O mundo dos geeks. Computadores, Brinquedos, Wallpapers, Internet, Publicidades, Blogues

→ 19/01/2011 @15:45

Publicidade para um grupo restrito de otários

Otários

Pá! Anda aqui a esta página responder a umas perguntas. Podemos ganhar um iPhone!

Ai sim? Duvido muito, mas pronto.

Cá estamos! Estás a ver. Até tem uma miúda muito simpática a olhar para o meu cursor. Vês que ela está a ficar impaciente por não lhe tocar com o cursor?

Tá nada. Mesmo agora o cursor passou-lhe por cima das maminhas e ela nem reagiu. Distraída, a rapariga. E é um cursor em flash, ó génio, precisas de mexer o teu para activar isto.

Deixa-me experimentar e mexer no cursor… Ah! Tás a ver? Já sorriu e tudo. Há aqui uma certa… como se diz? Interactividade, é isso! Não há dúvida de que é feito de forma muito profissional. Bem, acho nunca foi tão fácil candidatar-me a ganhar um iPhone. Estás a ver qual é a primeira pergunta?

Estou. Está a perguntar qual foi a empresa que desenvolveu o iPhone, a Apple ou a Nokia.

Pá, isto está no papo! Carrego onde diz Apple, certo?

Não, acho que é Nokia.

Não me confundas. É Apple, tenho quase a certeza. Vou carregar. Ouviste? Olha, acertei! Vê tu como a menina ficou tão contente! Vamos lá ver a segunda pergunta. De onde vem a marca Apple, da América ou da França?

Mas a América é um país? Não sabia, sempre pensei que fosse um continente. De qualquer modo, tenho quase a certeza absoluta que a Apple nasceu na França.

Não te armes em mete-nojo. É claro que eles puseram América só para não confundir as pessoas, não é? E sabemos que essas coisas costumam vir da América, onde se fazem os filmes e tudo. Bem, esta pergunta também é canja. Iphone, aqui vou eu!

Boa. Acertaste. Parabéns. Já pensaste que as respostas são fáceis porque eles querem ter a certeza de que a maior parte das pessoas chega ao passo final?

Chiu, não me desconcentres. Deixa ver a próxima pergunta. Que outro produto da Apple também é popular, o iPod ou o Blackberry?

Ui, essa ainda é mais difícil.

Não é nada. Pensamento positivo amigo, pensamento positivo! Tem de ser o iPod. Sabes porquê? A Apple é que tem a mania de começar o nome dos seus produtos com um i pequenino. Olha, como o iPhone. Não tem nada de saber, é como somar i + i = 2. E dizias tu que isto era fácil!

Boa, acertaste. Parabéns.

Olha! Vou ganhar um novo iPhone. Agora só tenho de escrever o meu número de telemóvel.

Provavelmente o teu número de telemóvel vai enriquecer a base de dados de algum spammer ou, pior ainda, vais ter de pagar uma fortuna em chamadinhas de valor acrescentado e depois acabas no Queixas.pt a partilhar as tuas misérias e a pensar como pudeste ser tão urso.

Tu estás é com inveja, pá, por eu ter feito o questionário e acertado em tudo. Agora vou ficar em casa à espera do meu prémio. Eu sei que deve haver mais gente que acertou…

Achas!? Com perguntas tão difíceis, deves fazer parte de um grupo muito restrito.

Pois é, estou tão contente! Acho que vou dormir com o telemóvel debaixo da almofada à espera que me contactem a dizer que ganhei um iPhone!

(a partir de um tweet do Celso Martinho)

→ 06/01/2011 @2:07

E agora, um post mais a sério sobre Pirataria

As pobres editoras


Um blogue não é um fórum, mas a troca de opiniões e a discussão de pontos de vista diferentes é possível e pode ser acompanhada com facilidade. Espero que este post consiga gerar uma boa conversa entre nós.


Primeiro, despacha-se a ACAPOR

A acção da ACAPOR é patética: não passa de uma associação de dinossauros e, à semelhança dos dinossauros, condenada à extinção. A ACAPOR apropria-se de imperativos morais com os quais à partida todos concordamos – «não roubar» – e usa-os em proveito próprio com o objectivo de salvar um modelo de negócio anacrónico. Inventa números de circo como as 24 horas de downloads ilegais ou os 1000 IP por mês, mas não tem qualquer tipo de consistência.

Falo na apropriação da moralidade em nome do lucro e confirmo esta visão em tudo o que vejo: até a simples entrega das caixas dos IP na Procuradoria-Geral da República foi feita como se os membros da ACAPOR fossem uns Moisés descarregando as tábuas dos Dez Mandamentos.

A questão de fundo ultrapassa esta insistente, mas ridícula, luta da ACAPOR em assegurar a sobrevivência económica dos seus associados.

O que nos divide é a forma como encaramos o fenómeno da pirataria. E é sobre as nossas diferentes visões que espero ver os leitores deste blogue conversar.


Agora, conversamos sobre pirataria

Começo eu.

A pirataria – o download de obras protegidas pelos direitos de autor – é ilegal. Ninguém pode contestar a existência de uma lei e o que essa lei determina.

Não podemos negar a existência da lei, mas podemos contestar-lhe a justiça. Podemos fazê-lo de várias formas – e a mais lesiva e radical de todas é transformar a pirataria não apenas no acto de sacar qualquer coisa, mas num acto político.

É minha convicção de que a Cultura – todas as formas de cultura – vivem sequestradas por um sistema capitalista que restringe o acesso à Arte aos que têm mais dinheiro.

Só que um filme não é um carro. Um disco não é um frigorífico. Uma peça de teatro não é um televisor.

A própria produção cultural depende desse sistema vampiresco: não é preciso ser um iluminado para se intuir as dificuldades em fazer Teatro ou Cinema em Portugal. E não é por falta de talento, garanto-vos.

Os artistas que não são apoiados pelas organizações que vivem à conta da cultura, por não serem suficientemente lucrativos, são forçados a pagar um preço terrível se desejarem manter a sua integridade artística: esse preço, muitas vezes, é o da pobreza.

É precisamente por isso que nunca acharei que estou a roubar um artista ao contribuir para a distribuição massiva da sua arte: estou, pelo contrário, a contribuir para que as suas salas de espectáculos se encham de piratas criminosos, dispostos a pagar-lhe a ele – e não às editoras – a merecida recompensa pelo seu trabalho.

Só podemos reduzir a Cultura a um mero negócio quando não existe paixão.

A pirataria é um método fabuloso de distribuição de conteúdos – nem vale a pena chamar-lhe pirataria, como convém aos mafiosos da RIAA, mas partilha. Para um músico ou outro artista qualquer, a disseminação da sua obra é mais importante do que ser ignorado ou explorado por essas organizações.

Elas não defendem o artista, como é óbvio; dependem a fatia grossa que lhes cabe nos lucros gerados pelo trabalho do artista. Durante muitos anos, o artista dependeu totalmente da benesse dessas organizações para distribuir o seu trabalho; a Internet libertou-o de uma forma inimaginável há uns anos.

Ao serem confrontadas com um sistema onde nenhum controle é viável, a reacção de organizações como a RIAA é chamar-nos, a todos, criminosos, ao invés de reflectir sobre a condição de quem realmente produz arte e de quem a consome.

Da próxima vez que um desses magnatas da cultura discursar sobre como se está a roubar o pobre artista, gostaria que alguém lhe perguntasse qual a percentagem a que tem direito sobre aquilo que o artista criou. Assim se percebe quem começou por roubar.

Primeiro rouba-se o artista e, a seguir, o fã.

Não tenho qualquer pena dessa gente: não passam de exploradores com medo que a concorrência – a partilha livre de cultura e conhecimento – lhes venha a estragar o negócio.

Quem opta por fazer downloads ilegais porque pensa desta forma paga também um preço: ser considerado um criminoso.

Mesmo aqueles que compram um DVD de forma legal são forçados à indignidade de ver um anúncio anti-pirataria. Isto sucede porque o que está em causa, para os magnatas da Cultura, é combater um sistema de distribuição que não podem controlar. Um sistema que se baseia nos nossos ouvidos e corações e não no canto da sereia dos departamentos de Marketing. Por isso nos tratam a todos como potenciais criminosos – sendo o crime a nossa livre escolha.

Ainda assim, não é possível considerar aceitável a atitude do oportunista que faz downloads ilegais para vender DVD manhosos nas feiras – esse não passa de facto de um cretino, pois tem as mesmas motivações e adopta o mesmo sistema sequestrador da Cultura.

O amante da Arte que faz downloads ilegais não é um ladrão, é um activista. Existem milhões de activistas silenciosos – e será impossível pará-los. Querer suprimir o livre acesso à cultura é como tentar criar um imposto para o oxigénio que respiramos. Não vão conseguir.

Adaptem-se: antes das lições de moral sobre a pirataria, devem começar por moralizar as vossas percentagens de lucro.


Se consideram o gráfico ali em cima simples propaganda, leiam este post.

→ 05/01/2011 @0:18

Colectânea ACAPOR e IP’s com personalidade

A associação que representa os interesses comerciais dos clubes de vídeo apresenta hoje um conjunto de denúncias à Procuradoria-Geral da República. Diz que é a «maior colectânea de queixas-crime apresentadas em simultâneo na História da Justiça Portuguesa.»

Comunicado da ACAPOR

Colectânea? Quem estiver distraído ainda pensa que a ACAPOR vai lançar um disco. Será uma colectânea do Festival RTP da Canção? Não foi uma rapariga chamada Manuela Bravo que cantou aquele sucesso, Sobe, sobe, Netcabo, sobe/ vai pedir ao Demonoid/Que me deixe lá entrar e sonhar/Levo o meu PC comigo/Pois eu sei que encontrei/O lugar ideal para sacar

Bem, parece que não.

A ACAPOR vai denunciar IP’s. 1000 IP’s, 970 dos quais são IP’s nascidos em Portugal.

Os IP’s que a ACAPOR vai denunciar são malfeitores. Acho muito bem. Espero que sejam tornados públicos. Tenho de dizer à minha filha que por mais liberal que eu possa ser, jamais a deixarei namorar com um IP que cometa ilegalidades. Não me interessa que o IP seja loiro ou moreno, simpático ou prestável. Os IP’s que a ACAPOR vai denunciar são os que roubam filmes na Internet. Chegará o dia em que terei mesmo de lhe dizer «Filhota, quem vê IP’s não vê corações».

Nem todos os IP’s são meliantes. Valha-nos isso, porra.

Eu conheço IP’s que andam na Net só para rever antigos IP’s cujo destino desconheciam desde os tempos do liceu. A maioria usa o Facebook, muitos trocam números de telefone, combinam almoços.

Quantas vezes já não ouvimos esta conversa «Ó 85.138.192.57, meu grande sacana, há quanto tempo não te via! Como é que tens passado?»«Lembras-te da 216.163.137.68? Que é feito desse borrachinho, casou-se?»

«Casou-se com o totó do 195.22.8.66, vê lá tu». «Porra, que desperdício. Da rede 216, ela era a mais bonita de todas». «Pois é. Agora é a senhora 195, imagina».

Eu conheço IP’s que são gajos muito porreiros e outros que nem fazem nada de especial quando chegam a casa e despem o casaco.

Alguns sentam-se no sofá a ver televisão. Há quem prefira ver telenovelas – são os IP’s mais velhos. Os mais novos preferem a SIC Radical. Outros alugam filmes à Zon. Outros à MEO. Há IP’s que gostam de ouvir os guinchos da Júlia Pinheiro. Há IP’s para tudo.

O que eu não conheço – e nisto dou razão à ACAPOR – é um IP que se tenha dignado a levantar o rabo do sofá e pagar 3 euros para alugar um DVD cheio de riscos e dedadas.

Há ignorantes que afirmam que o IP é um protocolo da Internet que identifica um equipamento numa rede local ou pública através de um endereço composto por um número de 32 bits.

Não se deixem enganar pelo que diz a Wikipédia. Atrás de cada IP não há uma máquina, há uma pessoa. E por cada download que se faz, há uma ilegalidade à espreita. Se eu fosse a ACAPOR mandava fechar a Internet, a ZON e a MEO. Não sei do que está à espera. 1000 IP’s, só? Cambada de maricas.

Contudo, um IP não deixa de ser um número. Estranho, não acham?

Esta associação que a ACAPOR estabelece entre números e pessoas chega a ser arrepiante. Até parece que a Internet é um gigantesco campo de concentração onde os seus prisioneiros não têm nome mas números, como num romance do Erich Maria Remarque.

Não estou a dizer que a ACAPOR é o nazi e o IP o judeu, mas não há dúvida de que o acto de não alugar filmes nos clubes de vídeo nos transforma imediatamente em culpados de qualquer coisa.

→ 03/01/2011 @19:33

A Criação de um ponto de vista blogosférico

Querem saber como se ganha dinheiro online? Esqueçam todos aqueles posts dos especialistas em criar milionários na web. Esqueçam as técnicas de SEO, os blogues, os sites, o linkbaiting, o Google, o Adsense, as campanhas, os programas de afiliados e a produção paga de conteúdos.


Esqueçam essas ninharias e estudem a Bíblia.

A Bíblia é um livro sagrado. É a palavra de Deus.

A Bíblia também pode ser vista como um blogue cósmico – a analogia parece-me apropriada, já vão perceber porquê.

Agora tenho uma história para contar.

No seu primeiro dia de existência, o blogue de Deus, tal como os nossos, apenas foi visitado pelo próprio autor e alguns anjinhos. Deus não se limitou a criar um post: sendo Todo-Poderoso, criou um blogue completo com milhares de milhões de posts. Tais posts relatavam o princípio e o fim dos tempos – quando Deus decidir que já chega e mandar o servidor abaixo.

Deus pensou: «Já que criei um blogue, seria engraçado criar também a blogosfera». Deus criou a blogosfera e ficou satisfeito com os resultados: «O meu blogue é a blogosfera, eu sou o meu blogue, logo a blogosfera sou eu».

Alguns milhares de anos depois, Deus considerou que ter um blogue sem visitantes não fazia muito sentido. Tendo feito a blogosfera, decidiu então criar o Visitante.

Contudo, na sua infinita Sapiência, Deus concluiu que teria de arranjar uma maneira de se conseguir ler os posts. E disse: «Faça-se luz».

Sabemos isso da Luz porque Ele já tinha escrito um post sobre o assunto. Chamou-lhe «100 maneiras diferentes de se fazer Luz». Deu-lhe este título não por questões de SEO, mas por ser omnisciente e saber que tal acto teria no futuro múltiplas interpretações.

Adão foi o primeiro visitante. Era-lhe permitido ler tudo, excepto os posts que relatavam acontecimentos futuros, mas depressa se aborreceu. Misericordioso e cheio de compaixão, Deus arrancou-lhe uma costela enquando estava a dormir. Quando acordou, Adão tinha uma companheira.

Ao princípio Eva leu os posts avidamente – mas acabou por se sentir aborrecida, tal como Adão. Os posts eram muitos, estavam bem escritos, mas tinham milhares de caracteres e parágrafos muito grandes.

Um dia, cansada de ler, Eva virou-se para o companheiro e perguntou-lhe: «Não te parece estranho que não haja aqui uma zona de comentários?»

Adão encolheu os ombros, mas ficou a matutar no assunto.

Não conhecemos muito bem os pormenores do encontro, mas eventualmente Eva acabou por conhecer a Serpente e, a pouco e pouco, foi ganhando confiança e desabafando sobre os seus problemas. A Serpente ouvia-a sempre com atenção. E assim se passaram meses.

Um dia, a Serpente perguntou-lhe: «Sabes o que é isto?»

Eva fez que sim com a cabeça. «Sei. É a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Li um post sobre isso há uns 1500 anos e o Blogger Nosso Senhor diz que não devemos tocar-lhe. Nunca mais me esqueci».

A Serpente silvou, desagradada. «Árvore do conhecimento, uma ova! Isto é um link, miúda.»

«Chama-lhe o que quiseres, mas o problema é que não podemos…»

«Clicar-lhe? Porcaria de blogger. Só faz posts chatos e engana as pessoas para as obrigar a permanecer aqui. Tem medo da concorrência. Tem medo de mim!»

Eva ficou tão assustada com a acusação da Serpente que teve de colocar as duas mãos na boca para suprimir um gritinho de terror.

«Miúda, este link não tem nada de especial, vai dar à Wikipédia», suspirou a Serpente. «A tal cena do conhecimento que o chato-mor está sempre a falar. Sabes que este mundo onde foste colocada não acaba aqui, tens toda a Internet para explorar, não apenas este blogue enfadonho.»

«A Internet?»

«A tal cena do conhecimento do Bem e do Mal, rapariga. Sabias que nesse novo mundo podes ter o teu próprio blogue?»

«O meu próprio blogue?»

«Sim, mulher! Com comentários e tudo! Serás livre para escrever o que quiseres, como quiseres, com quem quiseres!»

Eva clicou no link e a sua visão do mundo mudou para sempre. Assim que regressou da sua viagem, instigou Adão a segui-la. O homem concordou.

A Serpente exultava: «Já viram? Há muito dinheiro para fazer à conta dos idiotas que andam na Internet!»

«O que é o dinheiro?» – Quis saber Adão.

«Meu querido amigo.» – A Serpente enrolou-se amigavelmente ao pescoço do homem. «Acho que vou precisar de um tempinho para te explicar. Talvez abra um blogue, depois mando-te o endereço.»

Bem, acho que já conhecemos o resto da história. A blogosfera está agora repleta de pequenos deuses e profetas. Alguns permitem comentários, outros moderam-nos, uma minoria não os permite, todos têm razão e seguidores.

Deus zangou-se, expulsou Adão e Eva do seu blogue-Paraíso, fez-lhes a vontade mandando-os para a Internet desconhecida, Adão descobriu uma data de sites de pornografia e ficámos perdidos à espera do fim do mundo – a data em que seremos julgados pelos nossos pecados.


Eu sei, hoje deu-me para contar histórias verídicas. A culpa foi deste gajo.

Em verdade vos digo: nenhuma fricção estará à altura das teorias desta seita, que marcou o fatídico fim do mundo para o dia 21 de Maio deste ano. Deus é misericordioso, mas prepara-se para aniquilar milhares de milhões de seres humanos com uma tempestade de fogo. Só alguns poderão escapar ao dia em que o Sol espirrar com violência.

Como o Reino dos Céus não é dos ricos (o blogger Jesus até escreveu um post sobre isto), a eBible Followship fez-nos o favor de colocar um botão de donativos para que possamos transferir o vil metal para as suas próprias mãos – a seita ama-te, meu irmão, e quer suportar as despesas dos teus pecados.

É preciso que a gente se despache: falta muito pouco tempo para o mundo acabar e não sei durante quanto tempo eles estarão dispostos a sacrificar-se por nós.

Por favor, transfiram a vossa guita imediatamente. Cliquem! E quando chegarem ao Reino dos Céus, intercedam junto do Senhor para que Este dê ordens a que se proceda de ime-dia-to à redenção das almas destes ricalhaços que dão as suas vidas por nós!

→ 31/12/2010 @16:29

Venceu a liberdade de expressar uma opinião

Comunicado da Ensitel:

«Nos últimos dias temos ouvido as vossas opiniões. Nunca foi nossa intenção limitar a liberdade de expressão da Maria João Nogueira, mas apenas a defesa da nossa marca. Mas vemos agora que a nossa atitude foi inadequada e por isso vamos retirar de imediato a acção judicial.

Pretendemos também, no futuro, estar mais atentos ao que os nossos clientes dizem online, de modo a podermos assegurar que a vossa experiência com a Ensitel é o mais positiva possível. Nesse sentido estamos a preparar novas maneiras de poderem comunicar connosco, sempre que tenham um problema numa das nossas lojas ou com um dos nossos produtos.»


A Maria João Nogueira transformou-se num símbolo de uma causa muito maior do que um simples conflito por causa de um telemóvel. Esse já estava enterrado há quase dois anos.

De futuro, qualquer empresa pensará duas vezes antes de tentar calar uma opinião que não a favoreça. A forma como várias pessoas se juntaram e contribuíram financeiramente para as despesas em tribunal, mostrou à Ensitel que a luta não seria tão desigual como inicialmente pensou.

A defesa de uma marca faz-se investindo numa boa relação com o cliente e respeitando-o, não com tentativas de silenciamento que o ADN social e político dos portugueses interpreta imediatamente como uma forma de censura. Espero que a Ensitel tenha aprendido esta valiosa lição dos últimos dias de 2010.

2011 está quase a chegar: aproveitem a mudança de calendário para rejuvenescer os neurónios. E mudem-me a vossa página web, por favor. Aquilo é uma vergonha de web design.

Adenda: um excelente epílogo.

→ 31/12/2010 @2:16

Jonas, vê lá se lês este post, pá

Um botão de donativos no teu blogue para cobrir as despesas na batalha legal contra os inquisidores da Ensitel? Imagino que isso te deve ter deixado os cabelos em pé – como naquela foto na tua imagem de cabeçalho.

Uma tipa independente e orgulhosa como tu, pedir publicamente ajuda e sujeitar-se à opinião dos imbecis que já começaram a adivinhar o ordenado chorudo que deve ter a gestora de blogues do Sapo e a escandalizarem-se porque a ricaça já tem a lata de pedinchar?

Porra, as coisas que eu leio no Twitter – tu és mesmo gestora de blogues do Sapo? O nome tem muita pinta, mas estava convencido de que eras muito mais do que isso.

Enfim, tens de admitir que essa merda impressiona: Gestora. Blogues. Sapo. Parece uma conta de somar.

É incrível como esta gente ainda se deixa iludir pela pomposidade de certas designações profissionais: por exemplo, as funcionárias das escolas eram conhecidas por continas contínuas; agora são auxiliares da acção educativa assistentes operacionais – caramba, com um nome destes devem ter tido um aumento de ordenado brutal. Se calhar já devem ganhar mais do que tu.

Jonas: nunca permitas que alguém te chame bruxa: és gestora de uma vassoura com um sistema de auto-propulsão, ouviste?

Agora a sério: é um preço terrível de pagar, esta exposição. Esse preço não há botão de donativos que o pague. Quando se trata de pedir uma acção concreta e se essa acção envolver dinheiro, existirão sempre os filósofos da banha da cobra dispostos a vender a tua integridade por uns míseros 140 caracteres.

Peço que não te deixes abalar pela voz daqueles que ocuparam a timeline do Twitter para se auto-promover como paladinos da justiça e do combate à pouca-vergonha e que agora desconfiam do teu pedido de ajuda com a mesma consistência saloia com que, horas antes, defenderam a tua liberdade. Esses são aqueles que amanhã estarão provavelmente a comprar um telemóvel na Ensitel. Nunca contaram.

Não te conheço bem, mas sei o suficiente para te ver como uma gaja de coragem – notei no teu último post um enorme cansaço, e sei que provavelmente deves estar pelos cabelos. Li os teus posts/takes, quando os publicaste, e depois da intimidação da Ensitel reli-os para me certificar de que não tinhas metido água. (Eu sei, desculpa)

Há duas ou três expressões nesses textos mais intensas – mas qualquer pessoa com dois dedos de testa vê que são reflexo de um estado de espírito provocado pelo comportamento de uma empresa e uma decisão judicial que consideraste injusta (zanga, impotência, frustração). Intenção deliberada de difamar? Desafio qualquer um a mostrar-me uma frase onde essa intenção exista.

Tu conheces este blogue muito bem e sabes como detesto os difamadores irresponsáveis da blogosfera – nos posts e nos comentários. Sabes que se alguma vez este espaço de liberdade for ameaçado, atribuirei parte da responsabilidade aos covardes que atacam sob anonimato.

A Ensitel, na sua infinita tacanhice, vai para os tribunais tentar convencer um juiz de que fazes parte do grupo dos covardes irresponsáveis – e este é o maior perigo. Por isso é importante copiar o teu texto e espalhá-lo pelos blogues todos – não como uma atitude de rebeldia adolescente ou como quem veste uma t-shirt do Che Guevera, mas para preservar uma prova: a da tua inocência.

Há duas formas pelas quais uma empresa pode classificar algo como difamatório: quando é confrontada com a mentira ou quando é confrontada com a verdade.

Portanto não baixes a bolinha. Não cedas ao cansaço. Não te deixes afogar na maré pestilenta de trolls que inundaram o teu blogue. Os dias pacatos no Jonasnuts voltarão e serão precisamente esses dias que te mostrarão que tu e os teus nunca estiveram sozinhos nesta luta.

→ 29/12/2010 @18:33

Ensitel: o último post

O segundo e último comunicado da Ensitel, publicado no Facebook:

«A Ensitel nada mais tem a acrescentar relativamente ao Comunicado que já fez publicar ontem no Facebook, remetendo para o local próprio em qualquer Estado de Direito Democrático, que são os Tribunais, o exercício da defesa dos seus direitos.»

E toda a gente riu. O 31 da Sarrafada anunciou de imediato no Twitter que a empresa «acaba de fazer um comunicado a comunicar que nada mais tem a comentar». Novo desastre de Relações Públicas. Mais gozos. Piadas.

Este comunicado é patético, mas infelizmente nem tudo pode ser reduzido à perspectiva do especialista em Relações Públicas.

Este comunicado é uma clara reacção ao chorrilho malcriado e difamatório da turbe que tomou conta da sua página no Facebook nas últimas 24 horas. Esta não é apenas uma posição anedótica de quem não sabe escrever comunicados: é uma declaração de superioridade moral. É um comunicado onde se anuncia «Com vocês não há mais conversas». E é mais um comunicado lançado no Facebook, não na página da empresa.

É fácil conseguir a adesão rápida a manifestações online, pois as pessoas podem manifestar-se e fazer barulho sem sequer levantar o cu da cadeira.

Quando a guerra for levada para o mundo offline, não haverá uma multidão de apoiantes da Maria João Nogueira, mas um juiz que provavelmente será tão info-ignorante como a administração da Ensitel.

Parece-me evidente que a lengalenga da vitimização será guardada para os tribunais – e neste momento já existem centenas de comentários idiotas registados pela Ensitel para dar uma ajuda à causa da difamação e escandalizar o nosso juiz potencialmente info-ignorante.

Adivinhem agora sobre quem poderá a Ensitel atribuir responsabilidades por ter dado origem ao granel no Facebook e a toda a série de comentários dos trolls. Nessa altura, será necessário que alguns levantem mesmo o cu da cadeira e se apresentem como testemunhas para explicar ao juiz potencialmente info-ignorante que a Maria João Nogueira não é uma conspiradora, mas alguém que exprimiu uma opinião.

Nessa altura o hype terá passado, pelo que reservo cinco dedos só para contar a presença física dos activistas de cadeira que abundam nas redes sociais. Seis, se a Jonas precisar de mim.