Em ju­lho de 2010, a pa­ca­ta co­mu­na ita­li­a­na de Pietrasanta, na re­gião de Toscana, en­trou em al­vo­ro­ço por cau­sa de uma ex­po­si­ção. O bis­po ca­tó­li­co da co­mu­na fez ame­a­ças e ape­lou ao boi­co­te. O pre­si­den­te da câ­ma­ra ouviu-o e tam­bém en­trou em al­vo­ro­ço.

O mu­ni­cí­pio dissociou-se do es­cân­da­lo e re­vo­gou o pa­tro­cí­nio ao even­to ain­da an­tes da inau­gu­ra­ção, mas re­sis­tiu à pres­são do bis­po. O bis­po que­ria que o mu­ní­cio proi­bis­se a ex­po­si­ção e man­dou dis­tri­buir pan­fle­tos em to­das as igre­jas da co­mu­na pe­din­do aos fiéis que ba­nis­sem a ga­le­ria.

Razão: a aber­tu­ra ao pú­bli­co de «Zeitgeist», uma an­to­lo­gia de tra­ba­lhos do pin­tor e ilus­tra­dor ita­li­a­no Giuseppe Veneziano. Como cos­tu­ma acon­te­cer em ca­sos se­me­lhan­tes, o al­vo­ro­ço transformou-se em pu­bli­ci­da­de e a pu­bli­ci­da­de be­ne­fi­ci­ou a ga­le­ria. «Zeitgeist» foi um su­ces­so es­tron­do­so: mais de dez mil vi­si­tan­tes.

Madonna del Terzo Reich, 2009

Madonna del Terzo Reich, 2009

Giuseppe Veneziano já es­tá ha­bi­tu­a­do à es­can­da­lei­ra — na ver­da­de, beneficia-o tam­bém. Dois anos an­tes, na Feira de Arte de Verona, o es­cân­da­lo re­ben­tou por cau­sa do qua­dro «Madonna del Terzo Reich» — uma re­vi­são do fres­co «A pe­que­na Madona Cowper», de Rafael — re­tra­tan­do a Virgem Maria se­gu­ran­do nos bra­ços um be­bé Hitler.

Daquela vez, po­rém, a pres­são con­jun­ta de bis­pos ca­tó­li­cos e ra­bis ju­deus le­vou a que o qua­dro fos­se mes­mo cen­su­ra­do. E o no­me de Giuseppe Veneziano vol­tou a vi­a­jar pe­las pa­la­vras de jor­nais em to­do o mun­do. Sobre es­tas po­lé­mi­cas, Veneziano per­gun­ta: «Se a ar­te não po­de pro­vo­car, o que po­de fa­zer?»

L'ultimo selfie, 2016

L’ultimo sel­fie, 2016

Selfies

Selfie de Van Gogh (2013) e va­ri­a­ção mo­der­na do qua­dro «Rapariga com o Brinco de Pérola», do ho­lan­dês Vermeer (2014)

Paradiso artificiale, 2016

Paradiso ar­ti­fi­ci­a­le, 2016

Think Different, 2012

Think Different, 2012

dantealighieri@virgilio.it, 2012

dantealighieri@virgilio.it, 2012

L’adulterio di Leda, 2011

L’adulterio di Leda, 2011

La Toilette di Venere, 2015

La Toilette di Venere, 2015

Wonder Woman Intimacy III, 2011

Wonder Woman Intimacy III, 2011

In bocca al lupo, 2011

In boc­ca al lu­po, 2011

Susanna e i vecchioni, 2013

Susanna e i vec­chi­o­ni, 2013

Immagine

Immagine, 2010

Solitamente vesto Prada

Solitamente ves­to Prada, 2014

Sbronzi di Riace

Sbronzi di Riace, 2015

Os tra­ba­lhos de Giuseppe Veneziano, 45 anos, for­ma­do em ar­qui­te­tu­ra, car­to­o­nis­ta de lu­xo em vá­ri­as pu­bli­ca­ções em to­do o mun­do, tra­çam uma fron­tei­ra vin­ca­da en­tre as pes­so­as: uns adoram-no, ou­tros odeiam-no. Difícil é en­con­trar al­guém que re­a­ja de for­ma neu­tra.

Veneziano é um cro­nis­ta sub­ver­si­vo e sur­re­al. Trata fi­gu­ras his­tó­ri­cas co­mo fi­gu­ras de ban­da de­se­nha­da e fi­gu­ras de ban­da de­se­nha­da co­mo fi­gu­ras his­tó­ri­cas. Cria pos­si­bi­li­da­des a par­tir de fon­tes dis­pa­ra­res e harmoniza-as nu­ma vi­são mui­to sub­ver­si­va e áci­da do mun­do, das nos­sas cren­ças e ver­da­des ad­qui­ri­das — e sem­pre pintando-as com co­res su­a­ves, qua­se do­ces, qua­se in­gé­nu­as.

Marco Santos

Bitaite de Marco Santos

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