Pachecosfera, Pachachosfera, Mulheres, Homens, Bitaites, Fricções, Jornalismo, Futebol, Cromos, Humor.
Marco Santos
→ 02/03/2012 @17:47

Foto: José Carlos Pratas
Observámos os seus tiques na televisão e julgámos ver um documentário sobre o Antigo Egito no National Geographic. Dificilmente lhe teríamos destinado um futuro radiante como estrela da pornochanchada. No máximo dos máximos, imaginá-lo em loucas orgias com as figuras do Museu de Cera de Madame Tussauds – e nada mais.
José Castelo Branco, a rainha dos cromos, fala como um faraó do jetset, distribui beijinhos afetados e caminha como um hieróglifo pomposo, deliciosamente indiferente ao ridículo que projeta. O seu destino, pensava eu, era ser visto pelos egiptólogos do futuro como uma múmia genuinamente portuguesa, a sua esfinge esculpida em papel da revista Caras.
Depois veio a sextape com um careca barrigudo e respetiva esposa, e tudo mudou.
Bem pode o cromo dizer que aquilo lhe meteu nojo e até foi vomitar depois de a ver, que horror, que indecência tão inocente, ó minha senhora, só podia estar drogado para ter dado tanta confiança a uma pila alheia – é tudo conversa, a múmia está radiante.
Com esta sextape o Castelo Branco atingiu finalmente o estrelato: a Internet pode ter absorvido mais um vídeo caseiro rasca e desinteressante, mas Portugal ganhou finalmente a sua Paris Hilton. E o povo vai celebrar o escândalo, como sempre faz.
Marco Santos
→ 23/02/2012 @18:45
Marco Santos
→ 13/02/2012 @18:08
Talvez no futuro os hacktivistas do Anonymous queiram largar a máscara de Guy Fawkes made in Hollywood e adotar o rosto de Manolis Glezos. Fará muito mais sentido.
Glezos tem 89 anos e esteve ontem na primeira linha dos protestos contra a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, e o que milhares de gregos vêm como um ataque à soberania económica do país.



Este guerreiro de 89 anos só foi silenciado com gás lacrimogéneo. O polícia que o lançou ainda não tinha nascido e já Glezos fora condenado à morte por ousar desafiar a ditadura do Regime dos Coronéis, que governou o país até 1974. A sentença não foi executada devido à forte pressão da opinião pública internacional.
A coragem de Glezos não deve espantar ninguém. A 30 de Maio de 1941, aos 18 anos, trepou ao monumento da Acropolis com um amigo da Resistência Grega, Apostolos Santas. Ali fizeram em pedaços a bandeira nazi que a Wehrmacht hasteara aquando da ocupação do país, em Abril desse ano.
Ao todo, Glezos passou 11 anos e quatro meses da sua vida preso, e mais 4 anos e seis meses no exílio. Foi torturado pelos nazis e pelas forças fascistas de Mussolini.
E ontem, 12 de Fevereiro de 2011, ali estava ele: o maior símbolo vivo da resistência grega.
Marco Santos
→ 13/02/2012 @2:23
As imagens fornecidas à Reuters pelos orgulhosos serviços noticiosos da babada Coreia do Norte não me deixam mentir: Kim Jong Un – o filho do Querido Líder recentemente falecido – continuou a gloriosa tradição iniciada pelo quase-insubstituível pai de se deixar fotografar a olhar para as coisas.


Não é minha intenção julgar o filho do Querido Líder de forma negativa, pois ainda há lugar para iniciativas inovadoras. Ora observem:



Nada mau. Além de olhar para as coisas, como fazia o pai, ele também aponta para as coisas. Macacos me mordam se isto não é um novo estilo de liderança, mais arrojado, mais moderno.
Marco Santos
→ 12/02/2012 @17:54
No seu melhor, a Internet é uma biblioteca de Alexandria; no seu pior, é uma assimiladora acrítica de material falso, distribuído à velocidade do clique-clique-clique.

John Lennon e Che Guevara: um encontro patrocinado pelo Photoshop
É o caso desta «fotografia histórica»: uma pequena jam session entre John Lennon e Che Guevara. A foto chega a ser atribuída a Alberto Korda, o fotógrafo cubano falecido em 2001 e autor de «Guerrilheiro Heróico», a mais iconográfica fotografia de Che. Esta.
Pormenores deste encontro repetem-se em dezenas de blogues – Lennon refugiou-se num estúdio de gravação em Chicago, Che entrou no estúdio, cantou para um silencioso Beatle umas canções sobre «os oprimidos e as causas justas» e, tão depressa como entrou, voltou a sair. A história prossegue, revelando que o encontrou marcou para sempre a produção artística de Lennon, atribuindo a composição de «Revolution #9» à influência do guerrilheiro.
Treta!
Esta imagem é uma montagem em Photoshop feita por alguém que assina como Guerry Moreno. O encontro entre John e Che faz parte de uma série chamada «Political Humor» que também juntou, num improvável aperto de mão, o presidente iraniano Ahmadinejad e George Bush. Há alguma forma de criar um filtro anti-tretas no email?
Marco Santos
→ 12/02/2012 @3:05

Um utilizador do YouTube, NkMcDonalds, decidiu homenagear os 25 anos da Pixar e fez uma colagem de mais de cinco minutos com todos os filmes, das primeiras curtas-metragens aos mais recentes – e fez o upload para o YouTube. O vídeo começou a ter sucesso entre os fãs.
Que fez a Pixar quando tomou conhecimento? Intimou o YouTube a apagar todo aquele material protegido por direitos de autor, como fazem os outros idiotas?
Os mentecaptos que esfregam as mãos na expectativa de ver aprovado o fascizante acordo ACTA teriam aprovado uma ação repressiva do género, mas o que se segue demonstra o que pode acontecer quando as vicissitudes deste meio são geridas com inteligência e bom senso.
A Pixar mandou uma mensagem ao próprio NkMcDonalds dizendo que tinha adorado a homenagem. Como agradecimento, a empresa ainda enviou um pacote com 11 filmes da Pixar em Blu-Ray, DVDs com todas as curtas-metragens, um casaco com o logótipo da Pixar, uma t-shirt com os personagens de Toy Story III e um livro enorme com desenhos mais elaborados de Toy Story.
E assim não perdeu a oportunidade de reforçar a sua boa imagem junto dos fãs. Quanto vale fazer parte da vida das pessoas?
É assim a Internet para quem não a teme, idiotas do ACTA.
Marco Santos
→ 11/02/2012 @4:02
O francês Thomas Czarnecki diz que a ideia é criar um «choque cultural». E eu penso imediatamente que é um belo post para se escrever às três e meia da manhã de uma noite fria e com insónias. Um choque vem a calhar. Pelo menos um sorriso.
Que choque deseja provocar este fantástico doido? Mudar o destino de personagens do imaginário infantil (Pequena Sereia, Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida, Pocahontas, Alice) e dar-lhe um toque de realismo fatal. Ora vejam cinco exemplos:

Capuchinho Vermelho em coma alcoólico depois de uma noite de farra com o lobo

A Pequena Sereia descobriu demasiado tarde que o seu príncipe encantado se chamava Patrick Bateman

A Alice no País dos Sem-Abrigo faz lembrar o fantasma do filme The Ring

Cinderella queria regressar a casa, mas tropeçou e partiu o pescoço, como aquele padre do Exorcista

Pocahontas como escrava sexual (ou depois de ver o Avatar: neste caso, quem a carrega é James Cameron)
Chocados? Czarnecki é um diretor artístico bem conhecido no mundo publicitário – isto já explica alguma coisa do «choque» que pretende provocar.
Elabora um bocadinho mais sobre este trabalho em declarações ao Daily Mail, ao explicar a intenção de pôr em «em confronto o universo ingénuo e inocente dos contos de fada» e a «realidade, mais sombria, mas igualmente parte da nossa cultura».
E pronto, quinze minutos para as quatro da manhã. Não te esqueças de tomar o comprimido para dormir, Bela Adormecida.