
O post que se segue era para ser um copy/paste de um excelente artigo escrito pelo Paulo Costa no seu blogue A Bisca dos Nove.
Desafiado aqui a escrever sobre Astronomia, acabou por escrever um post onde o fenómeno ainda misterioso da Matéria Negra é explicado. Para quem é leigo e gosta de Astronomia, é de leitura obrigatória. Mas as coisas nunca correm como nós planeamos e, em vez de gamar à descarada o post do Paulo, decidi chamar a atenção dos visitantes do Bitaites para o artigo na forma de uma entrevista de promoção, feita sem o consentimento ou, sequer, conhecimento do entrevistado.
Brincadeiras à parte, espero que o Paulo continue a presentear-nos com artigos de Astronomia. Existem poucos blogues que se possam dedicar ao assunto. A experiência diz-me que a maior parte se interessa mais por estrelas que pouco brilham – e não estou a falar das estrelas de neutrões.
Esta entrevista foi feita em exclusivo ao futuro astrónomo Paulo Costa, blogger do Bisca dos Nove. Porque razão um gajo de Ciência escolhe um nome desses para um blogue é coisa tão impenetrável como a constituição da Matéria Negra. Talvez seja uma forma de dizer que, embora seja um provável carola com ar de intelectual e óculos na ponta do nariz, ‘também pratico desporto, meninas, pois jogo às cartas e os meus braços são muito musculosos, venham cá jogar à bisca dos nove comigo’. Nesta entrevista ao Bitaites, Paulo Costa tenta explicar-nos o que é a matéria negra.
Paulo Costa, a quem se pode atribuir a descoberta da Matéria Negra?
A mim! Isto é, teria sido a mim se o mundo fosse um sítio ideal. Desse modo, em vez de queimar as pestanas à procura da luminosidade das estrelas em blocos de papel, estaria sentado a observar os esforços de um bando de desgraçados atolados em exames enquanto jogava a bisca dos nove com um grupo de meninas em topless e a dançar o hula-hula. Em vez disso, veja lá, foi um tal de F. Zwicky, nascido em 1933.
Ele também jogava às cartas?
Não, o energúmeno gostava mais de fazer contas: partiu do teorema do virial para calcular a massa de grandes aglomerados de galáxias. O que descobriu foi que a massa calculada através dos métodos de dispersão de velocidade e da relação massa/luminosidade de galáxias individuais era bastante superior à teoricamente esperada. Imagine o escândalo!
Logo nessa altura começou a circular a ideia de que poderia existir algum tipo de matéria não visível ou mensurável pela instrumentação existente, que existiria em quantidade suficiente para que a física usada nos cálculos não necessitasse de ser reescrita. Uma cena mais complicada do que parece, sem dúvida. Mas pronto, nasceu aí o conceito de matéria negra. Claro que esse conceito também pode ser experimentado quando um tipo deixa as meias todas espalhadas pelo quarto e, às tantas, nota que elas já não possuem qualquer luminosidade e são cada vez mais difíceis de encontrar.
Como é que se pode então saber onde estão?
As minhas meias ou a Matéria Negra?
Ambas.
Bem, no caso da Matéria Negra podemos inferir-lhe a presença através de um fenómeno conhecido como Lente Gravitacional. Albert Einstein previu que a gravidade não é mais do que uma deformação no tecido do espaço-tempo, e que corpos muito massivos provocavam maiores deformações nesse tecido do que corpos pouco massivos. Esse fenómeno pode ser observado quando um gajo tem que passar uma camisa a ferro – sobretudo se nos esquecermos de regular a temperatura da merda do ferro de engomar.
Quanto às meias – e sabe-se que Einstein também tinha o mesmo problema – a presença delas pode ser calculada fazendo uso do chamado Nariz Gravitacional. A presença das meias provoca uma ruptura evidente no tecido do Espaço-Tempo: quanto mais tempo passar sem as meteres na máquina de lavar, menos espaço tens para respirar.
Mas estes fenómenos não são visíveis, claro: daí a importância de poder calcular a massa e a substância do cheiro pela forma como uma pessoa torce o nariz. Einstein chegou a uma equação, E=MC2, ou seja, a energia (E) de repouso de um nariz é igual às meias (M) vezes a intensidade do cheirete (C) ao quadrado. Em casos extremos, este fenómeno pode dar origem a um Buraco Negro, vulgarmente conhecido entre os astrónomos como Fossa Nasal.
Há muita matéria negra no Universo ou é só para entreter os astrónomos?
Há muita matéria negra, sim senhor, tanto no Universo como na cabeça dos políticos que continuam a desprezar a Ciência e a deixar fugir as nossas mentes brilhantes para o estrangeiro. No caso do Universo – o mais simples de explicar – essa matéria pode representar qualquer coisa como 22 por cento da massa total do Universo. De qualquer maneira este não é um assunto fácil de explicar, embora seja mais simples do que tirar um soutien a uma rapariga.