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→ 06/02/2012 @2:17

Salvador Dali e Walt Disney ao som de Pink Floyd

Destino é o nome de uma curta de animação, resultado da improvável junção de dois nomes: Walt Disney e Salvador Dali.

Dali e um artista da Disney, John Hench, trabalharam na storyboard durante oito meses, entre 1945 e 1946. As dificuldades financeiras que os estúdios da Disney atravessavam nesse período provocaram o cancelamento do projeto. Hench ainda completou 17 segundos de animação, na tentativa de recuperar o interesse da Disney – sem sucesso.

Em 1999, Roy E. Disney, sobrinho do fundador Walt, decidiu recuperar o projeto, informa-nos a Wikipédia. O francês Dominique Monfréy ficou encarregue da realização. Uma equipa de 25 animadores da Disney atirou-se à tarefa de decifrar as «crípticas storyboards» deixadas por Dali e Hench.

O pintor espanhol morrera em 1989, mas a equipa usou o diário de Gala, viúva de Dali, e as indicações de Hench, para completar a produção desta animação de seis minutos. Hench ainda viveu para ver a estreia, a 2 de junho de 2003. Morreu oito meses depois, com 95 anos.

E chegamos assim ao vídeo: um músico e utilizador do YouTube, Alan Robinson, decidiu incluir na animação o tema Time, do álbum «The Dark Side of the Moon», dos Pink Floyd.

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O mítico The Dark Side of the Moon já foi utilizado como banda sonora alternativa de um clássico do cinema: toda a gente conhece, ou ouviu falar, da versão de O Feiticeiro de Oz ao som desse disco – The Dark Side of the Rainbow ou The Dark Side of the Oz é um milagre de sincronização muito mais impressionante que este.

→ 04/02/2012 @23:26

Pela Europa, em 2007

Estas fotos são do Verão de 2007, um mês antes de começar o meu estágio na Agência Lusa, onde continuo a trabalhar.

Levei a minha Canon 1D Mark II N com uma 50mm F.1.4 e disparei até mais não, com o meu irmão Alexandre. Sinto falta de fotografar assim, de forma livre, sem preocupações excessivas se as linhas estão direitas, o foco está perfeito, o enquadramento é o aceite…

Aqui ainda fotografava sem qualquer condicionamento. Via uma coisa de que gostava e tentava mostrá-la tal e qual a estava a ver.

Acho que com o tempo tenho perdido isso, estou demasiadamente formatado com o estilo de Agência: pouco de meu vejo nas fotos que tiro, hoje em dia. E não gosto. Haja tempo para fazer imagens para as quais, anos depois, ainda me dê gozo olhar.

→ 01/02/2012 @2:50

Animais (para variar só um bocadinho)

Marc Serota/Getty Images

Julian Stratenschulte/AFP/Getty Images

AP Photo/Houston Chronicle, Johnny Hanson

Blas Cervantes/AFP/Getty Images

Reuters/Olivia Harris

Todas estas fotos foram retiradas da mesma coleção: «Animal on the News», reunida para a secção In Focus do jornal The Atlantic. Quarenta e dois fabulosos exemplos de fotografia e jornalismo.

→ 30/01/2012 @18:46

O terceiro mundo

Rob Gonsalves (ou Gonçalves, pois em alguns sítios na Web também é escrito à portuguesa) é um pintor nascido no Canadá, um dos numerosos «filhotes» de Magritte e um parente muito próximo de Maurits Cornelis Escher.

The Chalkboard Universe

Tower of Knowledge

Making Mountains

É um criador de ilusões, capaz de juntar dois mundos diferentes e uni-los entre si como se fossem iguais. Desta união nasce um terceiro mundo, mágico e improvável, mas pintado de forma a acreditarmos nele. O nosso mundo.

→ 29/01/2012 @16:33

45 grandes fotos na National Geographic

Todos os anos, a National Geographic realiza um concurso de fotografia, expondo as imagens e convidando os visitantes a votar. Por exemplo:

Foto: Ricardo Mohr

Foto: Lee Sie

Foto: Antoni Georgiev

Foto: Charles Funk

Foto: David Litchfield

Foto: Nino Benninger

A sequência de fotos pertence às três categorias que estiveram a concurso o ano passado – Pessoas, Lugares e Natureza – e são apenas uma pequena amostra das 45 que podem ver nesta página.

Como irão ver, a grande injustiça neste tipo de concursos é a obrigatoriedade de determinar um vencedor entre tantas e excelentes fotografias.

→ 25/01/2012 @3:57

O fotógrafo escultor de rostos

O norte-americano Lee Jeffries é contabilista de profissão e fotógrafo dos sem-abrigo nas horas vagas. A sua máquina fotográfica é implacável: capta a porosidade da tragédia, da solidão, da miséria e da dor com a concentração de um dermatologista.

Jeffries usa a máquina fotográfica para criar esculturas, tão super-realistas como as de Ron Mueck e, ao mesmo tempo, tão frágeis como cera. Ao ver-lhes o brilho nos olhos e a rugosidade da pele, fico com a sensação de que já nem são pessoas nas fotos, mas velas a derreter.

Tal nível de detalhe consegue-o criando empatia com os pobres desgraçados que descobre nas ruas de Londres e da América, explicando-lhes abertamente o que está a fazer e com que intenções, e oferecendo-lhes dinheiro. Nem sempre consegue fotografá-los, mesmo quando passa dias a tentar convencê-los – aí, vira as costas e segue a sua vida, como qualquer outro turista.

Jeffries não é um fotógrafo puro à maneira de um Cartier-Bresson, um romântico de outros tempos: o detalhe também é conseguido através de longas sessões de Photoshop para ajudar a acentuar seletivamente pormenores do rosto – os olhos, sobretudo.

Também não tem a envolvência comprometida de Diane Arbus, uma freak que fotografava, cheia de carinho, as aberrações humanas que a sociedade rejeitava mas que ela considerava parte da família.

Embora Jeffries fotografe a preto e branco, é no trabalho de um fotógrafo que usa sempre a cor que encontro algum paralelismo: o polaco Andrzej Dragan.

Dragan vai buscar uma citação ao filme «The Lost Highway», de David Lynch, para explicar a sua fotografia: «Gosto de recordar as coisas à minha maneira. Não necessariamente como aconteceram, mas como eu as recordo».

O polaco é fotógrafo de moda, usa os efeitos no Photoshop para brincar às bizarrices e constrói um museu de cera em fotografia, procurando o mesmo nível de detalhe nos rostos que Jeffries, mas sem interesse em captar «a verdade» do modelo.

Jeffries é diferente: também recorda as coisas à sua maneira mas inquieta, não diverte. Trabalha num olhar, numa expressão que descobriu nas ruas e o tocou: «Se eu não me sentir emocionado, a foto não poderá transmitir nada».

Ele nada nos conta sobre a vida destas pessoas que partilham o mesmo planeta que nós, o que lhes aconteceu, o que correu mal; apenas nos deixa rostos semi-despedaçados que nos assombram a consciência como fantasmas da civilização.

→ 24/01/2012 @16:22

A bicicleta do carteiro de Pablo Neruda