Dança?

Não se aca­nhe, me­ni­na, ho­je é Dia de Portugal por­tan­to a me­ni­na dan­ça, é dia de Portugal, de Camões

aque­le ra­paz com jei­to pa­ra na­dar que to­dos ce­le­bram e nin­guém lê, a não ser aque­la par­te mui­to co­nhe­ci­da, ora dei­xe cá ver, por ma­res nun­ca dan­tes na­ve­ga­dos pas­sa­ram ain­da além da

(o res­to já não sei, não te­nho mui­to jei­to pa­ra fi­xar no­mes)

e os Lusíadas é co­mo aque­la sin­fo­nia, a nú­me­ro 9, eu não me es­que­ço des­sas coi­sas por­que pa­ra os nú­me­ros sou um cra­que, a 9 é da­que­le se­nhor que mor­reu sur­do, coi­ta­do

e os Lusíadas é as­sim, só se co­nhe­ce a par­te ba-na-nãnã do li­vro

e eu acho bem, por­que de­ve­mos ser pou­pa­di­nhos em tu­do.

Foto: Pedro Cunha

Foto: Pedro Cunha

Venha, me­ni­na, es­que­ça os paus de ca­be­lei­rei­ra ali atrás, fa­ça de con­ta que es­ta­mos no Centro Cultural de Belém e não fi­que aí plan­ta­da de olhos no chão, va­mos dan­çar a val­sa, uma val­sa só nos­sa

e não se pre­o­cu­pe, eu con­du­zo, con­du­zo o des­ti­no dos seus sa­pa­ti­nhos de Cinderela ma­cro­e­co­nó­mi­ca, dan­ça­re­mos sob o olhar apro­va­dor da pa­la do Camões, não se aca­nhe, fá-la-ei ro­do­pi­ar, a si e ao nos­so que­ri­do País, co­mo uma de­li­ci­o­sa ce­re­ja es­ma­ga­da en­tre a lín­gua e o céu da bo­ca.

Porque Portugal se ca­lhar é as­sim, sa­be, um país de ba-na-nãnãs à beira-mar plan­ta­dos, com um olho no ho­ri­zon­te e ou­tro no cu, os­ci­lan­do en­tre o so­nho mais be­lo e a ca­ga­nei­ra mais atroz.

Marco Santos

­Marco Santos

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