Arquivos mensais: Dezembro 2010

→ 31/12/2010 @18:29

Adeus, 2010; olá, irmão gémeo

Eu não tenho jeito para estes posts porque exigem uma quase total ausência de cepticismo.

Acreditar que o próximo ano será melhor só porque se vira a última página de um calendário é tão racional como acreditar que o fim do mundo chegará em 2012 com o terminar do ciclo do calendário Maia.

As merdas que tenho transportado este ano passarão para o próximo, indiferentes aos festejos e às explosões de champanhe no céu.


Pronto, já me calei.

Que a partir de amanhã tudo vos corra melhor: trabalho, estudo, saúde, amores, amizades, carteiras. É um desejo sincero. Até logo.

→ 31/12/2010 @16:29

Venceu a liberdade de expressar uma opinião

Comunicado da Ensitel:

«Nos últimos dias temos ouvido as vossas opiniões. Nunca foi nossa intenção limitar a liberdade de expressão da Maria João Nogueira, mas apenas a defesa da nossa marca. Mas vemos agora que a nossa atitude foi inadequada e por isso vamos retirar de imediato a acção judicial.

Pretendemos também, no futuro, estar mais atentos ao que os nossos clientes dizem online, de modo a podermos assegurar que a vossa experiência com a Ensitel é o mais positiva possível. Nesse sentido estamos a preparar novas maneiras de poderem comunicar connosco, sempre que tenham um problema numa das nossas lojas ou com um dos nossos produtos.»


A Maria João Nogueira transformou-se num símbolo de uma causa muito maior do que um simples conflito por causa de um telemóvel. Esse já estava enterrado há quase dois anos.

De futuro, qualquer empresa pensará duas vezes antes de tentar calar uma opinião que não a favoreça. A forma como várias pessoas se juntaram e contribuíram financeiramente para as despesas em tribunal, mostrou à Ensitel que a luta não seria tão desigual como inicialmente pensou.

A defesa de uma marca faz-se investindo numa boa relação com o cliente e respeitando-o, não com tentativas de silenciamento que o ADN social e político dos portugueses interpreta imediatamente como uma forma de censura. Espero que a Ensitel tenha aprendido esta valiosa lição dos últimos dias de 2010.

2011 está quase a chegar: aproveitem a mudança de calendário para rejuvenescer os neurónios. E mudem-me a vossa página web, por favor. Aquilo é uma vergonha de web design.

Adenda: um excelente epílogo.

→ 31/12/2010 @2:16

Jonas, vê lá se lês este post, pá

Um botão de donativos no teu blogue para cobrir as despesas na batalha legal contra os inquisidores da Ensitel? Imagino que isso te deve ter deixado os cabelos em pé – como naquela foto na tua imagem de cabeçalho.

Uma tipa independente e orgulhosa como tu, pedir publicamente ajuda e sujeitar-se à opinião dos imbecis que já começaram a adivinhar o ordenado chorudo que deve ter a gestora de blogues do Sapo e a escandalizarem-se porque a ricaça já tem a lata de pedinchar?

Porra, as coisas que eu leio no Twitter – tu és mesmo gestora de blogues do Sapo? O nome tem muita pinta, mas estava convencido de que eras muito mais do que isso.

Enfim, tens de admitir que essa merda impressiona: Gestora. Blogues. Sapo. Parece uma conta de somar.

É incrível como esta gente ainda se deixa iludir pela pomposidade de certas designações profissionais: por exemplo, as funcionárias das escolas eram conhecidas por continas contínuas; agora são auxiliares da acção educativa assistentes operacionais – caramba, com um nome destes devem ter tido um aumento de ordenado brutal. Se calhar já devem ganhar mais do que tu.

Jonas: nunca permitas que alguém te chame bruxa: és gestora de uma vassoura com um sistema de auto-propulsão, ouviste?

Agora a sério: é um preço terrível de pagar, esta exposição. Esse preço não há botão de donativos que o pague. Quando se trata de pedir uma acção concreta e se essa acção envolver dinheiro, existirão sempre os filósofos da banha da cobra dispostos a vender a tua integridade por uns míseros 140 caracteres.

Peço que não te deixes abalar pela voz daqueles que ocuparam a timeline do Twitter para se auto-promover como paladinos da justiça e do combate à pouca-vergonha e que agora desconfiam do teu pedido de ajuda com a mesma consistência saloia com que, horas antes, defenderam a tua liberdade. Esses são aqueles que amanhã estarão provavelmente a comprar um telemóvel na Ensitel. Nunca contaram.

Não te conheço bem, mas sei o suficiente para te ver como uma gaja de coragem – notei no teu último post um enorme cansaço, e sei que provavelmente deves estar pelos cabelos. Li os teus posts/takes, quando os publicaste, e depois da intimidação da Ensitel reli-os para me certificar de que não tinhas metido água. (Eu sei, desculpa)

Há duas ou três expressões nesses textos mais intensas – mas qualquer pessoa com dois dedos de testa vê que são reflexo de um estado de espírito provocado pelo comportamento de uma empresa e uma decisão judicial que consideraste injusta (zanga, impotência, frustração). Intenção deliberada de difamar? Desafio qualquer um a mostrar-me uma frase onde essa intenção exista.

Tu conheces este blogue muito bem e sabes como detesto os difamadores irresponsáveis da blogosfera – nos posts e nos comentários. Sabes que se alguma vez este espaço de liberdade for ameaçado, atribuirei parte da responsabilidade aos covardes que atacam sob anonimato.

A Ensitel, na sua infinita tacanhice, vai para os tribunais tentar convencer um juiz de que fazes parte do grupo dos covardes irresponsáveis – e este é o maior perigo. Por isso é importante copiar o teu texto e espalhá-lo pelos blogues todos – não como uma atitude de rebeldia adolescente ou como quem veste uma t-shirt do Che Guevera, mas para preservar uma prova: a da tua inocência.

Há duas formas pelas quais uma empresa pode classificar algo como difamatório: quando é confrontada com a mentira ou quando é confrontada com a verdade.

Portanto não baixes a bolinha. Não cedas ao cansaço. Não te deixes afogar na maré pestilenta de trolls que inundaram o teu blogue. Os dias pacatos no Jonasnuts voltarão e serão precisamente esses dias que te mostrarão que tu e os teus nunca estiveram sozinhos nesta luta.

→ 30/12/2010 @23:32

Cratera do tamanho de um campo de futebol

Cratera marciana

A ver: um vídeo de 30 segundos de um pôr-do-Sol marciano e o pequeno Rover Opportunity dirigindo-se a uma cratera em Marte com o tamanho de um campo de futebol.

→ 30/12/2010 @17:36

Alguns olhares marcantes sobre 2010

Fotos retiradas dos arquivos deste blogue e publicadas este ano.


Madeira

Madeira

Foto: AP/Octávio Passos


Catástrofe ambiental no golfo do México

Catástrofe ambiental no golfo do México

Foto: Gerald Herbert/AP

Catástrofe ambiental no golfo do México

Foto: John Moore/Getty Images

Catástrofe ambiental no golfo do México

Foto: Charlie Riedel/AP


National Geographic: as primeiras 36 horas da catástrofe

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas


Tailândia: batalha nas ruas

Tailândia

Barbara Walton/EPA

Tailândia

Sakchai Lalit/AP

Tailândia

Tailândia

Wason Wanichakorn/AP

Manifestações na Tailândia

Sakchai Lalit/AP

Manifestações na Tailândia

Wally Santana/AP


Inundações e derrocadas no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Foto: Jadson Marques


Haiti: Catastrófico abandono

Haiti: imagens da tragédia

Foto: AP/Gregory Bull

Haiti: imagens da tragédia

Foto: EPA/Orlando Barria


Haiti: Banhos de água benta

Cerimónia religiosa no Haiti

Cerimónia religiosa no Haiti

Fotos: Esteban Felix/AP


Espanha: Procissão na praia

Procissão na praia

Foto: EPA/Juan Carlos Cardenas


Sorrisos na miséria

Um sorriso na miséria

Foto: AP/Muhammed Muheisen

Crianças trabalhadoras na Índia

Foto: AP/Altaf Qadri


Islândia: Vulcão boreal

O vulcão na Islândia

Foto: Ingolfur Juliusson


Pequena Fábula

Salão da Agricultura, em Paris

Foto: EPA/Yoan Valat


Ressurreição Benfiquista

Adriano Miranda

Foto: Adriano Miranda/Público
→ 29/12/2010 @18:33

Ensitel: o último post

O segundo e último comunicado da Ensitel, publicado no Facebook:

«A Ensitel nada mais tem a acrescentar relativamente ao Comunicado que já fez publicar ontem no Facebook, remetendo para o local próprio em qualquer Estado de Direito Democrático, que são os Tribunais, o exercício da defesa dos seus direitos.»

E toda a gente riu. O 31 da Sarrafada anunciou de imediato no Twitter que a empresa «acaba de fazer um comunicado a comunicar que nada mais tem a comentar». Novo desastre de Relações Públicas. Mais gozos. Piadas.

Este comunicado é patético, mas infelizmente nem tudo pode ser reduzido à perspectiva do especialista em Relações Públicas.

Este comunicado é uma clara reacção ao chorrilho malcriado e difamatório da turbe que tomou conta da sua página no Facebook nas últimas 24 horas. Esta não é apenas uma posição anedótica de quem não sabe escrever comunicados: é uma declaração de superioridade moral. É um comunicado onde se anuncia «Com vocês não há mais conversas». E é mais um comunicado lançado no Facebook, não na página da empresa.

É fácil conseguir a adesão rápida a manifestações online, pois as pessoas podem manifestar-se e fazer barulho sem sequer levantar o cu da cadeira.

Quando a guerra for levada para o mundo offline, não haverá uma multidão de apoiantes da Maria João Nogueira, mas um juiz que provavelmente será tão info-ignorante como a administração da Ensitel.

Parece-me evidente que a lengalenga da vitimização será guardada para os tribunais – e neste momento já existem centenas de comentários idiotas registados pela Ensitel para dar uma ajuda à causa da difamação e escandalizar o nosso juiz potencialmente info-ignorante.

Adivinhem agora sobre quem poderá a Ensitel atribuir responsabilidades por ter dado origem ao granel no Facebook e a toda a série de comentários dos trolls. Nessa altura, será necessário que alguns levantem mesmo o cu da cadeira e se apresentem como testemunhas para explicar ao juiz potencialmente info-ignorante que a Maria João Nogueira não é uma conspiradora, mas alguém que exprimiu uma opinião.

Nessa altura o hype terá passado, pelo que reservo cinco dedos só para contar a presença física dos activistas de cadeira que abundam nas redes sociais. Seis, se a Jonas precisar de mim.

→ 29/12/2010 @2:45

Agora já não sei se são pategos ou maquiavélicos

Já foram ver a página do Facebook da Ensitel? Vejam e desfrutem da traulitada popular. Há dias em que eu detesto ter razão. Este é um deles. Eu já sabia que isto ia acabar assim.

Da causa meritória com a qual é fácil identificar-nos e apoiar, passámos à fase da badalhoquice. As redes sociais estão agora para a Ensitel como as anedotas estão para os alentejanos: contam-se, simplesmente, e chegará o dia em que poucos saberão por que razão começaram a ser contadas. E à excepção daqueles que lhe são mais próximos – no blogue e na vida offline – a Maria João Nogueira enfrentará o processo como o começou: longe das multidões.

Há quem vá lá contar anedotas. Um tipo com um sentido de humor muito sofisticado (ou um louco varrido) repete, de forma obsessiva, comentários sobre masturbação e a origem das papas da Nestlé. Mais anedotas. Piadinhas. Jogos de palavras. Insultos. E já se pegam uns com os outros. Que bela credibilidade dão à «causa».

Perante tal demonstração da força das redes sociais, a Ensitel nada faz. Depois de ter apagado os primeiros comentários que focavam directamente o assunto, desistiu e agora deixa passar tudo.

Porquê?

Penso em duas hipóteses.


Hipótese “Somos uns pategos”

A Ensitel está tão desnorteada com o que acaba de lhe acontecer que tem medo de apagar seja o que for. Perante o tipo que está a spammar o Facebook com frases do género «Os homens não circuncidados, normalmente, não requerem o uso de lubrificantes, uma vez que o prepúcio atenua os efeitos da fricção direta sozinho», hesita em apagar.

Imagino um escaldado administrador da empresa a dizer ao tipo que gere a página: «Não deites isso fora, pode ter liberdade de expressão!»


Hipótese “Somos maquiavélicos”

A segunda possibilidade é pior: a empresa está a deixar passar os comentários de propósito. Escreveu um comunicado patético no qual se queixava ser vítima de uma campanha de difamação e apercebeu-se de que existe um desvairado exército de patetas dispostos a dar-lhe razão.

O processo começou com pinturas na parede da Ensitel contendo declarações e críticas duras ao comportamento da empresa. Agora é a vez da canalha que aproveita para mijar e escrever caralhadas nas paredes.

E a Ensitel estará agora quase aliviada, pois quanto mais comentários insultuosos, ordinários ou ligeiramente psicopáticos caírem na sua página, tanto melhor.

O processo de vitimização estará em marcha e as pessoas que com seriedade e boa-fé se dispuseram a expandir o assunto, rapidamente se fartarão de chafurdar na merda.

Eis a principal razão da minha desconfiança em relação às redes sociais: podem ser poderosas como um touro e, ao mesmo tempo, ter a mesma racionalidade. O poder das redes sociais é o poder dos memes, das correntes: todos o usam, poucos o sentem.

Só espero que a hipótese ‘Somos uns Pategos’ seja a correcta.