
Esta é uma das fotografias promocionais da Logitech para ilustrar um estudo patrocinado pela própria empresa sobre o comportamento das famílias perante o controlo remoto de televisão.
A pesquisa europeia encomendada pela Logitech à Lightspeed Research indica que 72 por cento das pessoas «já se zangaram ou discutiram por causa do controlo remoto», 12 por cento «atiraram um» e uma percentagem de 7 por cento «lutou» por causa do aparelho». Feitas as contas, o controlo remoto deu origem a desentendimentos em 91 por cento dos europeus.
Ao mesmo tempo, 63 por cento das pessoas em toda a Europa descrevem a utilização doméstica do controlo remoto como «uma democracia na qual todos têm uma palavra a dizer naquilo que se vê e todos podem utilizar o controlo remoto.»
Uma democracia com um funcionamento nem sempre ideal, dado que o mesmo estudo revela que 44 por cento afirmaram ser «o homem que toma conta do controlo remoto no lar». 12 por cento dos inquiridos admitiram que o seu lar era «semelhante a uma ditadura, na qual uma pessoa decidia o que se via e monopolizava o controle remoto.» 9 por cento disseram viver numa «monarquia moderna: uma pessoa decidia e outra geria o controle remoto.» 15 por cento afirmaram que o lar era uma anarquia, um salve-se quem puder – «o primeiro a apanhar o controle era o primeiro a escolher».
Discordâncias à parte, a Logitech refere «frustrações» que brotam da total complexidade do controle remoto nos lares: 49 por cento possui cinco ou mais controles remotos e 87 por cento tem três ou mais. O estudo revela algumas estratégias seguidas para lidar com essas «frustrações»: embora 40 por cento dos inquiridos confessem «aceitar a política do controle remoto como parte da vida e não tentem lutar contra isso», 30 por cento afirmam que «membros diferentes da família nos seus lares divertem-se sozinhos em quartos diferentes». Finalmente, 14 por cento optou pelo comando remoto universal para substituir todos os controlos remotos que têm em casa «por um que funciona».
O estudo patrocinado pela Logitech serve também para divulgar o seu próprio modelo de comando universal, o Logitech Harmony. O último parágrafo deste press-release é preenchido com a alegre descrição das «funcionalidades vantajosas» e do «design atractivo» do Harmony. Promover um comando – ainda por cima com esta designação – depois de nos revelar um estudo com conclusões tão deprimentes revela um sentido de ironia que eu julgava impossível num press-release.
Eu acho que interpretei bem o resultados destes estudos, ora vejam: em primeiro lugar, não revelam propriamente uma situação de harmonia; em segundo, não concluem que o uso de um comando universal contribui para o aumento dessa harmonia. Caramba, não consigo perceber. Estaria o autor do press-release a pensar em algo completamente diferente?

Ah, claro, mistério desvendado! Afinal o autor do texto não estava a pensar no comando universal Harmony da Logitech, mas nos preservativos Harmony. Um preservativo também não resolve os problemas de harmonia causados pela febre do zapping, mas impede que as próprias famílias se constituam, eliminando assim o problema pela raiz. Com preservativos Harmony, o comando é só para ti. Pronto, pá, assim já percebemos.