31/Julho/2009

Uma Foto e uma Música [para Bobby Robson]

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Homenagem ao grande Bobby Robson

Foto: Sergio Recabarren/GettyImages (Yellow soccer goal and ball)
Música: Maurice Ravel (Pavane Pour Une Infante Defunte – Lent)

Publicado por Marco Santos | Categoria: Foto/Música | 14 comentários »
30/Julho/2009

Notas soltas (ainda de férias)

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As férias estão quase a acabar. Em Agosto regresso à cinzenta monotonia de Lisboa e só voltarei a tirar mais uns dias na última semana desse mês. Esperam-me dias de grande trabalho.

Com o blogue tenho uma ligação umbilical. Sendo uma parte importante do que sou e do que penso, dou por mim com a sensação de que me tem faltado qualquer coisa nestas férias – e o que me falta é a escrita. Sem a escrita sinto-me incompleto.

Quero agradecer publicamente ao Paulo Querido pela gentileza do convite que me enviou para ser um dos bloggers inscritos para o encontro com José Sócrates. A iniciativa foi gira, meritória e espero que se repita mais vezes, mas entre fazer uma pergunta ao primeiro-ministro e brincar às cavalitas com os meus filhos na piscina a escolha era óbvia: gargalhadas são melhores do que sorrisos de circunstância; cócegas são preferíveis a cumprimentar mãos tão ilustres.

Estive hoje na Worten, em Alcabideche, para cumprir uma promessa aos meus pivetes. Enquanto os miúdos escolhiam as suas prendas, fiquei a vasculhar uma caixa onde a loja resolveu lançar toda a tralha que não conseguiu vender. Entre filmes do Van Damme, comédias do Eddie Murphy e CDs da Ana Malhoa, descobri uma preciosidade: um DVD do filme Barreira Invisível, de Terrence Malick, um dos mais belos e poéticos que já vi sobre a guerra e a condição humana de quem é forçado a combatê-la, fiquei de lágrimas nos olhos a primeira vez que o vi, uma obra-prima do cinema americano vendida ao preço da uva mijona: pouco mais de seis euros, vejam lá.

O meu escasso tempo no computador tem sido passado a ler outros blogues. Um post d’A Terceira Via provocou esta réplica e deu inadvertidamente origem a um dos piores casos de cyber-bullying, ameaças e insultos que já acompanhei directamente. Sigam os links, se estiverem na disposição de passar algumas horas a vasculhar lixo.

Vivemos num mundo em que a comunicação entre diferentes pessoas é facilitada pela tecnologia, mas isso não significa que tenha existido um aumento na qualidade da comunicação – as relações estabelecidas na Web são, em grande parte, superficiais, efémeras, moldadas pelas circunstâncias e facilmente descartáveis. No que respeita aos homofóbicos, racistas e xenófobos da blogosfera, parto do princípio de que a minha indignação é um bem demasiado precioso para ser desperdiçado em mentecaptos. Em primeiro lugar, porque esses jamais entenderão a mensagem; em segundo, porque podemos ser igualmente assertivos sem os envolver directamente. Não é medo, é simplesmente uma questão de sensatez. Tenho mais que fazer do que andar preocupado em limpar caganitas de troll.

O ambiente mais descontraído das férias faz-me mal, de certo modo. Convenci-me que a poluição em Lisboa já não existe e que não terei de respirar o monóxido de carbono dos malditos tubos de escape dos carros daqui a escassos dias – uma ilusão perigosa, como podem imaginar.

Preguiça gera ainda mais preguiça – estou há dias a recolher material sobre as teorias da conspiração em relação à missão Apollo e às viagens à Lua. O objectivo é escrever um texto o mais jornalístico possível, explicando todos os pontos de vista sem turvar o material com as minhas opiniões. Mal começo a escrever, contudo, a minha vontade é mandar todos esses lunáticos à merda e escrever um post a gozar o prato – sinal evidente de que as férias dentro de mim estão longe de acabar e que ainda não estou mentalmente preparado para escrever nada mais elaborado do que breves notas dispersas.

É verdade, ontem mostrei Frank Zappa à minha filha. Ao vivo, em 1974, conheceu um Zappa em grande forma acompanhado por um espantoso grupo de músicos de jazz/rock. Ela não ficou traumatizada com a experiência.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Pessoal | 20 comentários »
24/Julho/2009

O longo eclipse solar

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À espera do eclipse

A 22 de Julho, a Lua passou diante do Sol. Quase metade do planeta escureceu – da Índia à China – e milhões de pessoas juntaram-se para observar o mais longo eclipse solar deste século. Um dos melhores sítios de fotojornalismo do mundo – The Big Picture – faz todos os dias uma selecção das melhores fotos que chegam das agências noticiosas (Reuters, sobretudo) e reúne as imagens em temas específicos da actualidade. As fotos tiradas a propósito do eclipse solar são imperdíveis. Link

Publicado por Marco Santos | Categoria: Links | 8 comentários »
23/Julho/2009

YouTube DJ

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E se alguém passar horas a recolher vídeos musicais amadores enviados por dezenas de utilizadores do YouTube, misturar som e imagem, e criar um novo vídeo musical coerente, um magnífico trabalho de DJ aplicado apenas ao YouTube? Um mashup difícil, não é? Foi o que fez o israelita Kutiman – uma homenagem ao estilo funk, com um resultado fantástico.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Vídeos | 9 comentários »
23/Julho/2009

Fotos de casamentos

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Christine Rucker

Quem disse que fotógrafos de casamentos não conseguem captar grandes imagens? Nos Estados Unidos muitos especialistas são membros da Wedding Photojournalist Association. Todos os anos esta associação promove um concurso para eleger as melhores fotos e mostrar ao mundo os grandes talentos nesta área.

Estas três fotos são da autoria de Christine Rucker (foto em cima), Britta Trygstad (esquerda) e Anna Kuperberg (direita). Mas no sítio da associação há muitas imagens de grande qualidade para ver.

Britta TrygstadAnna Kuperberg

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22/Julho/2009

Sorrisos [25]

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Peter Muhly

Foto: Peter Muhly

Publicado por Marco Santos | Categoria: Instantes | 2 comentários »
22/Julho/2009

1967 (desculpem, 1969)

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Eu nasci em 1967 – o ano em que o Homem foi à Lua? Tinha seis meses quando Neil Armstrong deu o grande passo para a Humanidade?

O facto de o Homem ter ido à Lua em 1969 e ter começado ontem este post com um 1967 explica muita coisa acerca de mim. Sou a típica pessoa que anda sempre no mundo da Lua, mais concentrado na estratosfera do que nos sítios por onde caminho, mais focado em emoções do que em datas.

Até quando estou atento me distraio. Querem um exemplo? A primeira vez que levei a minha filha a andar numa passadeira rolante estava tão preocupado que ela pudesse cair que não parava de olhar para trás. Acabei eu por me espalhar ao comprido quando a passadeira chegou ao fim e o chão deixou de me acompanhar – não estava mesmo à espera dessa. Devo ter parecido o inspector Clouseau dos filmes da Pantera Cor-de-rosa. Resultado: uma pancada no joelho esquerdo que ainda hoje me dói quando abuso das pedaladas ou o clima muda de repente.

Também há quem diga que nasci com o cu virado para a Lua, por ser um tipo de sorte. Exemplos? A primeira vez que perdi a minha carteira encontrou-a um polícia que estava de folga e me telefonou imediatamente. Mais: esse polícia morava na minha zona, pelo que só tive de descer as escadas, andar um bocado, pagar um cafezinho ao homem e agradecer-lhe.

À segunda vez, a carteira foi encontrada por um guarda-nocturno em patrulha no meu bairro que teve a gentileza de me vir bater à porta e entregar-ma.

À terceira, descobriu-a um honesto lisboeta que me contactou para a devolver quando eu ainda nem sequer me apercebera de que a tinha perdido.

Também sou de Luas, dado a manias um bocado inexplicáveis (vocês acompanham este blogue, já não é novidade nenhuma). Por exemplo, tenho medo de andar de avião. E não há nada a fazer: é medo, medo e mais medo, e não há argumento libertário que me faça sair da embaciada redoma de pavor irracional em que me deixei prender desde que os aviões se espetaram nas torres gémeas em Nova Iorque.

Tenho essa pancada, mas se me dessem a oportunidade de fazer uma viagem num Vaivém e observar a Terra, a Lua, o esplendor das estrelas sem o filtro poluidor da nossa atmosfera… Nem hesitaria, partiria da Terra deslumbrado com o Espaço como se fosse um personagem de um livro do Clifford D. Simak. Aliás, ficção científica não é literatura – é a Ciência quando se deita numa cama voadora, se tapa com um cobertor de estrelas, adormece e finalmente sonha. Às vezes tem pesadelos, também.

O fascínio pelas coisas do Universo é tal que mal comecei a ler e já devorava o Atlas que havia lá em casa. Um livro verde, bem encadernado e ilustrado, das Selecções Reader’s Digest. Sabia de cor as distâncias médias entre os planetas e mais uma série de dados astronómicos que não compreendia – ainda hoje não os consigo entender, embora continuem a enfeitiçar-me. De vez em quando a minha mãe fazia-me debitar esses números todos só para impressionar as vizinhas. Bem, acabava por aborrecê-las porque elas interessavam-se mais por estrelas de cinema e televisão do que pelas que brilham no céu.

Bem, são três e meia da manhã. Estou de férias e com pouco tempo para o blogue. Queria escrever um post sobre as comemorações da missão Apollo, mais outro a desancar os idiotas que acreditam que a viagem à Lua foi uma farsa da NASA (de todas as teorias da conspiração que abundam na Web, esta é a que mais me irrita) e já não vou ser capaz de os terminar hoje. Deixei-me levar, dispersei-me. Agora preciso de dormir. Fiquem bem, até à próxima.

Publicado por Marco Santos | Categoria: No mundo da Lua | 17 comentários »
19/Julho/2009

Janelas para o mundo [21]

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Campo de refugiados no Paquistão

A mãe | Esta é uma daquelas fotografias pouco espectaculares, mas tendo em conta que foi captada no campo de refugiados de Swabi, perto de Islamabad, no Paquistão, talvez valha a pena reparar na pequena história que nos conta.

Nada sabemos sobre esta mulher e os três filhos. São apenas uma família entre os dois milhões de residentes do distrito de Swat que as Nações Unidas calculam terem sido forçados a abandonar as suas casas devido à ofensiva do exército sobre os talibãs.

Se tivesse de escolher uma foto que simbolizasse o que é ser mãe ou a força discreta de uma mulher escolheria esta: não obstante os terrores por que passou – guerra, mortos, fuga para sítio incerto – esta mãe paquistanesa esforça-se por dar às crianças uma reconfortante sensação de normalidade: tal como acontecia em casa, toca a lavar a cabeça. O pormenor pode parecer trivial mas tem um significado comovedor: graças à sua espantosa força, o mundo não desabou por completo sobre estas crianças. [Foto: Vincent Thian]


Protestos no Irão

Verde é delas | Se as fotos que nos chegam do Irão são um reflexo do que se está a passar no país, então a revolta nas ruas está a ser liderada pelas mulheres. O discurso do antigo Presidente iraniano Hashemi Rafsanjani na Universidade de Teerão levou outra vez muitos opositores de Ahmadinejad a concentrar-se no exterior da Universidade gritando Liberdade.

Protestos no Irão

Rafsanjani, obrigatoriamente cauteloso, não falou na palavra que os manifestantes faziam sair das gargantas, mas defendeu a libertação dos que foram detidos nos protestos pós-eleitorais e falou de uma nação em crise. Depois deste discurso a polícia deu-lhe razão, pois lançou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão que gritava Liberdade. [Fotos não assinadas]

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Publicado por Marco Santos | Categoria: Instantes | 9 comentários »