Arquivos anuais: 2009

→ 05/12/2009 @12:51

África do Sul em todo o seu esplendor

Bailarinas no sorteio do Mundial 2010

Foto: EPA/Kim Ludbrook

Eis um momento da actuação de um grupo de bailarinas durante a cerimónia do sorteio do Mundial 2010 na África do Sul: os caprichos do destino determinaram que os brasileiros da Europa ficam no mesmo grupo que os europeus da América. 6-2? Não quero saber.

→ 05/12/2009 @4:29

Sugiro José Cid para próxima capa da Playboy

José Cid

→ 05/12/2009 @3:16

E a capa de Dezembro da Playboy Portugal é…

Ricardo Araújo Pereira na PlayboyNão, não mudou de sexo. A Playboy Portugal elegeu-o como o homem do ano e fez capa com ele. É a primeira vez, nos 55 anos da marca, que um homem surge sozinho na primeira página da revista masculina. E deve haver uma boa razão para que isso nunca tenha acontecido.

Ricardo Araújo Pereira não se despe, mas deixa-se entrevistar.

A foto de capa mostra-nos um humorista de ar pensativo, rugas marcadas na testa e nos olhos: promete uma boa entrevista, mais íntima, mais séria. É uma capa excelente para qualquer publicação – excepto a Playboy.

Talvez a ideia tenha sido a de mostrar um nu metafórico e a entrevista seja de facto tão boa e especial que vamos poder conhecer o humorista dos Gato Fedorento de uma forma nunca antes vista. Um Ricardo a nu, portanto. O título de capa – Ricardo Araújo Pereira em entrevista – não explica muito. O homem afinal é despido pelas provocantes perguntas da Playboy ou é só mais uma entrevista?

Enfim, talvez as coisas tenham corrido bem e nas páginas interiores Ricardo Araújo Pereira se abra como nunca se abriu antes.

Talvez remova o soutien da militância comunista e nos revele os mamilos arrebitados da esquerda bloquista; talvez baixe a guarda e nos faça ver o botãozinho de rosa das suas emoções mais profundas; talvez dispa as cuequinhas de figura pública e nos mostre a pintelheira farfalhuda dos seus pensamentos.

Sim, deste número da Playboy não se espera menos do que o epitélio vaginal da vida de Ricardo Araújo Pereira.

Com esta capa, nunca mais se poderá dizer que é uma revista incapaz de surpreender. Infelizmente, existem dois tipos de surpresas: as agradáveis e, surpresa!, as desagradáveis. E o leitor típico da Playboy poderá não achar piada ao verificar que lhe trocaram a gata pelo Gato Fedorento.

→ 05/12/2009 @2:08

O outro lado da América

O outro lado da América

Humor e muita criatividade no trabalho da agência de publicidade alemã Scholz & Friends: a ideia era promover o turismo gay nos Estados Unidos para uma empresa alemã especializada, a Queer Travel.

Transformaram então as veneráveis figuras esculpidas no Monte Rushmore num convite a conhecer o outro lado da América.

Hilariante ideia, grande execução e estupendo copy-writer!

→ 04/12/2009 @22:42

Beijinhos & Parabéns

António Costa condecora os Xutos e Pontapés

Foto: Steven Governo/24horas

Ah, os contentores! Não havia marialva de discoteca que não abanasse o capacete assim que Tim, o vocalista, começava a cantar A carga pronta e metida nos contentores/Adeus aos meus amores que me vou/Para outro mundo/É uma escolha que se faz/O passado foi lá atrás.

Lembram-se? Os putos de vinte e tal anos não viveram este período, mas a brigada dos trintões e quarentões sabe. E recorda.

Estávamos em Fevereiro de 1987. Já existiam portugueses, mas ainda não havia telemóveis. Nada de computadores, consolas da PlayStation ou Internet. Usávamos discos de vinil para ouvir música e as cassetes eram os nossos MP3. As mesas das esplanadas serviam de redes sociais, face to face, em vez de Facebook. Se quiséssemos jogar à bola, precisávamos muito mais do que um sofá, um televisor e um comando, mas umas pedras da calçada a fazer de baliza e qualquer estrada sem carros servia. Agora é raro encontrarmos estradas para a futebolada. Em certos aspectos, a nossa qualidade de vida era bastante superior.

E esta era a época em que os Xutos e Pontapés dominavam o rock made in Portugal.

Para os fãs da banda, os que a conheciam antes do êxito do tema Contentores e do álbum Circo de Feras, o passado tinha sido mesmo muito lá atrás, com dois discos importantes – 1978-1982, somatório dos quatro anos anteriores da banda, e Cerco, um mini-LP que a lenda diz ter sido pessimamente gravado – entre vários singles e colectâneas.

A Igreja também já os conhecia bem: três temas – Ave-maria, Mãe e Sémen – tinham sido proibidos de passar na Rádio Renascença por causa do conteúdo ofensivo das letras. Como diria o Jorge Palma, deixem-me rir. Lembro-me de ouvir religiosamente essas canções porque sempre tive o hábito de ver, em proibições católicas, recomendações de qualidade.

Se quisermos recuar ainda mais no tempo, veremos um grupo que começou por chamar-se Delirium Tremens, depois Beijinhos e Parabéns; quando se estreou ao vivo mais a sério, a 13 de Janeiro de 1979, na comemoração dos 25 anos do Rock and Roll na sala dos Alunos de Apolo, apresentou-se ao país como os Xutos e Pontapés Rock’n’Roll Band.

O tempo ficou para trás e é caótico e confuso. Os Xutos nasceram nas malhas do punk mas deixaram-se crescer, romperam-nas, conquistaram mais fãs. Foram envelhecendo à medida que a barriguinha crescia e gozam agora uma vida mais tranquila e avessa a polémicas.

Quando a canção Sem eira nem beira, do último disco, começou a ser adoptada no auge da guerra entre Professores e Governo como uma espécie de manifesto anti-Sócrates, Zé Pedro, o guitarrista, veio dizer aos jornalistas que a banda nunca quisera ser «líder de uma revolução política» nem apoiar «qualquer partido político».

Zé Pedro até «simpatiza» com Sócrates, explicou então, e a intenção da banda nunca tinha sido a de fazer «um ataque político directo». E assim, a canção-manifesto definhou antes de levantar voo. E ainda bem, porque ouvi-a duas ou três vezes e pareceu-me uma boa merda.

Hoje, 4 de Dezembro de 2009, o socialista António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e amigo pessoal de Sócrates, entregou à banda a Medalha de Mérito da Cidade Grau de Ouro. É uma escolha que se faz/O passado foi lá atrás. Beijinhos e parabéns.

→ 04/12/2009 @13:25

Sem o Citador não sei o que seria deste post III

Marilyn Monroe fotografada por Alfred Eisenstaedt

Só a fantasia permanece sempre jovem; o que nunca aconteceu nunca envelhece.

- Friedrich Schiller

→ 04/12/2009 @3:44

Uma história inesperada

Crash, de Paul Haggis

Certas notícias são tão únicas e inspiradoras que fazem reviver emoções sentidas com histórias de grandes filmes que já vi – Crash, de Paul Haggis, e uma obra-prima do cinema, Magnolia, de Paul Thomas Anderson, são dois exemplos que me vêm à memória a propósito da história que vos vou contar. Tem a mesma qualidade poética e redentora, fortuna e magia.

Um jovem assalta uma loja de conveniência perto de Long Island, em Nova Iorque. Nota-se a sua inexperiência e relutância. O dono da loja, um americano de origem árabe, Mohammad Sohail, apercebe-se da hesitação do assaltante e aponta-lhe uma espingarda. O jovem, desesperado, explica que tem de roubar para dar de comer à família. Julga que as suas escolhas se esgotaram.

O dono da loja – aquele árabe genérico que muitos americanos associam ao terrorismo islâmico – não se aproveita da situação, não reage com violência nem chama a polícia: saca de 40 dólares da caixa, algum pão e diz ao jovem: «Dou-te este dinheiro se me prometeres que não voltas a roubar». Surpreendido com a inesperada escolha que o outro lhe oferece, o assaltante aceita os dólares e o pão, e foge.

Isto aconteceu em Maio deste ano e é uma história verídica: eis o vídeo do assalto.

Este mês, Mohammad Sohail recebe uma carta. Abre-a. Vê 50 dólares e uma nota de agradecimento. Percebe então que foi enviada pelo jovem que o tentara assaltar sete meses antes. Conta que tem outro filho, um emprego e nunca mais voltou a meter-se em sarilhos. E que os 50 dólares são a sua forma de agradecer. Mohammad diz que não quer o dinheiro, vai para uma obra de caridade.

Esta história faz-me lembrar o polícia parvo e ingénuo, mas profundamente paciente e bondoso, que salva o ex-puto maravilha da prisão certa no filme Magnolia. Ou o polícia racista e machista que arrisca a vida para salvar uma afro-americana presa debaixo de um carro prestes a explodir em Crash. As pessoas são o que fazem, e nem sempre fazem de acordo com o que os outros esperam ou com o que esperam de si próprias. Para o bem e o para o mal.