A norte-americana Gabriela Herman, fotógrafa, blogger, teve um dia uma ideia: fotografar os bloggers no silêncio isolado das suas casas, criar um retrato do mundo físico a partir do qual comunicam com os outros.
Começou por abordar colegas bloggers fotógrafos, por ser os que melhor conhecia; depois lembrou-se que podia aplicar neste trabalho o mesmo princípio das correntes de links. Convidou cada blogger que retratava a sugerir um nome para fotografar a seguir, e assim sucessivamente. Herman pôde assim diversificar os sujeitos fotografados.
Em todas as fotografias, os bloggers surgem iluminados pelas luzes dos ecrãs, rodeados na maior parte das vezes por uma densa escuridão.
(Agora vou desligar a panela eléctrica da ficha, já volto)
Não sei se essa escuridão que envolve estes bloggers é um símbolo do isolamento que geralmente é atribuído a esta actividade; talvez Gabriela Herman tenha visto estes bloggers como sombras projectadas numa caverna de Platão e o brilho fluorescente com que envolve os corpos e os rostos seja um símbolo de revelação – as fotos pretendem mostrar as expressões para além dos smiles, onde e como se movem, de que forma interagem com o computador.
(A minha filha descobriu o futebol e acaba de gritar Golo! porque o seu Messi marcou pelo Barcelona. O tipo é tão pequenino e marcou um golo de cabeça, que giro.
«Tem cara de miúdo, não tem, pai?» Tem, tem, respondo eu, distraído, concentrado no post, resistindo à tentação de lhe dizer que agora gosta de futebol porque tem um fraquinho por um certo argentino minorca que até marca golos de cabeça, o que originaria uma enorme discussão e a impossibilidade de acabar o artigo)
O resultado das fotos de Gabriela Herman é bonito e, de certa forma, romântico: uma espécie de cartão postal em que as luzes lunares dos monitores substituem o pôr-do-Sol.
(O meu filho ganhou a mania de imitar caixinhas de ritmo com a boca e isso deixa-me à beira da loucura porque estou a tentar escrever e não consigo concentrar-me)
Onde é que eu ia? Ah, estava a sentir o sabor do cliché.
Nas fotos de Gabriela Herman os bloggers são criaturas crepusculares que blogam no silêncio, isolados e solitários.
Nunca são pessoas absolutamente normais que escrevem numa sala iluminada por um candeeiro normal, ao som de um jogo entre o Barcelona e o Maiorca, e o Barça está a ganhar, o que é também é normal, e daqui a nada vou ter de pôr a mesa porque está na hora de jantar, sim, filho, oeste fica para o lado esquerdo.
Já ponho a mesa, estou mesmo a acabar, é só escrever os links, o artigo da Wired, o blogue da Gabriela, galeria de fotos, pronto, já está.


































7 comentários
Marco, aposto que te revês nestas fotos, quantas directas já fizeste para manter o bitaites na crista da onda?
http://brigadascinzacoelho.blogspot.com/2011/02/discurso-de-charlie-chaplin-em-o-grande.html
Nenhuma.
Marco, a Vida em família vale ouro ou quê?
Um abraço
E como se passa nos lugares onde não há noite ?
E como se passa para quem não tem portátil ? É o meu caso / pois é , lá isso é !
Sempre escrevi quer em papel quer no computador no meio do barulho e dos vai e vem.
Essa coisa de querer comparar o escritor ou a escritora a um “lobo mau” ou a uma “loba má” que só tem inspiração na lua cheia ( ou no candeeiro ) é preocupante.
Felizmente que o Tintin nos mostrou que um eclipse também é vida !
Nuno
PortoMaravilha, com esta “Felizmente que o Tintin nos mostrou que um eclipse também é vida !” é que já me conquistaste!
Bem-haja!
Revi-me imenso nestas fotos, já que escrevo a maioria dos meus post durante a madrugada, iluminada só pela luz do ecra ( talvez daí as calinadas na gramática)
Marco tive que fazer o repost deste artigo no meu blog. Espero que nao te importes
Não me importo, Angela