Pachecosfera, Pachachosfera, Mulheres, Homens, Bitaites, Fricções, Jornalismo, Futebol, Cromos, Humor.

→ 29/10/2007 @0:55

Deixa lá, Cruz, ainda fazes parte deste…

… Embora na maior parte das vezes não pareças.

Bem, deixo aqui a minha teoria: Rui Cruz não é um blogger, é um asteróide à deriva. Ao longo da história, todos os dinossauros foram forçados a lidar com os seus próprios asteróides: os da Terra tiveram o Baptistina; os do PrintScreen tiveram o Rui Cruz.

Na Terra provocou um Inverno Nuclear sem radioactividade; no PrintScreen a temperatura não desceu tanto, mas ainda provocou uma série de pequenos calafrios. Acontece que o Cruz é um calhau persistente: não há Sol que o derreta. Vergonha que o cale. Gozo que o desmotive.

Eu gosto do Rui Cruz. Acho que o rapaz só precisa de um empurrãozinho – e não escrevo isto por imaginar que estou com ele à beira de um abismo com cinquenta metros de altura. Digo-o porque é verdade. Ele tem vontade. Ele tem querer. Ele tem perseverança. Tem todas as qualidades que um homem deve ter quando se senta numa sanita.

Por isso lhe quero dedicar uma canção de Roger Waters – padrasto de uns Pink Floyd orfãos de Syd Barrett – que um dia concebeu com Ron Guessin um disco chamado Music From the Body e cujo primeiro tema, Our Song, demonstra como até um peido pode ser parte de uma obra de arte. Tudo depende de quem o dá. Rui, agora saca, senta-te e pratica…

→ 25/10/2007 @17:14

O velho conde e outras histórias

E se o escritor irlandês autor de Drácula vivesse nos dias de hoje e fosse um blogger? Melhor ainda: e se as principais personagens do livro de Bram Stocker – de Jonathan Harker, o noivo de Mina, à bela Lucy, noiva de Lord Arthur Holmwood – fizessem parte de um blogue colectivo chamado Drácula?

Demasiado rabiscado? Têm toda a razão.

O que se passa é muito simples e exige mais trabalho de dactilógrafo do que de verdadeiro escritor. Para quem nunca leu o livro: Stocker contou a história do conde Drácula fazendo uso de cartas que os personagens da novela iam enviando uns aos outros. Por exemplo, Harker vai escrevendo à noiva Mina cartas nas quais descreve as conversas com o Conde no castelo da Transilvânia.

Então e se essas cartas fossem transformadas em posts actualizados ao ritmo das datas do livro? É precisamente este o expediente usado para encher um blogue inteiro de sangue: Dracula Blogged.

O livro de Bram Stocker é um clássico – sobreviveu não apenas devido aos seus méritos literários, mas também graças a algumas belíssimas adaptações do cinema: Nosferatu, de 1922, realizado pelo mestre Murnau, foi a primeira que se fez e continua a ser uma das melhores. A propósito: podem sacar o filme inteiro em qualidade MPEG1 a partir do Internet Archive. Tomem lá o link.

Dos outros filmes que conheço, só vale a pena referir o que Copolla fez em 1992 – mas este só dá para sacar de forma ilegal, ou seja, chupando o sangue do pescoço dessas virgens indefesas que são as pobres distribuidoras.

Transformar documentos históricos em blogues, sejam livros de ficção ou factos reais, pode ser um expediente ainda mais dramático quando envolve a vida de seres humanos que de facto viveram, sonharam e morreram. Vejam o caso deste blogue, feito com transcrições de cartas escritas pelo soldado William Henry Bonser Lamin, combatente na Primeira Guerra Mundial.

Lamin foi para a guerra em 1917, deixando para trás a mulher e os filhos menores. Tal como no exemplo do blogue de Drácula, os posts são actualizados respeitando as datas originais das cartas – com a diferença de que são publicados exactamente 90 anos após os acontecimentos. O leitor do blogue desconhece o destino deste soldado: tal como a família a quem elas foram dirigidas, terá de esperar pelas cartas para saber se William Lamin sobreviveu à carnificina das trincheiras.

→ 31/07/2007 @3:08

O que eu invento só para mostrar o rabo da Scarlett

O rabo da Scarlett

O traseiro da Scarlett Johansson é o plano de abertura do filme Lost in Translation, de Sofia Copolla. Para mim é um plano genial. Façam lá o sacrifício de olhar outra vez para o rabo. Sim, já sei, a Scarlett é boa como o milho. Mas vejam melhor. É um rabo que conta uma história. É o rabo de uma mulher enfiado numas antiquadas cuecas de gola alta semi-transparentes mas que são tão cor-de-rosa como cuequinhas de virgem. Demasiadas contradições e conflitos, não é? Basta o plano de um rabo para caracterizar um personagem – isto é cinema, pessoal.

Scarlett só nos vira o cu ao princípio do filme porque ignora a nossa babada presença masculina e a sua mente ainda é a de uma adolescente perdida na sua própria Second Life.

Não se iludam: a Sofia Copolla é mesmo genial. Mostra-nos o rabo ao princípio do filme e, ao mesmo tempo, diz-nos: «Este não é um rabo qualquer; este é um rabo cinematográfico. Não está aqui para vos dar tesão, está aqui para contar uma história». Vejam-no outra vez: é um rabo preguiçoso, indulgente, um rabo, digamos, expressivo.

Se ela se tornou um símbolo sexual a culpa é da Sofia, que cometeu a proeza de a tornar expressiva ainda antes de lhe vermos o rosto. Ficámos tão impressionados com as qualidades dramáticas daquele rabo que, ao longo do filme, de todos os filmes que se seguiram, procurámos o traseiro da Scarlett como quem espera um monólogo do Al Pacino. E não tenham dúvidas: da nossa Scarlett não esperamos menos do que uma representação digna de um Óscar. Mesmo que de vez em quando faça boquinhas de broche ou sorrisos de Mata Hari labrega.

→ 28/07/2007 @14:37

Tudo Sobre Matéria Negra

O post que se segue era para ser um copy/paste de um excelente artigo escrito pelo Paulo Costa no seu blogue A Bisca dos Nove.

Desafiado aqui a escrever sobre Astronomia, acabou por escrever um post onde o fenómeno ainda misterioso da Matéria Negra é explicado. Para quem é leigo e gosta de Astronomia, é de leitura obrigatória. Mas as coisas nunca correm como nós planeamos e, em vez de gamar à descarada o post do Paulo, decidi chamar a atenção dos visitantes do Bitaites para o artigo na forma de uma entrevista de promoção, feita sem o consentimento ou, sequer, conhecimento do entrevistado.

Brincadeiras à parte, espero que o Paulo continue a presentear-nos com artigos de Astronomia. Existem poucos blogues que se possam dedicar ao assunto. A experiência diz-me que a maior parte se interessa mais por estrelas que pouco brilham – e não estou a falar das estrelas de neutrões.

Esta entrevista foi feita em exclusivo ao futuro astrónomo Paulo Costa, blogger do Bisca dos Nove. Porque razão um gajo de Ciência escolhe um nome desses para um blogue é coisa tão impenetrável como a constituição da Matéria Negra. Talvez seja uma forma de dizer que, embora seja um provável carola com ar de intelectual e óculos na ponta do nariz, ‘também pratico desporto, meninas, pois jogo às cartas e os meus braços são muito musculosos, venham cá jogar à bisca dos nove comigo’. Nesta entrevista ao Bitaites, Paulo Costa tenta explicar-nos o que é a matéria negra.

 

Paulo Costa, a quem se pode atribuir a descoberta da Matéria Negra?
A mim! Isto é, teria sido a mim se o mundo fosse um sítio ideal. Desse modo, em vez de queimar as pestanas à procura da luminosidade das estrelas em blocos de papel, estaria sentado a observar os esforços de um bando de desgraçados atolados em exames enquanto jogava a bisca dos nove com um grupo de meninas em topless e a dançar o hula-hula. Em vez disso, veja lá, foi um tal de F. Zwicky, nascido em 1933.

 

Ele também jogava às cartas?
Não, o energúmeno gostava mais de fazer contas: partiu do teorema do virial para calcular a massa de grandes aglomerados de galáxias. O que descobriu foi que a massa calculada através dos métodos de dispersão de velocidade e da relação massa/luminosidade de galáxias individuais era bastante superior à teoricamente esperada. Imagine o escândalo!

Logo nessa altura começou a circular a ideia de que poderia existir algum tipo de matéria não visível ou mensurável pela instrumentação existente, que existiria em quantidade suficiente para que a física usada nos cálculos não necessitasse de ser reescrita. Uma cena mais complicada do que parece, sem dúvida. Mas pronto, nasceu aí o conceito de matéria negra. Claro que esse conceito também pode ser experimentado quando um tipo deixa as meias todas espalhadas pelo quarto e, às tantas, nota que elas já não possuem qualquer luminosidade e são cada vez mais difíceis de encontrar.

 

Como é que se pode então saber onde estão?
As minhas meias ou a Matéria Negra?

 

Ambas.
Bem, no caso da Matéria Negra podemos inferir-lhe a presença através de um fenómeno conhecido como Lente Gravitacional. Albert Einstein previu que a gravidade não é mais do que uma deformação no tecido do espaço-tempo, e que corpos muito massivos provocavam maiores deformações nesse tecido do que corpos pouco massivos. Esse fenómeno pode ser observado quando um gajo tem que passar uma camisa a ferro – sobretudo se nos esquecermos de regular a temperatura da merda do ferro de engomar.

Quanto às meias – e sabe-se que Einstein também tinha o mesmo problema – a presença delas pode ser calculada fazendo uso do chamado Nariz Gravitacional. A presença das meias provoca uma ruptura evidente no tecido do Espaço-Tempo: quanto mais tempo passar sem as meteres na máquina de lavar, menos espaço tens para respirar.

Mas estes fenómenos não são visíveis, claro: daí a importância de poder calcular a massa e a substância do cheiro pela forma como uma pessoa torce o nariz. Einstein chegou a uma equação, E=MC2, ou seja, a energia (E) de repouso de um nariz é igual às meias (M) vezes a intensidade do cheirete (C) ao quadrado. Em casos extremos, este fenómeno pode dar origem a um Buraco Negro, vulgarmente conhecido entre os astrónomos como Fossa Nasal.

 

Há muita matéria negra no Universo ou é só para entreter os astrónomos?
Há muita matéria negra, sim senhor, tanto no Universo como na cabeça dos políticos que continuam a desprezar a Ciência e a deixar fugir as nossas mentes brilhantes para o estrangeiro. No caso do Universo – o mais simples de explicar – essa matéria pode representar qualquer coisa como 22 por cento da massa total do Universo. De qualquer maneira este não é um assunto fácil de explicar, embora seja mais simples do que tirar um soutien a uma rapariga.

→ 19/07/2007 @15:59

Baú das recordações: O amor é complicado, pá!

Desesperem, poetas. A ciência acabou de descobrir o que é o amor. A Professora Helen E. Fisher, membro do Center for Human Evolutionary Studies do Departamento de Antropologia da Universidade de Rutgers, escreveu um livro – Why We Love: The Nature and Chemistry of Romantic Love – onde faz a dissecação do amor, esse sentimento que o filósofo e escritor da Roma Antiga Seneca dizia não poder ser definido, mas apenas sentido.

Uma conclusão que se pode tirar ao ler as explicações da Professora Fisher é que o amor é mesmo uma coisa muito complicada.

O livro da Professora Helen E. Fisher é esclarecedor: o interesse sexual é potenciado pela dopamina, uma hormona dos neurónios produzida pelo hipotálamo e que provoca a libertação de testosterona. É essa a razão porque cerca de 99 por cento dos homens que observam esta fotografia não consegue ver a taça. Por outro lado, os visitantes do sexo feminino poderão considerar, como fez o escritor Guy de Maupassant, que o rabo das mulheres é tão monótono como o espírito dos homens.

 

Diálogo romântico

- Pá, aquela miúda deixa-me… Deixa-me…
- Não fiques assim. O que está a provocar a gaguez e essa cara de parvo é um fenómeno natural. O teu desejo sexual está a ser potenciado pela dopamina, uma hormona dos neurónios produzida pelo hipotálamo e que provoca a libertação de testosterona, hormona que desperta o desejo sexual.
- Pá, desculpa, mas o que eu sinto não é apenas isso. É mais, é…
- Meu, é o amor. Não é nada de transcendente. Uma sensação de união reforçada pela presença de ocitocina, que é sintetizada no hipotálamo e secretada no sangue pela pituitária.
- Eu sinceramente acho que prefiro a explicação dos poetas.
- O amor não é o lamento moribundo de um violino longínquo, pá, é o rangido triunfante das molas da cama. Sidney Joseph Perelman, escritor americano. Serve-te?
- Olha aí vem ela! Sabes o que eu sinto quando a vejo? Explico-te já, é uma coisa que li de um gajo chamado Saint-Exupéry: Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direcção. É isso que sinto. Não é sexo por sexo, estás a ver, não quero estar apenas em cima dela, também quero estar ao lado dela.

- Como é engraçado o amor. Começa com grandes palavras, continua com palavrinhas, termina com palavrões.
- Que estás para aí tu a dizer?
- Não fui eu, foi um poeta. Édouard Paillero. Não preferes poetas?
- Ela está a olhar para mim. Disfarça! Disfarça. Vou ali falar com ela. Não te importas que eu te deixe aqui sozinho na esplanada, pois não? Hoje ou nunca! Carpe Diem, como no filme Clube dos Poetas Mortos, tás a ver? Deseja-me sorte.
- A sorte não tem nada a ver. Não te esqueças é da ocitocina!
- Da quê?
- A tal substância de que te falei! Tanto em homens como em mulheres aumenta durante o sexo e explode durante o orgasmo. E tem influência na união do casal.
- Pronto, está bem. Agora vou andando…
- EHá quem leia o consultório sexual da Maria, nós os inteligentes estudamos a ocitocina. Se vais em frente com isso, ao menos que saibas bem o que estás a fazer. O-ci-to-ci-na! Não te esqueças!

Príncipe Carlos e Camila Parker-Bowles: a prova de que o amor é cego

→ 19/07/2007 @4:16

As mulheres são mais inteligentes que os homens

Lembram-se daquele postulado semi-científico que de vez em quando surge nas conversas e que diz que só utilizamos 10 por cento das capacidades do nosso cérebro? Esse postulado só se aplica a nós. Elas utilizam-no a 100 por cento, sobretudo quando o objecto em análise é o homem.

Tão inteligentes são as mulheres que, mesmo quando são burras, são-no por esperteza. Quantas vezes não as achámos umas tontinhas por lerem revistas femininas? À excepção dos anúncios aos biquínis, aquela merda para nós não tem interesse nenhum.

Mas enquanto damos pulos no sofá e gritamos golo, elas cultivam-se. E nem precisam de livros, embora também os possam usar – nesse caso, ó geeks, estamos tramados. E livrem-se daquelas que não só os lêem como os querem escrever. Com essas nem as markups semânticas nos safam.

Naquelas revistas, elas devoram todos aqueles artigos miudinhos que desprezamos e que falam de coisas de psicologia e sociologia, relações humanas, sexo, bebés e, claro, homens.

Tudo lhes serve para aprenderem a conhecer-nos até ao mais ínfimo pormenor. E não o fazem para nosso proveito, como desejaríamos, mas em proveito próprio. Elas não rasgaram os soutiens para nos poupar ao trabalho de os tirar, embora o grau de empenhamento que colocam numa relação possa ser calculado pelo tipo de soutien que escolhem para nós desapertarmos.

Isto lembra-me outra característica feminina: a capacidade que elas têm de gozar connosco sem nos apercebermos. Quando o gozo é finalmente revelado ao pobre macho já é tarde demais: significa que, para elas, a conversa terminou.

Se pensam que elas dominam apenas as reticências e os pontos de interrogação, estão enganados. Tornaram-se especialistas nos pontos finais. A nós deixaram-nos apenas o ponto de exclamação, para gritarmos golo.

Teríamos muito a aprender sobre as mulheres se levássemos mais a sério as porcarias que elas por vezes são capazes de ler. Talvez assim conseguíssemos acabar com esse mito das «virtudes femininas» que nos torna tão frágeis e manipuláveis como meninos da mamã e passássemos a ver essas virtudes como aquilo que na verdade são: truques.

A inteligência nas mulheres acaba por ser como a sua força: é mais difícil de a detectarmos porque é de longo alcance. Numa caminhada com elas podemos andar muito mais depressa, se quisermos, mas ao fim do dia o primeiro a tombar no sofá somos nós. É mais ou menos assim que costumam acabar as discussões que tenham por base a capacidade de conhecimento mútuo: nós por baixo, elas por cima. E o pior é que não estou a falar numa queca. Numa queca todas as posições são bem-vindas desde que não partam a espinha a ninguém. Numa conversa vale tudo, e elas começam logo por nos arrancar os olhos.

Este post vem a propósito do blogue Interno Feminino, recentemente agregado ao Planet Geek. Está cheio de provocações e picardias. Está bem escrito. Tem sentido de humor. É desempoeirado. As duas autoras não conseguiram resistir ao convite porque sabem que duplicarão a audiência masculina. E fazem bem: aquele não é um blogue para mulheres, mas para nós. E até o fundo cor de rosa do layout é sarcástico. O Interno Feminino é o blogue onde as Barbies fazem strip-tease enquanto conversam sobre a pilinha do Ken com sorrisos de gozo. Será engraçado ver que tipo de «guias» escreverão elas para os geeks, já agora. Não serão sobre Windows ou Linux.

Não perdem pela demora porque, tal como elas, também eu adoro brincar com o fogo.

→ 06/07/2007 @19:45

Elas não falam mais que nós? Estou sem palavras.

Li no blogue Conversas do Bruno que um estudo realizado por investigadores na Universidade do Arizona concluiu que as mulheres, afinal, não falam mais do que os homens. Tanto elas como eles dizem, em média, 16 mil palavras por dia.

O Conversas do Bruno gastou 149 palavras para escrever o post – e eu pergunto-me quantas teriam sido gastas se o blogue se chamasse Conversas da Bruna.

Aqui ao meu lado um grupo delas não fala de outra coisa. De tanto se gabarem dos resultados do estudo, começaram já a desmenti-lo.

Terão os tipos da Universidade descontado as palavras repetidas? É que elas têm o hábito de repetir muitas palavras, sobretudo quando estão a falar connosco. Até quando dizem que não querem ser chatas já se estão a repetir. As mulheres têm uma enorme reserva de caracteres e estão sempre dispostas a usá-la. Mas se descontaram as palavras repetidas, então os investigadores fizeram batota. Investigadores? Investigadoras! Isto cheira-me a conspiração.

Lá continuam elas a falar sem parar. É incrível a capacidade que as mulheres têm de estabelecer um canal de comunicação umas com as outras. Se um grupo de homens se põe a conversar, mesmo que seja sobre a bola, fala um de cada vez e procurando não interromper o outro – só assim é que nos conseguimos entender. As mulheres, pelo contrário, não só falam todas ao mesmo tempo como aparentemente se conseguem ouvir umas às outras enquanto o fazem. Falam como se fossem donas do próprio silêncio.

Outra característica notável é a forma como elas dão um sentido diferente às palavras. Por exemplo, se um tipo encontra outro é bem capaz de o cumprimentar com um Então meu grande cabrão nunca mais apareceste? e sair de lá a pensar Gosto deste gajo, é um gajo porreiro. Uma mulher, contudo, poderá saudar outra com um Olá querida está tudo bem contigo? Que lindos sapatos! e sair de lá a pensar Não gosto nada desta cabra vaidosa.

Não admira que nós, homens, tenhamos ficado surpreendidos com as conclusões deste estudo. Sentimo-nos ludibriados. Sentimo-nos… Enfim, sem palavras.

Afinal que significado pode ter uma mera experiência de laboratório perante a nossa imensa experiência de vida? Nenhum.

Mais vale é continuar a divulgar este estudo, mesmo que o considere uma aldrabice pegada. Tenho esperança de que alguma mente brilhante (masculina, claro) possa contradizer estes resultados – e o faça apenas com meia-dúzia de gestos para não dar azo a mais especulações.

Olá! Foste tu que acabaste agora de abanar a cabeça depois de leres as conclusões do estudo? É isso mesmo, bro. Palavras para quê? Aliás, para mudar o mundo, muitos homens nem precisaram de palavras. Vejam o Newton, por exemplo: bastou cair-lhe uma maçã na tola e já está. Admito que ele possa ter dito um Ôda-se e levado a mão à cabeça – mas depois calou-se e descobriu a força da gravidade, não foi logo a correr trocar de peruca.

Até o Bill Gates, que também experimentou a sensação de levar com uma maçã na tola, finge carregar nas teclas Alt-Ctrl-Del quando está aborrecido – não porque esteja habituado, pois o Windows é praticamente indestrutível (dizem estudos tão credíveis como este), mas só para evitar dizer uma caralhada em voz alta.

E já nem vou ao Einstein, que mudou a nossa percepção do mundo enquanto escrevia (em silêncio, claro) um simples conjunto de equações.

O que contesto no estudo é que aparentemente a experiência foi feita sem ter em conta a realidade, ou seja, as influências dos objectos do mundo exterior. Repitam a experiência com telemóveis e vão ver como elas chegam logo às 32 mil palavras.

Gastei 500 619 palavras neste post. O que as mulheres nos fazem.