Em 1933 aparece nua e tem um orgasmo. Esta é uma época em que falar abertamente de sexo num filme mainstream é impensável, quanto mais representá-lo.
No mesmo ano casa com um marido possessivo e controlador que mantém negócios com Hitler e outros altos oficiais nazis. Foge para Paris, daí voa para os Estados Unidos.
Na década de 40 patenteia o sistema de espalhamento espectral que formará a base da tecnologia usada em telemóveis e routers wireless, entre muitas outras aplicações.
Até meados da década de 40 é considerada uma das grandes atrizes de Hollywood, embora seja vista como pessoa demasiado independente e de temperamento difícil.
A Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) vende-a como a mulher mais bela do mundo.
Walt Disney inspira-se nela para desenhar Branca de Neve. Muitos anos depois, a Corel faz do seu rosto a imagem de marca do software CorelDraw.
Nasce a 9 de Novembro de 1914, em Viena. Dão-lhe o nome de Hedwig Kiesler, mas nos Estados Unidos ressurge como Hedy Lemarr. Assim é apresentada à América. Nos dez anos seguintes, reina na mecca do Cinema como «uma diva de mármore frio», segundo a própria. Tão cedo Hollywood conhecerá mulher tão inteligente e peculiar.
Segue-se uma breve história dos seus feitos, tumultos e contradições.
Em êxtase

Hitler saudado por apoiantes em Berlim
1933. O ano da derradeira ascenção dos nacionais-socialistas ao poder na Alemanha. Enquanto Hitler presta juramento como chanceler na Câmara do Reichstag, uma jovem aspirante a atriz aceita participar numa produção arriscada para lançar a carreira.
Hitler desfila pelas ruas de uma Alemanha falida e deprimida em paradas gloriosas e cheias de orgulho nacionalista.
Em breve, todos os partidos políticos são proibidos, exceto o nazi. Em breve, a ocupação militar das zonas desmilitarizadas da Alemanha, a anexação da Áustria e da Checoslováquia, a invasão da Polónia, a guerra mundial e os milhões de mortos.
Lemarr é ainda Hedwig Eva Maria Kiesler, filha de judeus convertidos ao Catolicismo. O pai é um banqueiro austríaco bem sucedido. A mãe é uma pianista húngara, razoavelmente liberal para os padrões da época e culturalmente evoluída.
Depois de uma passagem por uma escola de teatro em Viena, a ambiciosa Hedwig frequenta em Berlim as aulas do realizador Max Reinhardt, para quem vem a trabalhar como assistente de direção e atriz secundária em dois dos seus filmes.
Os dois papéis não deixam grandes recordações entre os cinéfilos.
Um orgasmo para a história
À «mulher mais bonita da Europa», como já lhe chama um babado Reinhardt, é então proposto o papel principal no filme do realizador, ator e argumentista checoslovaco Gustav Machatý, «Ecstasy».
Hedwig tem 19 anos e o mundo a seus pés, se aceitar despir-se.
Vai fazer de jovem mulher insatisfeita com o marido, um sujeito mais velho e sem grande apetência para os assuntos da cama. Ela acaba por conhecer um homem mais novo e descobrir o sexo.
É uma história típica sobre a perda da inocência, mas a ausência de julgamentos moralistas sobre a liberdade sexual feminina e a independência conquistada pela mulher torna-o num filme único.
«Ecstasy» entra para a história como o primeiro filme não-pornográfico a incluir abertamente cenas de sexo.
Apenas se usam grandes planos dos rostos, mas o da bela Hedwig – gozando um orgasmo – mostra expressões suficientemente explícitas para provocar escândalo e ser censurado em muitos países, incluindo os Estados Unidos. E também para a tornar famosa. Ler mais »