Arquivos mensais: Outubro 2009

→ 25/10/2009 @17:39

Mais um 11 de Setembro no Iraque

Duplo atentado no Iraque

Foto: Hadi Mizban

No Iraque, o 11 de Setembro parece acontecer quase todos os dias. É um país dividido entre a pobreza e o choro.

O duplo atentado de hoje no centro de Bagdade matou – e são números provisórios – 132 pessoas e deixou feridas 520. O número de feridos é tão grande que até carros particulares foram requisitados para os transportar aos hospitais.

É o mais sangrento atentado desde Agosto de 2007, mas a história dos últimos anos no Iraque está repleta de perdas: entre 2004 e 2008, a violência no país provocou um total de 85 mil mortos e 150 mil feridos, segundo dados avançados pelas próprias autoridades iraquianas.

Duplo atentado no Iraque

Foto: Karim Kadim

Duplo atentado no Iraque

Duplo atentado no Iraque

Fotos: Ahmad Al-Rubaye

Os veículos utilizados não foram automóveis, como se pensava inicialmente, mas dois autocarros armadilhados conduzidos por bombistas suicidas e que explodiram com menos de um minuto de diferença em locais distintos: o primeiro rebentou no parque de estacionamento junto do edifício do Governo, o segundo nas proximidades do Ministério da Justiça, no bairro de Al Salehiya.

Os atentados ocorreram perto da Zona Verde – assim chamada por se encontrar protegida por fortes medidas de segurança, pois aí estão situadas as embaixadas dos Estados Unidos e do Reino Unido, além de edifícios governamentais iraquianos.

→ 25/10/2009 @14:27

Onde está o Wally?

Mais uma foto do grande líder

O querido líder da Coreia do Norte, Kim Jong Il, posa com o pessoal que trabalha no complexo Youth Electric, na cidade de Huichon. Actualização: há mais fotos desta visita, pelo que a ideia avançada pelo Sérgio segundo a qual esta foto foi digitalmente manipulada para incluir Kim Jong Il talvez não esteja correcta. Ver: 1, 2, 3.

→ 25/10/2009 @1:27

História ilustrada de um mundo sem Internet

Um mundo sem InternetUm mundo sem Internet

Via mb|Weblog, do Miguel Bettencourt

→ 25/10/2009 @0:35

Pacheco Pereira desancou o Twitter

Só agora li, com mais de uma semana de atraso, o artigo de Pacheco Pereira sobre o Twitter (e outras redes sociais, como o Facebook). Pacheco escreveu-o para o Público e agora adaptou-o ao blogue.

Como não comprei o Público nesse dia, foi graças ao Twitter que tomei conhecimento que Pacheco Pereira escrevera um artigo a desancar o Twitter. É surpreendente a utilidade desta pequena ferramenta, capaz de divulgar até informações que podem ferir a susceptibilidade dos seus utilizadores.

Pacheco Pereira parece ver o Twitter como se este fosse mais do que uma simples ferramenta. E parece-me que não estou a dizer nenhum disparate se recorrer ao velho chavão segundo o qual uma ferramenta é aquilo que quisermos fazer dela, nada mais do que isto. Uma faca pode ser usada para cortar um pescoço, mas responsabilizar a pobre faca pelo uso que as mãos lhe dão é pouco sensato, para não dizer estúpido. Por isso existem processos de filtragem no Twitter, para que possamos seguir apenas quem o utiliza de uma forma que gostamos e rejeitar quem consideramos que produz apenas ruído.

Pacheco Pereira  não é insensato nem estúpido: levanta algumas questões pertinentes quando compara a utilização do Twitter a uma doença que designa, com graça, Transtorno do Déficit de Atenção Cívica com Hiperactividade Social.

«E o efeito social da doença é devastador», prossegue, apocalíptico,

«ataca o “povo” que é suposto ser sábio, mas que a doença torna cada vez menos sábio, e ataca as elites que já nem sabem o que é ser elite, se é que alguma vez o foram

Há quem considere o Twitter inútil, o que é compreensível, e há quem o considere útil, o que é igualmente compreensível.

Como vivemos numa cultura tecnológica que sobrevaloriza a rapidez com que a informação nos chega, somos incentivados a ter uma opinião igualmente instantânea dos acontecimentos. O Twitter é muito bom nisso, embora me pareça que existem pessoas que não têm em conta que a torrente de informação que lhes chega no Twitter nem sempre traz conhecimento.

O problema ultrapassa o Twitter e as redes sociais, embora Pacheco Pereira nos queira convencer que não, é só por causa das redes sociais. É uma questão mais profunda, parece-me, pois estamos condicionados a pensar que informação é conhecimento e que «filtrar» é o mesmo que «processar».

Estamos condicionados a pensar que a forma como escolhemos uma informação e rejeitamos outra significa que formámos uma opinião quando, na maior parte das vezes, essa escolha só revela o nosso preconceito. No caso de Pacheco Pereira, uma estratégia para mandar umas atordoadas a determinadas pessoas de elite que gostam de twittar – uma espécie de aquilo é 99 por cento lixo, mas revisto e actualizado.

Como sempre, conseguiu-o, irritando alguns e despoletando uma série de reacções exacerbadas – quanto mais violentas, deselegantes e superficiais melhor, pois se há coisa que Pacheco deve apreciar é que os seus detractores, do povo ou da elite, lhe dêem razão.

O Twitter atingiu uma tal importância enquanto ferramenta de comunicação que até pode estar ao serviço de quem o despreza.

→ 24/10/2009 @13:17

Helvetica

Helvetica

→ 24/10/2009 @2:22

A «bebedeira» de Medvedev

Uma fotografia pode mostrar uma grande verdade…

mas também pode contar uma grande mentira.

Quando se trata de um trabalho jornalístico sobre um evento de repercussão mundial como uma cimeira dos G8, essa mentira assume uma dimensão catastrófica para a imagem de um político.

A falsa bebedeira do presidente russo

Já todos conhecem esta foto do fotógrafo alemão Peter Grimm captada a 8 de Julho deste ano, em L’Aquila, na Itália: mostra-nos o momento em que o presidente russo, Dmitri Medvedev – acompanhado pelo homólogo francês Nicolas Sarkozy e o anfitrião Silvio Berlusconi – se prepara para se juntar aos outros líderes para as tradicionais fotos de família.

O que a fotografia nos mostra é um Medvedev numa pose cómica, como se estivesse com os copos e precisasse de ser amparado pelos outros dois para manter um equilíbrio digno. Para tornar a mentira ainda mais perfeita, Berlusconi foi apanhado a segurar no russo com ar apreensivo, como se tentasse proteger Medvedev de dar barraca à frente de toda a gente.

Só o facto de Berlusconi parecer o mais ajuizado dos três deveria ser suficiente para as pessoas desconfiarem da história que a foto conta, mas a verdade é que por todo o lado se fala da bebedeira de Medveded – um gozo que já dura há meses. Ainda ontem vi esta foto sendo, mais uma vez, partilhada no Twitter.

A falsa bebedeira do presidente russo

Nada como vermos outra foto da mesma sequência de acontecimentos

(mas noutro ângulo e em momento diferente)

para perceber o que preocupava Berlusconi: cumprir o horário estabelecido pelo rígido protocolo. Sendo ele o anfitrião da cimeira, é natural que estivesse preocupado em que tudo corresse sobre rodas e sem atrasos. Medveded faz o gesto de quem vai consultar o relógio, o que ajuda a perceber o que realmente se estava a passar.

Melhor ainda do que esta foto de Mikhail Klimentyev, fotógrafo russo, é ver esta sequência em vídeo: é preciso realmente muita imaginação para se vislumbrar em Medveded o comportamento típico de quem está com os copos, como sugere a primeira foto.

O problema é a tentação de usar estas fotos para atingir politicamente o presidente russo – e há quem esteja convencido de que é esse o caso, como escreve o blogger Dmitriy Shusharin. O próprio fotógrafo Mikhail Klimentyev, citado no mesmo blogue, questionava-se «Que vem a ser isto? É uma simples piada ou o início de uma campanha de descrédito do presidente russo?»

Yoga russo

Há outra boa razão para esta foto pegar tão bem: Medveded é russo.

Russo, vodka. Bebedeira. Boris Yeltsin. Estão a ver esta imagem aqui em cima?

Não consigo descobrir nenhum elemento que permita identificar estes dois senhores como russos, mas experimentem pesquisá-la e verificarão que não há um sítio que os identifique como sendo de outra nacionalidade. Uma das legendas que encontrei dizia: eis um exemplo de yoga russo.

Que os russos bebem bastante vodka é um facto incontestável que parece preocupar cada vez mais as autoridades do país – adivinhem lá quem é o político que já se mostrou determinado em resolver o problema? Bingo, é Medveded.

A 17 de Setembro deste ano, o presidente russo considerou o alcoolismo «um desastre nacional: o consumo de álcool no país é colossal. Fiquei surpreendido ao constatar que bebemos mais agora do que bebíamos nos anos 90, que foram tempos muito mais duros».

 

Clássicas mentiras

Nixon e Kruschov

A fotografia é uma arma tão poderosa que é complicado desfazer o equívoco – às vezes nem sequer convém, por óbvios motivos propagandísticos, como sucedeu na visita de Richard Nixon à União Soviética de Nikita Kruschov, em 1959.

Reparem nesta foto do grande Elliott Erwitt: Nixon espeta um dedo autoritário na lapela de Kruschov, apanhado de olhos fechados, uma expressão falsamente submissa.

O que de facto sucedeu foi uma conversa registada para a posteridade como kitchen debate: os dois líderes tentavam demonstrar um ao outro, em cavaqueira desafiadora e sem vencedor declarado, qual das duas nações era a mais rica. No dia seguinte, na imprensa americana, a mentira prevaleceu. E Nixon foi aclamado como um guerreiro.

→ 23/10/2009 @13:52

O abismo

Tentativa de suicídio

A intenção deste homem era lançar-se do 38º andar deste edifício em Xiamen, uma cidade no sudeste da China. A polícia chegou a tempo e conseguiu impedir que o homem cometesse suicídio. Ainda não se sabe por que razão se quis matar. [Foto: Associated Press, não assinada]