
Mau, maria.
Será este um daqueles posts em que metes uma rapariga toda giraça e semi-descascada só para sacar mais visitantes e começar a ganhar a guita com a publicidade que ainda não tens mas estás prestes a ter?
É isso, pá? Já começaste a usar esses truques?
A resposta é sim e não.
Em primeiro lugar, deixem-me apresentar-vos a senhora da foto: chama-se Sophia Loren, é uma mulher bela, bela, bela, tão bela que me recuso a recordá-la já envelhecida, e está aqui a fazer de Cleópatra, a mítica rainha do Egipto.
Cleópatra nem era assim tão bela como se diz, mas era inteligente, inteligente, inteligente, tão inteligente que foi considerada uma das mais argutas governantes da história do Egipto antigo. Estão aí o Marco António e o Júlio César que não me deixam mentir.
Façam o favor de levantar o rabo da cadeira e fazer uma devida vénia à sua esplendorosa existência de mulher, em beleza e inteligência.
Obrigado.
O objectivo deste post é muito mais simples do que descrever a beleza da Sophia: quero aplicar o Princípio da Incerteza de Heisenberg e demonstrar-vos, por a mais b, os misteriosos desígnios da Mecânica Quântica.
Explicando assim muito por alto, descobriu-se que um fotão é uma partícula e uma onda, mas nunca o podemos ver como partícula ou onda ao mesmo tempo. O fotão contém em si ambos os estados, mas é o observador quem influencia o resultado da própria observação. É onda ou partícula – a nossa interferência é que decide. Os electrões também se comportam assim.
Esta merda dá cabo da cabeça de qualquer pessoa, eu sei.
Para termos uma ideia das implicações desta descoberta, outro físico muito inteligente chamado Erwin Schrödinger concebeu uma experiência mental que ficou conhecida como o Gato de Schrödinger.
Nessa experiência (teórica), o gato é fechado numa caixa completamente isolada dos acontecimentos quânticos em redor. Dentro da caixa, encontra-se também um frasco de veneno. Se quiserem apimentar a experiência e dar-lhe uma dose mais dramática, imaginem que o gato é um daqueles seres pequerruchos e muito queridos cujas fotos aparecem em tudo o que é site, foda-se, que enjoo.
Imaginemos que o frasco é partido e o veneno se liberta. O gatinho lindo está morto?
Sim e não.
Ao nível quântico, sem a interferência de um observador, o gato está, ao mesmo tempo, vivo e morto – só quando o observador entra em cena é que o estado do gato se revela. Ou seja, antes de ser observado, é um morto-vivo; só depois da interferência do observador podemos verificar se está vivo ou morto.
No mundo que percepcionamos, o veneno não é metafórico e mata mesmo o gato; no mundo quântico, a realidade parece ser apenas uma metáfora à espera de ser interpretada: os fotões são, simultaneamente, onda e partícula; se tentarmos olhar para um deles através dos nossos poderosos microscópios electrónicos só conseguiremos vê-lo como onda ou partícula, nunca nos dois estados simultaneamente.
Parece que nos afastamos muito da Sophia Loren, não é?
Sim e não.
A forma como escolheste observar este post também determina, em certa medida, o que ele é: podes ter escolhido fixar-te nas bonitas pernas da Sophia e ignorar tudo o resto; neste caso, o post completo sempre existiu – foto e texto – mas foi a tua observação a determinar que, a dado momento, só a foto existia.
Bem, é uma analogia um bocado manhosa, eu sei. Um entendido em Física Quântica que ponha este post na linha e dê uma explicação mais plausível na zona dos comentários, por favor.
Bem, este artigo não tinha como principal objectivo focar-se nestes chocantes mistérios do infinitamente pequeno, mas também há uma razão para que a bela Sophia aqui apareça em trajes egípcios.
Para perceberem o que eu quero dizer, é preciso recuar alguns anos.
Não digo anos em termos absolutos – cada um que recue os anos necessários para que se imagine de regresso à pré-primária, quando começou a assimilar as primeiras letras do alfabeto. Não foi assim uma tarefa tão difícil, pois não?
Agradeçam isso ao facto de os antigos faraós egípcios terem decidido que tinha de se arranjar uma maneira mais simples de enviar ordens escritas aos escravos.
Entretanto, no Antigo Egipto
Vamos traçar uma linha temporal entre as memórias da vossa pré-primária e recuar uns 4000 anos, mais ou menos, para conhecer um bocadinho da mais espantosa e fascinante das civilizações mediterrânicas, a do Antigo Egipto.
Por cada vitória militar, os faraós egípcios faziam dos seus prisioneiros de guerra escravos. Por questões de organização e até burocráticas, dava jeito enviar ordens escritas a esses escravos. O problema é que os pobres homens não sabiam ler hieróglifos.
Aprender a ler, hoje em dia, é canja; no tempo dos egípcios, um pesadelo. Os hieróglifos eram muito difíceis de memorizar, pois continham milhares de símbolos – e cada símbolo representava uma ideia ou uma palavra. Meter aquilo tudo na cabeça podia demorar anos.
Os egípcios tiveram então uma ideia: criar uma versão «light» da sua escrita, um sistema muito simplificado que os escravos pudessem memorizar facilmente. Nesse momento, criaram as bases do que viria a ser, muitos anos depois, o alfabeto que aprendemos na escola. E como a linguagem original era de facto muito complicada até os próprios egípcios acabaram eventualmente por abandoná-la.
Só quando descobrimos a Pedra de Roseta, em 1799, que continha o mesmo texto em grego e em linguagem antiga, fomos capazes de a decifrar por meio de longas e exaustivas extrapolações.
A simplicidade do alfabeto devia-se ao facto de cada letra representar um único som, reduzindo o número de caracteres de alguns milhares para algumas dúzias.
O alfabeto foi um sucesso. Os escravos que conseguiram regressar aos seus países de origem levaram consigo este maravilhoso sistema de escrita. O alfabeto espalhou-se pelo Próximo Oriente e veio a ser a base do hebraico e do árabe. Os fenícios – antiga civilização de comerciantes e marinheiros – espalharam-no entre as tribos do Mediterrâneo. Os alfabetos grego e romano, por sua vez, basearam-se na antiga escrita fenícia.
O nosso alfabeto vem do romano, pelo que podemos recuperar a linha que nos transportou 4000 anos no tempo e fazer a viagem de regresso às nossas carteiras da pré-primária. Se ainda te recordas do momento em que aprendeste a escrever a letra B, não fizeste mais do que escrever uma derivação de um velho sinal egípcio que era usado para representar a palavra «casa».
As palavras leva-as o vento, já sabemos, mas não se dissipam assim tão facilmente.






























6 comentários
Belo post
Ainda nao li tudo porque estou longe do pc, mas parece-me que houve ai uma confusao quântica. O problema nos electrões é medir-lhes a velocidade e posição ao mesmo tempo (para medir uma, a outra é afectada). Quem se porta como onda e partícula sao os fotoes, mas isso já nao tem nada a ver com o observador. Mas posso estar enganado, nao falo de física quântica há uns aninhos
Vítor, eu estive aqui a consultar um livro do Heisenberg e alinho pela tua teoria do fotão. Escrevi de memória – erro!
Pronto, corrigido. Obrigado
Clarificando, os electrões também se comportam como onda e como partículas. Isso foi provado usando a experiência das duas fendas, mas com um canhão de electrões (apareceram padrões de interferência semelhantes às da luz visível – como era esperado).
passamos então do rabo da Joana para o rabo da Sophia? … acho bem… continuemos
electrões, fotões , Cleópatra, a Joana , e a Sophia e tal…
Ta tiudo!!
Belas pernas, mas ela também era conhecida pelo seu belo par de ‘fotões’