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→ 11/10/2011 @18:15

O dia em que a Microsoft salvou a Apple

I'm a Mac. I'm a PC. Steve Jobs e Bill Gates na casa de Jobs em Palo Alto, 1991. O encontro foi organizado pela revista Fortune, que os convidou a discutir o futuro dos computadores pessoais. Jobs era CEO da NeXT, Gates era já um multimilionário. (Foto: George Lange/Getty Images)


 
A 6 de Agosto de 1997, na MacWorld realizada em Boston – a primeira de Steve Jobs após o regresso à Apple – os utilizadores do Macintosh receberam uma notícia chocante. O acontecimento criou um mito que perdura até hoje.

Steve Jobs ocupou o centro do palco para informar utilizadores e acionistas que a Apple estava a redefinir as suas relações e parcerias empresariais. E anunciou uma parceria «muito, muito significativa».

No enorme ecrã do palco, surgiu o logótipo da Microsoft de Bill Gates.

Teria sido possível ouvir-se um clique de rato naquele auditório. Um, dois segundos de silêncio, de desnorte na assistência. Muitas pessoas pareciam assistir a um número de circo arriscado. Houve depois quem quebrasse o desencantamento e se risse, como se tudo aquilo fosse uma palhaçada. Outras aplaudiram, com desdém. Ouviram-se assobios.

Steve Jobs pediu tempo para explicar esta nova aliança com o arqui-inimigo e contou que as conversações entre Apple e Microsoft tinham começado devido a algumas «disputas com patentes».

A diplomática candura da expressão suscitou uma reação unânime: a assistência desatou às gargalhadas e aos aplausos.

 

Uma maçã muito vermelha

A disputa com patentes era uma cordial referência à ação judicial que apenas dois anos antes a Apple intentara contra a San Francisco Canyon Company, a Intel e a Microsoft, acusando estas empresas de terem «roubado» centenas de linhas de código do player QuickTime, incorporando-o e distribuindo-o através do Windows – o termo exato usado pela Apple numa «carta aberta à comunidade», publicada a 9 de Fevereiro de 1995, foi «pirataria de software».

A Apple tinha um acordo com a Canyon para criar uma nova versão do QuickTime para Windows. O objetivo era acelerar o processo de playback das imagens usando técnicas proprietárias desenvolvidas pela própria Apple.

«A velocidade era um fator importante», explicou a empresa nessa carta aberta, «porque anteriores versões do vídeo para Windows se assemelhavam mais a slideshows do que a imagens em movimento

O contrato entre a Canyon e a Apple proibia a partilha ou revelação de qualquer parte do código disponibilizado e estipulava que a Canyon não poderia trabalhar em produtos da concorrência.

Quando o desenvolvimento do QuickTime para Windows estava a chegar ao fim, a Intel contratou a Canyon para desenvolver software que garantisse ao vídeo em Windows o mesmo desempenho já assegurado pelo QuickTime.

A Canyon comprometia-se a usar as mesmas técnicas de aceleração usadas no QuickTime e a entregar o programa num espaço de sete semanas. Em consequência disto, «várias centenas de linhas de código do QuickTime foram incorporadas no software que a Canyon entregou à Intel.»

O código foi incorporado num software chamado Display Code Interface (DCI), co-desenvolvido pela Microsoft e Intel. Convencida de que tanto a Intel como a Microsoft «sabiam muito bem» que tinham recebido «código pirateado», a Apple tentou impedir as duas empresas de distribuir o código, em conversações mais privadas e informais.

Tanto a Intel como a Microsoft se recusaram a ceder às exigências da Apple, pelo que a opção era «deixar as duas mais poderosas empresas desta indústria safar-se com software pirata ou ir a tribunal».

Este não era um episódio isolado na guerra entre as duas empresas, pois já em finais da década de 80 a Apple processara a Microsoft por considerar que esta roubara o «look and feel» do Graphical User Interface (Interface Gráfica do Utilizador) dos sistemas operativos Mac. Só em 1994 a disputa acabou por ser decidida judicialmente, a favor da Microsoft. Ler mais »

→ 06/10/2011 @22:19

Geração Apple e a partida do seu mentor

Yoshikazu Tsuno/AFP/Getty-Images

Andreu Dalmau

Vincent Thian/AP

Park Ji Hwan/AFP/Getty-Images

Cesare Abbate

Homenagem do The Omni Group, empresa que produz aplicações para Mac OS X, iPhone e iPad

Autor: Statystyki

HenriCartoon/SAPO

 

O visionário

Justin Sullivan/Getty Images

Na manhã de um dia de Julho de 1997, o conselho de administração da Apple foi chamado para uma reunião executiva de emergência no campus de Cupertino, na Califórnia.

O chefe executivo da Apple, então estagnada e à beira da bancarrota, não era pessoa para fazer grandes cerimónias. Com uma expressão de alívio, Gil Amelio anunciou: «Bem, infelizmente chegou a hora de ir à minha vida. Fiquem bem». E saiu da sala.

Poucos minutos depois entrou Steve Jobs, o homem que fora despedido há 12 anos pela própria empresa que ajudara a fundar. Jobs regressara como consultor, quando sete meses antes a Apple decidira comprar a sua NeXT Software, Inc.

A NeXT Software desenvolvera o seu próprio sistema operativo construído a partir de um microkernel, o Mach, e de um sistema operativo já existente baseado em Unix, o BSD. Os computadores que Jobs lançara no mercado não tiveram grande sucesso, mas o interface gráfico do sistema, o NeXTStep, era tão bonito e de fácil utilização que a Apple resolveu usá-lo como base para o seu futuro Mac OS X.

Naquela manhã, porém, Jobs já não era apenas um consultor, mas o novo CEO de uma Apple moribunda que apostara no regresso do filho pródigo para recuperar o carisma perdido. Jobs entrou na reunião de calções, ténis e barba por fazer, e sentou-se na cadeira do chefe: «Digam-me o que se passa aqui de errado».

Dois ou três executivos ainda terão murmurado algumas respostas, mas Jobs não estava ali para os ouvir. «São os produtos!» –  gritou. – «Portanto digam-me, o que é que há de errado com os produtos?» Mais uma vez alguém tentou balbuciar uma resposta, mas Jobs voltou a rugir: «Os produtos são uma porcaria! Já não existe sexo neles!»

Esta história foi recordada pela primeira vez na edição de 6 de Fevereiro de 2006 da revista Bloomberg BusinessWeek.

 

Para o infinito, e mais além

Considerar que a visão de Steve Jobs para a Apple se resumiu à palavra «sexo» poderá gerar alguma confusão e incredulidade entre os utilizadores da Apple. Mas aquele era o estilo habitual de Jobs, sucinto e assertivo tanto quanto possível, capaz de «dizer-te, em poucas palavras, o que deveria ser pensado antes sequer de o começares a pensar», como escreveu o co-fundador da Google, Larry Page.

Steven Spielberg chamou-lhe «o maior inventor desde Thomas Edison, capaz de colocar o mundo na ponta dos nossos dedos»; para George Lucas, a quem Steve Jobs comprou a Pixar por tuta e meia, «enquanto outros se limitavam a aceitar o status quo, Jobs via o verdadeiro potencial de tudo aquilo em que tocava e nunca abandonou essa visão».

Lucas sabe bem do que está a falar quando refere visões e potencialidades, pois a sua decisão de vender a futura Pixar a Steve Jobs foi classificada pela revista TotalFilm, em 2004, como «a sexta mais idiota da história do cinema».

A compra (e posterior sucesso) da Pixar – então chamada Graphics Group, uma divisão de computadores da Lucasfilm – é sintomática da teimosia de Jobs, o primeiro a acreditar que seria possível criar animação de qualidade através dos computadores.

Ao princípio, a Pixar era apenas uma pequena empresa com um computador próprio – Pixar Image Computer – e um cliente importante: a Disney. Esta relação com a Disney intensificou-se quando as duas empresas desenvolveram um conjunto de ferramentas de software e hardware – CAPS, Computer Animation Production System – através do qual a Disney podia dar cor às suas velhas animações.

Mas as dificuldades iniciais eram tantas que até Jobs considerou a possibilidade de vender. Isso não chegou a acontecer porque a Disney, que entretanto substituíra o seu diretor executivo (que nunca gostou muito de Jobs), por um mais novo (que já se entendia muito bem com Steve), resolveu fazer da Pixar parte da sua estratégia de «revitalização» e encomendou à empresa três longas-metragens por um total de 26 milhões de dólares.

O primeiro filme a sair foi «Toy Story» – um sucesso descomunal que transformou a Pixar num gigante. Depois de várias e longas negociações em relação a direitos de produção, exploração e distribuição, a Disney acabou por comprar a Pixar por 7,4 mil milhões de dólares, colocando o génio criativo de «Toy Story», John Lasseter, o «novo Walt Disney», a dirigir os estúdios, e Steve Jobs, o visionário, como o seu maior acionista.

 

Questões de sexo

A Pixar foi apenas um capítulo de um «livro de Jobs» muito lucrativo. Todas as potencialidades que só Jobs parecia ver ou acreditar fazem agora parte do dia-a-dia da geração geek: os novos sistemas de distribuição de música, a venda de conteúdos e aplicações através de lojas online, sistemas de pagamento de aplicações e conteúdos, os sistemas móveis, do iPod ao iPad – tudo saído da visão de Jobs.

Mas naquela manhã de Julho de 1997 o caminho ainda estava por desbravar: sexo, dissera aos incrédulos executivos da Apple.

Por sexo queria dizer carisma, beleza, elegância, capacidade de sedução, numa palavra: personalidade. Até então os computadores pessoais eram encarados como meros eletrodomésticos; com Steve Jobs, passaram a ter a dignidade de um móvel, as cores alegres de uma peça de roupa; até então os computadores eram coisas feias e úteis; com Jobs, passaram a ter estilo, transformaram-se em objeto de moda, em máquinas que não só podíamos «utilizar» mas também «usar», «vestir».

Todos os produtos lançados após o regresso triunfal de Steve Jobs – dos primeiros iMac, em 1998, ao recente iPhone 4S – eram excelentes do ponto de vista tecnológico, embora não necessariamente inovadores, mas sobretudo símbolos culturais de uma geração que se convencera – devido ao génio de Jobs mas também por causa das excelentes campanhas de marketing – de que ter um Mac era meio-caminho andado para «pensar diferente», ser bem-sucedido e fazer parte de uma elite mais esclarecida e sedutora. Questões de sexo, portanto.

(parte de um conjunto de textos escritos para a página do Sapo de tributo a Steve Jobs)

→ 04/10/2011 @22:19

Aqui também se fala do novo iPhone

Os geeks da minha timeline no Twitter pularam de excitação perante a possibilidade de a Apple apresentar hoje o iPhone5, mas afinal de contas anunciou o iPhone 4S.

Os nerds de Portugal podem contar com toda a simpatia e solidariedade do Bitaites: deve ser terrível esperar um 5 e acabar com um 4S. Um cinco é mais bonito, moderno, tem mais pinta, é mais concludente e possui mais lógica: a seguir ao 4 costuma vir um cinco.

Se os fanboys da Apple vivessem no mundo mais cinzento dos PC já estariam bem preparados para estas reviravoltas: não se esqueçam que muitos de nós, os tipos dos PC – irremediavelmente feios, barrigudos e vestidos com fatos da Maconde – testemunharam in loco a passagem do Windows 98 para Windows 98SE e, finalmente, Windows Me.

Do Me passámos para o 2000, do 2000 para o XP, do XP para o Vista e do Vista para o Seven. Há quem diga que tem sido uma experiência confusa e traumatizante.

Mas a Apple é demasiado cool para se guiar pela lógica do 1, 2, 3, 4, 5 e muito menos pelas tropelias da Microsoft, e decretou, para enorme surpresa dos entusiastas, que a seguir ao 4 vem um S.

E embora o novo gadget esteja cheio de apetitosas novidades tecnológicas, não consigo deixar de associar esta designação 4S às velhinhas Renault que circularam nas estradas a partir da segunda metade do século passado.

Mas não pensem que lá por ser relativamente imune à tentação da maçã escrevo este post para desvalorizar o iPhone 4S.

Na verdade, se alguma vez na vida um geek olhou embevecido para o seu gadget e balbuciou, como um pai babado, «só lhe falta falar», a Apple tem uma grande surpresa: o novo iPhone já fala.

Chama-se Siri e foi-nos apresentada como uma assistente pessoal de voz.

Sendo da Apple, gosto de imaginá-la como uma rapariga muito elegante e jeitosinha.

A prestável Siri diz-nos como está o tempo, ativa-nos o despertador, dá-nos direções e localizações e pontos de interesse, responde a mensagens e só não nos apalpa o cu porque até a Apple considera que devem existir limites para o grau de socialização de um nerd com o seu iPhone.

É engraçado, mas esta solução já tinha sido prevista pela própria Apple em 1987, segundo garante o autor deste post, quando a empresa criou um vídeo onde se demonstrava o conceito do que seria «um futuro computador da Apple»: há 24 anos, já se imaginava um touchscreen e um assistente de voz, o Knowledge Navigator.

Eu mantenho-me longe da Apple e relativamente insensível às suas maravilhas – perdoem-me a heresia –, mas assumo a minha costela geek e espero que me continuem a acompanhar neste post.

Já repararam com certeza naquele magnífico soutien equipado com os botões da Nintendo. Quantas vezes não desejámos passar uma noite inteira na jogatana?

E este conjunto de lingerie inspirado no mítico Pac-Man?

Quem nunca ficou com cara de Pac-Man ao se aproximar de um belo par de maminhas que levante a mão (mas não use aquela em que está a segurar o iPhone 4S!)

→ 03/10/2011 @3:35

Firefox Girl

Foto: Laura Makabresku

→ 28/09/2011 @17:59

O que sabe o Facebook sobre ti?

O Facebook negou a acusação segundo a qual a rede social «monitoriza» a atividade online dos seus utilizadores mesmo quando estes já não se encontram a navegar nas suas páginas, mas as preocupações em relação à privacidade das pessoas mantém-se.

O Facebook guarda absolutamente tudo – mesmo tudo – o que por lá fazemos: o que dizemos, os likes, os convites que rejeitamos e os que aceitamos, mesmo as fotografias que apagamos são mantidas no servidor.

Existe uma forma de forçar o Facebook a revelar ao utilizador quais são os dados que armazena: é necessário preencher um «Pedido de dados pessoais» (link).

Todos os campos são de preenchimento obrigatório. Na parte onde diz «Indica a lei ao abrigo da qual estás a pedir os dados» deve escrever-se «Art. 12 Directive 95/46/EG». Finalmente, devem fazer o carregamento de uma imagem digitalizada do vosso BI ou equivalente (a carta de condução também serve).

É possível que o Facebook envie um email com instruções de como aceder aos dados – está a engonhar, pois aquelas não incluem acesso aos dados completos. Poderá ser necessário enviar mais do que um email para que se perceba que não desistirão dos vossos direitos.

O Facebook tem um prazo legal de 40 dias para aceder às pretensões do utilizador. Quando isso acontecer, recebe-se um CD contendo um documento PDF com todos os dados coligidos.

Segundo esta página – de onde de resto tirei estas informações – o PDF com o vosso perfil e o historial das vossas atividades pode conter até 1000 páginas. O documento é dividido em secções, incluindo «Political Views» e «Religious Views», como podem verificar neste artigo.

→ 26/09/2011 @1:10

Googleville

Sabemos que as condições de trabalho na Google são lendárias. E fotografias como estas são importantes ferramentas de Relações Públicas, ajudando a passar a imagem de que é realmente uma empresa acolhedora, porreiraça, «o melhor sítio do mundo para se trabalhar».

E eu cá acredito nisso piamente: mesmo as fotos que já conhecia da Google não são nada comparadas com o que estas revelam.

Um escorrega para os funcionários que não gostam de escadas ou elevadores

Pequenas salas de reunião em forma de ovo para «chocar» ideias

Compartimentos de massagens para os trabalhadores

Cadeiras recostáveis onde podem relaxar observando peixinhos num aquário

Sala de jogos nos bares

Caramba, no Google trabalha-se duramente – só assim é possível obter resultados. Se todas estas zonas recreativas podem ser usadas livremente, então é necessário uma grande, grande auto-disciplina para manter a produtividade.

→ 23/09/2011 @12:25

A quem interessar: Facebook Timeline


A nova interface do Facebook – Timeline – e como ativá-la no teu perfil.