Cartoon de autor desconhecido

Eu não tenho a míni­ma pachor­ra para blo­gues de gajas. Já li o que tinha a ler. Não me refi­ro a blo­gues escri­tos por mulhe­res, mas a blo­gues escri­tos por gajas que resol­ve­ram fazer do seu ego blo­gos­fé­ri­co uma per­so­na­gem de O Sexo e a Cidade.

Nunca com­pre­en­di a gra­ça de séri­es como essa, já ago­ra. Também nun­ca per­ce­bi por que raio O Sexo e a Cidade trans­mi­te a ideia de que o segre­do da eman­ci­pa­ção femi­ni­na con­sis­te em mime­ti­zar o com­por­ta­men­to mas­cu­li­no.

Os blo­gues de gajas são assim: elas são desem­po­ei­ra­das, escre­vem espe­ci­fi­ca­men­te sobre assun­tos de gaja – sapa­tos, ves­ti­dos, depi­la­ção, gajos, sobre­tu­do gajos, mais umas quan­tas refe­rên­ci­as cul­tu­rais para não pas­sa­rem por loi­ras bur­ras e man­te­rem este jogui­nho de apa­rên­ci­as a um nível ade­qua­do.

Finalmente, por­que são todas gajas rea­li­za­das e mui­tís­si­mo bem fodi­das por gara­nhões colec­ci­o­na­do­res de orgas­mos, falam de sexo com a desen­vol­tu­ra com que nós fala­mos de fute­bol.

Nota-se mes­mo nes­tas ton­ti­nhas um enor­me orgu­lho por serem capa­zes de falar ape­nas de assun­tos de gaja – o que é paté­ti­co, pois assim estas moder­na­ças aca­bam por ver a soci­e­da­de com os olhos de um machis­ta do sécu­lo pas­sa­do, ou seja, o mun­do dos inte­res­ses e do conhe­ci­men­to está divi­di­do entre o que nós gos­ta­mos e o que elas gos­tam, dei­xan­do pou­co espa­ço à exis­tên­cia de, oh! que escân­da­lo, assun­tos de pes­so­as.

Não sei o que estas espe­ci­a­lis­tas da pose blo­gos­fé­ri­ca femi­ni­na pen­sa­rão sobre uma mulher que se inte­res­se por infor­má­ti­ca ou fute­bol, por exem­plo, mas tenho a cer­te­za de que já não será con­si­de­ra­da uma gaja.

Marco Santos

­ Marco Santos

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