
I'm a Mac. I'm a PC. Steve Jobs e Bill Gates na casa de Jobs em Palo Alto, 1991. O encontro foi organizado pela revista Fortune, que os convidou a discutir o futuro dos computadores pessoais. Jobs era CEO da NeXT, Gates era já um multimilionário. (Foto: George Lange/Getty Images)
A 6 de Agosto de 1997, na MacWorld realizada em Boston – a primeira de Steve Jobs após o regresso à Apple – os utilizadores do Macintosh receberam uma notícia chocante. O acontecimento criou um mito que perdura até hoje.
Steve Jobs ocupou o centro do palco para informar utilizadores e acionistas que a Apple estava a redefinir as suas relações e parcerias empresariais. E anunciou uma parceria «muito, muito significativa».
No enorme ecrã do palco, surgiu o logótipo da Microsoft de Bill Gates.
Teria sido possível ouvir-se um clique de rato naquele auditório. Um, dois segundos de silêncio, de desnorte na assistência. Muitas pessoas pareciam assistir a um número de circo arriscado. Houve depois quem quebrasse o desencantamento e se risse, como se tudo aquilo fosse uma palhaçada. Outras aplaudiram, com desdém. Ouviram-se assobios.
Steve Jobs pediu tempo para explicar esta nova aliança com o arqui-inimigo e contou que as conversações entre Apple e Microsoft tinham começado devido a algumas «disputas com patentes».
A diplomática candura da expressão suscitou uma reação unânime: a assistência desatou às gargalhadas e aos aplausos.
Uma maçã muito vermelha
A disputa com patentes era uma cordial referência à ação judicial que apenas dois anos antes a Apple intentara contra a San Francisco Canyon Company, a Intel e a Microsoft, acusando estas empresas de terem «roubado» centenas de linhas de código do player QuickTime, incorporando-o e distribuindo-o através do Windows – o termo exato usado pela Apple numa «carta aberta à comunidade», publicada a 9 de Fevereiro de 1995, foi «pirataria de software».
A Apple tinha um acordo com a Canyon para criar uma nova versão do QuickTime para Windows. O objetivo era acelerar o processo de playback das imagens usando técnicas proprietárias desenvolvidas pela própria Apple.
«A velocidade era um fator importante», explicou a empresa nessa carta aberta, «porque anteriores versões do vídeo para Windows se assemelhavam mais a slideshows do que a imagens em movimento.»
O contrato entre a Canyon e a Apple proibia a partilha ou revelação de qualquer parte do código disponibilizado e estipulava que a Canyon não poderia trabalhar em produtos da concorrência.
Quando o desenvolvimento do QuickTime para Windows estava a chegar ao fim, a Intel contratou a Canyon para desenvolver software que garantisse ao vídeo em Windows o mesmo desempenho já assegurado pelo QuickTime.
A Canyon comprometia-se a usar as mesmas técnicas de aceleração usadas no QuickTime e a entregar o programa num espaço de sete semanas. Em consequência disto, «várias centenas de linhas de código do QuickTime foram incorporadas no software que a Canyon entregou à Intel.»
O código foi incorporado num software chamado Display Code Interface (DCI), co-desenvolvido pela Microsoft e Intel. Convencida de que tanto a Intel como a Microsoft «sabiam muito bem» que tinham recebido «código pirateado», a Apple tentou impedir as duas empresas de distribuir o código, em conversações mais privadas e informais.
Tanto a Intel como a Microsoft se recusaram a ceder às exigências da Apple, pelo que a opção era «deixar as duas mais poderosas empresas desta indústria safar-se com software pirata ou ir a tribunal».
Este não era um episódio isolado na guerra entre as duas empresas, pois já em finais da década de 80 a Apple processara a Microsoft por considerar que esta roubara o «look and feel» do Graphical User Interface (Interface Gráfica do Utilizador) dos sistemas operativos Mac. Só em 1994 a disputa acabou por ser decidida judicialmente, a favor da Microsoft. Ler mais


















































