→ 21/03/2011 @17:29

Os 50 melhores discos do mundo (Parte 3)

Para quem chegou aqui directamente do Google, eis os links para a primeira e segunda partes deste post.

Esta lista não resulta de uma tentativa de me armar em crítico de música, mas apenas uma lista daqueles que foram os discos mais marcantes na minha vida. Talvez não conheçam alguns e queiram conhecer. Muitos são de jazz, já que é o meu género de música preferido; outros não. Por cada disco, apresento uma faixa que podem ouvir, se quiserem ter uma ideia. A ordem é aleatória.

21. Tristan & Isolde – Tannhäuser (…), Richard Wagner

A música que Wagner compôs para os amantes condenados à tragédia presta-se bem aos estado melancólicos. É um CD impossível de deixar guardado muito tempo. E ouvir esta peça – Isoldes Liebestod – é como esperar a sensação de um clímax eminente que não chega a acontecer. Uma onda que morre antes de rebentar na praia. Triste, mas linda, linda, linda.

Wagner: Isoldes Liebestod

22. Voice in the Night, Charles Lloyd

Desde 1989 que Charles Lloyd vem lançando discos com a editora ECM. Desenvolveu uma (merecida) fama de excelente compositor e intérprete de baladas jazz. Gravado em 1999 com John Abercrombie, Dave Holland e Billy Higgins, entre outros, este disco ajuda também a destruir o mito segundo o qual jazz é pouco de sentimento e zero de melodia.

Charles Lloyd: Voice in the Night” dl=”0″]


23. The Complete Concert 1964, Miles Davis

Nesse concerto, a banda de Miles (Herbie Hancock, piano; George Coleman, saxofone; Ron Carter, contrabaixo; Tony Williams, bateria) tocou magistralmente. E quis o destino que a maravilhosa música que então se ouviu ficasse gravada para a posteridade tornando possível que tu, 47 anos depois do evento, possas conhecer as maravilhas do jazz.

Miles Davis: All Blues

24. Last Date, Eric Dolphy

Aqui temos um músico e um disco impossíveis de esquecer, lírico, furiosamente livre, explosivo e imprevisível nos seus solos. Ponto alto deste concerto de despedida: a flauta de Eric Dolphy voando numa esplendorosa interpretação de um standard de jazz, You Don’t Know What Love Is.

Eric Dolphy: You Don’t Know What Love Is

25. OK Computer, Radiohead

OK Computer é obrigatório. Conheci os Radiohead com este disco e numa altura em que só ouvia jazz (e Zappa), e julgava que o resto eram poias musicais orbitando à volta do planeta MTV. Os Radiohead reconciliaram-me com o rock que se faz actualmente e abriram-me a mente para descobrir muitos outros nomes fora do jazz. É um disco fenomenal, absolutamente marcante.

Radiohead: No Surprises (BBC Radio 1 Evening Session 28-5-97)

26. Figure 8, Elliott Smith

Elliott Smith tinha problemas de depressão, agravados pelo alcoolismo e abuso de drogas. Aos 34 anos, a 21 de Outubro de 2003, foi encontrado morto com duas facadas no peito. A autópsia foi inconclusiva quanto ao que aconteceu: terão sido auto-infligidas ou Smith foi assassinado? Seja qual for a resposta, foi mais um grande músico, letrista e cantor que desapareceu desgraçadamente cedo.

Elliott Smith: Son of Sam

27. Mythologies, Patricia Barber

Mythologies é um assombro. Magníficas letras, contrastes, ironias, paixões, sarcasmos, músicas, fusões espectaculares entre linguagens musicais diferentes. Quando o álbum saiu em 2006 a revista JazzTimes descreveu Patricia Barber como «a mais corajosa, intelectualmente estimulante e, por conseguinte, a mais interessante compositora, cantora e pianista da cena jazzística americana.»

Patricia Barber: The Moon

28. A Sagração da Primavera, Igor Stravinsky

29 de Maio de 1913 foi o dia em que metade da audiência do Teatro dos Campos Elísios de Paris andou à pancada com a outra metade. A pancadaria foi tão grande que alastrou às ruas adjacentes e ainda hoje o caso é considerado o maior escândalo musical da história. Razão de tanto rebuliço: a estreia do bailado A Sagração da Primavera, do compositor Igor Stravinsky.

Igor Stravinsky: A Sagração da Primavera

29. Expression, John Coltrane

O tema que me conquistou de imediato, Ogunde, é um dos últimos que Coltrane compôs antes de morrer. Três minutos e 41 segundos do mais difícil e sublime jazz: Inicia-se com o saxofone em bela oração, mas muda abruptamente, questiona-se, cria um labirinto melodioso onde nos perdemos até seguirmos Coltrane de novo em direcção à luz: a melodia inicial, agora transformada numa versão jazzística de um Requiem.

John Coltrane: Ogunde

30. Big Science, Laurie Anderson

Laurie Anderson é a rainha do spoken word. Tudo o que me atrai na electrónica começou com a audição daquele que continua a ser o melhor disco de Laurie: Big Science, síntese de um espectáculo ao vivo chamado United States e que haveria também de dar origem a um quádruplo CD. O tema de maior sucesso – O Superman – poderá arruinar-te os nervos.

Laurie Anderson: O Superman (For Massenet)

7 comentários

  • 1
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    21 de Março de 2011 - 23:58 | Link permamente

    ok computer?… prefiro o kid a…
    8)

    • 2
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      22 de Março de 2011 - 09:51 | Link permamente

      São 50 discos… :wink:

      • 3
        Nuno
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        22 de Março de 2011 - 12:51 | Link permamente

        E eu nos 20 restantes espero também ainda ver algumas supresas que salte da “zona de conforto jazzístico” e “coisas que é cool um amante de jazz gostar”. Não, não estou a dizer que espero ver Tony Carreira mas confesso que esperava um “guilty pleasure” pelo meio ou algo que mordesse outra área musical mais inesperada. :)

        Acho que também o que estou a tentar dizer é que tenho a sensação que estás a conter ou esconder algumas facetas musicais. Se calhar posso estar errado mas tenho sempre a impressão que um amante de música como tu é verdadeiramente mais ecléctico.

        • 4
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          22 de Março de 2011 - 14:33 | Link permamente

          Acho que a inclusão da Lena Lovich (parte 2) se enquadra nisso…
          Mas eu percebo-te. Estás a querer que eu revele o meu lado Marco Paulo :mrgreen:

      • 5
        Nuno
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        22 de Março de 2011 - 17:45 | Link permamente

        Não Marco, a Lene Lovich acaba por ser mais daquelas tuas excepções (Radiohead, Zappa, Elliot S., Buckley) que acaba por confirmar a regra. Não há nada de “embaraçoso” em gostar dela. É mais daqueles nomes que ganhou estatuto e culto. Ora quem é que não acha “cool” uma sexagenária arty, vegetariana que ainda faz new-wave? :D

        E hey eu tenho até vinis coloridos do Marco Paulo, ups… Hmmm adiante, de qualquer maneira acho que percebeste o meu ponto! Vá lá, liberta o “eu” dentro de ti! ;)

        • 6
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          22 de Março de 2011 - 17:48 | Link permamente

          Lamento desapontar-te, mas… A lista reflete os meus gostos e o “eu” dentro de mim! :P

      • 7
        Nuno
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        22 de Março de 2011 - 19:49 | Link permamente

        Ok pronto, mas vê lá! Isso de eventualmente esconderes o teu verdadeiro “eu” pode começar por quereres renegar o Ricky Martin, passar depois à necessidade de vestir roupa F côr-de-rosa, e depois não há volta a dar, precisas mesmo de terapia! :D

        Venha lá o top 20 homem! (com todo o id, ego ou super-ego ou só com alguns deles)!