Pobres israelitas, agiram em legítima defesa
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Actualização Por altura da publicação deste post, ainda não tinha tomado conhecimento do vídeo lançado pelas autoridades israelitas para justificar as acções dos seus soldados.
Mesmo que o vídeo seja verdadeiro, existem alguns pormenores a ter em conta: o navio estava em águas internacionais, o que significa que a única jurisdição a que está submetido é a do Estado a que pertence – neste caso, a Turquia. Ao abordar o navio em águas internacionais, os soldados israelitas invadiram um espaço cuja jurisdição pertence a um país soberano – a Turquia.
Para justificar o massacre, Israel afirma que os seus soldados agiram em legítima defesa. É um argumento hipócrita e falacioso, dado que os ocupantes do navio turco que atacaram os soldados podem também dizer – e com mais propriedade – que agiram em legítima defesa perante o invasor. Do ponto de vista da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os soldados portaram-se como piratas; logo, foram escorraçados como piratas.

Perigosos e assustadores activistas pró-palestinianos a bordo do navio turco Mavi Marmara, atacado por Israel. Os soldados estão a ser acusados por uma das organizações envolvidas na operação – FreeGaza – de terem disparado sobre os civis mal puseram o pé no barco
Pelo menos 19 pessoas morreram e 36 ficaram feridas durante um ataque de comandos israelitas a um conjunto de seis barcos que seguiam para Gaza. Claro que as contas dos mortos e feridos ainda não estão definitivamente feitas. E há várias fontes a fazer as suas próprias contas.
Os barcos não eram uma frota de invasão: o conjunto de seis navios atacados foi baptizado «Frota da Liberdade» e transportava 750 activistas pró-palestinianos de 60 nacionalidades e 10 mil toneladas de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza. Foram abordados em águas internacionais.
Os israelitas desmentem estes factos e avançam com outros: não morreram 19 activistas, morreram 10; os soldados que participaram na abordagem, segundo explicou o chefe do estado-maior do exército, Gaby Ashkenazi, «viram-se obrigados a utilizar métodos anti-distúrbio e armas de fogo ao sentirem as suas vidas em perigo» quando um membro da tripulação roubou uma arma.
O responsável da Marinha, Eliezer Marom, acrescenta aos factos israelitas uns elogios: os soldados souberam «conter-se», garantiu, foram «corajosos e determinados». O ministro da Defesa israelita, Ehud Barak, acrescentou às mortes uma interpretação juridicamente bondosa: os soldados mataram em legítima defesa, pois «temiam pelas suas próprias vidas».
Será que o activista que roubou a arma terá ficado tão comovido com a simpatia e diplomacia dos militares durante a abordagem que roubou a arma para se suicidar, em sinal de arrependimento por ter dedicado tanto tempo a lutar contra aquele campo de concentração que Israel edificou na Faixa de Gaza?
Também tenho algumas dificuldades em aceitar que os soldados agiram com contenção, uma vez que um roubou uma arma e 19 morreram.
Bem, os israelitas dizem que morreram 10, vamos aceitar este número. Que se passou? Os 10 activistas atacaram os soldados com facas de cozinha? Latas de farinha? Arroz? Feijão? Medicamentos? Cogumelos venenosos? Chinelos? Estes pormenores precisam de ser esclarecidos, até porque Israel diz que dez soldados ficaram feridos na operação, dois deles com gravidade. Será que os activistas que feriram os soldados o fizeram por maldade ou agiram em legítima defesa?
Nenhuma voz ainda se elevou a favor desta acção corajosa e determinada dos comandos, incluindo activistas israelitas que já protestam contra o massacre: os 22 países árabes da Liga Árabe reúnem-se amanhã no Cairo para assumir «uma posição colectiva» contra o ataque israelita. A União Europeia pediu uma «investigação completa» das autoridades israelitas sobre as circunstâncias do ataque à frota. Os países europeus – Espanha e Alemanha foram os primeiros a reagir – usam palavras como «choque» e «condenação» para comentar o sucedido. Aliás, é notável verificar como uma simples escolha de palavras pode ter um significado político tão elucidativo: a Rússia, por exemplo, condena. Os Estados Unidos lamentam. Portugal também lamenta.
Para concluir este post, só me falta mesmo a moral da história. Se alguém a encontrar, avisem-me.























Encorajado pela simpática recepção 



























