29/Maio/2009

E a terceira capa da Playboy portuguesa é esta

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Ana Malhoa na Playboy portuguesa

Ao terceiro número, a bomba: a mamalhoa está na capa.

A Playboy portuguesa tem o seu próprio conceito do que é “sexy“, como se viu nos números anteriores, mas qualquer capa com a cantora Ana Malhoa é um sucesso garantido de vendas, mesmo que editorialmente não seja grande coisa.

A malta já conhece os atributos físicos da rapariga – seria bastante mais gira se não estivesse envolvida por tanta quinquilharia pimba, mas isso é o meu gosto, pois prefiro-as ao natural, sem artifícios de silicone ou maquilhagem em excesso. Mas o problema desta capa nem é esse: colocá-la em cima da cama com umas sandálias do tipo “salto-agulha” (é assim que se diz, informa-me uma colega de trabalho) provoca-me algumas reservas, arrepios mesmo.

Imaginem-se dentro da capa da Playboy: já lá estão? Eu sei que sim. Por esta altura já estarão totalmente embrenhados na tarefa de desatar os nós aos reposteiros que ela usa como cuecas, encorajados por aquele sorriso quente de olhos fechados, quase conseguem ouvi-la cantar “Devora-me com beijos“, a respiração acelera-se, as vossas mãozinhas tremem de expectativa ao desatar o último nó, depois aproximam-se um pouco mais e…

- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

Exactamente, seus papalvos de meias pé de gesso, só se preocuparam com as cuecas e agora os vossos arquejantes colhões acabaram de ser perfurados pelos saltos da menina.

Ó cabecinhas pensantes da Playboy, que raio têm contra a lânguida delicadeza de uns pés femininos – mesmo sendo os da Malhoa? Ou será que para vocês os únicos gajos que compram a Playboy são os que mandam uma queca sem tirar as meias brancas de algodão?

Publicado por Marco Santos | Categoria: Cromos | 21 comentários »
28/Maio/2009

O dia em que a Argentina derrotou a Inglaterra

A 22 de Junho de 1986, no Estádio Azteca, Inglaterra e Argentina encontraram-se nos quartos de final do Campeonato do Mundo de Futebol. O que ficou para a história desse jogo foi a famosa «mão de Deus» com que Maradona marcou o primeiro golo e, sobretudo, a fabulosa jogada individual do segundo golo – até hoje considerado, por muitos, o melhor golo do mundo.

O jogo ocorreu quatro anos e oito dias depois do fim da Guerra das Malvinas entre a Argentina e a Inglaterra, guerra vitoriosa para ingleses e humilhante para argentinos, o que despertou em toda a gente o receio de que tais disputas e ressentimentos fossem trazidos para o relvado e o jogo descambasse numa batalha campal.

O ambiente de expectativa pode ser melhor compreendido se pensarmos nas palavras do escritor norte-americano Paul Auster, que ao escrever sobre o amor dos europeus pelo soccer, definiu este desporto como o melhor substituto para a guerra.

(…) «Finalmente parece que os europeus descobriram a maneira de se odiarem uns aos outros, sem por isso terem que se despedaçar à dentada. Este milagre tem o nome de futebol. Não quero exagerar, mas que outra maneira há de interpretar os factos? Quando a França arrebatou uma vitória-surpresa no Campeonato do Mundo de 1998, mais de um milhão de pessoas juntaram-se nos Campos Elísios para celebrar o triunfo. A todos os títulos, foi a maior manifestação de alegria colectiva vista em Paris desde a Libertação do domínio alemão, em 1944.

A dimensão do evento, o absoluto excesso da alegria exibida eram de pasmar. Mas é apenas uma vitória desportiva, repetia-me eu; e, no entanto, aí estava aos olhos de toda a gente: na mesma avenida da mesma cidade, a mesma jubilação festiva, a mesma ostentação de orgulho nacional que tinha acolhido De Gaulle» (…). [Texto completo neste post.]

A alegria pela vitória sobre a Inglaterra percebe-se bem quando vemos o futebol nesta perspectiva guerreira, mas esta não é suficiente: o golo de Maradona, pela sua beleza, envolve-nos a todos como adeptos, independentemente da nacionalidade. Afasta-nos do olhar duro de Paul Auster e reconcilia-nos com a visão mais pura do jornalista e escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo: «Confiamos ao nosso time a tarefa de continuar nossa infância por nós. Passamos-lhe a guarda dos nossos prazeres com a bola. A relação com o nosso time é a única das nossas relações infantis que perdura, tão intensa e irracional quanto antes. Ou mais.

De onde vem isso? Que tipo de amor é esse? Um mistério. Dizem que no fundo é uma necessidade de guerra. De ter uma bandeira, ser uma nação e arrasar outras nações, nem que seja metaforicamente. Psicologia fácil. Não explica por que a pequena torcida do Atlético Cafundó, que nunca arrasará ninguém, continua torcendo pelo seu time. Talvez o que a gente ame no futebol seja o nosso amor pelo futebol.» (…)

O que vos proponho ver é vídeo do golo-maravilha de Maradona – não pelo golo em si, que todos os amantes de futebol estão fartos de ver, mas pelo espantoso relato do locutor, jornalista e escritor Víctor Hugo Morales, homem de dupla nacionalidade, argentino e uruguaio. O seu emocionante relato da jogada diz-nos que o futebol é o tipo de guerra que pode ser vencida pela poesia. Que pode começar com a visão de Paul Auster e acabar com as palavras de Veríssimo. Arrepiei-me até à raiz dos cabelos ao ouvir este relato. Link

Publicado por Marco Santos | Categoria: Vídeos | 8 comentários »
27/Maio/2009

As plásticas resolvem mais do que pensávamos

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Petra Kalivodova

Esta senhora chama-se Petra Kalivodova, tem 31 anos e trabalha como enfermeira na clínica Iscare, em Praga. A foto dela está aqui porque Kalivodova é uma das sete enfermeiras que aceitou renovar o contrato com a clínica em troca de uma cirurgia plástica de graça, à escolha.

A administração da clínica tomou a decisão de oferecer cirurgias plásticas a enfermeiras, médicos e secretárias que aceitem um contrato mínimo de três anos.
Esta foi a forma encontrada para resolver o problema da falta de pessoal qualificado que assola não só o sector privado como o sector público: estima-se que o sistema se saúde da República Checa necessita ainda de 6.000 enfermeiras para funcionar em condições.

Como a senhora da foto já tinha feito um implante mamário, resolveu ficar na clínica a troco de uma lipoaspiração.
«Tem sido um sucesso«, afirmou Jiri Schweitzer, director de operações da Iscare, revelando que a operação para aumentar os peitos é a mais procurada pelas enfermeiras. A clínica cobra quase 2.900 euros por uma cirurgia deste tipo – o triplo do ordenado médio de uma enfermeira. (Foto: Michal Cizek)

Publicado por Marco Santos | Categoria: Instantes | 14 comentários »
26/Maio/2009

Ainda a propósito da Manuela

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Quem diz que a pivô do Telejornal Nacional da TVI reagiu com inesperada calma ao ataque do Bastonário da Ordem dos Advogados nunca viu o filme “O Exorcista“.

No auge do ataque, como todos já viram, Manuela tenta um sorriso calmo de superioridade perante as circunstâncias e, ao mesmo tempo – nem sempre, mas por alguns momentos – mira Marinho Pinto com os olhos esbugalhados de raiva – acreditem, é assustador imaginar-me frente a frente com uma mulher destas às sete e meia da manhã antes de tomar o pequeno-almoço.

Um dia Manuela será capaz, tal como a menina possuída n’ “O Exorcista“, de rodar o pescoço 360 graus enquanto entrevista um pobre desgraçado qualquer que não deseja hostilizar José Sócrates, o Governo ou o partido do Governo. Até um tipo corajoso, aguerrido, vertical, honesto, defensor dos pobres e oprimidos como o Robin dos Bosques pensaria duas vezes antes de disparar as suas setas justiceiras.

Algumas pessoas a quem falei das plásticas da Manuela Moura Guedes como um filme de terror acusaram-me de estar a ser um “bocadinho cruel“. Talvez “O Exorcista” não seja o filme mais correcto – mas escolhi-o mesmo assim porque tanto o jornalismo da TVI como a história do filme precisam que o espectador acredite em demónios para se tornar credível.

Se esquecer o lado jornalístico, Manuela poderia encaixar melhor no filme “Brazil“, de Terry Gilliam, porque me lembra a personagem Ida Lowry e as suas patéticas submissões aos desejos de cientistas loucos disfarçados de cirurgiões plásticos.

Não se trata de crueldade, mas de pena – o que nestas circunstâncias ainda é pior. Qualquer mulher tem o direito de fazer o que quiser para se sentir melhor com o seu próprio corpo, mas no caso da Manuela o que vejo é uma grotesca caricatura da juventude. Por isso, apesar de ser a apresentadora de um telejornal detestável, não consigo detestá-la e sentir aquela espécie de satisfação pessoal que muitos mostraram quando viram alguém a “colocá-la no seu lugar“. Não consigo deixar de ter pena de alguém que apenas consegue ver a sua identidade na imagem que o espelho reflecte.

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24/Maio/2009

Então adeus, Quique

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Quique Flores

E pronto, fechou-se mais um ciclo e abriu-se outro. Por outras palavras: fechou-se a porta a um treinador enquanto se abria a porta dos fundos para deixar entrar o divino das tácticas.

Todas estas manobras foram feitas através da Comunicação Social – Quique começou a ser despedido pelos jornalistas desportivos, reduzidos ao papel de transmissores de recados e não de notícias.

Não estão em causa os erros de Quique enquanto treinador, mas a conduta do meu clube. Não gosto de vitórias morais, mas também não gosto de derrotas morais.

E agora? Só uma coisa deve preocupar benfiquistas (e jornalistas desportivos): saber quem será o sucessor de Jesus. [Foto: Jorge Carmona]

Publicado por Marco Santos | Categoria: Futeboladas | 23 comentários »
23/Maio/2009

Manuela Moura Guedes Vs. Marinho Pinto

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Sim, a arrogante e malcriada levou uma lição, compreendo o gozo, mas Marinho Pinto transformou Manuela Moura Guedes numa espécie de senador McCarthy com o objectivo de reforçar a sua própria imagem de corajoso combatente da ética deontológica.

Quando assistirem ao famoso vídeo do combatezinho entre Manuela e Marinho no Telejornal, tenham também em conta que o que estão a ver é o espectáculo proporcionado pelo falso confronto entre lixo televisivo jornalístico (Manuela) e a demagogia do exaltado (Marinho). Entre o que estes dois representam não pode haver confronto, mas cumplicidade. É como ver uma actuação de palhaços tristes que, apesar de tudo, arrancam aplausos e fazem rir. O grande beneficiado deste circo semanal será sempre a TVI do marido da Manuela. E Marinho.

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21/Maio/2009

Um Super-DVD que guarda até 2000 filmes

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James Chon e o seu Super-DVD

James Chon, investigador na Universidade de Tecnologia de Swinburne, desenvolveu, em casa, com a ajuda de outros investigadores, um Super-DVD contendo uma nova tecnologia capaz de gravar em cinco dimensões, tornando possível guardar, num único disco, mais de 2000 filmes. Os discos normais possuem três dimensões, mas a nanotecnologia permitiu aos investigadores adicionar mais duas – uma baseada no espectro de cor, outra na polarização.

O resultado? Um Super-DVD com uma capacidade de 1.6 terabytes (em condições laboratoriais) mas que optimizações posteriores poderão fazer chegar aos 10 terabytes. Chon já assinou um contrato com a Samsung, mas provavelmente teremos ainda de esperar uns cinco anos até ver um destes discos à venda. Mais informações aqui. (Foto: William West)

Publicado por Marco Santos | Categoria: Bits & Bytes | 10 comentários »
19/Maio/2009

Ida, o elo perdido

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Ida, o elo perdido

Os que defendem uma visão “bíblica” da evolução, contrária às teorias de Darwin, deverão ter alguma dificuldade em explicar a descoberta de Ida, um fóssil que cientistas acreditam ser “o elo perdido” entre humanos e restantes mamíferos.

Ida não é apenas o mais completo fóssil descoberto até hoje, é um primata antepassado do ser humano com 47 milhões de anos de idade. Devido à sua importância, Ida já foi definido como o equivalente fóssil da Pedra de Roseta. (A Pedra de Roseta é um bloco granítico negro que continha o mesmo texto em grego, em egípcio “corrente” e em hieróglifos egípcios, o que nos permitiu decifrar a escrita da antiga civilização egípcia).

Esta pequena criatura irá mostrar-nos a nossa relação com os restantes mamíferos: vacas e carneiros, elefantes e papa-formigas“, disse David Attenborough, narrador de um documentário da BBC sobre a descoberta. “Quanto mais olhamos para Ida, mais vemos um primata em embrião“. Até agora só tínhamos descoberto fragmentos, mas Ida tem 95 por cento do esqueleto intacto, pelos e mesmo a sua última refeição, vegetariana. “Ida conta-nos a parte da nossa evolução que ainda nos estava escondida“, afirmou o paleontólogo Jørn Hurum. Fonte: The Guardian

Publicado por Marco Santos | Categoria: Leituras | 18 comentários »