O mundo dos geeks. Computadores, Brinquedos, Wallpapers, Internet, Publicidades, Blogues

→ 20/09/2011 @23:00

O homem que inventou o smiley

A 19 de Setembro de 1982 – há 29 anos e um dia – um investigador informático da Universidade de Carnegie-Mellon chamado Scott Elliot Fahlman enviou a seguinte mensagem eletrónica ao departamento de ciências da computação:

«Proponho a seguinte sequência de caracteres como indicador de piada»

(e escreveu dois pontos, um travessão e o sinal de fechar parêntesis)

«Leiam-nos lateralmente. Na realidade, é mais económico indicar coisas que não são piadas, dado a tendência atual. Para isto, usar»

(e escreveu dois pontos, um travessão e o sinal de abrir parêntesis)

E assim Fahlman se tornou o principal responsável pelos emoticons (ou smileys) baseados na codificação de carateres ASCII e que todos usamos agora.

Conta que a ideia lhe surgiu ao aperceber-se de que muitas vezes as pessoas não interpretavam corretamente o que recebiam através dos bulletim boards (BBS, percursores dos newsgroups), falhando em perceber a intenção sarcástica ou jocosa de determinada mensagem.

Lembrou-se então de criar dois indicadores que ajudassem a perceber se uma determinada mensagem devia ser encarada humoristicamente ou, pelo contrário, era para ser levada a sério. A intenção original do segundo smiley não era a de expressar tristeza, como sucede hoje, mas seriedade.

Fahlman conta a história toda num texto publicado na sua página pessoal. A revista Wired – de onde tirei esta informação – escreveu um artigo sobre o inventor dos smileys e fez uma resenha histórica de ideias semelhantes que ocorreram no passado mas que, por alguma razão, nunca chegaram a pegar.

 

Uma adenda

Talvez esteja enganado, mas é fácil distinguir entre um geek da velha guarda e um geek mais jovem: este escreve o smiley sem o travessão; o da velha guarda escreve-o como Fahlman o idealizou. Um acordo ortográfico aplicado aos emoticons?

→ 27/08/2011 @16:39

O rejuvenescimento do formato GIF

O formato de imagem .GIF é quase tão antigo como a própria Internet.

E embora seja vulgar associá-lo a pequenas imagens humorísticas espalhadas pela Web, nem sempre a sua utilização foi pacífica e inócua: problemas relacionados com a patente do algoritmo de compressão LZW usado na produção dessas imagens impediam a sua utilização pelos programadores de Software Livre.

Quem fizesse uso desse algoritmo de compressão corria o risco de ser processado pelas empresas que detinham a patente, Unisys e IBM. Como estas restrições eram contra o espírito do Software Livre e Aberto, muitos websites ligados ao movimento Open Source e GNU/Linux boicotaram o uso do formato, com o venerável guru Richard Stallman à cabeça do movimento de boicote.

Mas essas são já histórias antigas: as patentes foram expirando, dos Estados Unidos à Europa e, a partir de Outubro de 2006, deixou de haver qualquer problema em usar esse formato na criação de imagens e pequenas animações.

Sem restrições, ganhou a criatividade. E estas «fotos animadas» da fotógrafa nova-iorquina de moda Jamie Beck e do webdesigner Kevin Burg usaram o velhinho GIF para mostrar uma combinação subtil e sofisticada de elementos estáticos e animados, uma mescla de fotografia e vídeo combinados num único formato. Ler mais »

→ 23/08/2011 @21:22

Radiohead: Nude (Geek Vintage)

A banda: Sinclair ZX Spectrum: Guitarras; Impressora Epson LX-81 Dot Matrix: Bateria; HP Scanjet 3c: Baixo; Array de discos rígidos – Voz e efeitos especiais.

→ 17/08/2011 @14:54

Já agora: o Facebook não vai acabar a 5 de Novembro

Podemos todos dormir descansados até ao dia 5 de Novembro: não existe nenhuma «Operação Facebook» planeada pelo grupo de ativistas «Anonymous».

O vídeo foi colocado no YouTube a 16 de Julho por um utilizador chamado FacebookOp.

A sua «Message from Anonymous: Operation Facebook, Nov. 5, 2011» passou praticamente despercebida até os media começarem a falar no assunto. Depois tornou-se viral. Agora é assunto corrente no Facebook e em todo o lado.

Considerar que o «Anonymous» anunciaria uma operação deste tipo sem a publicitar em nenhum dos seus canais oficiais já é bizarro. Marcar a operação para uma data específica, dando tempo ao poderoso «inimigo» de fortalecer as suas defesas, é já completamente duvidoso.

Como escreveu Matt Peckham do sítio Techland, formulando uma dica sarcástica para pseudo-hackers: «quando planeias atacar alguém, não lhe digas antes. Mais importante ainda, não lhe digas exatamente quando planeias fazê-lo».

«O meio de comunicação que tu tanto adoras será destruído» –  afirma o narrador do vídeo, a voz alterada eletronicamente como costumam fazer os elementos do Anonymous. –  «Se és um ativista empenhado ou alguém que deseja proteger a liberdade de informação então junta-te à causa e mata o Facebook em nome da tua privacidade».

Na conta Twitter associada ao grupo «Anonymous» a história foi comentada da seguinte forma: «Não sejam patetas. Coisas importantes estão a acontecer no mundo para estarmos a lidar com palhaçadas como #OpFacebook. Vamos manter o nosso estilo e moral». E outra mensagem, dirigida aos jornalistas: «Para os media de todo o mundo: parem de mentir! #OpFacebook é outra falsidade. Nós não “matamos” o mensageiro, não é o nosso estilo». (fonte)

Eugene Kaspersky, CEO da empresa Kaspersky Lab, o fabricante de anti-vírus, notou que a conta YouTube continha «links para sítios repletos de publicidade» (fonte).

A conta foi aberta apenas com o propósito de postar a mensagem, criar o «hype» e aumentar a visibilidade dos links manhosos.

Entretanto, depois desta desmontagem da aldrabada Operação Facebook, tanto o perfil do utilizador que publicou o vídeo como o próprio vídeo original já desapareceram do YouTube. Gostas?

→ 16/08/2011 @22:37

Pois, o Facebook desrespeita o utilizador

Este «anúncio» à aplicação TopFace apareceu-me hoje no lado direito do mural do Facebook, nos «links patrocinados».

Se então usar esta maravilhosa idiotice posso «descobrir quem dos meus amigos quer fazer amor comigo».

Esta malta não gosta mesmo de se esforçar – até para conseguir uma lista de potenciais parceiros sexuais prefere ter a papinha toda feita.

Cada um cai na esparrela que quiser e parece-me óbvio que muita gente do Facebook devia ser protegida da sua própria estupidez ou inexperiência – acontece precisamente o contrário: o nome de um utilizador real do Facebook está associado a esta promoção e é visível mesmo a estranhos. Nem sequer está na minha lista de «amigos».

Será que essa pessoa autorizou o Facebook ou a aplicação a tornar públicas a intimidade das suas buscas, desejos, expectativas, fragilidades, seja o que for? Sentir-se-á tranquila se outros utilizadores ficam a saber através de uma mensagem publicitária que a hipótese de «fazer amor» com um «amigo» é algo que lhe interessa ou procura?

→ 11/08/2011 @23:56

A farmvilliação do Google+ já começou

Começaram a aparecer os primeiros joguinhos no Google+.

Depois de alguns meses durante os quais a comunidade de early adopters se sentiu muito bem por pertencer a uma rede social «diferente», sem o granel do Facebook, o Google+ dá o primeiro (e esperado) grande passo para ter exatamente as mesmas porcarias dispensáveis que o outro oferece, variando apenas a intensidade com que os utilizadores serão importunados – sim, ainda tenho uma réstia de otimismo em relação ao G+.

Jogos, aplicações – nada que já não tivesse antecipado neste post.

Se eu, que estou longe de ser um especialista e não tirei um curso de futurologia, já esperava esta farmvilliação do Google+, então esta introdução dos primeiros jogos já não deve ser surpresa para ninguém. Contudo, o entusiasmo tem sido enorme – porquê tanto entusiasmo, se o destino do Google+ é tornar-se apelativo aos milhões que jogam Farmville e se estão borrifando para subtilezas geek?

Claro que posso estar enganado – para bem das pessoas que investiram tempo e energia no Google+, espero que haja pelo menos a possibilidade de «limpar» a timeline de todo o lixo que lhes será imposto. No Facebook isso também é possível, embora o processo não seja muito transparente ou facilmente acessível.

Ainda assim – desculpem-me as pessoas que andam pelo G+ – não vejo nada de fundamentalmente diferente no conteúdo do que ali é partilhado: vídeos, piadas, citações, links, opiniões, conversas, é mais do mesmo. As pessoas são as mesmas, por que razão haveria de ser diferente? O Hélio Imaginário também andou de skate no Google+.

Reconheço uma velha questão pessoal que pode subverter o meu julgamento: as redes sociais têm uma importância tão secundária para mim que as melhorias de organização e funcionamento em relação ao Facebook não são suficientes para que eu reveja esta relação sempre muito descomprometida e distante com estes fenómenos.

Continuo a achar que a melhor ferramenta de uma rede social é o botão back do browser, ou seja, back to blogging.

→ 12/07/2011 @3:08

Google+ ou menos (hoje é fixe, amanhã já não sei)

Vamos ter uma conversinha entre geeks, está bem? Nada de especial nem profundo, apenas a exposição de uma opinião e várias dúvidas, e o pedido que formulem a vossa.

É sobre redes sociais, mas focado na nova coqueluche da web, o Google+. E já que estamos entre geeks, apresento o meu disclaimer: não sou um entusiasta de redes sociais. A produção de conteúdo e a interação com as pessoas é feita neste blogue – e isso chega-me.

O meu preferido, apesar de tudo, é o Twitter. Gosto do Twitter por causa do poder de síntese. Comecei no Facebook apenas com o interesse egoísta de promover o blogue, nada mais. Agora que estou lá acho-lhe piada, mas se o que eu faço na Net dependesse apenas do que o Facebook me dá, reduziria a metade o tempo que passo diante do computador.

Agora chegou o Google+ – na minha visão redutora das maravilhas das redes sociais (admito sem problemas), aquilo é mais do mesmo, com algumas diferenças na organização e ligação entre as pessoas. Tem pormenores porreiros – a possibilidade de editar os comentários a posteriori é um deles.

Estou no Google+ por defeito de profissão: quero saber o que é, conhecer, estar informado; mas se passo lá mais de dez minutos começo a sentir-me cansado. Farto-me.

Mesmo para quem tem uma visão radicalmente diferente da minha em relação às redes sociais, estes devem ser tempos algo confusos: como é óbvio, um utilizador de Facebook ou Google+ é também um produtor de conteúdos. Quer partilhe um vídeo sobre mamas e gatinhos, como eu fiz no Facebook (e gamei ao Google+), entre numa «conversa» ou escreva um pensamento eloquente sobre um assunto qualquer, está sempre a produzir conteúdo.

As pessoas têm tempo para produzir conteúdo para o Facebook e o Google+ em simultâneo ou já começaram a fazer como eu, a duplicá-lo nas redes? Não estaremos a iniciar uma era da redundância onde é cada vez mais importante marcar presença do que ter alguma coisa nova para dizer?

Que procuram realmente as pessoas que experimentam o Google+ e que estão também ativas no Facebook? Fugir às aplicações parvas, aos eventos, aos convites, aos jogos?

Compreendo bem essa necessidade e também acredito que o Google+ permite um espaço de discussão com mais qualidade e menos ruído, mas não é com o G+ de hoje que estou preocupado: sendo um modelo de negócio que terá obviamente de ser rentável, quem me garante que amanhã a merdaville do Facebook não seja, em nome da rentabilidade, «reciclada» para o Google+?

Todo este entusiasmo justificar-se-á numa altura tão precoce, quando nenhum de nós pode garantir em que tipo de rede social o G+ se vai transformar?

E se não passarmos de meros peões num vasto tabuleiro onde dois jogadores disputam o poder sobre o conteúdo e o fluxo de informação que é produzido online nas redes sociais, conseguirão estes early adopters manter o mesmo entusiasmo?

Entalados entre as gigantescas capacidades de pesquisa e armazenamento do Google e Facebook, o que restará das nossas vidas que não seja monitorizável?