Arquivos anuais: 2008

→ 10/01/2008 @0:55

Olá, amiguinhos. Sou eu outra vez!

Pergunta: como fazer com que vocês ignorem completamente o conteúdo de um post? Resposta: abrir com uma foto da Luciana Abreu e do seu novo par de mamas. Pergunta: como ter muitos comentários num post inócuo? Resposta: abrir com uma foto da Luciana Abreu e do seu novo par de mamas. Pergunta: ‘Que vais pedir tu este ano ao Pai Natal, Teresinha?’ Resposta: ‘Vou pedir-lhe as mamas novas da Floribella, papá.’ Viva o silicone, abaixo o mármore!

→ 09/01/2008 @18:00

Querem instituir o Dia Nacional da Fruta


(Luciana Abreu já trocou as mamas por um par de tangerinas laranjas para comemorar.
Exclusivo: Fotos em topless toda descascada aqui)

Vinte mil novecentos e setenta e nove portugueses assinaram uma petição para entregar amanhã na Assembleia da República. Objectivo: instituir o Dia Nacional da Fruta. O processo de recolha de assinaturas decorreu em Junho do ano passado. A presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, Alexandra Bento, apertará as calorosas mãos do Chefe de Gabinete do Presidente da Assembleia da República, Eduardo Âmbar, antes de entregar o documento.

O Dia Nacional da Fruta é uma iniciativa de uma empresa portuguesa que se estabeleceu no mercado dos sumos de fruta, a Compal. O desejo da Compal é semelhante ao da generalidade das nossas mães: alertar-nos para a importância do consumo de fruta e ajudar-nos cumprir a recomendação da Organização Mundial de Saúde segundo a qual, tomem nota, se deve comer de três a cinco peças de fruta por dia. Menos que isto e levas tau tau. Mais informações em site próprio.

→ 09/01/2008 @9:33

Uma Foto e Uma Música [84]

Foto: Phillip Halsman (Dali Atomicus, 1948)
Música: Matt Darriau’s Paradox Trio (Un Chien Andalou)

→ 08/01/2008 @16:41

Geeks que escrevem em inglês

Uma das consequências mais bizarras de quem se auto-intitula geek e escreve um blogue em (mau) inglês é a confusão que causa na zona de comentários. Quem visita esses blogues e comenta – os visitantes são todos portugueses, claro – fica perante um dilema: deverá comentar no seu próprio idioma ou naquele em que o blogue está escrito? Creio que muitos acabam por concluir que é falta de educação escrever num idioma diferente do blogue, pelo que decidem escrever os comentários em inglês. Outros talvez estejam distraídos e pensem que a maior parte dos visitantes não compreende português. Chega-se então ao cúmulo do ridículo de ver portugueses discutindo o sexo tecnológico dos anjos num inglês de infantário.

A não ser que o blogue seja essencialmente muito técnico, não percebo por que razão se insiste em trocar o nosso bonito idioma pela quimera das audiências globais. Se o conteúdo é banal e pouco original em português, continuará banal e pouco original em inglês. E até no Planet Geek – agregador que em tempos muito remotos desejou distinguir-se de outros pelo apoio à língua portuguesa – é possível encontrar-se, e cada vez mais, testamentos em inglês que só o próprio autor tem pachorra para ler.

→ 06/01/2008 @0:22

Ser benfiquista é trocar o Cardozo pelo Jack Skellington

O Oscar Cardozo a jogar à bola com a camisola do Benfica é tão bizarro como o Jack Skellington querendo passar por Pai Natal no filme The Nightmare before Christmas. Aliás, Benfica e Pai Natal têm pelo menos três características em comum: a cor do equipamento, a capacidade de oferecer prendas aos outros e ser conduzido por renas.
A comparação entre o Oscar Cardozo e o Jack Skellington não é descabida: ainda hoje estou na dúvida sobre qual dos dois terá melhor domínio de bola. Mesmo que eu não queira ser picuinhas, basta ver o Cardozo correr atrás da bola para me lembrar das grandes passadas do Jack Skellington. E sempre que o Cardozo está na grande-área adversária à espera de receber uma bola de jeito, lembro-me outra vez do Skellington na sua solitária e incompreendida missão. No filme do Benfica, o cérebro do Cardozo esforça-se por levar o futebol às pernas do Cardozo; no filme do Tim Burton [1], o rei do Halloween procura trazer o Natal ao Halloween. Falham os dois.
Enquanto o filme do Burton me deslumbra, o do Benfica faz-me oscilar entre o aborrecimento e a irritação. Aborreço-me porque, afinal de contas, irrito-me sempre nos jogos, mesmo que não me aborreça (não gosto de coisas repetitivas, a não ser que sejam do Philip Glass) e irrito-me porque, afinal de contas, acabo por aborrecer-me sempre, mesmo que não me irrite. É aquela cena do círculo glorioso, perdão, vicioso. Só tenho pena que o José Veiga ande chateado com o presidente, senão podíamos mandar o homem aos Estados Unidos para tentar convencer o Tim Burton (tão benfiquista como o Veiga) a trocar o Jack Skellington pelo Oscar Cardozo.
Estou convencido que todos os jogadores do meu clube seriam capazes de me fazer lembrar qualquer coisa excepto aquilo que supostamente são. O Luisão, por exemplo, faz lembrar um faraó: o nariz, a pele morena, a estrutura óssea, o cabelo rapado como era habitual fazer-se no Antigo Egipto. Nos seus melhores dias, é um defesa-central imperial, mandão, decidido, rigoroso; nos seus piores momentos, é uma múmia do caralho. É verdade, estou chateado.

[1] Eu sei que o filme não foi realizado pelo Tim Burton. Puristas!

→ 04/01/2008 @19:32

Os cães passam, a caravana ladra

Felix, Gladys and Rover, de 1974

Esta é uma das fotos mais conhecidas de Elliott Erwitt, fotógrafo americano nascido em Paris e filho de emigrantes russos. Felix, Gladys and Rover foram desancantados em Nova Iorque. Vemos as patas de um Grand Danois (o Felix), as botas de Madame Gladys e um minúsculo Chihuahua (o Rover).
Dizem os entendidos que o estilo de Erwitt deriva das composições rigorosas de Cartier-Bresson, com quem partilha a mesma preocupação em enquadrar com harmonia as pessoas ou objectos que fotografa. Mas enquanto Bresson, pai do foto-jornalismo, procurava momentos decisivos, Erwitt procura o humor e o bizarro – como alguém afirmou, os momentos indecisos. O seu ângulo de visão é tão deturpador que poderia parecer profano aos olhos de uma América mais purista – é o caso das fotos tiradas em colónias de nudismo e a da criança negra simulando um jogo de roleta russa.

Nem mesmo as fotografias mais humorísticas e improváveis do grande Elliott Erwitt são encenadas. O que ele faz é fotografar o que lhe chama a atenção, sem grandes racionalizações. Muitas vezes só descobre a fotografia durante o processo de revelação. Convidado por um jornalista do Sunday Times a contar ao mundo o segredo do ofício, Erwitt ri-se: «Bem, primeiro coloca-se o rolo na câmara…» (consultar artigo original aqui)
Mas não há fotógrafo que não tenha os seus truques. Os de Erwitt são tão bizarros e pitorescos como algumas das fotos que lhe deram fama: quando quer fotografar um cão, põe-se a ladrar para chamar a atenção do animal; para captar a atenção dos seres humanos, usa uma velha e estridente buzina de bicicleta. Não o apanharão, contudo, em dissertações mais intelectualizadas sobre o significado e a mensagem contidas nas suas fotos. Quando lhe perguntam, por exemplo, quais as fotos que melhor reflectem a sua visão do mundo, ele responde «Essa é uma excelente pergunta.» E depois não diz mais nada porque qualquer pessoa com um detector anti-redundância implantado no cérebro (um jornalista) percebe que ele já usou a sua inseparável Leica para dizer tudo o que tinha a dizer.
Talvez considerando uma das suas grandes referências, o fotógrafo Henri Cartier-Bresson, um purista avesso a encenações (ver post O Fotógrafo Invisível), Elliott Erwitt acha apenas necessário explicar que não o incomoda a ideia de ’fabricar’ uma foto, no sentido, por exemplo, de uma Ruth Orkin (post «Apanhar» a Realidade): «A pedido ou por influência, as pessoas podem fazer uma série de tontices diante de uma câmara. Não deixas de ser um grande fotógrafo só porque encenas fotografias. Na maior parte dos casos, acho que as pessoas não necessitam de direcção artística.»

Erwitt é filho de pais russos: Boris, o pai judeu, e Eugenia, a mãe aristocrata. Os pais passaram grande parte do tempo a fugir: primeiro de Estaline, rumo a Itália; depois, em 1938, de Mussolini. Em Paris, onde nasceu o pequeno Elliott, embarcaram para os Estados Unidos, fugindo de uma catástrofe iminente: já a meio caminho da América, em alto-mar, chegariam as notícias das primeiras declarações de guerra: Inglaterra e França contra a Alemanha.
O que não falta no site pessoal de Elliott Erwitt são links para artigos e notas biográficas, pelo que nesta pequena evocação deste extraordinário fotógrafo regista-se apenas mais dois acontecimentos importantes: o primeiro é quando conhece, em 1941, os fundadores da prestigiada agência Magnum (um deles é a grande vedeta do fotojornalismo de guerra, Robert Capa, que haveria de morrer jovem, aos 41 anos (Post O Primeiro Segundo da Morte). Nunca esquecerá o gesto de um dos fundadores da agência, Roy Stryker: vendo-o sem dinheiro, tirou umas centenas de dólares do seu próprio bolso, passou-lhe as notas e disse: «Agora vai tirar fotografias». Em 1953 já fazia parte dos quadros da Magnum.

O segundo momento da carreira foto-jornalística de Elliott foi em 1959. Vivia-se num mundo bipolar dividido entre o capitalismo selvagem americano e a ditadura comunista, o sonho americano e o sonho de uma sociedade sem classes, os Estados Unidos e a União Soviética. Elliot andava a fotografar frigoríficos numa feira em Moscovo ao serviço de uma fabricante, a Westinghouse, quando surgiu a oportunidade de acompanhar um dos acontecimentos mais importantes do ano: a visita do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, à ‘inimiga’ União Soviética de Nikita Kruschov.
Reparem na foto: Nixon espeta um dedo autoritário na lapela de Kruschov, apanhado de olhos fechados, uma expressão falsamente submissa. Esta é apenas uma possível leitura desta imagem, mas podem imaginar como Nixon e a administração americana devem ter gostado. O que de facto sucedeu foi uma conversa registada para a posteridade sob a designação kitchen debate: os dois líderes tentavam demonstrar um ao outro, em cavaqueira desafiadora e sem vencedor declarado, qual das duas nações era a mais rica. Descontando a óbvia felicidade propagandista desta foto para os americanos, registe-se que a informalidade de Nixon e Kruschov fizeram desta imagem um dos mais bizarros momentos da Guerra Fria – quase tão bizarros como a foto do pai Grand Danois, da mãe Gladys e do filho Chihuahua.

→ 03/01/2008 @18:46

Comemorações, pois pois

Não percebo por que razão as pessoas insistem em comemorar a passagem de ano com tanta felicidade. Só se for porque somos um país de poetas e cancioneiros, e felicidade rima com facilidade. Talvez seja apenas mais uma bebedeira.
Alguns chegam a pular de alegria, provavelmente convencidos que o ano seguinte será melhor que o anterior. Têm toda a razão! E outros aproveitam para acender mais um cigarro porque, como toda a gente sabe, este ano já se pode fumar em todos os espaços fechados – finalmente estamos livres da ditadura do oxigénio.
O que muda entre um ano e outro é apenas o número: em vez do sete, temos agora de lidar com um oito. E fontes bem colocadas nos mistérios da numerologia dizem-me que os oito são mais difíceis de lidar que os sete. Têm mau feitio e são agressivos. Que eu saiba não há nenhuma expressão ‘feitos num sete’, somos sempre ‘feitos num oito’. E às decisões desequilibradas e inconstantes que tomaremos este ano ninguém responderá com um ‘Olha pá, nem 7 nem setenta’. Vão por mim: pensem no oito antes de pular ou desejar um bom ano a alguém.
Talvez os foliões saltem de alegria por viverem um acontecimento especial só possível de experimentar anualmente e num período de tempo muito escasso. O acontecimento é a tal passagem de ano, situada algures entre a morte de 2007 e o nascimento de 2008. Atravessamos uma ponte estreita sobre um abismo – e geralmente fazêmo-lo perdidos de bêbados. É de facto um momento formidável, pois durante essa passagem já não pertencemos ao ano que cessou e, contudo, ainda não chegámos ao que aí vem. Se caíssemos por ali abaixo nem notávamos. Por outras palavras: já não estamos comprometidos com as mediocridades que aplaudimos em 2007 e, no entanto, ainda não nos comprometemos com as que iremos aplaudir em 2008. Naqueles milionésimos de segundo, somos inocentes. Depois voltamos à nossa condição habitual, a de ignorantes.

Página 81 de 81« Primeira...10...78798081