Parem o que es­tão a fa­zer! Não me­xam nem um de­di­nho! O por­tal de no­tí­ci­as Unilad aca­bou de des­co­brir a pól­vo­ra: de­cla­ra­ções de Stanley Kubrick ad­mi­tin­do que foi ele a fil­mar as fal­sas alu­na­gens da mis­são Apollo ao ser­vi­ço da NASA.

Sim, o mes­tre Kubrick. O re­a­li­za­dor de «2001: Odisseia no Espaço» e ou­tras ma­ra­vi­lhas do ci­ne­ma foi en­tre­vis­ta­do em 1999, três di­as an­tes de mor­rer, e confessou.

«As alu­na­gens» — ex­pli­ca Kubrick na en­tre­vis­ta — fo­ram a sua «obra-prima». Ao prin­cí­pio sentiu-se em con­fli­to con­si­go mes­mo por par­ti­ci­par no lo­gro, mas aca­bou por ce­der à ten­ta­ção, da­da a mag­ni­tu­de da tarefa.

«Participei nu­ma enor­me frau­de per­pe­tra­da con­tra o pú­bli­co ame­ri­ca­no» — pros­se­gue o mes­tre — «en­vol­ven­do o go­ver­no dos Estados Unidos e a NASA. Todas as alu­na­gens fo­ram fal­si­fi­ca­das e eu fui a pes­soa que as fil­mou. É uma fic­ção to­tal. Uma frau­de sem pa­ra­le­lo. As pes­so­as de­vem saber».

O sí­tio apresenta-nos en­tão o ví­deo — um do­cu­men­tá­rio com­ple­to com mais de du­as ho­ras — con­ten­do as de­cla­ra­ções de Kubrick: «Eu não que­ria fa­zer es­tas re­ve­la­ções, mas já não é se­gre­do pa­ra nin­guém que a NASA que­ria per­pe­tu­ar a pro­fe­cia de Kennedy».

Toma lá e embrulha, Ciência!

Não há co­mo ne­gar, seus cé­ti­cos de meia-tigela. O ví­deo é re­al. A en­tre­vis­ta acon­te­ceu. As res­pos­tas são mes­mo aque­las. O ho­mem não foi à Lua. Foi tu­do um embuste.

Mark Englert

«A11 work and no play», de Mark Englert

As 400 mil pes­so­as que es­ti­ve­ram en­vol­vi­das di­re­ta ou in­di­re­ta­men­te nas mis­sões Apollo — e tam­bém nas Gemini e Mercury, que a an­te­ce­de­ram — são to­das cúm­pli­ces de uma fraude.

Os so­vié­ti­cos que dis­pu­ta­ram a cor­ri­da es­pa­ci­al com os ame­ri­ca­nos e pos­suíam equi­pa­men­to su­fi­ci­en­te­men­te so­fis­ti­ca­do pa­ra de­te­tar a pro­ve­ni­ên­cia dos si­nais rá­dio das mis­sões Apollo fo­ram, afi­nal de con­tas, en­ga­na­dos — incompetentes!

Os cen­tros de in­ves­ti­ga­ção em to­do o mun­do que fi­ze­ram aná­li­ses quí­mi­cas e ge­o­ló­gi­cas aos qua­se 400 qui­los de ro­chas lu­na­res que os as­tro­nau­tas da Apollo trou­xe­ram pa­ra a Terra fo­ram en­ga­na­dos, fa­zem par­te da tra­moia ou nun­ca fre­quen­ta­ram a Universidade do YouTube.

Os três es­pe­lhos re­fle­to­res co­lo­ca­dos na su­per­fí­cie lu­nar, uti­li­za­dos pa­ra me­dir a dis­tân­cia en­tre a Terra e a Lua atra­vés de rai­os la­ser, não existem.

Milhares de as­tró­no­mos ama­do­res e pro­fis­si­o­nais que mo­ni­to­ri­za­ram as mis­sões Apollo, ou­vi­ram as co­mu­ni­ca­ções e com­pro­va­ram a sua ori­gem, fo­ram en­ga­na­dos ou são cúm­pli­ces; os as­tró­no­mos do Observatório Parkes, na Austrália, que fi­ze­ram a re­trans­mis­são pa­ra os Estados Unidos do pri­mei­ro pas­seio na Lua, tam­bém fo­ram en­ga­na­dos ou são cúmplices.

Os mi­lha­res de fo­tó­gra­fos e ci­en­tis­tas em to­do o mun­do que ob­ser­va­ram as mais de 5000 fo­to­gra­fi­as da mis­são, in­cluin­do os fa­mo­sos céus sem es­tre­las, não en­con­tran­do na­da que in­di­cas­se uma frau­de, são cúm­pli­ces ou não per­ce­bem um cu de fo­to­gra­fia e não fa­zem ideia do que são tem­pos de exposição.

Os as­tro­nau­tas nun­ca po­de­ri­am ter so­bre­vi­vi­do à vi­a­gem, de qual­quer mo­do, pois te­ri­am mor­ri­do de­vi­do aos ní­veis da ra­di­a­ção na cin­tu­ra de Van Allen. A cin­tu­ra re­ce­beu es­se no­me por ter si­do des­co­ber­ta pe­lo fí­si­co James Alfred Van Allen e foi o pró­prio Van Allen quem se atre­veu a des­men­tir a sus­pei­ta de que os as­tro­nau­tas mor­re­ri­am com a do­se de ra­di­a­ção recebida.

Os cons­pi­ra­do­res afi­nal sa­bi­am mais so­bre os efei­tos da cin­tu­ra de Van Allen do que o ho­mem que a des­co­briu. Van Allen foi en­ga­na­do ou tam­bém faz par­te da tra­moia. E agora?

Perdoa-lhes, Kubrick, eles não sabem o que publicam

Agora fi­ca tu­do na mes­ma, da­do que o au­tor do ar­ti­go não te­ve em con­ta um de­ta­lhe que mui­tos en­ten­de­rão co­mo in­sig­ni­fi­can­te mas que aca­ba por ter al­gu­ma importância.

O do­cu­men­tá­rio não é re­al, é um mockumentary.

Stanley Kubrick nos bastidores de «2001: Odisseia no Espaço»

Stanley Kubrick nos bas­ti­do­res de «2001: Odisseia no Espaço»

Mockumentary é um ter­mo que re­sul­ta da jun­ção das pa­la­vras «mock» — sig­ni­fi­ca­dos: go­zo, es­cár­nio, fal­so, si­mu­la­do — e «do­cu­men­tary». Um moc­ku­men­tary é uma obra de fic­ção dis­far­ça­da de documentário.

O Stanley Kubrick que con­fes­sa o seu pa­pel no lo­gro é um ator.

O fal­so do­cu­men­tá­rio já an­da em cir­cu­la­ção des­de 2002, ano em que foi apre­sen­ta­do pe­la pri­mei­ra vez no ca­nal te­le­vi­si­vo Arte. Título: «Opération Lune» ou «The Dark Side of The Moon», na ver­são inglesa.

Realizou-o o fran­cês William Karel, co­nhe­ci­do pre­ci­sa­men­te por es­tes «moc­ku­men­ta­ri­es». Karel usa co­mo mo­te uma ci­ta­ção de François Truffaut: «Um do­cu­men­tá­rio é mil ve­zes mais men­ti­ra do que a fic­ção, on­de as coi­sas são cla­ras des­de o início».

Se o ase­lha au­tor des­te ar­ti­go ti­ves­se re­al­men­te vis­to o ví­deo que ci­ta, te­ria no­ta­do um ane­xo cu­ri­o­so afi­xa­do aos cré­di­tos fi­nais: «out­ta­kes» mos­tran­do os ato­res a esquecerem-se das fa­las ou desmanchando-se a rir por cau­sa dos dis­pa­ra­tes que são obri­ga­dos a dizer.

Marco Santos

Bitaite de Marco Santos

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