Arquivos anuais: 2008

→ 20/11/2008 @19:43

Desculpem, não queria assustar-vos

Thriller em Marte

Não fujam, não fujam! Queria falar-vos primeiro da missão Phoenix – não sei se estão a ver, aquela sonda minúscula que esteve em Marte a recolher dados de enorme importância para o nosso conhecimento do planeta e das possibilidades de vida extraterrestre? Bem, a nave foi à vida – nada de catastrófico, já estava previsto que iria ser assim. O Inverno marciano chegou e já não há Sol que chegue para alimentar os painéis solares e sem os painéis solares não há energia para os instrumentos a bordo. Há quem diga que talvez a nave possa ressuscitar se os painéis solares sobreviverem às intempéries marcianas… Mas é uma esperança um bocado louca, na verdade.

O que os responsáveis da missão Phoenix não vos contaram é que das fotografias tiradas pela sonda nem todas foram mostradas ao público. A descoberta de que não nos contaram tudo sobre Marte  partiu do sítio Gizmodo (agora que a blogosfera morreu, o Gizmodo deixou de ser um blogue e passou a estar em estado de sítio, digamos assim).

Apostado em revelar a marosca ao Mundo, os responsáveis (e não bloggers) do Gizmodo publicaram um post intitulado 30 Mars Phoenix Discoveries NASA Will Never Show the World. Há quem diga que aquilo é um concurso para descobrir quem faz as brincadeiras mais engraçadas em Photoshop a propósito do espólio fotográfico da Missão Phoenix, mas não se fiem nisso. Eles também disseram que a missão Apollo esteve na Lua e veio a saber-se que afinal não esteve nada, foi tudo treta.

→ 20/11/2008 @17:47

O vulcão «eléctrico» de Chaitén

Tempestade eléctrica sobre o vulcão

Vejam esta tremenda foto de Carlos Gutiérrez. Não é apenas uma imagem espectacular; capta um extraordinário, belíssimo e assustador fenómeno: a criação de uma enorme tempestade eléctrica sobre o cume explosivo do vulcão Chaitén, no Chile.

Ninguém esperava que um vulcão adormecido há 9000 anos despertasse de forma tão violenta e repentina, mas foi precisamente o que aconteceu: a 2 de Maio de 2008 vomitou pedras e lava e destruiu tudo em seu redor, formando uma gigantesca coluna de cinzas com cerca de 19 quilómetros de altura. Esta foto foi tirada 24 horas depois da primeira erupção. Mais de 4000 pessoas – toda a população da pequena localidade de Chaitén, situada a 10 quilómetros do vulcão –  foram forçadas a fugir da região. [Clicar na imagem para ver em alta resolução]

→ 20/11/2008 @10:25

Uma versão de ‘Creep’ como nunca ouviram na vida

Durante a escrita do post O Jazz adora os Radiohead (link para quem aqui chegou directamente) tropecei numa versão lounge de Creep que me fez rir. (Lounge? O que é isso?)

Vocês conhecem o tema Creep, não é? Oiçam a versão acústica, é excelente (link). Bem, agora imaginem essa música interpretada por um cantor (Richard Cheese) e respectiva banda de acompanhamento (Lounge Against The Machine, óbvia paródia aos Rage Against the Machine) a transformar Creep numa dança de salão pueril e inócua. Sabendo bem a crua emotividade da voz (e das letras) de Thom Yorke nessa canção, quase rebentei às gargalhadas quando ouvi Richard Cheese imitar a limpa pomposidade típica de cantores crooner como Frank Sinatra, Dean Martin ou Tony Bennett. Só de o imaginar a cantar ‘I’m a Creep, I’m a Weirdo‘ com um sorriso beatífico no rosto… Razão tinha o mestre Zappa: Humor does belong in music.

A sério, oiçam. Se a vossa receptividade for boa (comentários que não incluam a frase «Este post mudou a minha vida musical» não contam) mostro-vos mais umas quantas pérolas Lounge. Mas mostro-vos devagarinho, senão ainda confundem divulgação e espírito de partilha com pirataria… Entretanto, podem visitar o sítio oficial.

→ 20/11/2008 @9:47

Coincidências ou elaborações fotográficas

Coincidências fotográficasCoincidências fotográficas

Conjunto de fotografias reunido no blogue Curiosidades na Net: estaremos perante cuidadosas e bem elaboradas encenações preparadas no terreno, criadas em Photoshop ou serão apenas coincidências fotográficas? Os exemplos são muitos e servem as três hipóteses. Link

→ 20/11/2008 @4:50

Futebol? Eu cá prefiro as modalidades amadoras.

Apoiem as modalidades amadorasApoiem as modalidades amadorasApoiem as modalidades amadorasApoiem as modalidades amadoras

Portugal perdeu 6-2 com o Brasil e pronto, ficam logo doentinhos. Há gajos que já invocam o sagrado fantasma de Almada Negreiros e do seu manifesto Anti-Dantas para malhar naquele senhor que é seleccionador nacional e cujo nome me abstenho de referir.

Cambada de fanáticos. Se fossem como eu dormiam hoje bem descansados e nem sequer perdiam cinco segundos a pensar no futebol – eu cá não ligo nenhuma. Nadinha. Nada de nada. Nem uma sombra de uma sombria sombra da mais negra das preocupações abismais. A minha mente está mais solarenga que um cartão postal do Rio de Janeiro. Olho para o espelho e sinto-me logo mais bronzeado, estou-me nas tintas. Azia? Népia. Zero absoluto. Zero não, dois. Dois a seis… Dois nossos, seis deles…
Onde é que eu ia? Preciso desesperadamente de me lembrar.
Ah, vocês! Vocês, seus ressabiados da bola, tenham juízo. Vão mas é dormir. Não têm sono? Leiam um livro! O Ensaio Sobre a Cegueira do José Saramago, sei lá, qualquer coisa. Leiam tudo menos um livro do Eça de Queirós. O gajo não é de fiar, tem um apelido um bocado suspeito.
Onde é que eu ia? Ah, em vocês, seus tarados do fora de jogo! Pois não há trabalho para fazer amanhã? Aposto que ainda vão ter pesadelos com aquele desgraçado que quer ser o melhor jogador do mundo e cujo nome agora me abstenho de referir porque senão sai um gatafunho ortográfico de certeza. Bem, é o nosso Kaka – mas sem K, aqui na Tugolândia a kaka escreve-se com C, C de…
Onde é que eu ia? Preciso desesperadamente de me lembrar.

Ah! Já sei! As amadoras! Dediquem-se às modalidades amadoras, seus desocupados! Eu cá prefiro mil vezes passar o tempo a jogar uma boa partida de cartas – desenvolve o músculo das pálpebras como nenhum outro desporto. Se gostam de actividades mais físicas, façam como aquele cavalheiro ali da fotografia, atirem a bolinha ao ar e fiquem a vê-la cair. Há gajos que neste assunto das bolas tiram partido da força da gravidade, há outros parvalhões que não.
Inventem, seus agarradinhos da bola. Uma boa partida de badmington é sempre emocionante. Façam de conta que é os Jogos Olímpicos de Portugal e somos todos chineses. Experimentem lançar o dardo como estão a fazer ali aquelas meninas. É muito mais giro que o futebol, é intelectualmente estimulante e, ao contrário dos jogos de Portugal da era pós-Filipão, costuma ter um resultado imprevisível. Deixem é de pensar no futebol, cambada de machistas. Vocês assim passam-se da cabeça. A sério. Vão por mim. Passam-se. Passam-se. Passam-se mesmo. Passam-se mesmo. Passam-se mesmo.
Onde é que eu ia? Preciso desesperadamente de me lembrar.

→ 20/11/2008 @2:45

O Jazz adora os Radiohead (Parte 1)

Radiohead

O jazz anda sempre à procura de novos standards. Possivelmente o esforço mais notável que conheço é o de Herbie Hancock. Em muito boa companhia – Michael Brecker (saxofones tenor e soprano), John Scofield (guitarras acústica e eléctrica), Dave Holland (baixo), Jack DeJohnette (bateria) e Don Alias (percussão) – o pianista lançou em 1996 um disco apropriadamente chamado The New Standard.

Embora nenhum novo standard tenha nascido de forma unânime a partir do repertório escolhido, Herbie Hancock apropriou-se das canções, tornou-as suas e criou um belo disco. Os nomes escolhidos são díspares em estilo e género, mas o resultado destas transfigurações nunca deixou de soar como jazz: Paul Simon, Beatles, Peter Gabriel, Stevie Wonder, Sade, Prince e Kurt Cobain foram os escritores de canções escolhidos. A propósito, se quiserem conhecer a versão jazzística de All Apologies (Nirvana), força.

Em 2006, Herbie Hancock voltou ao seu papel de construtor de pontes musicais ao lançar um disco de duetos que incluiu nomes como Carlos Santana, outra vez Paul Simon, Annie Lennox, John Mayer, Christina Aguilera e Sting – uma jazz-pop thing, como lhe chamaram alguns críticos. Nada disto é novo, pois o lendário Miles Davis, pouco antes de morrer, já se associara a gente do rap e do hip-hop no álbum Doo-Bop, em 1992, quando estas músicas se faziam nas ruas das cidades e ainda não tinham sido aburguesadas pela MTV. Se estão curiosos em relação ao resultado desta associação entre Miles e o hip-hop, então saquem estes temas: Mystery e The Doo-Bop Song. É por aqui.

A relação com os Radiohead iniciada por um outro grande pianista de jazz, talvez o melhor da sua geração, o meu preferido, Brad Mehldau, tem por base o mesmo princípio: o futuro do jazz, afirmou Mehldau numa entrevista ao Guardian, passa por «devorar todos os géneros de música e, deste modo, tornar-se mais vital do que nunca.» Para esta visão ecléctica da música terá contribuído o facto de, a partir dos quatro anos, quando começou a aprender a tocar piano, gastar horas a devorar toda a música que passava na rádio, sobretudo Steely Dan, Stevie Wonder, Led Zeppelin, Steve Miller Band e Joni Mitchell. Aos dez, um novo professor de música incutiu-lhe o gosto pela música clássica. Aos treze, descobriu o jazz. «Naquela altura, no liceu, a maior parte do pessoal queria era futebol [futebol americano, não o nosso] e então a mensagem que os mais velhos passavam aos mais novos era ‘Pá, têm de aprender a atacar a bola’. Nós ouvíamos mais do género ‘Pá, têm de conhecer Charlie Parker e aprender os seus solos’».

A descoberta e o entusiasmo pela música de Elliott Smith, Fiona Apple, Rufus Wainwright e Nick Drake, que nada têm a ver com o jazz, levou alguns amigos a chamar-lhe atenção para os Radiohead. «Conheci-os numa altura em que já estava um bocadinho cansado de andar pelas discotecas a comprar todos os discos de jazz que conseguia». A partir daí, a música dos Radiohead começou a fazer parte do seu reportório jazzístico. Paranoid Android (*) e Exit Music (For A Film) (*), ambos de OK Computer, Everything in Its Right Place (*), de Kid A, foram os primeiros. O disco de 2005, Day Is Done, inclui o tema Knives Out (*), de Amnesiac.

Brad Mehldau não é o único jazzman a fazer covers da banda – é apenas o mais conhecido. Muitos outros entraram na onda dos Radiohead. Como explica outro pianista, Robert Glasper, que incluiu no seu último disco, In My Element, um medley formado pelo tema Maiden Voyage, de Herbie Hancock, e Everything in Its Right Place (*) «muitos músicos de jazz adoram os Radiohead. Eles têm mudanças de acordes tão bizarras como esquisitas, tempos completamente loucos, mas também belas e incontornáveis melodias. Eles têm uma forma de complexidade muito subtil, nem dás por ela; mas é destas características que se faz a força da boa música».

A lista cresce à medida que se investiga. The Bad Plus, Yuri Honing e Chris Potter são alguns dos exemplos sobre os quais falarei no post que se segue. O fenómeno é tão notório que o Guardian desafiou cinco músicos de jazz a criar uma versão jazzística de Nude, o belíssimo tema do último disco da banda, In Rainbows. Os resultados podem ser ouvidos nesta página.


→ 19/11/2008 @18:15

110 anos de fotos da Life Magazine

Martin Luther King

A Google fez uma parceria com a Life Magazine para disponibilizar, em resolução generosa (as imagens dão para transformar em wallpapers), todo o legado fotográfico da revista até à década de 70 – estamos a falar de um arquivo que inclui os trabalhos fotográficos mais importantes publicados entre 1860 e 1970. É um sítio absolutamente obrigatório para quem se interessa pela história contemporânea, fotografia e fotojornalismo.

A busca pelos 110 anos do arquivo da Life pode ser feita a partir do próprio Google, se indicarmos source:life a seguir ao nosso termo de busca. Na página Google/Life, o critério de procura de fotos é variado: podemos escolher décadas específicas, categorias (Cultura, Eventos, Pessoas, Lugares, Desporto) ou escrever especificamente o que desejamos encontrar, como fazemos no Google.