Uma nave de ETs que observasse o nosso planeta a grande distância poderia determinar a quantidade de gás metano de origem biológica existente na atmosfera e tirar algumas conclusões importantes.
Não seria uma coisa do outro mundo, descobrir vida devido à flatulência.
A flatulência dos herbívoros aumenta a presença de metano na atmosfera – as vacas, por exemplo, dão um contributo razoável para o aquecimento global.
Nós somos pequeninos e os nossos gases mais insignificantes, mas compensamos as insuficiências porque conseguimos fazer com o cérebro o que a Natureza nunca nos permitiu com o cu: expelir para a atmosfera todos os géneros e estilos de flatulências em quantidades industriais.
Mas nem a nossa flatulência ideológica poderia ter rivalizado com a dos calhamaços biológicos que nos ocupam o imaginário desde crianças: os dinossauros.
Uma equipa formada por investigadores das Universidades John Moore, em Liverpool, de St. Andrews, na Escócia, e da Universidade de Londres, chegou à espantosa conclusão de que a flatulência de um grupo de dinossauros comedores de plantas – os saurópodes – terá tido um «importante efeito» no aquecimento global na Era Mesozoica.
Os saurópodes eram animais gigantescos e de longos pescoços: algumas variedades podem ter atingido os 58 metros de comprimento, outras os 18 metros de altura. Uma girafa, quatro vezes mais baixa, teria sido uma anã atarracada ao pé de um destes colossos.
Tendo em conta o conhecimento das dimensões médias daqueles animais e os dados sobre a sua densidade populacional, os investigadores calcularam um número: só à conta dos saurópodes eram produzidos, todos os anos, 520 milhões de toneladas de gases.

Estimativa dos níveis de metano produzidos nas eras moderna e pré-industrial, e pelas vacas e saurópodes
Tamanha descarga de metano – prosseguem os cientistas – é comparável à quantidade produzida atualmente por seres humanos e animais, e é o dobro da que existia antes da industrialização.
Um pum do Cretácico
A hipótese «flatulentossauro» já fora avançada em fevereiro de 2007 por um senador republicano, Dana Rohrabacher, conhecido por defender a hipótese segundo a qual as ações da Humanidade não são suficientes para provocar um aquecimento à escala global.
Por defender estas posições Rohrabacher é também conhecido, em muitos sítios na Web, pelo cognome «O Idiota».
Rohrabacher brincou com a flatulência dos dinossauros durante uma audiência no Congresso para discutir estas questões do Aquecimento Global e as conclusões de um relatório sobre uma subida drástica nas temperaturas médias do planeta ocorrida há 55 milhões de anos, num período justamente chamado de Máximo térmico do Paleocénico-Eocénico.
«Nós não sabemos o que causou esses ciclos de subida e descida de temperaturas no passado», afirmou então o senador. «Podia ser flatulência dos dinossauros, quem sabe?»
E assim se fez história: o senador não acreditava que a ação humana pudesse ter como consequência o aquecimento global, mas deu o benefício da dúvida aos dinossauros.
Infelizmente para o reconhecimento do senador como um especialista em flatulentossaurologia, nesse período da pré-História já os dinossauros tinham desaparecido da face da Terra: a extinção deu-se no final do período Cretácico, ocorrido uns dez milhões de anos antes do período Máximo térmico do Paleocénico-Eocénico mencionado no relatório.
À escala geológica, o tiro do senador foi de raspão – vá lá. Sempre foi melhor do que adotar a escala Criacionista.
Pequenas ações históricas
Quer se aceite como correta a hipótese dos cientistas ou se acredite na especulação do senador, é inegável que o peido é muito mais importante na história do planeta Terra do que imaginávamos.
E este pode ser um pensamento reconfortante quando, por alguma razão que só um exame médico minucioso poderá explicar, te acontecer com demasiada frequência aquilo que muito educadamente costumamos referir por «descuido».
É escusado fazer uma careta de repulsa e queixares-te «Que horror, mas que mau cheiro vem a ser este»
(como se não fosse nada contigo).
Mais vale encheres-te de brio e perguntar: «Qual é o problema? Os dinossauros já o faziam há milhões de anos, se estivesse aqui o Darwin ele explicava-vos tudo». E ignora o engraçadinho que te disser «Bolas, e pensava eu que se tinham extinguido por causa de um asteróide. Depois da experiência de hoje, estou já a considerar outra hipótese».
Uns invejosos do metano – e já explico porquê.
Se a vida íntima dos dinossauros não é a tua cena, bem, considera que poderás ter contribuído para que um extraterrestre um dia venha a concluir que existe vida na Terra e eles afinal não são os únicos a ruminar entre as estrelas.
Neste caso, meu amigo, descuida-te com pompa e circunstância. Se for preciso, sobe à cadeira com a confiança de um Sheldon Cooper e anuncia: «Acabei de largar gás metano na atmosfera. Esta é a minha contribuição para determinar a posição da Terra no Cosmos. O meu projeto SETI. A minha oferta à Humanidade. Sugiro que todos vocês sigam o meu exemplo, e contribuam.»









































