Arquivos mensais: Outubro 2009

→ 03/10/2009 @12:50

Nuestros hermanos

Não há problema

Tão perto de nós e com uma mentalidade tão diferente, não é? Na hipótese (meramente académica) de Lisboa se candidatar à organização de uns jogos olímpicos e perder, podem imaginar como seriam as capas dos jornais portugueses?

Não digo que passaríamos semanas a lamentar o sucedido (os jogos olímpicos não têm um décimo da importância do futebol), mas não faltariam rios de prosa amaldiçoando a injustiça da decisão do Comité Olímpico, pois afinal nós somos pequeninos e os pequeninos lixam-se sempre.

Madrid perde pela terceira vez a possibilidade de organizar as olimpíadas e como reage? Choraminga? Fica cheia de peninha de si própria? Não, os espanhóis têm outra fibra. Depois do desgosto, seguem em frente. Por isso… Não há problema, agora é lutar por 2020, sintetiza o jornal A Marca. Acabaram de perder e já se preparam para ganhar o próximo. É admirável.

→ 02/10/2009 @23:40

Uma boa forma de experimentar Linux

Provavelmente há processos ainda mais fáceis e menos intrusivos de experimentar Linux sem alterar nada no Windows, mas esta aplicação open-source facilita muito a vida a quem não está à vontade nos computadores para entrar em aventuras dual-boot Windows/Linux.

O que o LiLi (Linux Live USB Creator) faz, é automatizar todo o processo de instalar um Linux completamente funcional, pronto a arrancar a partir de uma pen USB. Como este programa também é capaz de utilizar o VirtualBox (software de virtualização) é possível correr o Linux no próprio Windows. Suporta distribuições conhecidas (Ubuntu, Fedora, CrunchBang, Mint, Kuki) e fica feito tudo feito em cinco passos. Claro que podem ter a distribuição que escolheram já descarregada no computador (imagem ISO) ou gravada em CD antes de começar a usar o LiLi, mas o programa também trata do download por vocês.

Se algum dos meus caros não-geeks do Bitaites deseja experimentar Linux mas está com receio de dar cabo do Windows, este programinha é capaz de ser uma boa solução. Link

→ 02/10/2009 @14:57

Cumplicidades e desilusões

Barack e Michelle Obama

Esta notável foto de Charles Dharapak foi tirada em Copenhaga, cidade onde se deslocaram Barack Obama e a mulher, Michelle, para a última “batalha” de Chicago com as candidaturas do Rio de Janeiro, Madrid e Tóquio pela organização dos Jogos Olímpicos de 2016.

A partir das cinco e meia da tarde de hoje, será anunciada a decisão do Comité Olímpico. Portugal apoiou a candidatura brasileira.

Actualização [1]: Chicago e Tóquio já foram excluídas, restam Rio de Janeiro e Madrid. Em baixo: reacções em Chicago (Foto: Tannen Maury), Tóquio (Foto: Itsuo Inouye) e, por fim, actualização [2], a decepção madrilena (Foto: Victor R. Caivano).

Venceu o Rio de Janeiro.

Desilução em Chicago

Desilução em Tóquio

Decepção em Madrid

→ 02/10/2009 @13:42

Os astronautas no mundo da Disneylândia

O Homem não foi à Lua, é tudo treta

De todas as teorias da conspiração que conheço, nenhuma me irrita mais do que a insana não-fomos-à-lua: as missões Apollo foram apenas propaganda política e a alunagem dos astronautas uma patranha para disfarçar o fiasco que teria sido perder a corrida espacial para os russos.

É típico dos conspiradores, partir de conjecturas correctas (o aproveitamento político do espírito nobre e científico da missão, a utilização de recursos de uma nação para vencer uma corrida espacial com a nação rival) para demonstrar a razoabilidade de qualquer delírio.

De um lado, temos milhares de documentos e artefactos e testemunhos que poderiam ser usados em tribunal como prova de que o Homem esteve, de facto, na Lua; do outro, centenas de suspeitas, especulações e conclusões produzidas por quem nunca esteve envolvido nas missões Apollo, baseadas em premissas que nenhum cientista do mundo confirma como verdadeiras.

Mais: o defensor das teorias da conspiração sobre a falsa viagem à Lua insiste que o ónus da prova deve ser colocado sobre os ombros dos cientistas e de quem trabalhou durante anos para colocar lá os astronautas e fazê-los regressar sãos e salvos.

É notável a capacidade manipuladora destas carpideiras do conhecimento: deveriam ser os próprios conspiradores a provar a veracidade das suas suspeitas; em vez disso, têm a lata de exigir que sejam os alvos da suspeita a provar a sua inocência perante acusações tão mesquinhas.

É-lhes indiferente que dezenas de páginas na Internet tenham sido feitas desmontando cada um dos argumentos dos conspiradores; a partir do momento em que a conspiração se transforma numa causa, em questão de fé, o defensor dessas teorias rejeita tais tentativas de esclarecimento da verdade como mais uma prova de encobrimento e procura apenas a informação que corrobore as suspeitas iniciais. É um beco sem saída do pensamento – e não há nada que se possa fazer por esta malta a não ser esperar que bata com a cabeça na parede o número suficientemente de vezes até recuperar o juízo.

Não admira que sejam raros os cientistas a dar-se ao trabalho de rebater essas teorias – não têm paciência para os aturar e não posso levá-los a mal por isso.

Nada disto os faz desistir, pois há sempre uma solução conveniente para perpetuar as suspeitas: se os cientistas se recusam a provar que o lunático não tem razão, então é porque são cúmplices da tramóia, fazem parte do esquema, do encobrimento. Por isso me é difícil, muito difícil mesmo, arranjar energia para escrever o artigo que tencionei fazer: estaria a desperdiçar o meu tempo com gente que nunca aceitará ler outra coisa que não a sua verdade. Talvez o faça, num dia em que estiver excepcionalmente bem-disposto – mas não agora.

Outra razão que me leva a ser intolerante e a chamar “lunáticos” aos que acreditam que o Homem nunca foi à Lua tem a ver com a visão rarefeita que partilham da Ciência. Para estes tipos, um físico é alguém incapaz de ver a beleza num pôr-do-Sol, pois só vê equações.

É-lhes muito fácil de acreditar que milhares de pessoas pactuaram neste sinistro cover-up, esta espécie de omertà aplicada à NASA, porque têm dificuldade em reconhecer dimensão humana ao cientista. O mundo desta gente é um mundo perpetuamente sombrio, esguio, cínico, onde não há lugar para o sonho, a inocência, o deslumbramento, a realização, o prazer da descoberta e do conhecimento.

A visão pérfida destes lunáticos não recua perante nada do que aconteceu, sublime ou trágico: três astronautas morreram queimados no interior de uma cápsula mas, para estes doidos, foram mortos porque se preparavam para contar a verdade; os que conseguiram suportar o longo período de testes e de treinos têm recordado, em conferências, entrevistas e palestras, o deslumbramento, o medo, o êxtase, a alegria, a maravilhosa desolação da paisagem lunar, a visão de um planeta azul sem fronteiras, tão belo e frágil visto do Espaço que lhes mudou a vida para sempre – nada disto conta: estão todos a mentir, ponto final.

→ 01/10/2009 @1:28

Um daqueles posts com 10 regras de como blogar

Regra número um
Se queres ter uma vida descansada enquanto te dedicas ao blogue, não fales de política.

Regra número dois
Se queres ter uma vida descansada enquanto te dedicas ao blogue, não fales de futebol.

Regra número três
Se estás disposto a seguir as regras números um e número dois (mesmo que gostes de escrever sobre política e futebol), então não tens estaleca para aguentar um blogue. Há uma solução experimentada por muitos bloggers e com bons resultados: suspendes o blogue e dedicas-te às plantas – terás, assim, uma vida mais sossegada.

Regra número quatro
Esta regra existe para que saibas como é importante perceber a regra número três. Ora bem, para que a adaptação à nova actividade seja mais fácil, começas por imaginar o vaso e a terra como um blogue; a água que lhe deitas periodicamente como as tuas actualizações; as plantas como os teus visitantes.
Se lhes proporcionares um meio ambiente favorável e as alimentares com regularidade, as plantas, tal como o número de visitantes, acabarão por crescer. Nota que neste caso também podes falar sobre futebol ou política enquanto regas as plantas – dizem os especialistas que falar com elas lhes faz bem porque as plantas são sensíveis à presença humana e capazes, até, de “escutar” as nossas palavras. Do que não são realmente capazes é de te responder, o que é uma grande vantagem em relação aos blogues e aos chatos que não concordam contigo e fazem questão de to dizer.

Regra número cinco
Muitos bloggers que começaram a cuidar de plantas para fugir ao desassossego de manter um blogue, acabaram por regressar com o objectivo de repetir na blogosfera o mesmo tipo de experiência conseguida com as plantas. Se é o teu caso, reabre o blogue que suspendeste e desactiva os comentários. Eles escutam, mas não te melgam.

Regra número seis
Ignora as cinco regras anteriores: estava na palheta a curtir contigo. O importante é evitares falar de política como se estivesses a falar de futebol e evitares falar de futebol como se estivesses a falar de política. Não é fácil, mas é simples. Lê os blogues de política para saberes como não se faz.

Uma questão de regras

Regra número sete
Não te preocupes se a foto não tiver nada a ver com o post. A malta é tolerante, sabe desculpar essas falhas.

Regra número oito
Se tens mesmo de escrever um post com um conjunto de regras numeradas, não escrevas os números por extenso. Ao princípio é giro, mas depois começas a tornar-te irritante como o caralho.

Regra número nove
Por favor, não abuses das caralhadas. E se tens mesmo de escrever caralhadas, usa palavras caras como fazem os bloggers de referência.

Regra número dez
É feio acabar um post destes no número nove. Dá um ar pouco problogger e qualquer problogger te dirá que não escrever nada de jeito em nove itens é absolutamente intolerável. Dez, ouviste? Dez!