Arquivos anuais: 2009

→ 06/01/2009 @17:00

O Benfica vive na Quarta Dimensão

Mais uma magnífica capa de A Bola

Chego à conclusão que os principais responsáveis pelas insistentes barracadas no Benfica são os jornais desportivos e os adeptos.

Os jornais apresentam-nos todos os dias – sobretudo nas páginas de A Bola – uma realidade alternativa. Os adeptos porque se alimentam dessa ilusão que lhes é vendida e se insurgem contra quem ouse ver o Benfica como ele é: um grande clube que perdeu a sua grandeza desportiva para um clube rival de menor dimensão. Um clube cuja grandeza se manifesta hoje em dia pelo peso que tem e não pelas vitórias que consegue.

Até os jogadores parecem sentir esse peso excessivo em campo. Não conseguem jogar de forma consistente para ganhar porque têm demasiado medo de perder. Não conseguem estar psicologicamente à altura da ilusão de grandeza que domina a mentalidade dos sócios do Benfica.

Os reforços chegam a Portugal e são tratados nos jornais como génios do futebol. O Aimar foi um grande jogador e de vez em quando ainda se nota, mas quando o vejo jogar fico com a ideia de que contratámos um tipo chamado ex-Aimar. O David Suazo é uma força da Natureza, mas não revoluciona uma equipa como fazem os verdadeiros génios. O Reyes marcou dois golos decisivos, mas é um tipo de luas e não tem a estabilidade e a inteligência do Simão Sabrosa. O Di Maria era um supra-sumo da costeleta cobiçado por Inter de Milão e Real Madrid, sobretudo depois dos Jogos Olímpicos, mas para mim não passa de um puto habilidoso com meia-dúzia de neurónios a menos.

Como a ilusão precisa de ser sustentada em resultados reais e estes não podem ser manipulados, os acontecimentos do meu clube são apresentados como se o Benfica continuasse a ser o mesmo Benfica das décadas de 60, 70 e 80. Uma vitória que seria considerada normal nos tempos antigos é apresentada nos dias de hoje como um feito extraordinário. Uma derrota que deve ser considerada normal nos dias de hoje é apresentada como uma catástrofe dos tempos antigos.

Não interessa para os jornais desportivos de Lisboa se ganhamos ou perdemos, pois o que mantém a ilusão é transformar qualquer vitória ou derrota num acontecimento digno da intocável grandeza do Benfica. Caímos, mas caímos em grande – é suficiente. É o que conta. Connosco é sempre tudo em grande. Perante o dinheiro que representa em vendas agradar à maior massa associativa em Portugal, os desportivos mantém esta ilusão. A sobriedade não vende nada. A sobriedade no Benfica é assobiada. Os sóbrios que não desculpam as derrotas com a corrupção na arbitragem são considerados traidores. Pensamos nos jogos em que fomos roubados mas esquecemos todos os outros em que não fomos, e perdemos.

E assim se vive a catástrofe. Estávamos à frente do campeonato e perdemos o lugar por termos sido derrotados pelo clube que estava em último. E como numa catástrofe é bom sabermos que existem líderes que se chegam à frente para resolver os problemas e repor a ordem natural do universo alternativo em que vivem os adeptos, eis que temos Luís Filipe Vieira e Rui Costa na capa de hoje de A Bola: foram ao balneário ter uma conversa muito dura com os jogadores – esses chulos – consumando assim uma repetida ilusão: a de que a autoridade justiceira – tão cara aos adeptos descontentes de qualquer clube, mas sobretudo do Benfica – é suficiente para garantir as vitórias e repor as coisas nos eixos. Digam-me se conhecem algum caso em que os problemas de um clube de futebol tenham sido resolvidos em manchetes de jornais.

Nunca chegaremos lá enquanto não metermos na cabeça que a maior luta do Benfica é contra si próprio. O Benfica real vive na permanente obrigação de se equiparar ao Benfica do passado – mas o Benfica do passado é agora um fantasma que nos ignora nas vitórias e nos assombra nas derrotas.

→ 05/01/2009 @15:10

Israel: o meu terror é maior do que o teu

Cartoon de Vince O'Farrell, Wallongong, Australia

Esses párias palestinianos têm de saber que ninguém bate uma nação no ofício de espalhar o terror, o caos e a destruição.

Vocês lançam rockets iranianos e matam-nos meia-dúzia de inocentes, nós largamos bombas americanas e matamo-vos uns 40 ou 50 de uma só vez. Vocês matam as nossas mulheres e crianças, nós matamos as vossas mulheres e crianças. A diferença é que vocês as matam de propósito, enquanto nós as matamos por engano.

Israel luta pelo direito de usar a hipocrisia como qualquer outra nação poderosa e civilizada – há muitos anos que a luta lhe está a correr bastante bem, não acham? [Cartoon de Vince O'Farrell]

→ 05/01/2009 @12:19

Dilema Twitter

O Twitter é uma ferramenta extraordinária de monitorização de informação, interacção entre diversas pessoas, serviços ou entidades que nos interessam e auto-promoção. Aconselho todos a experimentá-la, mas considero-me um péssimo utilizador. Acho que muitos que me acompanham fazem-no por afinidades criadas aqui porque, no Twitter, a minha actividade é quase nula e sem grande interesse. Eu não acompanharia o Bitaites no Twitter.

Sou naturalmente um follower, pois estou muito mais interessado nos recursos que outros partilham do que em partilhar os meus. Não se trata de egoísmo ou de querer guardar as descobertas só para mim. Acontece que quando encontro algo que valha a pena, prefiro partilhar através do blogue. Se não vale a pena para o blogue, não vale a pena para o Twitter. Não gosto de perder tempo, o tempo é um precioso e escasso recurso. Também não tenho grande pachorra para despejar links como um guitarrista de heavy metal com problemas de hiperactividade, embora dê muito valor a quem o faz por espírito de partilha e não para vincar o seu status quo na twittosfera (também há desses).

O Twitter é excelente para treinarmos a nossa capacidade de síntese, pois limita-nos a 140 caracteres por mensagem, mas também é inibidor para alguém que gosta de escrever e do desenvolvimento das ideias que a escrita sem restrições proporciona. O modo de funcionamento do Twitter provoca-me claustrofobia literária. Claro que a culpa não é do Twitter, é minha, pois pelos vistos só consigo funcionar num único plano. E vocês, como tem sido a vossa experiência?

→ 03/01/2009 @23:33

Bons dedinhos

DedosDedos

Mais imagens podem ser vistas aqui. Todas foram recolhidas do livro Hanimations, de Mario Mariotti.

→ 03/01/2009 @17:39

Spirit e Opportunity

A nossa marca em Marte

Deviam ter durado três meses, mas há cinco anos que continuam a passear por Marte e a transmitir dados para a Terra.
Os robôs geológicos Spirit e Opportunity, lançados a 10 de Junho e 7 de Julho de 2003, chegaram a lados opostos do planeta a 3 e 24 de Janeiro de 2004. Estas missões ocorreram depois do falhanço da sonda Beagle, europeia, que foi para Marte à procura de sinais de vida e por causa de um erro de cálculo dos cientistas acabou por arder quando entrou na atmosfera.
Ao todo, Spirit e Opportunity enviaram mais de cem mil imagens de alta resolução da paisagem marciana e imagens microscópicas das rochas e do terreno, fundamentais para podermos traçar o perfil químico e mineralógico destes materiais. Os dados recolhidos pelos instrumentos a bordo permitiram-nos saber mais sobre o passado líquido da água no planeta e as condições ambientais que aí ocorreram há milhões de anos. Os objectivos da missão Phoenix, mais recente e igualmente triunfante, foram delineados em face do que nos fora sendo ensinado por estes pequenos (e muito lentos) robôs exploratórios.
O site da NASA é um dos mais ricos que conheço. Milhares de imagens em alta resolução de Marte (e outros planetas) podem ser livremente descarregadas. Milhares de páginas contém informação científica actualizada sobre todas as missões da agência, passadas e presentes, descrevendo os objectivos iniciais e as descobertas entretanto feitas. Futuros planos de exploração também podem ser consultados no site: a NASA planeia enviar pequenos aviões e balões, veículos explorados do subsolo marciano e sondas que possam aterrar em Marte, recolher amostras do terreno e regressar à Terra.

Final de tarde em Marte

19 de Maio de 2006. O Spirit – pequeno veículo-robô de exploração geológica – fotografa o pôr-do-Sol marciano a partir da cratera Gusev. Com 145 quilómetros de diâmetro, a cratera terá sido formada há três ou quatro mil milhões de anos pelo impacto de um asteróide. Julga-se que, em tempos muito remotos, os canais (naturais) que circundam Gusev terão transportado água líquida, ou água e gelo, para o interior da cratera.

→ 02/01/2009 @16:11

As melhores fotos do mundo

James Dean em Times SquareO tornado e o arco-íris

James Dean em Times Square, 1955 (Dennis Stock) e Tornado Vs. Arco-íris (autor desconhecido)

Se uma imagem vale mil palavras, então estas fotos valem mil palavras mais uma. Eis o mote de uma página que reúne o melhor da fotografia sob os mais variados temas. Muitas são recolhidas pelo próprio site, mas podemos seleccionar uma foto que consideramos de grande qualidade e submetê-la preenchendo os campos necessários que incluem, obviamente, o autor da fotografia e o máximo de informação que conseguirmos reunir (o que nem sempre é respeitado).

As fotos são muito variadas: estão lá praticamente todas as grandes imagens do fotojornalismo, mas também de autores desconhecidos. Existe um sistema de avaliação para votarmos e uma zona de comentários. As imagens estão organizadas por marcadores, uma lista com as mais bem avaliadas, mais vistas e mais recentes. É um bom recurso para quem procura ou quer descobrir novas fotos.

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