Este post é um guia prá­ti­co pa­ra co­nhe­cer a riquís­si­ma re­a­li­da­de do sto­ner / de­sert rock, com a apre­sen­ta­ção de al­guns dos seus mais in­te­res­san­tes gru­pos. Façam o fa­vor de se­guir a mi­nha voz, que es­tá aqui mui­to fumo…

Aqueles en­tre vo­cês (vá lá, eu sei que es­tão aí) que gos­tam de fu­mar umas bro­cas e, vol­ta e meia, me­tem umas pas­ti­lhas, co­mem uns co­gu­me­los ou lam­bem uns pa­pe­li­tos co­lo­ri­dos, tal­vez não sai­bam que há uma fren­te mu­si­cal nas­ci­da, pre­ci­sa­men­te, des­ses con­su­mos (in­tro­jec­ções, chama-lhes pom­po­sa­men­te a Antropologia) e dos mo­dos de es­tar na vi­da que lhes es­tão associados.

Se al­guns até po­de­rão abster-se de usos e abu­sos psi­co­tró­pi­cos, a mú­si­ca que to­cam é, pe­lo me­nos, uma te­a­tra­li­za­ção dos «es­ta­dos al­te­ra­dos de cons­ci­ên­cia» so­bre os quais es­cre­ve­ram Charles Baudelaire, Aldous Huxley, Ernst Junger, Timothy Leary e William S. Burroughs.

Os ou­tros mer­gu­lham a fun­do na es­tu­pe­fa­ci­ên­cia e de lá vão ti­ran­do umas pe­pi­tas bem mais bri­lhan­tes do que os pe­dre­gu­lhos que con­se­guem os nor­mais janados.

Pois, es­ta é a vos­sa mú­si­ca. E é a mi­nha tam­bém, pois ado­ro es­tes sons. Talvez por­que, co­mo já me dis­se­ram ve­zes de­mais pa­ra que me per­mi­ta du­vi­dar, te­nho a mi­o­lei­ra fri­ta… Nunca ex­pe­ri­men­tei LSD e não fa­ço ques­tão dis­so (sou um ma­nía­co do con­tro­lo), mas já pos­suo uma ideia mu­si­cal de co­mo de­ve ser a viagem.

O mo­vi­men­to em ques­tão tem si­do re­fe­ri­do com vá­ri­os no­mes, mas os mais cor­ren­tes são sto­ner rock e de­sert rock, no pri­mei­ro ca­so por­que o sub­gé­ne­ro do rock em ques­tão é her­dei­ro do psi­ca­de­lis­mo da dé­ca­da de 1960 e no se­gun­do por­que o seu ber­ço es­tá no Sul da Califórnia e, mais exac­ta­men­te, no de­ser­to ca­li­for­ni­a­no – o tal que tan­to in­fluiu nas ca­be­ças de Jim Morrison e Jerry Garcia.

A va­ri­e­da­de das de­sig­na­ções (cor­rem tam­bém os ró­tu­los acid rock, spa­ce rock, jam rock, fre­ak rock e por aí fo­ra) dever-se-á ao fac­to de es­ta ce­na não ser mo­no­lí­ti­ca: tan­to as su­as re­fe­rên­ci­as co­mo os in­gre­di­en­tes uti­li­za­dos são múltiplos.

Estão eles nos blu­es elé­tri­cos, na tra­di­ção do hard rock, no me­tal (so­bre­tu­do as ver­ten­tes do­om e de­ath me­tal), no punk, via hard­co­re (co­mo ago­ra é re­fe­ri­do), e em al­guns ca­sos até nas des­bun­das do krau­trock e em cer­tas bi­zar­ri­ces do rock progressivo.

A abor­da­gem é as­su­mi­da­men­te re­tro, e no en­tan­to nun­ca o psi­ca­de­lis­mo foi tão lon­ge na sua épo­ca co­mo ago­ra. Normal é, por­tan­to, que re­co­nhe­ça­mos nos te­mas que vão sain­do da for­ja sto­ner coi­sas que nos re­me­tem pa­ra Hawkwind, Jefferson Airplane, Jimi Hendrix, Cream, Blue Cheer, Grand Funk Railroad, Grateful Dead, Stooges, Black Sabbath, Pink Floyd.

Só que já não é só is­so, mas ou­tra coi­sa… Tão vá­li­da por si mes­ma que até gru­pos que in­flu­en­ci­a­ram a ten­dên­cia, co­mo Melvins e Butthole Surfers, aca­ba­ram por tam­bém se­rem de al­gu­ma ma­nei­ra in­flu­en­ci­a­dos. Esses e ou­tros que não ca­bem no es­pa­ço sto­ner rock, mas têm gran­des equi­va­lên­ci­as, co­mo acon­te­ce com os ja­po­ne­ses Acid Mothers Temple e Ghost.

Se as mo­cas e as bo­as e más trips co­me­ça­ram por se fa­zer sen­tir, nos anos 1990, sob o sol da Califórnia, o cer­to é que es­ta ten­dên­cia gan­za­da do rock de­pres­sa se in­ter­na­ci­o­na­li­zou, pe­lo que en­con­tra­mos a «fi­lo­so­fia do de­ser­to» em pa­ra­gens tão dis­tan­tes quan­to o Reino Unido, a Suécia, a Austrália e… Portugal.

01. Black Bombaim

Foto: Joana Castelo

Foto: Joana Castelo

Exato, Portugal. É por­tu­gue­sa aque­la que con­si­de­ro, sem exa­ge­ros pa­trió­ti­cos (não pa­de­ço de pa­to­lo­gi­as na­ci­o­na­lis­tas, fe­liz­men­te, e a ver­da­de é que an­do mui­to zan­ga­do com o meu país), uma das me­lho­res ban­das de sto­ner rock do mundo.

Dá pe­lo no­me de Black Bombaim e os três pu­tos que a in­te­gram, o Ricardo, o Tojo e o Senra, vi­vem em Barcelos, a ci­da­de dos galos.

Já os vi em con­cer­to, que é co­mo se tes­ta o que vem nos dis­cos, e o meu quei­xo caiu. As mé­tri­cas e os “riffs” são tão cer­ra­dos que, se al­go fa­lha, cai tu­do por ter­ra, mas o cer­to que nun­ca fa­lha. Por ci­ma, a gui­tar­ra es­vo­a­ça num des­va­rio que nos le­va até às nu­vens de Saturno. Lindo.

Confirmem o que vos di­go no clip que os Black Bombaim fi­ze­ram pa­ra o te­ma «Complication».

02. Black Mountain

Black Mountain

Banda de Vancouver, no Canadá, com par­ti­cu­lar gos­to por atu­ar em es­pa­ços ao ar li­vre, na na­tu­re­za. O que pa­ra eles sig­ni­fi­ca to­car em flo­res­tas, que não no de­ser­to. É a pon­ta do ice­ber­gue Black Mountain Army, um nu­me­ro­so co­le­ti­vo não mui­to dis­se­me­lhan­te das ve­lhas co­mu­nas hippies.

Com uma do­se q. b. de iro­nia, os mem­bros do gru­po, Stephen McBean, Amber Webber, Matt Camirand, Jeremy Schmidt e Joshua Wells, tra­ba­lham em or­ga­nis­mos de apoio a to­xi­co­de­pen­den­tes, sem-abrigo e do­en­tes men­tais. Malta fi­xe, co­mo se verifica.

McBean di­ri­ge ou­tro gru­po, Pink Mountaintops, de ca­riz mais experimental.

03. Black Sun Ensemble

Black Sun Ensemble

Formação as­su­mi­da­men­te psi­ca­dé­li­ca pro­ve­ni­en­te de Tucson, no Arizona, ago­ra a vi­ver uma se­gun­da vida.

Nasceu na dé­ca­da de 1980, por ini­ci­a­ti­va de Jesus Acedo. Após uma pau­sa de­vi­do a um in­ter­na­men­to psi­quiá­tri­co do lí­der e a com­pli­ca­ções com a jus­ti­ça em con­sequên­cia, pe­lo que se con­ta, do rou­bo de uma pre­ci­o­sa car­ta de ta­rot (um mis­te­ri­o­so epi­só­dio que le­vou Paul McCartney, des­de sem­pre um fã da es­té­ti­ca «Lucy in the sky with di­a­monds», a pa­gar as fi­an­ças pa­ra os li­ber­tar da ca­deia), o pro­jec­to re­nas­ceu com no­vos mú­si­cos e es­tá pa­ra du­rar.

04. Brian Jonestown Massacre

Brian Jonestown Massacre

Com um no­me que pres­ta tri­bu­to a Brian Jones, o len­dá­rio fun­da­dor dos Rolling Stones, e re­cor­da o sui­cí­dio dos par­ti­dá­ri­os da sei­ta People’s Temple em Jonestown, na Guiana, aqui es­tá um gru­po que de­no­ta o eclec­ti­cis­mo do sto­ner rock, in­do da folk gan­za­da até ao ex­pe­ri­men­ta­lis­mo puro.

O úni­co mú­si­co cons­tan­te des­te gru­po nas­ci­do em San Francisco tem si­do Anton Newcombe, mas Matt Hollywood foi ou­tro dos prin­ci­pais au­to­res das canções.

Os anos 1960 são a fon­te de ins­pi­ra­ção, com pre­fe­rên­cia, ob­vi­a­men­te, pe­los Pedras Rolantes. Influências dos bra­si­lei­ros Mutantes são igual­men­te ób­vi­as, bem co­mo de Charles Manson, o men­tor de ou­tro te­ne­bro­so culto.

05. Clutch

Clutch

Originários de Germantown, no Maryland, sur­gi­ram com a úl­ti­ma dé­ca­da do sé­cu­lo XX, por mão de Dan Maines e Jean Paul Gaster. Pelo ca­mi­nho apro­fun­da­ram a so­no­ri­da­de re­vi­va­lis­ta com a adi­ção de um or­ga­nis­ta, Mick Schauer.

Objecto de cul­to, a ban­da de­ve o seu es­ti­lo pró­prio à in­te­gra­ção de ele­men­tos rít­mi­cos funk e a uma ca­da vez mai­or adop­ção do for­ma­to dos blu­es, num cons­tan­te pro­pó­si­to de re­gres­sar às raí­zes.

Com le­tras de cu­nho sur­re­a­lis­ta, o que não sur­pre­en­de, os seus con­cer­tos re­sul­tam fre­quen­te­men­te em ses­sões de jam­ming em que os te­mas são to­tal­men­te des­fi­gu­ra­dos pe­la im­pro­vi­sa­ção. Quando es­sas free jams dis­pen­sam os vo­cais, os Clutch transformam-se no The Bakerton Group.

06. Comets on Fire

Comets on Fire

O fac­to de Ben Chasny, dos Six Organs of Admittance, per­ten­cer a es­ta ban­da de Santa Cruz, na Califórnia, levou-a a ser ou­vi­da por ou­tro ti­po de pú­bli­co, mas es­te é um pro­jec­to que só po­de­ria ter saí­do da men­te de Ethan Miller, com o apoio de Ben Flashman.

Musicalmente, es­tá en­tre a psi­ca­de­lia, o rock clás­si­co e o noi­se, com ten­dên­cia tam­bém pa­ra as per­for­man­ces se tor­na­rem em ses­sões fre­ak out.

Os ver­sos das can­ções são ha­bi­tu­al­men­te inin­te­li­gí­veis, não só por­que Miller os gri­ta co­mo um pos­ses­so, mas tam­bém por­que se es­que­ce das pa­la­vras e mas­ca­ra o pro­ble­ma, al­gu­mas ve­zes re­cor­ren­do ao ve­lhi­nho Echoplex.

A úl­ti­ma di­gres­são foi em 2008, ten­do des­te en­tão os Comets on Fire es­ta­do pa­ra­dos. Esperemos que vol­tem à es­tra­da e ao es­tú­dio, pois es­tá aqui um dos mais in­crí­veis exem­plos do rock pedrado.

07. Corrosion of Conformity

Corrosion of Conformity

Vem de Raleigh, na Carolina do Norte, es­te gru­po com for­tes co­no­ta­ções he­avy me­tal que, es­tra­nha­men­te, co­me­çou pe­lo punk no iní­cio da dé­ca­da de 1980. Uma pa­ra­gem em 2006 fez crer que ti­nha fi­ca­do pe­lo ca­mi­nho, mas re­gres­sou e fo­ram vol­tan­do os mem­bros que, nos anos an­te­ri­o­res, se ti­nham afas­ta­do do projecto.

No pró­xi­mo mês de Fevereiro vai sair ál­bum no­vo, mais uma vez em vol­ta do nú­cleo for­ma­do por Mike Dean, Woody Weatherman e Reed Mullin.

E por­que é que uma ban­da de me­tal cons­ta nas fi­lei­ras do sto­ner rock? Porque adop­tou uma so­no­ri­da­de su­lis­ta, ou se­ja, car­re­ga­di­nha de blu­es. E por­que, cla­ro, tu­do in­di­ca que há por ali mui­ta «subs­tân­cia»…

08. Dead Meadow

Dead Meadow

São de Washington D.C., ape­sar de ho­je ha­bi­ta­rem em Los Angeles, e sur­gi­ram em 1998, com o pro­ta­go­nis­mo de Jason Simon. A matéria-prima mu­si­cal foram-na bus­car aos 60s e 70s e as te­má­ti­cas a Tolkien e a Lovecraft.

Se fa­zem fre­quen­te uso dos pe­dais de dis­tor­ção, tam­bém se no­ta­bi­li­za­ram pe­las su­as ba­la­das acús­ti­cas. Denotam mui­tas ve­zes a in­fluên­cia das mú­si­cas do Oriente, e em par­ti­cu­lar do mo­da­lis­mo in­di­a­no. Gostam de gra­var em quin­tas ru­rais e de uti­li­zar pro­jec­ções vi­su­ais psi­ca­dé­li­cas nos concertos.

Um dos fun­da­do­res da ban­da, Mark Laughlin, re­gres­sou em 2010 de­pois de um aban­do­no de anos pa­ra ten­tar uma vi­da «nor­mal» co­mo ad­vo­ga­do. Não foi bem su­ce­di­do, o que pa­ra a mú­si­ca e pa­ra o li­festy­le fora-da-lei só po­dia ser uma boa notícia.

09. Dozer

Dozer

Do de­ser­to pa­ra a ne­ve: os Dozer são de Borlange, na Suécia, e ar­ran­ca­ram em 1995 lo­go da me­lhor ma­nei­ra: com um ál­bum split em par­ce­ria com os Unida, ban­da en­tre­tan­to ex­tin­ta que es­ta­va bem en­rai­za­da na re­a­li­da­de sto­ner rock. O que quer di­zer que as por­tas da ce­na ame­ri­ca­na lhes fo­ram aber­tas lo­go de início.

Com Fredrik Nordin à fren­te, to­cam rock ver­na­cu­lar com um ba­ter de asas (de mor­ce­go) à Black Sabbath, pe­sa­do co­mo uma pe­dra de an­fe­ta­mi­nas, mas melódico.

E no en­tan­to, ape­sar dis­so, po­rém, te­mos aqui de no­vo uns ra­pa­zes cons­ci­en­ci­o­sos. Nordin anun­ci­ou em 2009 aos seus fãs que não po­de­ria fa­zer a di­gres­são já agen­da­da pa­ra es­se ano por­que… ti­nha vol­ta­do pa­ra a es­co­la. «Desculpem lá, mas es­ta é a úl­ti­ma opor­tu­ni­da­de que me sur­giu de ter uma edu­ca­ção», es­cre­veu no web­si­te do grupo.

Em con­sequên­cia, o pro­je­to tem an­da­do a meio gás. Vamos lá a ver se não fi­cou pe­lo caminho…

10. Electric Wizard

Electric Wizard

Estes são de Dorset, na Inglaterra, e inclinam-se par­ti­cu­lar­men­te pa­ra o do­om e o slud­ge me­tal, mas en­ten­di­dos nu­ma pers­pec­ti­va ro­de­a­da de cac­tos e aloés. O ocul­tis­mo e as am­bi­ên­ci­as do ci­ne­ma de ter­ror são a sua pre­di­lec­ção, pe­lo meio não dei­xan­do de can­tar as vir­tu­des da cannabis.

Jus Oborn é o úni­co ele­men­to que re­sis­te do gru­po fun­da­dor em 1993, de­ri­van­do o no­me Electric Wizard de dois te­mas dos Black Sabbath, «Electric Funeral» e «The Wizard».

O per­cur­so da ban­da tem si­do aci­den­ta­do, de­vi­do a pri­sões por pos­se de dro­ga, agres­são a um agen­te da po­lí­cia e rou­bo, e a pro­ble­mas co­mo o re­ben­ta­men­to de um tím­pa­no (pu­de­ra!), le­sões nos de­dos e aci­den­tes de moto.

Pois, es­ta ra­pa­zi­a­da é que é a re­al thing: são maus co­mo as co­bras. Vamos ter dis­co no­vo de­les em 2012.

11. Eyehategod

Eyehategod

Mais slud­ge en­tran­do pe­las arei­as do sto­ner rock, des­ta vez com ba­se em New Orleans. Desde 1988 (mas só com um pri­mei­ro ál­bum em 1996, de­pois de vá­ri­os 7 po­le­ga­das e splits) que Jimmy Bower e seus as­so­ci­a­dos abu­sam do fe­ed­back num rock len­to e pe­sa­dão mui­to de­ve­dor dos blu­es e dos pi­o­nei­ros Black Flag.

Uma par­ti­cu­la­ri­da­de é o fac­to de um dos Eyehategod, Mike Williams, ser tam­bém crí­ti­co e jor­na­lis­ta mu­si­cal, co­la­bo­ran­do na re­vis­ta Metal Maniacs. Mas não se pen­se que é o mais ati­la­do (ve­jam pe­lo meu exem­plo): as ses­sões de gra­va­ção da ban­da são pro­ble­má­ti­cas, já ten­do acon­te­ci­do qua­se se­rem ex­pul­sos dos es­tú­di­os, e Mike mui­to con­tri­bui pa­ra isso.

Certa vez, quis gra­var o som de uma gar­ra­fa de cer­ve­ja a partir-se e no pro­ces­so abriu uma mão até ao os­so e foi es­pa­lhan­do san­gue por to­do o la­do. Resultado: sem­pre que que­rem fa­zer um dis­co há quem co­lo­que tra­ves­sas nas portas.

12. Fu Manchu

Foto: Mateo Leyb

Foto: Mateo Leyb

Começou pe­lo punk hard­co­re, em 1990, es­ta ban­da que ho­je até já cons­ta num vi­de­o­jo­go, o por cá pou­co co­nhe­ci­do «The Bigs 2».

Californianos de ge­ma, e com fa­ma de ofe­re­ce­rem ao pú­bli­co per­for­man­ces for­tís­si­mas, os Fu Manchu têm em Scott Hill o úni­co mú­si­co que vai per­ma­ne­cen­do ano após ano – aliás, se­gun­do cons­ta, as dis­si­dên­ci­as têm-se de­vi­do a li­tí­gi­os com o gui­tar­ris­ta e vocalista.

Dois dos de­sis­ten­tes, Eddie Glass e Ruben Romano, for­ma­ram os Nebula, le­van­do o fac­tor jam e a psi­ca­de­lia bem mais lon­ge. Até à mor­te des­te pro­jec­to, em 2010, o pú­bli­co era par­ti­lha­do pe­los dois gru­pos, não ra­ro sur­gin­do fãs com t-shirts de um ou de ou­tro nos con­cer­tos de am­bos. Os Nebula não le­va­vam a mal, di­zen­do que eram to­dos «da mes­ma família».

Houve por ali uns ca­chim­bos da paz, hou­ve, houve…

13. Goatsnake

Goatsnake

Foram, dei­xa­ram de ser e vol­ta­ram ao ati­vo. Deram o pri­mei­ro pas­so com o des­mem­bra­men­to da ban­da The Obsessed, em 1996, ten­do co­mo gui­tar­ris­ta o mes­mo Greg Anderson que for­ma­ria os Sunn 0))). A coi­sa mor­reu em 2001, mas Anderson e Pete Stahl fizeram-na re­nas­cer das cin­zas em 2004.

A tó­ni­ca vol­ta a ser o do­om, mas à ma­nei­ra da West Coast. Não apa­re­cem mui­to, pois os seus mem­bros per­ten­cem a ou­tros gru­pos, mas quan­do tal acon­te­ce fazem-se no­ta­dos. E não por ves­ti­rem tú­ni­cas fran­cis­ca­nas no pal­co, co­mo fa­zem os mi­li­tan­tes do dro­ne aci­ma referidos…

São me­nos dark, em­bo­ra tam­bém de­mons­trem que o sto­ner rock não é pro­pri­a­men­te mú­si­ca pa­ra sur­fis­tas e gen­te que tra­ba­lha pa­ra o bronze.

14. Hermano

Hermano

A pen­sar no México ali tão per­to do de­ser­to ca­li­for­ni­a­no, a ban­da de Dandy Brown (o mes­mo da Orquestra del Desierto, o que diz tu­do) e John Garcia tem no­me em Castelhano.

Os seus in­te­gran­tes ro­dam por ou­tros agru­pa­men­tos sto­ner, mas es­te tornou-se tão gran­de co­mo os de­mais (Kyuss com­pre­en­di­do), ra­zão pe­la qual se man­tém des­de 1998.

O que pro­duz é he­avy blu­es de ba­ti­da du­ra, mui­to Cream e mui­to clás­si­co. Garcia é O vo­ca­lis­ta da fa­mí­lia de­sert rock, aque­le que até à da­ta me­lhor tem cum­pri­do es­sas fun­ções, ca­paz de pas­sar do sus­sur­ro pa­ra o gri­to em mi­lé­si­mos de segundo.

15. Howlin Rain

Howlin Rain

São de San Francisco, a ci­da­de das lom­bas, e es­tão em ce­na des­de 2004. É o ou­tro pro­je­to de Ethan Miller, dos Comets on Fire, e sur­giu da sua ne­ces­si­da­de de fa­zer al­go que o pró­prio de­fi­ne co­mo «mais me­ló­di­co», wha­te­ver that means.

A re­cei­ta é mui­to se­me­lhan­te à da ou­tra ban­da, ou se­ja, uma mis­tu­ra de rock ‘n’ roll, blu­es, psi­ca­de­lis­mo e funk, me­nos a «mu­ra­lha de distorção».

Se a re­fe­rên­cia mu­si­cal vem dos anos 1970, a dos te­mas foi buscá-la Miller aos po­li­ci­ais dos 50s, pe­lo que em ter­mos de at­mos­fe­ras e es­ta­dos de es­pí­ri­to tam­bém os Howlin Rain não fa­zem pro­pri­a­men­te mú­si­ca de praia.

O gui­tar­ris­ta e vo­ca­lis­ta faz ques­tão que os riffs do gru­po se­jam tão be­ras e vi­ci­o­sos quan­to pos­sí­vel, o que, con­fes­sa, com a ida­de a avan­çar vai ga­nhan­do um sig­ni­fi­ca­do di­fe­ren­te de quan­do se tem vin­te e tal anos. Até o rock on do­pe vai-se tor­nan­do sábio…

16. Karma to Burn

Karma to Burn

Banda so­bre­tu­do ins­tru­men­tal de Morgantown, na Virginia, com William Mecum mais a sua gui­tar­ra na frente.

Os pri­mei­ros con­tra­tos com edi­to­ras conseguiram-nas os Karma to Burn por meio de ações de ter­ro­ris­mo pro­mo­ci­o­nal: te­le­fo­na­vam pa­ra as la­bels fin­gin­do que eram ou­tros gru­pos e elogiavam-se a si mes­mos. A es­tra­té­gia aca­bou por ter bons re­sul­ta­dos, não sem que ti­ves­sem pa­ra­do en­tre 2002 e 2008, mui­to de­vi­do às con­tra­ri­e­da­des que lhes tra­zia a pre­fe­rên­cia por dis­pen­sar a in­clu­são de um vo­ca­lis­ta.

Das pou­cas ve­zes que o fi­ze­ram, es­co­lhe­ram os me­lho­res, co­mo Daniel Davies, dos Year Long Disaster, e John Garcia, dos Kyuss. A com­po­nen­te me­tal de­fi­ne nes­te ca­so, uma vez mais, o ti­po de sto­ner rock tocado.

17. Kyuss

Kyuss

Quando se fa­la no rock do de­ser­to, es­ta é a pri­mei­ra ban­da que ser­ve de exem­plo. Pode mes­mo dizer-se que os Kyuss fo­ram os de­fi­ni­do­res do sub­gé­ne­ro, e o fac­to de te­rem si­do for­ma­dos no ca­li­for­ni­a­no Palm Desert não é es­tra­nho a isso.

Nasceram no fi­nal da dé­ca­da de 1980 co­mo Sons of Kyuss e en­quan­to Kyuss (no­me de um mons­tro do jo­go de car­tas Dungeons & Dragons) ter­mi­na­ram a car­rei­ra em 1995, com os seus mem­bros a tran­si­ta­rem pa­ra uma mi­ría­de de for­ma­ções, co­mo Queens of the Stone Age, Fu Manchu, Dwarves, Eagles of Death Metal, Mondo Generator, Hermano, Unida, Slo Bum e Them Crooked Voltures.

Em 2010 res­sur­gi­ram co­mo Kyuss Lives!, ten­do re­a­li­za­do uma gran­de di­gres­são mun­di­al em 2011 e prevendo-se dis­co pa­ra 2012.

18. Mondo Generator

Rod Hunt

Foto: Rod Hunt

Também co­nhe­ci­da co­mo Nick Oliveri and the Mondo Generator, es­ta ban­da sur­giu em ce­na no ano de 1997, pro­pon­do uma mis­tu­ra de punk com me­tal. O no­me fi­cou quan­do um dos mem­bros, Brant Bjork, gra­fi­tou o am­pli­fi­ca­dor de bai­xo de Oliveri com as pa­la­vras Mondo Generator.

A te­má­ti­ca sto­ner tem si­do fre­quen­te, com os pri­mei­ros ál­buns a intitularem-se, su­ges­ti­va­men­te, «Cocaine Rodeo» e «A Drug Problem That Never Existed».

Oliveri to­cou nos Queens of the Stone Age, mas foi ex­pul­so em 2004, nu­ma his­tó­ria ain­da por con­tar. Algo iras­cí­vel, nes­se mes­mo ano ata­cou um téc­ni­co de som na Alemanha que não fez o que que­ria. Como re­sul­ta­do, os ou­tros mú­si­cos abandonaram-no e vol­ta­ram pa­ra os Estados Unidos.

Depois dis­so, ou­tras en­tra­das e saí­das se su­ce­de­ram no gru­po, en­tre as quais a de Dave Grohl, dos Foo Fighters, mas a fór­mu­la tem continuado.

19. Monster Magnet

Monster Magnet

Estes já res­pon­de­ram pe­lo no­me Triple Bad Acid, o que diz tu­do… São ori­gi­nal­men­te de Red Bank, em New Jersey, mas trans­fe­ri­dos pa­ra Las Vegas, e têm em Dave Wyndorf o lí­der. O Monster Magnet em ques­tão era um brin­que­do dos anos 1960 de que o vo­ca­lis­ta e gui­tar­ris­ta gos­ta­va quan­do era criança.

A his­tó­ria repete-se: as pri­mei­ras de­mo ta­pes do gru­po, em 1989, chamaram-se «Forget About Life: I’m High on Dope» e «I’m Stoned, What Ya Gonna Do About It?». Em 2006, Wyndorf foi hos­pi­ta­li­za­do com uma over­do­se de me­di­ca­men­tos, se­gun­do o seu ma­na­ger no con­tex­to de uma lu­ta com os «de­mó­ni­os in­te­ri­o­res» que o minavam.

A gran­de re­fe­rên­cia dos Monster Magnet es­tá nos vo­os cós­mi­cos dos Hawkwind e dos Captain Beyond, de que, aliás, têm fei­to in­te­res­san­tes covers.

20. Orange Goblin

Orange Goblin

Voltamos a es­te la­do do Atlântico e ao Reino Unido, on­de des­de 1995 o agru­pa­men­to de Ben Ward vem (vi­nha?) co­lan­do o psi­ca­de­lis­mo com o do­om.

Nos úl­ti­mos anos, «cir­cuns­tân­ci­as im­pre­vis­tas» não es­pe­ci­fi­ca­das le­va­ram ao su­ces­si­vo adi­a­men­to de um no­vo dis­co e de no­vas tour­nées, mas o CD es­tá pro­me­ti­do pa­ra o iní­cio de 2012 e já es­tão con­cer­tos mar­ca­dos pa­ra Abril.

O que pa­re­ce é que «A Eulogy for the Damned», cu­jo lan­ça­men­to es­tá mar­ca­do pa­ra o mes­mo dia de Fevereiro (14) em que os Black Sabbath co­lo­ca­ram nos es­ca­pa­ra­tes o seu pri­mei­ro ál­bum, mar­ca­rá a de­fi­ni­ti­va ru­tu­ra com a es­té­ti­ca stoner.

Um afir­ma­ti­vo tex­to no si­te da ban­da anun­cia que ago­ra os Orange Globin têm mais que ver com he­avy me­tal do que com «red-eye bo­o­gie» e «flap­ping fla­res». É pena…

21. Queens of the Stone Age

Queens of the Stone Age

Nenhum ou­tro gru­po do sto­ner / de­sert tock foi al­gu­ma vez tão po­pu­lar quan­to os Queens of the Stone Age. Até no pro­gra­ma de gas­tro­no­mia de Anthony Bourdain pa­ra os ca­nais de vi­a­gens e tu­ris­mo, No Reservations, eles apareceram…

São de Palm Desert e an­dam nis­to des­de 1997, com Josh Homme na li­de­ran­ça. Tocam rock rif­fa­do com ba­se nos blu­es e no seu per­cur­so têm fei­to de tu­do um pou­co, des­de mú­si­ca acús­ti­ca fre­ak (leia-se: hip­pie) a um tran­ce abs­tra­to e ex­pe­ri­men­tal, pe­lo ca­mi­nho ten­do mes­mo ti­do a co­la­bo­ra­ção de Billy Gibbons, dos ZZ Top, e de Mark Lanegan, da ban­da grun­ge Screaming Trees.

Um dos seus te­mas, «Feel Good Hit of the Summer», foi con­tes­ta­do pe­la re­de ame­ri­ca­na de dis­tri­bui­ção Wal-Mart, que acu­sou a ban­da de pro­mo­ver o con­su­mo de dro­gas e ame­a­çou re­ti­rar o ál­bum em que es­ta­va in­cluí­do, «Rated R», dos escaparates.

Um no­vo CD dos Queens es­tá a ter­mi­nar de ser gra­va­do nes­te momento…

22. Spindrift

Spindrift

Com ber­ço em Newark, no Delaware, em 1992, mas trans­plan­ta­do pa­ra Los Angeles, eis mais um res­pon­sá­vel pe­lo res­sur­gi­men­to do psi­ca­de­lis­mo, com in­fluên­ci­as que pas­sam por Hawkwind e The Doors. A al­ma do gru­po é Kirkpatrick Thomas, co­nhe­ci­do tam­bém co­mo ator – é o pro­ta­go­nis­ta da longa-metragem «The Legend o f God’s Son», com o mes­mo tí­tu­lo de um dos dis­cos que editou.

Kirkpatrick tem uma fi­xa­ção pe­la mi­to­lo­gia do Farwest, tal co­mo foi con­ge­mi­na­da pe­lo ci­ne­ma e mui­to par­ti­cu­lar­men­te pe­los fil­mes spaghet­ti, o que ex­pli­ca mui­to do som old scho­ol dos Spindrift. Em ver­são camp, co­mo cow­boys reu­ni­dos à vol­ta de uma fogueira.

Alguns ins­tru­men­tos me­nos usu­ais têm si­do uti­li­za­dos pe­la ban­da, co­mo uma gui­tar­ra bai­xo e ba­rí­to­no de du­plo bra­ço, uma laps­te­el e flau­tas ín­di­as, configurando-lhe um es­ti­lo mais folky.

Em 2011, os Spindrift lan­ça­ram um ál­bum com ver­sões pró­pri­as de ban­das so­no­ras de clás­si­cos de Bolywood, fic­ção ci­en­tí­fi­ca e ex­ploi­ta­ti­on, com a mú­si­ca a condizer.

23. Spiritual Beggars

Spiritual Beggars

Voltamos à Suécia. É a par­tir daí, e mais con­cre­ta­men­te em Halmstad, que des­de 1993 ope­ram os Spiritual Beggars de Michael Amott, o mes­mo da ban­da de de­ath me­tal Carcass.

Há al­go de me­ta­lei­ro no gru­po, co­mo não po­dia dei­xar de ser, mas a li­nha se­gui­da é a do hard rock da dé­ca­da de 1970. Tem voz no­va des­de 2010, a de Apollo Papathanasio, que por ve­zes pa­re­ce David Coverdale, em­bo­ra a mú­si­ca nos re­me­ta pa­ra os Black Sabbath do iní­cio – se bem que com a so­ma de um ór­gão Hammond, as­sim in­tro­du­zin­do um pou­co da am­bi­ên­cia do prog…

24. Sundial

Sundial

Surgida no fi­nal dos anos 1990 em Londres, a ban­da de Gary Ramon mer­gu­lha di­re­ta­men­te no psy­ch dos 60s, dan­do to­do o des­ta­que ao tra­ba­lho gui­tar­rís­ti­co do seu fun­da­dor, que é tam­bém o boss da edi­to­ra Acme.

Os Sundial são tão bri­tâ­ni­cos, tão bri­tâ­ni­cos, que di­fi­cil­men­te se con­fun­dem com os neo-psicadélicos da América, e no en­tan­to li­dam com as mes­mas co­or­de­na­das, os mes­mos ob­je­ti­vos e os mes­mos químicos.

Mas não se pen­se que os te­mos a fa­zer có­pi­as das nu­vens eté­re­as de som da épo­ca glo­ri­o­sa do LSD: o efei­to é mais du­ro e mais ás­pe­ro, além de mais agi­ta­do rit­mi­ca­men­te. Tudo é pas­sa­do pe­lo fil­tro do pha­sing: a gui­tar­ra, o bai­xo, a ba­te­ria e até os vo­cais, levando-nos pa­ra um jar­dim on­de as ár­vo­res são chupa-chupas mer­gu­lha­dos em ácido.

«Exploding in Your Mind», intitula-se um dos te­mas mais re­cen­tes do gru­po. Pois, pois…

25. Tame Impala

Tame Impala

Agora da­mos um sal­to até Perth, na Austrália, que por si­nal tam­bém tem de­ser­tos. A ban­da é de ge­ra­ção mui­to re­cen­te, 2010, e es­tá apos­ta­da em en­fa­ti­zar a ma­té­ria dos so­nhos.

Apresentada co­mo «hypno-groove me­lo­dic rock», es­ta é uma ini­ci­a­ti­va de Kevin Parker a par­tir das cin­zas de um com­bo que as­so­ci­a­va blu­es, jazz e rock psi­ca­dé­li­co, Dee Dee Dums. «É in­ten­ci­o­na­do pa­ra mo­ver­mos o cor­po, mas tam­bém pa­ra fi­car­mos qui­e­tos e ob­ser­var­mos ou­tras for­mas de mo­vi­men­to», es­cla­re­ce o sí­tio dos Tame Impala.

E sa­bem que mais? Estiveram no Meco em Julho de 2011, na úl­ti­ma edi­ção do Super Bock Super Rock…

26. The Black Angels

The Black Angels

Estes an­jos ne­gros são de Austin, no Texas, e co­me­ça­ram em 2004. O no­me fo­ram buscá-lo a uma can­ção dos Velvet Underground: «The Black Angel’s Death Song». E pa­ra não fi­ca­rem dú­vi­das da in­fluên­cia, o lo­go do gru­po é um ne­ga­ti­vo fo­to­grá­fi­co do ros­to de Nico.

A sua gran­de acei­ta­ção tem si­do cu­ri­o­sa, le­van­do até que fos­sem in­cluí­das pas­sa­gens de can­ções dos seus dis­cos no fil­me «Death Sentence», com Kevin Bacon, e na sé­rie te­le­vi­si­va «Fringe». Funcionam co­mo um co­le­ti­vo de iguais, em­bo­ra com al­gu­ma pre­do­mi­nân­cia do seu gui­tar­ris­ta, Christian Bland.

As le­tras são es­pe­ci­al­men­te som­bri­as, bem co­mo o ima­gi­ná­rio apli­ca­do. Batem mal, os gajos…

27. Truckfighters

Truckfighters

Mais um gru­po da Suécia co­no­ta­do com o de­sert rock e com uma abor­da­gem pro­gres­si­va do me­tal, da­tan­do o co­me­ço da sua ati­vi­da­de de 2001. Gostam de li­gar o fuzz e acham que usar riffs pe­sa­dos e me­lo­di­as “bo­ni­tas” não é uma con­tra­di­ção de termos.

Sai em Dezembro de 2011 um fil­me so­bre eles, com ima­gens de atu­a­ções ao vi­vo e ou­tros sto­ners a fazerem-lhes elo­gi­os, co­mo Josh Homme, dos Queens of the Stone Age. A coi­sa es­tá en­tre o do­cu­men­ta­lis­mo e a fic­ção, com os três mem­bros da ban­da a transformarem-se em Fuzz Monsters quan­do so­bem ao palco.

Não sur­pre­en­de, pois Ozo, Dango e Pezo já ga­nha­ram fa­ma de fa­zer os mais im­pac­tan­tes con­cer­tos da cena…

28. Wolfmother

Wolfmother

A nos­sa trip ter­mi­na em Sydney, na Austrália. Aí re­si­dem os Wolfmother de Andrew Stockdale, for­ma­dos com a pas­sa­gem do sé­cu­lo. Doze anos de­pois, es­tá aí qua­se a re­ben­tar dis­co no­vo, com al­gu­mas mu­dan­ças de in­ter­ve­ni­en­tes pe­lo meio.

O ex-lbris do gru­po é uma co­ver de «Communication Breakdown», dos Led Zeppelin, que os pró­pri­os lhes pe­di­ram pa­ra to­car ao vi­vo quan­do a mí­ti­ca for­ma­ção de Robert Plant e Jimmy Page foi co­lo­ca­da no UK Hall of Fame, em 2006.

Vai-se di­zen­do que a Mãe-Loba é co­mo que os Blue Cheer do sé­cu­lo XXI e tal­vez se­ja ver­da­de, acres­cen­tan­do quem já ou­viu as gra­va­ções que pa­ra mui­to me­lhor. Logo se ve­ri­fi­ca­rá… Outras re­fe­rên­ci­as fo­ram buscá-las ao blues-rock de MC 5, The Nice e Jethro Tull.

Pronto, fico-me por aqui. Agora vou fa­zer uma cu­ra de de­sin­to­xi­ca­ção, ou­vin­do os Jazz Messengers de Art Blakey… Ah, bo­las, é ver­da­de! O ti­po tam­bém gos­ta­va de chei­rar uns pozinhos…

Rui Eduardo Paes

Bitaite de Rui Eduardo Paes

Jornalista cultural e crítico de música. Editor da Jazz.pt. Quer dizer-me alguma coisa?