

No centro de toda a polémica encontrava-se o mais recente trabalho no que toca a sensores de captação de imagem da marca. Apresentado em Janeiro, com poucos detalhes, o primeiro sensor Full-Frame (24x36mm) da marca apresentava-se como o mais complexo até hoje criado.
Com um total de 25,7 milhões de pixéis, mas 24,6 milhões utilizáveis na realidade, este enorme e complexo sensor apresentava ainda assim uma densidade inferior ao sensor da A700 do tipo APS-C (15×23,5mm), o que, à partida poderia indicar que, em teoria, este novo sensor deveria conseguir captar imagens com sensibilidade ISO elevada e muito pouco ruído, mais do que o sensor APS-C CMOS da A700 que equipa as impressionantes Nikon D90 e D300 também, conhecidas como as melhores máquinas do mercado para captação de imagem em ISO elevada.
A dimensão do sensor implicou mudanças radicais no desenho dos restantes componentes que a Sony dispunha nas suas máquinas, como a criação de um sistema de duplo processamento de imagem BIONZ, capaz de lidar com a grande quantidade de dados gerados pelo sensor, um novo pentaprisma capaz de oferecer um campo de visão 100% equivalente ao captado pelo sensor (primeiro no mercado) e um novo e totalmente redesenhado sistema de estabilização de imagem, mais eficiente do que qualquer outro sistema utilizado nas restantes máquinas do seu catálogo.


O sistema de duplo processador BIONZ é o verdadeiro responsável pelas capacidades que esta A900 dispõe, tal como a possibilidade de captar até 5 imagens por segundo no modo Burst. Com menus semelhantes a qualquer outra máquina DSLR da marca, existem neste diversos modos de cores já pré-programados, que podem facilitar bastante a vida a qualquer um (Standard, Vivid, Neutral, Clear, Deep, Light, Portrait, Landscape, Sunset, Night View, Autumn, preto e branco e Sépia)
Com um total de 9 pontos fixos de focagem automática e 10 pontos extras de focagem assistida, existem 5 tipos de focagem seleccionáveis na máquina (Single-Shot AF, Automatic AF, Continuous AF, Direct Manual Focus e Focagem manual). O obturador em fibra de carbono tem uma duração de vida na casa dos 100 mil disparos, é capaz de disparar a uma velocidade de 30 até 1/8000 segundos, podendo funcionar igualmente em modo Bulb.
Visto que a Sony decidiu manter o encaixe do tipo A nas suas máquinas, o mais antigo do mercado com suporte para mecanismo de focagem automática, o Alpha A900 suporta qualquer lente produzida desde 1985 até aos dias de hoje. Durante a apresentação da gama Alpha da Sony, esta anunciou que se preparava para lançar um total de 19 lentes, sendo na maior parte dos casos modelos já existentes da Konica Minolta, mas com novo nome.
Visto que a A900 recorre a um sensor Full-Frame, a escolha das objectivas a serem utilizadas nesta máquina requerem que seja cuidadoso, pois existem modelos no catálogo Alpha da Sony com a designação DT (Digital Technology), que foram especialmente concebidas para máquinas com sensores do tipo APS-C. Apesar de estas lentes funcionarem no A900, o modelo activa automaticamente o modo crop (11MP 3924×2656 pixéis) para que a imagem não fique deformada.
Como tal, se está a pensar em acompanhar esta A900 com as objectivas ideais, recomendamos vivamente que procure no catálogo de lentes Carl Zeiss específicas para máquinas Sony. Para começar temos a nova Vario-Sonnar SAL 16-35mm de f/2.8, a 24-70mm f/2.8 (a que testámos), a prime 85mm f/1.4 e a 135mm f/1,8. Existe ainda, para quem necessita de uma vasta gama de distância focal, a SAL 70-400mm f/4-5.6, da gama profissional G da Sony.
Dado tratar-se de um sensor de elevada capacidade e resolução, o nosso cartão CF de testes revelou ser demasiado lento para acompanhar a velocidade de captação de imagem da A900. Assim sendo, para máquinas topo de gama como esta Alpha, recomendamos cartões de memória igualmente de topo (o que faz todo o sentido, ainda para mais ao preço a que se encontram). Após este problema resolvido, bastou-nos encaixar a objectiva Carl Zeiss 24-70mm f/2.8 emprestada, retirar a tampa da lente e começar a disparar para todo o lado.
Ajustando os modos correctamente à situação, os resultados revelaram-se simplesmente surpreendentes, com uma definição, resolução e nitidez impressionantes. Existe apenas um pouco a frisar nos resultados, que prende-se com o ruído gerado com sensibilidades ISO elevadas. Comparando numa situação de estúdio com os resultados obtidos com uma A700 actualizada com o mais recente firmware (que resolveu grande parte dos problemas de ruído em ISO elevadas criticado pelos seus utilizadores), verificámos que a A700 consegue atingir resultados superiores aos da A900 (no que toca a ruído). Isto, apesar de ir contra o que em teoria era esperado (devido ao sensor da A700 ser mais denso, logo menos preciso), deve-se ao facto de no espaço de um ano a Sony ter conseguido aperfeiçoar o software da máquina para tirar total partido do excelente sensor que dispõe.
No caso da A900, o que nos interessa no momento, começámos a notar a criação de excesso de ruído a partir de ISO 800, tornando-se insuportável a 3200 e 6400. Nem tudo está perdido, pois o caso da A700 demonstra bem que é possível, por meio de actualizações de software da máquina, melhorar significativamente o seu desempenho com sensibilidades ISO elevadas.
Conclusão
Para quem não acreditava que um gigante da electrónica habituado a criar televisores, leitores de MP3 portáteis e consolas de jogos fosse capaz de entrar no mercado de máquinas DSLR profissional e ganhar o respeito dos restantes fabricantes e utilizadores deste restrito mercado, desengane-se: a Sony conseguiu, e o mérito neste caso é inteiramente seu.
Desde a criação de um impressionante corpo em magnésio o qual, apesar das suas dimensões, é relativamente leve, ainda para mais comparando-a a modelos da concorrência na mesma gama, ao excelente sensor que será muito em breve utilizado na futura Nikon D3x topo de gama (que custará mais de 7000 euros), passando pelo eficiente sistema de estabilização de imagem e o pentaprisma que garante que o viewfinder da máquina seja considerado o melhor do mercado, tornam esta máquina numa verdadeira alternativa aos modelos da Canon e da Nikon.
Com um preço (recomendado) na casa dos 3000 Euros, sendo já possível de a encontrar nas lojas à venda por 2600, esta Alpha A900 é uma brilhante máquina, com capacidade para ser ainda melhor mal os engenheiros da Sony lançarem uma actualização capaz de melhorar significativamente a captação de imagens com ISO elevadas. Acreditamos que para um profissional habituado a lidar com máquinas Canon ou Nikon durante toda a sua vida, seja difícil sequer de ponderar a troca dos seus equipamentos por um “novato” como esta Sony A900, mas para utilizadores antigos das Konica Minolta e utilizadores da Alpha A700 que desejem dar o próximo passo, esta A900 é a escolha certa. Assim sendo, é impossível não recomendar vivamente esta nova e impressionante máquina da Sony e felicitá-los pelo excelente trabalho no seu desenvolvimento. [Download: conjunto de fotos em alta definição da Sony Alpha A900 (link)]
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