
A sociedade não pode recuperar de uma escala de devastação tão épica como as bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945, e Nagasaki, três dias depois.
A pintora Julie Rauer estabeleceu de forma brilhante uma relação entre cartoon, manga e anime e os traumas provocados pela catástrofe. O trauma manifesta-se como uma perpétua cicatriz genética, demónio tuberculoso vindo dos abismos para desfigurar gerações inteiras.
Cicatriz, desfiguração: horrores banidos do pensamento consciente pela qualidade benigna do cartoon. Mas a ferida está mal suturada e reabre: fútil substituição do medo da morte pela imaculada tecnologia das máquinas, da frágil humanidade por estados existenciais alternativos (manga, anime).
Esta associação de Rauer – ver Persistence of a Genetic Scar – conduz-nos a à exposição online Little Boy, ocorrida 60 anos depois do lançamento da primeira bomba atómica.
Little Boy é o nome dado à bomba lançada sobre Hiroshima e agora, tantos anos depois, um exame à cultura japonesa do pós-guerra: abrem-se os olhos da arte contemporânea e das realizações multimédia.





























