafuso e um saco de porcas de tamanho aproximadamente igual. De seguida, pedia à audiência que tentasse achar a porca certa. Tarefa difícil, apesar de mesmo hoje existirem tamanhos standards para parafusos. Se não existirem normas exactas, é isso que que passa entre o software de diferentes fornecedores: não encaixam bem uns nos outros.
A necessidade de normas na indústria informática, isto é, directivas que indiquem qual o formato exacto em que a informação deve ser trocada entre aplicações, leva-nos para o cenário dos primórdios da informática. Nessa altura, os fornecedores criavam silos para prender os clientes. Dado as aplicações não comunicarem entre elas, tudo teria de ser comprado ao mesmo fornecedor para comunicar sem problemas.
O formato em que os documentos de Office (ficheiros com texto, folhas de cálculo, apresentações) são guardados é essencial para garantir que apesar de ser feito numa aplicação, ele pode ser utilizado noutras.
Com esse intuito, foi formado um consórcio de empresas e organizações designado por ODF (Open Document Format Alliance) e que visou desenvolver um standard internacional nessa área. Essa aliança integrou na sua origem os grandes da indústria informática como IBM, Sun e Microsoft.
O formato ODF foi, em Maio de 2006, aprovado como standard internacional ISO/IEC 26300 para documentos Office.
Antes disso, a Microsoft tinha abandonado o consórcio para criar o seu próprio standard, o Office Open XML (OOXML). Pôs então uma máquina em andamento para que o seu formato fosse igualmente considerado standard. Para tal, tem de ser aprovado pela maioria dos comités locais ISO, tendo todos os comités o mesmo peso na votação final.
Em Portugal, a entidade acolhedora da Comissão Técnica que irá avaliar a norma é o Instituto de Informática.
A primeira reunião desta comissão foi divulgada em circuito fechado por um grupo de parceiros Microsoft e pouco mais. O objectivo seria despachar o processo.
Para tal, o elemento da Microsoft presente propôs-se e foi aceite para presidente da Comissão e marcou-se uma segunda reunião para a aprovação da norma. Um ou outro presente divulgou externamente o que se se estava a passar e na segunda reunião um conjunto alargado de empresas não-alinhadas (como a IBM, Sun, Caixa Mágica) propôs-se integrar a comissão. A IBM e a Sun foram impedidas com o argumento que a sala não tinha dimensão suficiente, apesar de estarem presentes elementos observadores sem direito de voto.
Foi então marcado para dia 31 de Julho a votação final.Não será o resultado da aprovação ou não pelo ISO/IEC que impedirá o MS OOXML de vingar como standard de facto. É inevitável, pois a Microsoft detêm uma quota de mercado muito elevada.
Contudo, a não aprovação da mesma seria utilizada pela Administração Pública de todo o mundo para suavemente introduzir o OpenOffice. Seria ainda um factor que pressionaria a Microsoft a procurar no futuro estabelecer normas com outros actores no mercado e não apenas por ele própria, o que conduz aos silos inevitáveis. Por outro lado, dado já termos um standard, a aprovação de um segundo é redundante. Por fim, o OOXML sofre de vários defeitos técnicos que dificultam uma implementação aberta como a do OpenOffice.
Por vezes, a geração espontânea de protocolos do Governo com a Microsoft e o poder desta levam a que tudo já nos pareça normal.
Mas não nos enganemos. Não é normal o presidente da comissão técnica ser um elemento da empresa que vai ser sujeita a avaliação. Não é normal recusar-se a presença à Sun e à IBM sob a desculpa de a sala não ter cadeiras.
Se as quatro razões técnicas anteriores não forem suficientes, Portugal tem uma razão extra para votar contra.
A razão extra que temos é demonstrar que o nosso país não é a República das Bananas.
E esta é uma razão muito forte. Espero que vença no dia 31.

A imagem incluída significa que este post de Paulo Trezentos e os seguintes estarão sob licença “CC”: pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.

  1. Bitaites » Blog Archive » E se fosse um jogo de futebol?
    pode (ou não!) estar a usar WordPress WordPress 2.2.1

    [...] do Aero, a shell do Windows Vista – a outra, a metafórica, não tem qualquer significado. Leiam o post que se segue do Paulo Trezentos. Enviado por Marco e arquivado na categoria Cromos 1 [...]

  2. meira
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    Desculpem lá mas Portugal tem mais que razões para ser contra. Um país cada vez mais a adoptar por opções Open - Source não faz sentido seguir noutro caminho só para obter uns descontos se o Governo comprar produtos Microsoft!!

  3. Badalo
    pode (ou não!) estar a usar Netscape Navigator Netscape Navigator 5.0 em Mac OS Mac OS X

    Se tudo se passou assim como vem descrito é claro que viola a Directiva CNQ 2. As entidades podem (e devem) sempre reclamar junto do INN, que é o IPQ.

  4. Americas
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    Como brilhantemente explica o Prof António Coutinho, faz sentido Portugal aprovar as norma Open XML. Se a Microsoft, tem um market share muito significativo no Office (saco cheio de porcas) e se o formato Open XML for aprovado quer dizer que qualquer empresa facilmente poderá integrá-lo com os seus sistemas (parafusos)!
    O que eu percebi desta crónica, é que algo escapou à IBM, SUN e Caixa Mágica.
    Mas parece-me também que isto é mais uma luta comercial para colocar a Microsoft fora do mercado, do que um beneficio para os Clientes.
    Como Empreasa não me revejo, por isso neste tipo de “tricas” Sr. Caixa Mágica :smile:

  5. Badalo
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    É bem o espelho do “empresário” sem qualquer formação. O “chico esperto” que tem um negócio de vão de escada.
    Então em vou explicar e trocar-lhe por miúdos.
    Ou o Sr. tem o pacotes MS Office pirata ou paga por cada computador um “mínimo” de perto de 300€.
    Se tiver 20 computadores são…. 6000€
    Se poder ter a mesmíssima produtividade com um pacote gratuito? Prefere dar os 6.000€?
    Se calhar com esse dinheiro poderia renovar o seu parque de computadores.

  6. O Isento
    pode (ou não!) estar a usar Internet Explorer Internet Explorer 7.0 em Windows Windows Vista

    Sr. Badalo, parece-me que essa análise macro é um pouco desajustada, no mundo do Sr. Empresário pensa-se da seguinte maneira:

    “Eu tenho 20 computadores, gasto 6000€ em licenças mas tenho maior compatibilidade aplicacional face à oferta de mercado, tenho um sistema operativo e suite office mais intuitiva, integrada e com maiores funcionalidades que potenciem o meu negócio, tenho máquinas que podem ser geridas mais facilmente sem ter que recorrer aos pseudo-gurus informáticos ou andar nas páginas amarelas à procura de uma empresa de garagem que me suporte”.

    O problema é que neste país ainda há muito gestor “Zé Tuga do bigode” que olha para o custo numa base de investimento imediato (compra de pc’s e licenças), calcular TCO e ROI é que é mais complicado.

    Saudações do isento

  7. Badalo
    pode (ou não!) estar a usar Netscape Navigator Netscape Navigator 5.0 em Mac OS Mac OS X

    E ha outros que nao sabem do que falam.
    “…tenho um sistema operativo e suite office mais intuitiva, integrada e com maiores funcionalidades que potenciem o meu negócio, tenho máquinas que podem ser geridas mais facilmente sem ter que recorrer aos pseudo-gurus informáticos ou andar nas páginas amarelas à procura de uma empresa de garagem que me suporte” ???????????

    Sao os mitos urbanos.

  8. Marco
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    Mas parece-me também que isto é mais uma luta comercial para colocar a Microsoft fora do mercado, do que um beneficio para os Clientes.

    Não percebo como é que a adopção de um formato que serve a todos, inclusive à Microsoft, é uma tentativa de a afastar do mercado. O que a experiência me diz é que essas tentativas de afastamento da concorrência costumam partir da própria Microsoft.

  9. João Santos
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.5 em Windows Windows Vista

    O texto do senhor Paulo Trezentos fala apenas sobre como esta a decorrer a votação, mas para mim, o mais importante é a microsoft estar a propor um falso standard. Há primeira vista o “esforço” da microsoft em propor um formato aberto seria benefico para todos. Mas quando reparamos ele não é assim tão aberto:

    :arrow: Não valida como xml
    :arrow: tem extensões proprietárias
    :arrow: nunca foi implementado pela microsoft nem no office 2007( a versão do ooxml do office 2007 tem as tais extensões proprietárias)
    :arrow: viola standard existentes

    Acho que fica bem claro que isto é uma manobra da microsoft para manter o monopolio mas dando a ideia que quer cooperar.

  10. João Santos
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.5 em Windows Windows Vista

    e se o formato Open XML for aprovado quer dizer que qualquer empresa facilmente poderá integrá-lo com os seus sistemas (parafusos)!

    Errado a microsoft inclui no novo office uma versão do ooxml diferente da do standard. Logo não vai ser possivel ser implementada por terceiros. E tudo indica que continuara a ser assim nos proximas versões do office. Logo a microsoft propõe um standard que não vai implementar. Então para que serve ser standard se vamos continuar com os mesmos problemas que tinhamos para visualizar documentos do office?

  11. O Isento
    pode (ou não!) estar a usar Internet Explorer Internet Explorer 7.0 em Windows Windows Vista

    “E ha outros que nao sabem do que falam.”

    Sr. Badalo, permita-me tecer a seguinte observação.

    Como homem inserido no mundo empresarial onde a produtividade é encarada de forma séria e a análise de custo/benefício é tida em conta, com a resposabilidade que tenho de gestão IT, estou plenamente capacitado do que são as alternativas e propostas no mercado.

    Por um lado, um gestor procura soluções com garantias de mercado, onde não haja o risco que a empresa/entidade que fornece a solução desapareça do mercado ou sofra transformações orgânicas que não permita imputar responsabilidades ou obter níveis eficazes de resposta e suporte. Um dos grandes problemas do Open Source com software de livre utilização, é que não é possível obter garantias futuras de desenvolvimento, suporte e ainda mais importante, poder imputar a responsabilidade.
    Não quero sequer entrar aqui pelo caminho da integração e compatibilidade aplicacional e comparativos de funcionalidades entre suites Office porque era capaz de perder umas horas a elaborar a tese.

    Aquilo que refere que “há outros que não sabem do que falam”, deixo-lhe este desafio, na lista das 10 maiores empresas nacionais, qual é a Office Suite predominante?

    Será que os gestores das 10 maiores empresas deste país não sabem do que falam?

    Saudações,
    O Isento

  12. Badalo
    pode (ou não!) estar a usar Safari Safari 419.3 em Mac OS Mac OS X

    Pois é Sr. Isento.
    Quem tem C* tem medo.
    E é isso que se passa. Não fosse a M$ e necessidade da sociedade por senhores com a sua profissão seria reduzida a 1/10. É a única coisa “benéfica” que a M$ criou. A dependência dos senhores.
    Mas acredite que existem alguns deles que tendo consciência da perca de produtividade que acarreta já estão fartos. Pois poderiam estar a utilizar o tempo em proveito da entidade empregadora em vez de não produzirem nada.

  13. João Sousa
    pode (ou não!) estar a usar Unbranded Firefox Unbranded Firefox 2.0.0.4

    Na essência, o João Santos enumera os problemas e a sua frase final descreve muito bem toda a questão. Limito-me por isso a acrescentar um ou dois pormenores.

    Há um ponto que não vejo ser mencionado e que penso ser importante. Embora não tenha acompanhado esta história com muita atenção, recordo-me de ter lido que a questão “OpenXML da Microsoft” está intimamente ligada com a questão “Novell”. Trata-se do famoso “acordo de cooperação técnica” entre as duas empresas. Aquilo que li foi algo parecido com “a parte do acordo relacionada com os formatos dos ficheiros explicita que a Novell assegurar-se-á de que os formatos dos ficheiros usados em futuras versões do Microsoft Office estão correctamente especificados e disponíveis para quem os quiser implementar”.

    O formato, de facto, existe. Mas de acordo com as minhas leituras, está descrito numa grossa documentação com mais de mil páginas e, para piorar a situação, contém partes tão vagamente descritas que já vários programadores afirmaram não ser segura a sua correcta interpretação - quanto mais a implementação. O que vamos ter é isto: a Microsoft oferecerá um formato coxo, a Novell dará o seu aval - e a confusão só irá aumentar.

    Acontece também que este acordo é válido por cinco anos - penso que até final de 2011. Em 2012, nada impedirá a Microsoft de renunciar à sua renovação - e deixar cair de todo o suporte ao formato OpenXML nas versões seguintes das suas aplicações.

    Não sejamos ingénuos: se a Microsoft estivesse tão desejosa de formatos abertos, não teria já suportado o OpenDocument? Ou o PDF?

    Isto é tudo um mero “ganhar tempo” por parte da Microsoft. A empresa tem tanto dinheiro que se pode dar ao luxo de fazer estas manobras de diversão para ir aguentando o monopólio. Já o fez no passado - e continuará a fazer no futuro.

    Quanto à pergunta do texto, é óbvio que a resposta é afirmativa. Não só o conseguirá como já deve estar a contar com ele. Basta recordarmos o triste espectáculo com que, há um ano, o Estado português nos mostrou a sua submissão a Bill Gates. Recordemo-nos também da profunda ligação imposta entre “literacia digital” e “tecnologia Microsoft”. Não nos esqueçamos, também, de que a Microsoft portuguesa sempre tem sido das que obtém (relativamente ao potencial do mercado) melhores resultados, justificando a frequente promoção dos seus quadros para outros lugares de maior importância no estrangeiro. Não quero sequer entrar pelos caminhos dos programas “Internet nas escolas” e “Informática nas escolas”. Muito menos quero trazer a Assoft à baila, cujas campanhas tendem misteriosamente a coincidir com os novos lançamentos da Microsoft. É por isto que não consigo concordar com o Meira. Com excepção de pontuais casos no sector privado, eu não consigo ver um país cada vez mais a adoptar o open-source. A começar pelo Estado - que devia ser o primeiro a dar o exemplo.

    E é uma pena. Como eu digo com frequência, o ‘I’ de ‘TI’ significa “informação”, não “aplicação”.

  14. Victor
    pode (ou não!) estar a usar Internet Explorer Internet Explorer 7.0 em Windows Windows Vista

    Realmente há por aqui muito treinador de bancada…

    Vou começar pelo último comentário do João Sousa:

    “O formato, de facto, existe. Mas de acordo com as minhas leituras, está descrito numa grossa documentação com mais de mil páginas e, para piorar a situação, contém partes tão vagamente descritas que já vários programadores afirmaram não ser segura a sua correcta interpretação - quanto mais a implementação.”

    Na realidade são 6.000 páginas, se tem partes vagamente descritas significa que a documentação pode ser melhorada… mas pode sempre comparar com o ODF onde as especificações relativas às fórmulas e funções (folha de cálculo) andam entre as 4 e as 10 folhas, o que levou o Miguel Icaza a dizer o seguinte:

    “There is no way you could build a spreadsheet software based on this specification.”

    Pode confirmá-lo aqui:

    http://tirania.org/blog/archive/2007/Jan-30.html

    “Acontece também que este acordo é válido por cinco anos - penso que até final de 2011. Em 2012, nada impedirá a Microsoft de renunciar à sua renovação - e deixar cair de todo o suporte ao formato OpenXML nas versões seguintes das suas aplicações.”

    Acontece caso não saiba, os formatos propostos são agora da ECMA, o que significa que para fazer evoluir estes formatos a MS tem de trabalhar no seio da ECMA com os restantes contribuintes e em igualdade de circunstâncias (Apple, Novell, Toshiba, etc.). Ninguém pode garantir que a MS continuará a suportar estes formatos, mas estes a serem aprovados ninguém pode impedir a sua evolução mesmo sem a colaboração da MS.

    “Não sejamos ingénuos: se a Microsoft estivesse tão desejosa de formatos abertos, não teria já suportado o OpenDocument? Ou o PDF?”

    De facto tem estado por fora de toda esta polémica, senão saberia que o ODF nunca serviria os objectivos da MS e dos seus clientes já que este nunca procuraria garantir fidelidade total com os antigos formatos binários. Em relação ao PDF, saiba que a MS chegou a incluí-lo nas versões beta do produto, e esse suporte iria estar disponivel no mesmo, mas foi impedido pela Adobe… contudo pode instalar o suporte para PDF pois está disponivel para downlodad.

    Para terminar, uma pergunta, já que o OOXML não tem outras implementações que não no Office da MS (no entanto as anunciadas por outros fabricantes vêm já aí), digam-me quem hoje em dia suporta o ODF? E que expressão tem a base instalada desses produtos? Já agora já experimentaram gravar um documento numa dessas aplicações e abri-lo numa outra? Que tal os resultados? É para isso o standard? E sabem porquê? Porque as especificação não é igualmente completa, deixando do lado da aplicação muitas decisões por ser omissa nesses casos, mas imagino que seja igualmente uma vantagem, já que assim o utilizador pode perder mais algum tempo a reformatar, ou a completar os dados do docuemnto… sim muito bom mesmo.

    A grande maioria dos que aqui falam nunca experimentaram odf para lá do Oo.

    Em relação ao artigo e sobre o “escândalo” de que o presidente da CT seja uma pessoa da MS. Gostava de dizer o seguinte, ninguém se escandalizou pelo facto do presidente, do comité técnico americano conhecido por V1 e que votou não ao OOXML, ser um editor técnico do ODF… Só cá pelo burgo é que alguém acha escandaloso, tentando desacreditar a pessoa em questão, quando o importante são as suas acções, e se alguém tiver razões de queixa em relação ao trabalho desenvolvido neste âmbito que o denuncie, agora não o faça com insinuações que não consegue provar.

    É engraçado achar que é possível ter alguém a desempenhar esta função que não tenha posição de um lado ou de outro… nessa altura temos de confiar na sua integridade pessoal, e isto é assim com qualquer pessoa que ocupasse a posição… haja bom senso.

  15. Luis
    pode (ou não!) estar a usar Safari Safari 419.3 em Mac OS Mac OS X

    Como entusiasta, profissional em Tecnologias de Informação e utilizador multi-plataforma, tenho-me mantido atento a todo o desenvolvimento Internacional e Nacional para a aprovação do OOXML como ISO DIS 29500, sendo a votação da comissão técnica do Instituto da Informática o meu maior motor de interesse.
    Apraz-me dizer que foi montada uma campanha Anti-OOXML encabeçada pela IBM, SUN e comunidade Open Source, tudo tem servido para elevar o tom de protesto, artigos em revista, emails e essencialmente a comunidade de blogs. Num contexto nacional, li alguns artigos como foi exemplo o site Tek do sapo, li também artigos de alguns blogs e parece-me que os intervenientes são sempre os mesmos, a comunidade open source nacional.

    Assim sendo, com o devido respeito de opinião de todos vós, os que apoiam ou contestam o OOXML como formato standard, sinto-me na obrigação de tentar variar um pouco esta toada, procurando essencialmente informar os portugueses de forma transparente, não assente exclusivamente em opinião individual mas sim fundamentada com artigos legítimos e posições formais da Ecma (European Computer Manufacturers Association).

    Numa fase destas, vetar o formato OOXML como ISO seria um enorme retrocesso no mundo digital com custos incalculáveis. Teria sido em vão todo o esforço realizado por várias entidades numa perspectiva de retro compatibilidade com documentos em formato binário, interoperabilidade de formatos ODF-OOXML (para quem não sabe a Ecma esteve envolvida no projecto de um conversor ODF-OOXML. Consultem o link http://odf-converter.sourceforge.net/), já para não falar na enorme quota de mercado que tem o Office 2007 com o formato default de documentos em OOXML, algo que iria obrigar a um esforço e custo megalómano numa mudança forçada e exclusiva para um só formato, que neste caso concreto seria o ODF.

    Os pontos seguintes, deixam transparecer a evidência do quão normal para todos nós seria o facto do OOXML ser considerado um Standard, porque no fundo já se comporta e insere como tal.

    - O Office Open XML é o formato default da suite de produtos Office 2007, inclusivamente foi disponibilizado uma ferramenta de conversão para as versões anteriores do Microsoft Office 2000, xp e 2003 que permite ler, criar e editar documentos OOXML.
    - O Microsoft Office 2008 para MAC com o lançamento para o segundo semestre de 2008, terá um conversor de ficheiros OOXML.
    - A Corel anunciou que em meados de 2007 a suite WordPerfect Office irá suportar o OOXML.
    - A Novell tem um plugin Office Open XML para versão OpenOffice.org da Novell. Está previsto um filtro de importação Office OOXML na versão 2.3 do OpenOffice.org da Novell.
    - A Maarten Balliauw criou uma série de classes PHP para criar documentos em linguagem de marcação no formato SpreadsheetML.
    - Panergy Ltd. desenvolveu um conversor de markup language WordprocessingML para Rich Text Format (RTF).
    - A Wouter van Vugt desenvolveu um pacote de exploração que permite editar partes XML e validar partes na Schema da Ecma.
    - O TextEdit da Apple irá suportar Office Open XML na próxima versão do MAC OS X.
    - O iPhone da Apple suporta anexos de email em formato OOXML.
    - O DocumentsToGo da Datavis para PalmOS suporta documentos OOXML.
    - A Datawatch suporta folhas de calcúlo OOXML na ferramenta de report mining Monarch v9.0.

    Ainda assim, o que me choca fundamentalmente na argumentação utilizada para opor o OOXML, é quando se fala na sobreposição de Standards. A sobreposição de Standards está prevista, tal como existe o TIFF (ISO 12369:2004) / PDF (ISO 15929|15930) ou o JPEG (ISO 10918) / PNG (ISO 15948). Trata-se apenas de requisitos diferentes para tarefas semelhantes.
    Ler um post destes de alguém que representa e transmite a posição da comunidade Open Source deixa-me estarrecido. Para quem se queixa frequentemente da posição monopolista da Microsoft e se quer afirmar no mercado como uma alternativa viável ao gigante Americano, parece-me que partir para uma posição de puro boicote ao OOXML se figura num contra-senso e clara incoerência, quando estamos apenas perante uma alternativa de mercado que em jeito de cotejo ao ODF, para ISO só lhe falta mesmo o “carimbo”.

    O que ainda me questiono é o que esta campanha anti-OOXML contribui para o bem da comunidade. Para quem achar um exagero apelidar esta movimentação de campanha, permita-ma então demonstrar-lhe o que na realidade se tem passado.

    Muito tem sido dito na tentativa de empolar a falta de cadeiras na primeira reunião do comité, procurando transfigurar a situação para um cenário típico de teoria da conspiração. Não vejo a razão para esta vozearia quando a reunião foi adiada para 31 de Julho, estando eu convicto que as cadeiras vão chegar para todos.
    Alegam que no futuro a Microsoft pode recuar no modelo de formato aberto à comunidade, mas para que conste, na especificação 376 da Ecma (European Computer Manufacturers Association), referente aos standards da industria XML e ZIP, foi registado que a Microsoft disponibiliza o OOXML como formato aberto e livre royalties, e como o Sr. Vitor já aqui referiu, a Microsoft está dependente dos restantes players e concorrentes de mercado para poder alterar essa posição.
    Numa tentativa de descredibilização do OOXML foi realizada uma exposição técnica à ECMA por parte de uma comunidade associada ao Open Source também patrocinada pela IBM onde se alega diversas falhas de ordem técnica, pondo também em causa direitos intelectuais e levantando o tema da sobreposição de Standards. Essa exposição foi objecto de resposta por parte da Ecma, não se tendo verificado irregularidades no formato OOXML, o que o torna assim num formato perfeitamente viável como Standard.

    Sugiro a leitura do documento do documento de resposta da Ecma às alegadas irregularidades - Ecma/TC45/2007/006 em http://www.computerworld.com/pdfs/Ecma.pdf.

    Pontos de destaque do documento:

    Problema: Overlap in Scope with ISO/IEC 26300:2006 (ODF)
    Resposta: (2.1) Overlap in Scope with ISO/IEC 26300:2006 (ODF)

    Problema: Intellectual Property Rights (IPR)
    Resposta: (2.2) Intellectual Property Rights (IPR)

    Problema: ISO/IEC JTC 1 Directives – Definition of Contradiction
    Resposta: (2.3.1) Definition of Contradiction

    Problema: ISO/IEC JTC 1 Directives – Length of Review Period
    Resposta: (2.3.2) Length of Review Period

    Problema: Missing Annexes
    Resposta: (2.4) Missing Annexes

    Problema: Consistency with ISO 216 (paper sizes)
    Resposta: (2.5.1) ISO 216 (paper sizes)

    Problema: Consistency with ISO 639 (language name codes)
    Resposta: (2.5.2) ISO 639 (language name codes)

    Problema: Consistency with ISO 8601 (date/time representation)
    Resposta: (2.5.3) ISO 8601 (date/time representation)

    Problema: Consistency with ISO 8879 (SGML)
    Resposta: (2.5.4) ISO 8879 (SGML)

    Problema: Consistency with ISO/IEC 8632 (picture metafile)
    Resposta: (2.5.5) ISO/IEC 8632 (picture metafile)

    Problema: Consistency with ISO/IEC 15445 (HTML)
    Resposta: (2.5.7) ISO/IEC 15445 (HTML)

    Problema: Undocumented Legacy Features
    Resposta: (2.6) Undocumented 1 Legacy Features

    Que me desculpem os estimados leitores pelo longo esclarecimento aqui prestado, mas julgo que no final se deverão sentir mais informados e com uma visão menos turva do que realmente motiva a criação de duas normas ISO. Em suma, concluí-se que estamos perante uma situação onde ninguém quer ficar de fora e onde realmente existe legitimidade para ter dois formatos sobrepostos.
    Senhores da IBM, SUN e comunidade Open Source, deixo aqui o repto para que a bem da comunidade nos permitam ter as tais alternativas e não nos sujeitem às leis da imposição de um só formato.

    Bem haja a todos.
    Luís, um apoiante do OOXML

  16. João Santos
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.5 em Windows Windows Vista

    Caro Luís:

    A parte em que tenho duvidas em relação ao ooxml é precisamente a parte que refere no começo do seu comentario que é a interoperatibilidade. Lá por varios fabricantes implementarem o ooxml não quer dizer que funcione em todos da mesma maneira até porque existem extensões proprietarias no ooxml. Imagine um ficheiro power point em que não possa ter as animações que tem no office ou um ficheiro exel em que não pode ver graficos.
    A parte mais importante é que a microsoft não garantiu que todos possam ver exactamente o mesmo documento tal e qual ele foi feito no office ,até porque a microsoft não implementou o ooxml mas sim uma versão modificada. Por tanto quem quiser ver o exactamente o documento tal e qual ele foi escrito tem que ter o office, então para que que a microsoft o standard se não o vai utilizar? Facil, para chegar abeira dos governos e dizer temos um formato aberto e standard.

    A sobreposição de Standards está prevista, tal como existe o TIFF (ISO 12369:2004) / PDF (ISO 15929|15930) ou o JPEG (ISO 10918) / PNG (ISO 15948). Trata-se apenas de requisitos diferentes para tarefas semelhantes.

    Isto não é verdade o pdf não serve o mesmo proposito que o tiff. O png surgiu para substituir o GIF (até há quem diga qu png quer dizer png is not gif) e não o JPEG que tambem é um formato de imagens mas tem pouco a ver com o PNG.

  17. Victor
    pode (ou não!) estar a usar Internet Explorer Internet Explorer 7.0 em Windows Windows Vista

    João,

    “A parte em que tenho duvidas em relação ao ooxml é precisamente a parte que refere no começo do seu comentario que é a interoperatibilidade. Lá por varios fabricantes implementarem o ooxml não quer dizer que funcione em todos da mesma maneira até porque existem extensões proprietarias no ooxml. Imagine um ficheiro power point em que não possa ter as animações que tem no office ou um ficheiro exel em que não pode ver graficos.”

    Temos mesmo de deixar as suposições e ser mais concretos aqui, e por isso gostaria que definisse melhor afinal que extensões proprieárias são essas?

    “A parte mais importante é que a microsoft não garantiu que todos possam ver exactamente o mesmo documento tal e qual ele foi feito no office ,até porque a microsoft não implementou o ooxml mas sim uma versão modificada.”

    Caso não se tenha apercebido, no ODF acontece exactamente o mesmo, pela especificação não é possível ter documentos reproduzidos de forma fiel, entre diferetes aplicações. Mas já agora fale-me lá sobre essa versão modificada, é pelos conhecimento sobre o rendering das versões anteriores que eles não publicaram?

    Não se esqueça de uma coisa, um dos objectivos é garantir a abertura dos formatos garantindo implementaçóes sem dependências do MSOFFICE, e com estes formatos (esqueça a compatibilidade com os documentos anteriores para já) pode gerar novos documentos que não vão ter de usar nem conhecer nada do que é considerado legacy, ah e não se esqueça que o acesso à informação hoje e no futuro é sempre assegurada…

    “Por tanto quem quiser ver o exactamente o documento tal e qual ele foi escrito tem que ter o office”

    Para novos documentos não me parece, aliás as diferenças que possam existir no rendering dos mesmos serão ligeiras e também não estão descritas no ODF. Veja as diferentes implementações do ODF hoje e verá que o rendering não é igual entre nenhuma aplicação…

    “Facil, para chegar abeira dos governos e dizer temos um formato aberto e standard.”

    Pois, afinal não é isso que o movimento anti-ooxml quer garantir? Para que todos os interessados possam afirmar, este é o único formato standard ISO, é por isso que o deve adoptar… afinal as motivações parecem as mesmas e aqui obviamente que falo dos grandes interessados, IBM, SUN, etc.

    “Isto não é verdade o pdf não serve o mesmo proposito que o tiff. O png surgiu para substituir o GIF (até há quem diga qu png quer dizer png is not gif) e não o JPEG que tambem é um formato de imagens mas tem pouco a ver com o PNG.”

    Fazia-te bem leres a resposta da ECMA para entenderes o contexto das diferentes sobreposições e assim perceberes que existem e fazem sentido com argumentos.

  18. Luis
    pode (ou não!) estar a usar Internet Explorer Internet Explorer 7.0 em Windows Windows Vista

    Sr. João, permita-me discordar de si no ponto da sobreposição de formatos ISO, na realidade os formatos de documento mencionados no meu post anterior estão sobrepostos. Esta questão foi inclusivamente sugerida pela ECMA na reposta às alegadas irregularidades do OOXML numa alusão à sobreposição de formatos de documentos. Para que fique mais esclarecido, deixo aqui a cópia integral do comparativo de sobreposição de documentos que foi apresentado no documento “Response Document for Fast Track Ballot of ISO/IEC DIS 29500 (ECMA-376)”.

    Raster image formats – JPEG (ISO/IEC 10918-1:1994) and PNG (ISO/IEC 15948:2004). JPEG was developed as a compressed format for continuous-tone natural images, such as photographs. Its lossy compression can achieve high compression ratios with relatively moderate loss of quality on typical photographic content. Its lossless compression mode is less efficient. PNG uses a different, lossless compression method that is well suited for preserving sharp edges in images at a specific resolution, as is typical in raster images of drawings and text, although its applicability is considerably broader. Both JPEG and PNG have features, such as progressive rendering, that were designed for Web use. Both JPEG and PNG are broadly supported in Web browsers. Beyond the context of delivery on the Web, JPEG (ISO/IEC 10918-1:1994), JPEG2000 (ISO 15444:2000), and JPEG-LS (ISO/IEC 14495-1:1999) coexist in the arena of continuous-tone color still images. Similarly, JBIG1 (ISO/IEC 11544:1994) and JBIG2 (ISO/IEC 14492:2000) coexist in the arena for bi-level and multi-tone still images suitable for scanned or computer generated text, drawings, half-tone images and palletized colored images (and the combinations thereof). In other words, all the above standards are “tool box” type of standards, with a large degree of overlapping functionalities. Yet they all exist and users choose the most appropriate format based on the nature of the image content and the relative importance of factors such as efficient compression, decoding performance, and fidelity to an original source.

    Prepress Data Exchange – TIFF/IT (ISO 12369:2004) and PDF/X (ISO 15929:2002, ISO 15930). Both 8 of these standards specify formats that can be used for the submission of graphic materials to publishers, 9 for example, to transmit advertisements for inclusion in magazines. The standards are both widely used 10 because they provide options suitable for different workflows and application environments for graphic 11 arts professionals and printers.

    Quanto à resposta de funcionalidades do Office 2007 e compatibilidade de documentos OOXML com outros produtos, com a devida licença do Sr. Victor faço das suas palavras as minhas.

    Bem haja a todos,
    Luis, um apoiante do OOXML

  19. Gil
    pode (ou não!) estar a usar Netscape Navigator Netscape Navigator 5.0 em Linux Linux

    Ora viva,

    Até que enfim que começam a discutir as questões que realmente interessam em detrimento da simples picardia e bota a baixo.

    Como profissional das TIC tenho acompanhado os vários debates e discussões sobre esta temática com alguma preocupação. Sinceramente não vejo qualquer problema em adoptar múltiplos standards desde que estes cumpram os requisitos necessários para poderem classificados como tal. Estranho muito que haja pessoas da comunidade (provavelmente menos esclarecidas) a quererem impedir a adopção do OOXML só porque este é proposto pela Microsoft. Parece-me que a questão deve focar-se sim, na vertente técnica e no cumprimento estrito dos requisitos e procedimentos para que o OOXML possa tornar-se, ou não, num standard ISO.

    Eu por mim gostaria de saber mais sobre este assunto e agradeço todos os esclarecimentos que puderem dar.

    Obrigado pela atenção.

    Cumprimentos,
    Gil

  20. Fomos...
    pode (ou não!) estar a usar Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.6 em Windows Windows XP

    Acho que se calhar vale a pena comecar por aqui:

    http://www.grokdoc.net/index.php/EOOXML_objections

    Propor um novo standard? Tudo bem.

    Propor um novo standard com bugs conhecidos? Ma’ ideia, primeiro corrijam-se os bugs e depois entao vote-se

    Propor um novo standard e te-lo aprovado por uma comissao tecnica de constituicao duvidosa? Pessima ideia mostrando falta de transparencia no processo (mas e’ Portugal, por isso e’ normal…). Tirem as Microsofts e os seus partners das votacoes, ponham em sua vez instituicoes Universitarias, Bibliotecas, etc. e entao depois vote-se.

    Como se pode concluir, o problema nao esta em ser ou nao ser a Microsoft. Se o formato e’ bom, aprove-se. Se nao tem erros, aprove-se. E se a comissao tecnica e’ imparcial, aprove-se. Infelizmente, nao foi o que aconteceu.

  21. Bitaites » Blog Archive » iPhone da Apple: uma outra experiência
    pode (ou não!) estar a usar WordPress WordPress 2.2.1

    [...] a aceitação do standard OOXML. Foi esse o voto nacional, indiferentemente da maneira mais ou menos correcta em como se deu a constituição da Comissão Técnica. O meu voto foi um dos 7 dos vencidos mas, [...]

  22. LnxSlck
    pode (ou não!) estar a usar Unbranded Firefox Unbranded Firefox 2.0.0.6 em Linux Linux

    Sou o quem aqui chamaram de pseudo-guru informático, estou responsável pelo parque informático de 2 pequenas empresas, e vou deixar aqui a minha experiência que se enquadra nesta discussão. Há tempos atrás foi adquirido algumas máquinas novas que não possuiam qualquer programa tipo office, como sempre se utilizou Microsoft Office, foi me pedido para instalar este produto que custava 200 euros cada, ora sendo algumas máquinas ficava um bocado caro.
    Foi então que propus o OpenOffice, ao que houve algumas reticências, porque ninguém conhecia, ninguém sabia trabalhar com ele, estavam todos habituados à Microsoft. Com algum insistência e mostrando à gerência um orçamento do quanto custaria equipar com Microsoft Office, foi me dado permissão para usar OpenOffice.
    Até hoje (e já lá vão alguns meses) não tive uma queixa, ou questão acerca deste produto, por isso acho que a transição é mais que possível, viável e sem percas de produtividade.

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