Há um recurso que um blogger não deve negligenciar: o recurso à caralhada. Quando digo caralhada, quero dizer palavrão ou palavra feia. Há dois tipos.
De um ponto de vista estritamente caralhístico, é possível dizer caralhadas sem pronunciar um único palavrão.
O dilema da caralhada enquanto recurso estilístico, digamos assim, é também um factor que separa o blogger bem-educado do blogger mal-educado. O blogger bem-educado pode dizer as caralhadas que desejar, desde que não use a palavra propriamente dita. É a diferença entre dizer asneiras e só dizer disparates.
O blogger mal-educado poderá pensar: bem, o meu amor pelas palavras é tal que tanto amo as que são consideradas feias como as que se julgam bonitas. O blogger mal-educado poderá até considerar que é o contexto e as circunstâncias em que as palavras são usadas que as tornam feias ou bonitas.
E saber fazer contas também é importante. Por exemplo, ninguém poderá dizer que a palavra campo é um palavrão. Quantos quadros, livros, músicas e filmes maravilhosos inspirou?
Não acredito também que se possa dizer que a palavra concentração é feia. Dá-nos a capacidade de resolver problemas, descobrir soluções, planear, imaginar, sonhar, escrever.
Contudo, se usarmos a preposição de para juntar essas duas palavras, obtemos campo de concentração, ou seja, uma coisa mesmo muito, muito feia.
Li uma vez que o actor Humphrey Bogard desconfiava de quem não aceitasse beber um uísque com ele. O homem desenvolvera uma relação tão íntima com a bebida que se sentia um estranho perante pessoas que não gostassem de beber.
Eu tendo a embirrar com outras coisas e desconfio sobretudo daqueles que têm medo das palavras. E têm tanto medo que as usam como máscaras.
Dá sempre que pensar quando verificamos que certas palavras, juntas ou isoladas, nos travam o discurso e a espontaneidade. Em certos casos, usam-se como perfume para disfarçar o pivete das ideias e certezas absolutas que nascem nos sovacos da Democracia.
Um exemplo extremo: Solução final, em vez de extermínio. Dois exemplos mais corriqueiros: De cor, em vez de preto. Homossexual, em vez de gay pessoa. Quando são aplicadas para mascarar sentimentos mais desagradáveis, são eufemismos. Eufemismo é o saco lustroso em que se embrulha o lixo. E pega-se com cuidado, para não sujar as mãos. Eufemismos e máscaras costumo encontrar nas pessoas com quem profundamente discordo.
Não, eu nos blogues prefiro os caralhismos aos eufemismos.