Arquivo de posts publicados por Marco Santos

Blogger. Jornalista @Sapo. Pai. Dizem que só sabe ouvir Frank Zappa, mas não é verdade: também gosta dos Mothers of Invention. — Facebook, Twitter
11/02/2012 @4:52

Porque o Jazz é só barulho (5)

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(Dave Brubeck Quartet, Take Five – Bélgica, 1964)

11/02/2012 @4:02

Para acabar de vez com os contos de fada

O francês Thomas Czarnecki diz que a ideia é criar um «choque cultural». E eu penso imediatamente que é um belo post para se escrever às três e meia da manhã de uma noite fria e com insónias. Um choque vem a calhar. Pelo menos um sorriso.

Que choque deseja provocar este fantástico doido? Mudar o destino de personagens do imaginário infantil (Pequena Sereia, Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida, Pocahontas, Alice) e dar-lhe um toque de realismo fatal. Ora vejam cinco exemplos:

Capuchinho Vermelho em coma alcoólico depois de uma noite de farra com o lobo

A Pequena Sereia descobriu demasiado tarde que o seu príncipe encantado se chamava Patrick Bateman

A Alice no País dos Sem-Abrigo faz lembrar o fantasma do filme The Ring

Cinderella queria regressar a casa, mas tropeçou e partiu o pescoço, como aquele padre do Exorcista

Pocahontas como escrava sexual (ou depois de ver o Avatar: neste caso, quem a carrega é James Cameron)

Chocados? Czarnecki é um diretor artístico bem conhecido no mundo publicitário – isto já explica alguma coisa do «choque» que pretende provocar.

Elabora um bocadinho mais sobre este trabalho em declarações ao Daily Mail, ao explicar a intenção de pôr em «em confronto o universo ingénuo e inocente dos contos de fada» e a «realidade, mais sombria, mas igualmente parte da nossa cultura».

E pronto, quinze minutos para as quatro da manhã. Não te esqueças de tomar o comprimido para dormir, Bela Adormecida.

10/02/2012 @17:54

Megarockalhada made in Brasil

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(Macaco Bong, Shift – com um agradecimento especial ao Rogério Macagnan)

10/02/2012 @13:41

World Press Photo 2011: o vencedor

Para o júri que escolheu o vencedor da edição 2011 do World Press Photo, a foto do espanhol Samuel Aranda, 33 anos, não é apenas a imagem de um ferido procurando consolo nos braços de uma mulher durante a revolta popular no Iémen: É o símbolo da Primavera Árabe.

«É uma fotografia que fala em nome de toda uma região» – explicou Koyo Kouoh, um dos elementos do júri. «Representa o Iémen, o Egito, a Tunísia, a Líbia, a Síria, por tudo o que aconteceu na Primavera Árabe. Mas mostra um lado privado, íntimo, do que se passou. E mostra o papel que as mulheres tiveram, não apenas como prestadoras de cuidados, mas como pessoas ativas no movimento

Aranda vive em Tunes e confessou à AFP a vontade de cobrir uma revolução espanhola semelhante à que aconteceu na Islândia.

Esteve em várias revoluções árabes – Líbia e Egito, por exemplo – e garante que a do Iémen é a mais cívica: «verdadeiros civis a rebelar-se contra a ditadura. Agora o presidente está em Nova Iorque a viver num hotel de cinco estrelas e a transição vai ser um teatro, uma encenação.»

Samuel Aranda fez este trabalho para o New York Times. Vai receber 10 mil euros de prémio e uma máquina fotográfica da Canon, um modelo não especificado de última geração.

10/02/2012 @0:38

Quando todos te disserem que estás errado


Conta-lhes a história de August Landmesser, o homem que cruzou os braços enquanto todos os outros faziam a saudação nazi.

09/02/2012 @23:58

A atriz de Hollywood que nos deu o telemóvel

Em 1933 aparece nua e tem um orgasmo. Esta é uma época em que falar abertamente de sexo num filme mainstream é impensável, quanto mais representá-lo.

No mesmo ano casa com um marido possessivo e controlador que mantém negócios com Hitler e outros altos oficiais nazis. Foge para Paris, daí voa para os Estados Unidos.

Na década de 40 patenteia o sistema de espalhamento espectral que formará a base da tecnologia usada em telemóveis e routers wireless, entre muitas outras aplicações.

Até meados da década de 40 é considerada uma das grandes atrizes de Hollywood, embora seja vista como pessoa demasiado independente e de temperamento difícil.

A Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) vende-a como a mulher mais bela do mundo.

Walt Disney inspira-se nela para desenhar Branca de Neve. Muitos anos depois, a Corel faz do seu rosto a imagem de marca do software CorelDraw.

Nasce a 9 de Novembro de 1914, em Viena. Dão-lhe o nome de Hedwig Kiesler, mas nos Estados Unidos ressurge como Hedy Lemarr. Assim é apresentada à América. Nos dez anos seguintes, reina na mecca do Cinema como «uma diva de mármore frio», segundo a própria. Tão cedo Hollywood conhecerá mulher tão inteligente e peculiar.

Segue-se uma breve história dos seus feitos, tumultos e contradições.

 

Em êxtase

Hitler saudado por apoiantes em Berlim

1933. O ano da derradeira ascenção dos nacionais-socialistas ao poder na Alemanha. Enquanto Hitler presta juramento como chanceler na Câmara do Reichstag, uma jovem aspirante a atriz aceita participar numa produção arriscada para lançar a carreira.

Hitler desfila pelas ruas de uma Alemanha falida e deprimida em paradas gloriosas e cheias de orgulho nacionalista.

Em breve, todos os partidos políticos são proibidos, exceto o nazi. Em breve, a ocupação militar das zonas desmilitarizadas da Alemanha, a anexação da Áustria e da Checoslováquia, a invasão da Polónia, a guerra mundial e os milhões de mortos.

Lemarr é ainda Hedwig Eva Maria Kiesler, filha de judeus convertidos ao Catolicismo. O pai é um banqueiro austríaco bem sucedido. A mãe é uma pianista húngara, razoavelmente liberal para os padrões da época e culturalmente evoluída.

Depois de uma passagem por uma escola de teatro em Viena, a  ambiciosa Hedwig frequenta em Berlim as aulas do realizador Max Reinhardt, para quem vem a trabalhar como assistente de direção e atriz secundária em dois dos seus filmes.

Os dois papéis não deixam grandes recordações entre os cinéfilos.

 

Um orgasmo para a história

À «mulher mais bonita da Europa», como já lhe chama um babado Reinhardt, é então proposto o papel principal no filme do realizador, ator e argumentista checoslovaco Gustav Machatý, «Ecstasy».

Hedwig tem 19 anos e o mundo a seus pés, se aceitar despir-se.

Vai fazer de jovem mulher insatisfeita com o marido, um sujeito mais velho e sem grande apetência para os assuntos da cama. Ela acaba por conhecer um homem mais novo e descobrir o sexo.

É uma história típica sobre a perda da inocência, mas a ausência de julgamentos moralistas sobre a liberdade sexual feminina  e a independência conquistada pela mulher torna-o num filme único.

«Ecstasy» entra para a história como o primeiro filme não-pornográfico a incluir abertamente cenas de sexo.

Apenas se usam grandes planos dos rostos, mas o da bela Hedwig – gozando um orgasmo – mostra expressões suficientemente explícitas para provocar escândalo e ser censurado em muitos países, incluindo os Estados Unidos. E também para a tornar famosa. Ler mais »

08/02/2012 @3:55

Mudam-se os tempos

R.J. Shaughnessy, da série Deathcamp (2000-2006)

George W. Gardner: Naked City, Indiana, 1973 (America, 1960-1985)

Getty Images

Cornell Capa (California, 1960)

Nan E. Elliot (1979) Picturing the Century