
Foto: Ivan del Val
Primeira regra do túnel de combate: não se fala do túnel de combate. Segunda regra do túnel de combate: não se fala do túnel de combate.

Foto: Ivan del Val
Primeira regra do túnel de combate: não se fala do túnel de combate. Segunda regra do túnel de combate: não se fala do túnel de combate.

Quem? Marta quê?
Não reconheci – googlei um bocadinho e descobri que Marta Faial se tornou conhecida pela participação na telenovela Morangos com Açúcar.
Andou pelos Estados Unidos a estudar representação e regressou agora a Portugal com uma mente «mais aberta», como afirmou ao Correio da Manhã.
Farta de ser vista como uma menina, Marta, 24 anos, aceitou fazer a sessão para a Playboy para provar que «está um mulherão». E quer dar à vida uma volta de «360 graus».
No grande círculo da vida Marta regressou assim ao mesmo ponto de onde partiu, ou seja, aos morangos com uma cobertura adicional de açúcar e na companhia de uma cronista que é a pipoca mais doce. Perfeito!
A miúda é gira, a foto está bem conseguida – as chamadas de capa parecem-me demasiadas: o título principal pudicamente sobre o mamilo, uma odisseia na política colado à coxa e um Carlos do Carmo na anca parecem-me um exagero. Os títulos não são tatuagens, ó pessoal da Playboy!
A produção nas páginas interiores traça os limites desta revista no que respeita à ousadia erótica até de «celebridades» laterais como esta:
a nudez da Playboy portuguesa é uma nudez de topless.
Somos um país demasiado pudico e não acredito que alguma vez a revista tenha dinheiro para despir verdadeiras celebridades: por enquanto, vejo-a condenada a pescar nas margens e a viver apenas da força do título.
(*) Aos que aterraram neste post: o título é uma referência ao caso de Geyse Arruda
Eis uma fantástica viagem em direcção ao infinitamente pequeno: começamos num grão de café, zoom, um grão de sal, zoom, zoom, espermatozóide, cromossoma X, vírus influenza (da gripe), vírus da hepatite, hemoglobina, glicose, molécula de água, átomo de carbono.
Não são imagens reais, mas simples ilustrações – a ideia do Genetic Science Learning Center, um programa de Ciência, Educação e Saúde da Universidade do Utah, nos Estados Unidos, é dar-nos uma ideia rápida das escalas e de como um simples grão de café pode ser – neste universo – um gigante castanho. Link

Geyse Arruda, 20 anos,
estudante do curso de Turismo da unidade de São Bernardo do Campo, da Uniban (Universidade Bandeirantes), foi expulsa do campus por cerca de 700 alunos em fúria.
Motivo: usava um vestido demasiado curto. Geyse estava vestida assim, como nesta foto.
A confusão e o clima ameaçador que se gerou – alguns alunos cercaram-na, chamando-lhe «vagabunda» e «puta» – levou à intervenção da Polícia Militar. Só protegida pelos polícias – forçados a usar spray de gás pimenta contra os estudantes mais excitados – a aluna conseguiu abandonar as instalações da Universidade.
A cena passou-se a 22 de Outubro de 2009, século XXI, mas a exibição do vídeo dos acontecimentos no YouTube transformou o episódio num evento à escala global.
Devido à repercussão do caso, Geyse foi ao programa Geraldo Brasil, da TV Record, para se mostrar com o vestido rosa curto que despertou o furor inquisidor dos estudantes e contar a sua versão dos acontecimentos. O apresentador comparou o seu caso a Maria Madalena, a prostituta apedrejada do Novo Testamento.
Na entrevista, a jovem culpou também os professores e funcionários, acusando-os de participar no tumulto. «Os seguranças da faculdade, ao princípio, estavam a rir. Como é que um aluno vai ter uma atitude decente se os próprios professores e funcionários apoiam as hostilidades?»
Os seguranças da Uniban contam que um grupo de estudantes «do sexo masculino» começou a provocar a jovem assim que ela entrou no prédio. A aluna, ainda segundo os seguranças, teria respondido às provocações levantando parte do vestido, dando início à discussão.
O portal de informação online «O Último Segundo» esteve no campus da Uniban para ouvir a opinião dos estudantes que testemunharam – e participaram – das agressões verbais contra a aluna. O consenso entre os jovens ouvidos pela reportagem é o de que Geyse «conseguiu o que queria».
Um estudante de Educação Física afirmou que, de início, Geyse estava a gostar da atenção: «Quando gritavam ‘gostosa’, ela ria e desfilava», diz. «Depois começaram a ‘xingar’. Um grupinho começou e logo em seguida estava todo mundo gritando. Quem estava ali gritou. Não teve um que não gritou».
A agitação foi tanta que os colegas da turma de Geyse colaram papéis nas janelas da sala para que o professor pudesse prosseguir a aula, pois, lá fora, encostados ao vidro, alunos com telemóveis na mão aglomeravam-se para filmar a rapariga.
No intervalo, uma funcionária da escola ofereceu-lhe umas calças de ganga, mas a aluna recusou. «Acho que um vestido numa mulher é extremamente feminino. A minha roupa só a mim me diz respeito, respeito todo o mundo e quero ser respeitada», afirmou no programa de televisão.
Uma das alunas entrevistadas para a reportagem de «O Último Segundo» interpreta a escolha das roupas de forma diferente: «Se ela está vindo vestida desse jeito, alguma coisa ela quer». E outra: «Se eu vou vestida de palhaça, tenho consequências. Ela conseguiu o que queria: chamar a atenção».
Os argumentos destes estudantes brasileiros lembram as tristemente célebres declarações de um clérigo muçulmano, Sheikh al-Hilali.
Em Outubro de 2006, o clérigo acusou as mulheres australianas de serem as culpadas pelas violações de que são vítimas por «usaram vestidos curtos e caminharem nas ruas sem modéstia». O clérigo comparou-as a «carne destapada», deixada na rua. «Se os gatos vierem e comerem a carne, de quem é a culpa? Dos gatos ou da carne?»
Mas também temos destes problemas neste nosso mundo civilizado, não é? Quantas vezes uma mulher, vítima de violação, foi sub-repticiamente responsabilizada de ter «provocado» o violador? Existe até um caso clássico no meio jurídico português, conhecido como o Acórdão da Coutada do Macho Ibérico.
Nem todos os alunos pensam com esta mentalidade. Rafael Bruno, 22 anos, do curso de administração da Uniban, diz que os tumultos lhe fizeram lembrar «uma igreja evangélica cheia de fanáticos. A hipocrisia era igual». Thaiza Andreone, do mesmo curso e da mesma idade, diz que Geyse não é a única a usar «roupas ousadas» na faculdade. «Sempre tem umas meninas de top. Eu uso mini-saia e vestido curto, então isso tudo é uma tremenda hipocrisia».
«Posso ter errado por ter ido com o vestido», afirmou Geyse na entrevista à TV Record. «Mas o acto de vandalismo que fizeram comigo não se faz com ninguém».

Este conceito de bicicleta-fantasma – na verdade, baptizado como Forkless–Cruiser – foi apresentado como um projecto de graduação pelo estudante Olli Erkkila, do Instituto de Design de Lahti, na Finlândia. Eu adoro biclas e só tenho pena de não ter tempo (e preparação física) para dar uma volta a Portugal a pedalar.