A norma Office conseguirá o voto português?
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A melhor explicação do conceito de “Norma” que conheço foi apresentada por António Coutinho, da Universidade do Minho.
Para explicar a necessidade de normas a uma audiência de alunos, o António levava um parafuso e um saco de porcas de tamanho aproximadamente igual. De seguida, pedia à audiência que tentasse achar a porca certa. Tarefa difícil, apesar de mesmo hoje existirem tamanhos standards para parafusos. Se não existirem normas exactas, é isso que que passa entre o software de diferentes fornecedores: não encaixam bem uns nos outros.
A necessidade de normas na indústria informática, isto é, directivas que indiquem qual o formato exacto em que a informação deve ser trocada entre aplicações, leva-nos para o cenário dos primórdios da informática. Nessa altura, os fornecedores criavam silos para prender os clientes. Dado as aplicações não comunicarem entre elas, tudo teria de ser comprado ao mesmo fornecedor para comunicar sem problemas.
O formato em que os documentos de Office (ficheiros com texto, folhas de cálculo, apresentações) são guardados é essencial para garantir que apesar de ser feito numa aplicação, ele pode ser utilizado noutras.
Com esse intuito, foi formado um consórcio de empresas e organizações designado por ODF (Open Document Format Alliance) e que visou desenvolver um standard internacional nessa área. Essa aliança integrou na sua origem os grandes da indústria informática como IBM, Sun e Microsoft.
O formato ODF foi, em Maio de 2006, aprovado como standard internacional ISO/IEC 26300 para documentos Office.
Antes disso, a Microsoft tinha abandonado o consórcio para criar o seu próprio standard, o Office Open XML (OOXML). Pôs então uma máquina em andamento para que o seu formato fosse igualmente considerado standard. Para tal, tem de ser aprovado pela maioria dos comités locais ISO, tendo todos os comités o mesmo peso na votação final.
Em Portugal, a entidade acolhedora da Comissão Técnica que irá avaliar a norma é o Instituto de Informática.
A primeira reunião desta comissão foi divulgada em circuito fechado por um grupo de parceiros Microsoft e pouco mais. O objectivo seria despachar o processo.
Para tal, o elemento da Microsoft presente propôs-se e foi aceite para presidente da Comissão e marcou-se uma segunda reunião para a aprovação da norma. Um ou outro presente divulgou externamente o que se se estava a passar e na segunda reunião um conjunto alargado de empresas não-alinhadas (como a IBM, Sun, Caixa Mágica) propôs-se integrar a comissão. A IBM e a Sun foram impedidas com o argumento que a sala não tinha dimensão suficiente, apesar de estarem presentes elementos observadores sem direito de voto.
Foi então marcado para dia 31 de Julho a votação final.Não será o resultado da aprovação ou não pelo ISO/IEC que impedirá o MS OOXML de vingar como standard de facto. É inevitável, pois a Microsoft detêm uma quota de mercado muito elevada.
Contudo, a não aprovação da mesma seria utilizada pela Administração Pública de todo o mundo para suavemente introduzir o OpenOffice. Seria ainda um factor que pressionaria a Microsoft a procurar no futuro estabelecer normas com outros actores no mercado e não apenas por ele própria, o que conduz aos silos inevitáveis. Por outro lado, dado já termos um standard, a aprovação de um segundo é redundante. Por fim, o OOXML sofre de vários defeitos técnicos que dificultam uma implementação aberta como a do OpenOffice.
Por vezes, a geração espontânea de protocolos do Governo com a Microsoft e o poder desta levam a que tudo já nos pareça normal.
Mas não nos enganemos. Não é normal o presidente da comissão técnica ser um elemento da empresa que vai ser sujeita a avaliação. Não é normal recusar-se a presença à Sun e à IBM sob a desculpa de a sala não ter cadeiras.
Se as quatro razões técnicas anteriores não forem suficientes, Portugal tem uma razão extra para votar contra.
A razão extra que temos é demonstrar que o nosso país não é a República das Bananas.
E esta é uma razão muito forte. Espero que vença no dia 31.
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A imagem incluída significa que este post de Paulo Trezentos e os seguintes estarão sob licença “CC”: pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.
























[...] do Aero, a shell do Windows Vista – a outra, a metafórica, não tem qualquer significado. Leiam o post que se segue do Paulo Trezentos. Enviado por Marco e arquivado na categoria Cromos 1 [...]
Desculpem lá mas Portugal tem mais que razões para ser contra. Um país cada vez mais a adoptar por opções Open – Source não faz sentido seguir noutro caminho só para obter uns descontos se o Governo comprar produtos Microsoft!!
Se tudo se passou assim como vem descrito é claro que viola a Directiva CNQ 2. As entidades podem (e devem) sempre reclamar junto do INN, que é o IPQ.
Como brilhantemente explica o Prof António Coutinho, faz sentido Portugal aprovar as norma Open XML. Se a Microsoft, tem um market share muito significativo no Office (saco cheio de porcas) e se o formato Open XML for aprovado quer dizer que qualquer empresa facilmente poderá integrá-lo com os seus sistemas (parafusos)!
O que eu percebi desta crónica, é que algo escapou à IBM, SUN e Caixa Mágica.
Mas parece-me também que isto é mais uma luta comercial para colocar a Microsoft fora do mercado, do que um beneficio para os Clientes.
Como Empreasa não me revejo, por isso neste tipo de “tricas” Sr. Caixa Mágica
É bem o espelho do “empresário” sem qualquer formação. O “chico esperto” que tem um negócio de vão de escada.
Então em vou explicar e trocar-lhe por miúdos.
Ou o Sr. tem o pacotes MS Office pirata ou paga por cada computador um “mínimo” de perto de 300€.
Se tiver 20 computadores são…. 6000€
Se poder ter a mesmíssima produtividade com um pacote gratuito? Prefere dar os 6.000€?
Se calhar com esse dinheiro poderia renovar o seu parque de computadores.
Sr. Badalo, parece-me que essa análise macro é um pouco desajustada, no mundo do Sr. Empresário pensa-se da seguinte maneira:
“Eu tenho 20 computadores, gasto 6000€ em licenças mas tenho maior compatibilidade aplicacional face à oferta de mercado, tenho um sistema operativo e suite office mais intuitiva, integrada e com maiores funcionalidades que potenciem o meu negócio, tenho máquinas que podem ser geridas mais facilmente sem ter que recorrer aos pseudo-gurus informáticos ou andar nas páginas amarelas à procura de uma empresa de garagem que me suporte”.
O problema é que neste país ainda há muito gestor “Zé Tuga do bigode” que olha para o custo numa base de investimento imediato (compra de pc’s e licenças), calcular TCO e ROI é que é mais complicado.
Saudações do isento
E ha outros que nao sabem do que falam.
“…tenho um sistema operativo e suite office mais intuitiva, integrada e com maiores funcionalidades que potenciem o meu negócio, tenho máquinas que podem ser geridas mais facilmente sem ter que recorrer aos pseudo-gurus informáticos ou andar nas páginas amarelas à procura de uma empresa de garagem que me suporte” ???????????
Sao os mitos urbanos.
Não percebo como é que a adopção de um formato que serve a todos, inclusive à Microsoft, é uma tentativa de a afastar do mercado. O que a experiência me diz é que essas tentativas de afastamento da concorrência costumam partir da própria Microsoft.
O texto do senhor Paulo Trezentos fala apenas sobre como esta a decorrer a votação, mas para mim, o mais importante é a microsoft estar a propor um falso standard. Há primeira vista o “esforço” da microsoft em propor um formato aberto seria benefico para todos. Mas quando reparamos ele não é assim tão aberto:
Acho que fica bem claro que isto é uma manobra da microsoft para manter o monopolio mas dando a ideia que quer cooperar.
Errado a microsoft inclui no novo office uma versão do ooxml diferente da do standard. Logo não vai ser possivel ser implementada por terceiros. E tudo indica que continuara a ser assim nos proximas versões do office. Logo a microsoft propõe um standard que não vai implementar. Então para que serve ser standard se vamos continuar com os mesmos problemas que tinhamos para visualizar documentos do office?