31/Maio/2010

Pobres israelitas, agiram em legítima defesa

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Actualização Por altura da publicação deste post, ainda não tinha tomado conhecimento do vídeo lançado pelas autoridades israelitas para justificar as acções dos seus soldados.

Mesmo que o vídeo seja verdadeiro, existem alguns pormenores a ter em conta: o navio estava em águas internacionais, o que significa que a única jurisdição a que está submetido é a do Estado a que pertence – neste caso, a Turquia. Ao abordar o navio em águas internacionais, os soldados israelitas invadiram um espaço cuja jurisdição pertence a um país soberano – a Turquia.

Para justificar o massacre, Israel afirma que os seus soldados agiram em legítima defesa. É um argumento hipócrita e falacioso, dado que os ocupantes do navio turco que atacaram os soldados podem também dizer – e com mais propriedade – que agiram em legítima defesa perante o invasor. Do ponto de vista da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os soldados portaram-se como piratas; logo, foram escorraçados como piratas.


Activistas a bordo do navio turco Mavi Marmara

Perigosos e assustadores activistas pró-palestinianos a bordo do navio turco Mavi Marmara, atacado por Israel. Os soldados estão a ser acusados por uma das organizações envolvidas na operação – FreeGaza – de terem disparado sobre os civis mal puseram o pé no barco


Pelo menos 19 pessoas morreram e 36 ficaram feridas durante um ataque de comandos israelitas a um conjunto de seis barcos que seguiam para Gaza. Claro que as contas dos mortos e feridos ainda não estão definitivamente feitas. E há várias fontes a fazer as suas próprias contas.

Os barcos não eram uma frota de invasão: o conjunto de seis navios atacados foi baptizado «Frota da Liberdade» e transportava 750 activistas pró-palestinianos de 60 nacionalidades e 10 mil toneladas de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza. Foram abordados em águas internacionais.

Os israelitas desmentem estes factos e avançam com outros: não morreram 19 activistas, morreram 10; os soldados que participaram na abordagem, segundo explicou o chefe do estado-maior do exército, Gaby Ashkenazi, «viram-se obrigados a utilizar métodos anti-distúrbio e armas de fogo ao sentirem as suas vidas em perigo» quando um membro da tripulação roubou uma arma.

O responsável da Marinha, Eliezer Marom, acrescenta aos factos israelitas uns elogios: os soldados souberam «conter-se», garantiu, foram «corajosos e determinados». O ministro da Defesa israelita, Ehud Barak, acrescentou às mortes uma interpretação juridicamente bondosa: os soldados mataram em legítima defesa, pois «temiam pelas suas próprias vidas».

Será que o activista que roubou a arma terá ficado tão comovido com a simpatia e diplomacia dos militares durante a abordagem que roubou a arma para se suicidar, em sinal de arrependimento por ter dedicado tanto tempo a lutar contra aquele campo de concentração que Israel edificou na Faixa de Gaza?

Também tenho algumas dificuldades em aceitar que os soldados agiram com contenção, uma vez que um roubou uma arma e 19 morreram.

Bem, os israelitas dizem que morreram 10, vamos aceitar este número. Que se passou? Os 10 activistas atacaram os soldados com facas de cozinha? Latas de farinha? Arroz? Feijão? Medicamentos? Cogumelos venenosos? Chinelos? Estes pormenores precisam de ser esclarecidos, até porque Israel diz que dez soldados ficaram feridos na operação, dois deles com gravidade. Será que os activistas que feriram os soldados o fizeram por maldade ou agiram em legítima defesa?

Nenhuma voz ainda se elevou a favor desta acção corajosa e determinada dos comandos, incluindo activistas israelitas que já protestam contra o massacre: os 22 países árabes da Liga Árabe reúnem-se amanhã no Cairo para assumir «uma posição colectiva» contra o ataque israelita. A União Europeia pediu uma «investigação completa» das autoridades israelitas sobre as circunstâncias do ataque à frota. Os países europeus – Espanha e Alemanha foram os primeiros a reagir – usam palavras como «choque» e «condenação» para comentar o sucedido. Aliás, é notável verificar como uma simples escolha de palavras pode ter um significado político tão elucidativo: a Rússia, por exemplo, condena. Os Estados Unidos lamentam. Portugal também lamenta.

Para concluir este post, só me falta mesmo a moral da história. Se alguém a encontrar, avisem-me.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Cromos | 39 comentários »
31/Maio/2010

Operação falhada

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Um navio no golfo do México

Foto: Jae C. Hong/AP


A última estratégia da BP para conter o derrame do golfo do México – a operação Top Kill – falhou. A empresa já gastou mais de 766 milhões de euros nas várias tentativas de conter a mancha.

Segue-se uma nova estratégia: com o crude espalhado ao longo de mais de 110 quilómetros na costa do Louisiana, a BP vai agora enviar um robot submarino para serrar e extrair o tubo do poço petrolífero em que ocorre a fuga e substituí-lo por uma tampa. Ao mesmo tempo, tentar-se-á capturar o crude e canalizá-lo para a superfície.

Principal problema: tal como sucedeu com a operação Top Kill, nunca se tentou fazer isto a 1,5 quilómetros de profundidade.


Manifestações anti-BP em Nova Iorque e Nova Orleães

Manifestações anti-BP

Manifestações anti-BP

Fotos: Mary Altaffer/AP

Manifestações anti-BP

Foto: Jae C. Hong/AP
Publicado por Marco Santos | Categoria: Instantes | 4 comentários »
28/Maio/2010

A inexorável expansão da mancha

Catástrofe ambiental no golfo do México

Um bulldozer em acção em Grand Isle, Louisiana [Foto: Jae C. Hong/AP]

Catástrofe ambiental no golfo do México

Um golfinho morto em Venice, Louisiana [Foto: Plaquemines Parish Government/AP]


Um poço no mar a 1,5 quilómetros de profundidade está desde o dia 20 de Abril a largar, nas águas do golfo do México, uma quantidade de petróleo estimada pelos especialistas entre 1,9 milhões e 3,8 milhões de litros por dia.

«Agora sabemos a verdadeira escala do monstro que estamos a combater», afirmou o vice-presidente da Federação Nacional da Vida Selvagem, Jeremy Symons. «A BP libertou uma força imparável de proporções terríveis».

A BP, British Petroleum, empresa responsável pela Deepwater Horizon – a plataforma petrolífera que explodiu e originou o acidente – tem procurado meios de conter a catástrofe.

Há 22 mil pessoas a trabalhar na região, tentando atenuar os efeitos do derrame. 17 países e organizações já ofereceram ajuda mas, até agora, a BP só aceitou a ajuda do México e da Noruega nas operações de controlo da fuga de petróleo.


Catástrofe ambiental no golfo do México

Voluntário recolhendo crude numa praia do porto de Fourchon , Louisiana [Foto: Daniel Beltra/Greenpeace]

Catástrofe ambiental no golfo do México

Mancha de óleo na praia do porto de Fourchon [Foto: Gerald Herbert/AP]


Hoje a BP reatou uma operação chamada Top Kill, que consiste em injectar lama pesada no poço e tapá-lo depois com cimento.

A operação Top Kill tinha sido suspensa na quinta-feira para que nas 16 horas subsequentes os técnicos pudessem fazer uma avaliação dos efeitos conseguidos.

No próprio dia em que a operação entrava em pausa, um responsável da Guarda Costeira dos Estados Unidos, almirante Thad Allen, afirmava com precipitado optimismo que a BP estava a conseguir controlar o derrame de crude.

Ainda não está controlado – e ninguém arrisca garantir que a injecção de materiais líquidos e sólidos para o interior do poço será suficiente para tapar uma fuga 1,5 quilómetros debaixo do mar. É a primeira vez que se tenta uma operação destas a tão grande profundidade. A própria BP calcula em 60 a 70 por cento as probabilidades de êxito.


Catástrofe ambiental no golfo do México

Anel de contenção montado pela BP no Delta do Mississipi [Foto: Daniel Beltra/Greenpeace]

Catástrofe ambiental no golfo do México

Incêndios controlados provocados pela Guarda Costeira no golfo do México [Foto: U.S. Coast Guard]


O eventual sucesso desta operação Tapa Crude não evitará conclusões que especialistas já anunciaram: a maré negra no golfo do México é o maior desastre ambiental na história dos Estados Unidos.

A catástrofe no golfo México supera o que aconteceu no Alasca a 24 de Março de 1989, quando o navio petroleiro Exxon Valdez derramou 45 milhões de litros de crude no mar.

As estimativas mais optimistas consideram que o poço irá largar 68 milhões de litros. Os mais pessimistas apontam para 142 milhões.

O maior desastre que se conhece com uma plataforma petrolífera ocorreu em 1979, quando a Ixtoc I explodiu e provocou o derrame de 530 milhões de litros em águas mexicanas.

A mancha negra que empapa as águas está a espalhar-se de forma incontrolável: chegou à praia de Venice, no Louisiana, aproxima-se dos estados da Florida, Alabama e Mississipi, pode chegar ainda mais longe, a Cuba, já avisada da possibilidade, e ao Oceano Atlântico.

Segundo peritos de uma agência norte-americana citada pelo Euronews, «uma pequena  parte do crude foi apanhado por uma corrente poderosa que segue em direcção ao Oceano Atlântico».

A comissão de inquérito do Senado dos Estados Unidos já pediu à BP que suspenda a actividade da segunda plataforma petrolífera que mantém na região.

A fuga do crude veio revelar outras histórias igualmente sujas: por causa dessas histórias, a directora do Serviço de Gestão de Minerais, Elizabeth Birnbaum, demitiu-se do cargo que ocupava desde Julho.

Um relatório interno do Ministério do Interior, divulgado no início da semana, apurou que, entre 2000 e 2008, os membros do Serviço de Gestão de Minerais aceitaram bilhetes para espectáculos desportivos, convites para refeições e outras prendas de empresas de petróleo e gás.

Além disso – e num país como os Estados Unidos terá sido mesmo a gota de água – os funcionários usavam os computadores do governo para verem pornografia.

A história é suja porque o Serviço de Gestão de Minerais é a agência que supervisiona – e regula – as explorações petrolíferas e de gás nos Estados Unidos.

Por isso, o presidente Obama, de visita ao estado do Louisiana para avaliar no terreno o que se está a passar, anunciou que vai pôr fim à relação «escandalosamente chegada» entre reguladores e empresas que deveriam fiscalizar. Em relação aos prejuízos ambientais no golfo do México, disse que quem vai pagar a conta é a BP.


As fotos do ‘The Big Picture’

Catástrofe ambiental no golfo do México

Catástrofe ambiental no golfo do México

Catástrofe ambiental no golfo do México

O sítio The Big Picture publicou uma segunda série de fotos tiradas no golfo do México e nas diversas áreas do estado do Louisiana afectadas pela expansão do crude. Os trabalhos são impressionantes, como é habitual. As três fotos aqui reproduzidas foram captadas por Gerald Herbert/AP, John Moore/Getty Images e Charlie Riedel/AP, respectivamente. Link


National Geographic: as primeiras 36 horas da catástrofe

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

As primeiras 36 horas

A 20 de Abril foi enviado um alerta de explosão na plataforma petrolífera Deepwater Horizon. Essa primeira chamada desencadeou uma operação de emergência para salvar a plataforma, resgatar os elementos da tripulação (morreram 11 pessoas) e evitar um desastre ecológico causado pelo derramamento do petróleo.

As primeiras 36 horas – caóticas – não permitiram ter uma noção da magnitude da catástrofe. Estas fotos foram captadas por elementos da Guarda Costeira dos Estados Unidos e dão-nos uma ideia do que será o documentário do National Geographic chamado «Alerta Vermelho: O Desastre Petrolífero do Golfo do México» e cujo primeiro episódio estreia na terça-feira, dia 8 de Junho, às 22h15.

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28/Maio/2010

Rádio Bitaites [20]

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MixTape da DianaEncorajado pela simpática recepção à primeira emissão, voltei a pedir à minha filhota músicos e músicas da sua preferência. Cinco segundos depois, tinha uma lista de 30 para escolher.

Esta emissão é especial, pequena celebração dos seus gostos musicais e, também, cinéfilos. Esta é uma nova versão, revista e corrigida. (mais…)

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27/Maio/2010

Cores de um passado distante, outra vez

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AutochromeAutochrome

Todos aqueles que se deixaram fascinar pelas fotos a cores do princípio do século XX e pelo processo Autocromo (Autochrome Lumière) através do qual a cor era obtida (ver este post), vão gostar de ver alguns exemplos da colecção da National Geographic, com cerca de 14.000 placas de autocromo e muitas fotos de um passado distante que nunca chegaram a ser publicadas.

O link está aqui. Um abraço ao Carlos Afonso pela dica que publicou no Twitter.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Links | 1 comentário »
25/Maio/2010

Um filme financiado pelos próprios espectadores

Os nazis na Lua

Não está ao nível de O Ataque dos Tomates Assassinos, mas a ideia do filme é absolutamente idiota – tão idiota que provavelmente vai ser um sucesso.

A história é mais ou menos assim: os nazis tinham uma base secreta na Antárctida (não sei se vocês sabiam), descobriram os segredos da propulsão anti-gravitacional, piraram-se para a Lua em 1945 e ficaram escondidos no Dark Side of the Moon; por fim, em 2018, já restabelecidos e com uma grande frota de naves espaciais de guerra, preparam-se para regressar e conquistar a Terra.

Iron Sky (sítio oficial), produzido por Tero Kaukomaa, que esteve envolvido na produção de Dancer in the Dark, de Lars von Trier, e realizado pelo finlandês Timo Vuorensola, o mesmo que realizou Star Wreck V: Lost Contact e Star Wreck: In the Pirkinning, paródias aos filmes Star Trek faladas em finlandês, só vai sair para o ano, ainda mal entrou na fase de produção, mas mandou cá para fora dois teasers. O primeiro já tem mais de 1,2 milhões de visualizações no YouTube.

O argumento do filme foi escrito por Johanna Sinisalo, talvez a escritora de ficção científica mais conhecida na Finlândia. Dizem que é uma comédia, mas numa entrevista a Alex Godfrey, da Viceland UK, o realizador Timo Vuorensola diz que não é bem uma comédia, foi pensado mais naquele espírito do E se tivesse acontecido?

Dinheiro para ajudar a acabar o filme, alguém tem?

O que verdadeiramente constitui uma novidade para mim foi uma das formas escolhidas para financiar o filme: pedindo-o directamente aos futuros espectadores.

O hype gerado pelos teasers – Lua, Nazis, invasão – foi tal que uma enorme legião de fãs se foi juntando, ansiosa por ver filme; ao todo, revela o próprio realizador, o investimento via Internet gerou 150 mil euros. Para uma produção do tipo Avatar, 150 mil euros são trocos para comprar amendoins; para uma produção finlandesa com um orçamento de 6,5 milhões de euros, já é uma ajuda importante.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Outras Artes | 10 comentários »
25/Maio/2010

Avé Covilhã, os que vão dar seca te saúdam

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Cristiano Ronaldo

Bom, temos de ser pacientes. A rapaziada está com medo de sujar o equipamento novo. Quando começar o Mundial, vai ser diferente.

Só não percebo é a atitude de Cabo Verde. Ó país irmão, não podia ter dado uma moral para a gente? Nem era preciso goleada, bastava deixar entrar um ou dois golinhos. Afinal o jogo era a feijões, certo? Regressavam a casa tranquilos e Portugal voltava a ser candidato a campeão do mundo. Em vez disso, jogaram futebol como se fosse um jogo a sério e não nos deixaram marcar um único golo. Nem um. Ó Cabo Verde, isso faz-se? Ainda por cima sem nos avisar primeiro? Escândalo!

Ora bem, vamos lá ver se vale a pena pensar mais nisto. Não, não vale.

Portugal nunca ganhou nada. Jogámos um Europeu em casa, fomos à final e perdemo-la justamente com a equipa que nos tinha derrotado no primeiro jogo. A Grécia, que agora conhecemos pela crise.

Portugal é o Eusébio a chorar depois de perder a meia-final com a Inglaterra. Portugal é o Cristiano Ronaldo a chorar depois de perder a final com a Grécia. Somos os campeões do mundo das lágrimas.

Portugal é a revolta indisciplinada quando foi afastado pela França com um penalti claríssimo. Portugal é o murro desesperado de João Vieira Pinto nas costelas do árbitro. Somos os campeões da Europa do mau-perder.

Brasil, Argentina, Espanha, Alemanha ou Inglaterra – um destes países ficará com a taça. Portugal, não. Todas as vitórias obtidas têm como objectivo aumentar a decepção que inevitavelmente nos acompanha. Os deuses do futebol são trocistas e cruéis, e gostam de gozar com a fé e o sonho irrealista dos portugueses. Não mediremos esta campanha por mais nada a não ser pela quantidade de lágrimas que provocará: quando mais chorarmos, melhor nos teremos saído.

Primeiro fico furioso, depois desencantado e, agora, simplesmente indiferente. Há cada vez mais gente a pensar assim, a querer distância. Já passei uma noite sem dormir por causa da maldita final com os gregos e não quero passar por uma decepção estúpida outra vez. Obrigado, digna selecção de Cabo Verde, por me teres ajudado a descobrir um atalho para longe do caminho que me conduz à irracionalidade.

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25/Maio/2010

Exaustão dos símbolos, maus ou bons

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O cartaz da discórdia

Foto: Marcus Brandt/EPA

Os seus criadores esperavam a polémica, tiveram-na. Quando alguém se indigna e dispõe a protestar, acaba por dar maior relevância ao produto publicitado.

Neste caso, vários habitantes da cidade de Palermo, na Sicília, onde o outdoor foi montado, exigiram a sua remoção. Um representante de um partido de centro-esquerda juntou-se aos protestos.

A empresa de moda que encomendou a publicidade fez o seu papel, dizendo que a ideia era ridicularizar Hitler e passar a imagem de que mesmo em questões de moda as pessoas devem pensar pela própria cabeça e não seguir líderes. A frase no cartaz dá o mote: «Muda o teu estilo. Não sigas o teu líder». «As pessoas estão a reagir exageradamente», afirmou um porta-voz da empresa.

O que esta empresa faz é uma apropriação de um símbolo – se é um símbolo do Mal, pouco importa; o que importa é o poder que exerce e a atenção que capta. Talvez por isso a indignação seja realmente inevitável.

Num belo livro já antigo mas que toda a gente devia ler («Tecnopolia – Quando a Cultura se Rende à Tecnologia», publicado em 1991), Neil Postman escreveu que «a banalização dos símbolos culturais significativos é largamente levada a cabo pela actividade comercial. (…) Os símbolos que retiram o seu significado de contextos tradicionais religiosos ou nacionais devem assim ser tornados impotentes o mais depressa possível – isto é, esvaziados das conotações sagradas ou mesmo sérias. A elevação de um deus exige a demolição de outro (…)».


Publicado por Marco Santos | Categoria: Publicidades | 3 comentários »
24/Maio/2010

Sting cantando Zappa

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Zappa e Sting encontraram-se num hotel antes de um dos concertos da digressão de 1988. Depois de uma conversa cordial e agradável, Zappa convidou-o a subir ao palco e interpretar com a banda uma canção dos Police, «Murder By Numbers». Daqui resultou uma versão jazzística da canção, saída no álbum «Broadway the Hardway». Sting prescindiu dos royalties com a condição de o seu nome não ser usado por Zappa para promover o disco.

Mas Sting também interpretou Zappa. Dias depois do concerto, enviou um telegrama a Zappa pedindo-lhe a pauta de «The Idiot Bastard Son» e rematando com um «vais ver que não te arrependes

A cover de Sting nunca fez parte da sua discografia, mas existem várias gravações não oficiais. Esta é uma delas – a de melhor qualidade sonora que encontrei, retirada de um bootleg chamado «The Art Of The Heart».

«The Art of the Heart» foi gravado a partir da própria soundboard no Wiltern Theatre em Los Angeles, a 27 de Julho de 1988. Sting planeara lançar um disco ao vivo a partir deste concerto, mas por alguma razão esse disco nunca chegou a ser feito; em vez disso, surgiu esta gravação pirata (3 CD’s) em 1992.

Para os fãs de Zappa e Sting, eis a interpretação de «The Idiot Bastard Son»:

Sting: The Idiot Bastard Son
Publicado por Marco Santos | Categoria: Música | 10 comentários »