A Informática é Sexy
Marcadores: Linux, Open Source
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A inscrição dos alunos no primeiro ano nas universidades ocorreu esta semana. Medicina teve uma das médias mais elevadas, a atingir em algumas universidades quase 19 valores.
Não me admira extraordinariamente se pensarmos na publicidade que é feita à profissão de médico. Somos “bombardeados” com séries como Serviço de Urgência ou A Anatomia de Grey sobre médicos e a adrenalina da profissão.
As séries de televisão norte-americanas são hoje um dos meios culturais com maior impacto. Séries com advogados, polícias e até, imagine-se, nadadores-salvadores, são vulgares.
Algumas delas, com muito pouca adesão à realidade.
Numa conferência sobre e-Justice que teve lugar em Lisboa no âmbito da Presidência da UE, num painel que eu moderava, dizia um responsável da Polícia Técnica de Singapura que só no CSI é que a polícia de laboratório faz também interrogatórios.
E séries sobre informáticos? Não há. Alguns filmes incluem o informático de serviço, sempre de óculos e a beber coca-cola, mas como personagem secundária. Se existisse uma daquelas séries com os ingredientes clássicos acção-miúda-suspense-miúda-clímax-miúda (mas na área informática), talvez os cursos tivessem médias superiores a medicina.
Quantos de nós não foram arrastados para a informática pelo filme “War Games”, de 1983, com Matthew Broderick? Ainda hoje “Joshua” é considerado uma péssima password mas um excelente álbum.
Uma série de televisão com informáticos poderia ter vários motivos de interesse. Por exemplo, um ataque de vírus a uma rede em que o administrador de sistemas e redes Windows (o mau) desiste e pede ajuda ao informático com conhecimentos de Linux (o bom). Este rapidamente coloca uma proxy Linux com anti-vírus Clam-AV (Software Livre/Aberto, claro). A rede fica salva e como paga a chefe jeitosa não só sugere um aumento para o administrador dos Linux, como o convida para casa dela para uma noite de Sushi e Extreme Programming em torno de um plugin para Firefox.
Mas é importante aumentar o número e qualidade de informáticos? Sim. Existe hoje uma falta de informáticos competentes. Principalmente na área de desenvolvimento mas também em administração de sistemas.
Várias universidades, a começar pelas do interior mais susceptíveis à quebra demográfica, começam a não ter alunos suficientes para preencher as vagas de Informática/Eng. Informática.
A formação nas universidades pode não ser o único caminho mas é o principal.
Estando envolvido em projectos na área de desenvolvimento de sistemas operativos (com o Linux Caixa Mágica) mas também de plataformas Web num dos contextos mais exigentes a nível nacional, posso dizer-vos que são projectos realmente desafiantes. Preenche-nos saber que temos pela frente o desafio de montar um sistema que tenha de responder a 600 pedidos HTTP por segundo ou ser à prova de ataques de hackers.
Obriga-nos a definir a melhor arquitectura, escolher as tecnologias mais robustas e saber trabalhar em equipa.
O tamanho da equipa ideal para projectos informáticos é 3 a 4 pessoas. Para projectos de grande dimensão, é sempre útil dividir o problema em pedaços mais pequenos e atribuir a equipas de dimensão reduzida. É esse o caso do Google que privilegia equipas com essas 3 ou 4 pessoas.
Por outro lado, ser informático significa ter acesso prioritário aos gadgets – esse inútil aparelho da electrónica de consumo que nos faz sentir realizados.
A vida de informático também tem o reverso.
Estar no datacenter no sábado de manhã porque vai haver uma intervenção eléctrica ou estar de prevenção com uma placa 3G e ter de responder a uma chamada urgente a dizer que o sítio Web está em baixo. Passar fim-de-semanas a trabalhar na migração de um sistema…
Como contrapartida, podemos sempre combater as nossas depressões reduzindo os meros utilizadores à sua ignorância, respondendo-lhe insolentemente às suas dúvidas mais básicas e fazendo ver que dependem de nós se quiserem jogar os seus estúpidos jogos de paciências ou consultas ao site do Jornal Record.
Enfim, ninguém me convence o contrário. A informática é a profissão mais sexy do mundo.
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Uí, two thumbs up! Excelente post
Vou ver se sugiro essas ideias aos meus colegas da área de Cinema.
Acho engraçado nos filmes em que há os supostos “geeks” eles quase nunca usarem o rato. Se querem fazer zoom é vê-los a teclar as coordenadas XY do sítio onde querem aumentar a imagem. Que leets
Quem disse que não havia?
http://www.imdb.com/title/tt0487831/
Mais um link: http://www.channel4.com/entertainment/tv/microsites/I/itcrowd/
eu entrei em eng informatica…e nao me arrependo disso!! acho mesmo que foi a escolha certa
agora se é sexy ou nao…
Perfeita, perfeita, só mesmo a profissão de consultor informático. Essa sim é que é perfeita. Melhor que desenvolver sistemas e pensar em arquitecturas, é mandar bitaites sobre o assunto e dizer aos engenheiros informáticos, o que têm de fazer. Há lá coisa melhor…
Quem disse que não havia?
http://www.imdb.com/title/tt0487831/
Existir, existe
mas não com a projecção (pelo menos em Portugal) de outras séries.
Ou passa no cabo?
Já alguém viu? É interessante?
boa postada gostei muito de ler, abraços.
Acho que o Sr. Paulo Trezentos tem razão
Mas o estereotipo isso já esta a mudar. Na série “Negociadores” (“Standoff” no nome original) que passa na Fox, a técnica de informática é apenas:
o link não apareceu em condições:
http://www.imdb.com/name/nm0018161/
Seria mais uma boa história de ficção. Ficção.
Dizer a uma rapariga que somos Informáticos cria logo uma firewall e velocidade de comunicação passa de uns 24mbits para a 56kbits. Só sacando dos galões pessoais…
Admito que ainda dá para conhecer algumas, algo como o trabalho do bombeiro ir buscar o gatinho à árvore da velhinha. Podemos ser heróis… pobres heróis