Arquivos mensais: Dezembro 2008

→ 05/12/2008 @20:49

E o Marilyn Manson também é pintor

Retratos do falecido actor Christopher Reeve e do actor Vincent Gallo

Retratos do falecido actor Christopher Reeve e do actor Vincent Gallo

O vocalista dos Marilyn Manson (verdadeiro nome: Brian Warner, o criador da iconografia do grupo) usou a música e os videoclips como veículos para tornar quase disfuncionais os nossos conceitos do que é Belo e Horrível.

Os videoclips dos Marilyn Manson provocam-nos porque neles se mistura o que é feio e bonito, sóbrio e grotesco, sagrado e profano. O heavy metal deu-lhes o toque de agressividade e rebeldia que ajuda a vender mais discos, mas nesta orgia luxuriante das imagens a música nunca pareceu fundamental.

Os Marilyn Manson não agem segundo princípios morais, religiosos ou estéticos, mas como se o único propósito da sua existência fosse o de submeter esses princípios à vontade do indivíduo. Podemos dizer que aquilo é tudo teatro e é bem capaz de ser verdade – um teatro grotesco de marionetas filosóficas ou zombies declamando Nietzsche. Mas o problema é dizer-se isto como se o Teatro não tivesse importância na formação do indivíduo e fosse apenas um exercício de pose seguido de uma ida ao supermercado para comprar um saco de lágrimas.

 

Fibonacci e I Get Old I Would Like a Drink, inspirada numa fotografia de William Burroughs

Fibonacci e When I Get Old I Would Like a Drink, inspirada numa fotografia de William Burroughs

O vocalista dos Marilyn Manson não é um mero fenómeno de marketing ou viral, é um esquisóide que usa várias fontes – o surrealismo de Dali, as visões grotescas pintadas por Bosch, a Ficção Científica, os filmes de terror,  o charme alienígena de David Bowie – para criar uma forma de expressão artística muito própria e genuína. Em Julho de 2005, falando sobre os seus planos de abandonar a carreira musical para se dedicar em exclusivo ao cinema, Marilyn disse à Rolling Stone não desejar mais «fazer arte que outras pessoas – particularmente as companhias discográficas – transformam em produtos. Eu apenas quero fazer Arte.» Já escreveu, produziu e realizou um filme onde também entra como actor e que ainda está por estrear: Phantasmagoria: The Visions of Lewis Carroll.

Também é fácil dizer-se, como fez o «bad boy» Eminem, que ele é o «craziest motherfucker i have ever knew». A loucura pressupõe uma certa inocência que Marilyn não tem. Até o apregoado «satanismo» da sua banda é justificado não pela «adoração ao Diabo», o que seria perfeitamente banal no contexto do heavy metal, mas por favorecer «a liberdade individual até às últimas consequências, como o super-homem de Nietzsche».

As aguarelas de Marilyn têm obtido algum reconhecimento mesmo fora do circuito dos fãs da banda: não são aguarelas agradáveis e chatas que podem ser colocadas na parede da sala sem provocar nenhum tipo de reacção; pelo contrário, são grotescas, viscerais, românticas – como a que mostra um par de namorados de mãos dadas assistindo ao Fim do Mundo – e às vezes propositadamente repulsivas, o que também não é novidade nenhuma para quem conhece a banda. Os auto-retratos também lá estão e mostram como, para Marilyn, espelho e papel de aguarela são a mesma coisa. Ver galeria aqui. Lido originalmente no blogue O Homem Que Sabia Demasiado.

 

John Lennon, Janis Joplin e Chris Mars

John Lennon, Janis Joplin e Chris Mars

Mais músicos que desenham e pintam. O site YuppiePunk publicou um artigo com um apanhado crítico e bem-humorado de músicos que não só pintam como já mostraram os seus trabalhos em livros e exposições. A lista é longa e os estilos díspares – o conjunto de imagens aqui reunido mostra uma declaração de amor de John Lennon a Yoko Ono, um espantalho de Janis Joplin e um palhaço tenebroso de Chris Mars, do grupo The Replacements. Link

→ 05/12/2008 @12:43

O peixe-gato e a bola de basquetebol

O peixe-gato de Bill DriverO peixe-gato de Bill DriverO peixe-gato de Bill DriverO peixe-gato de Bill Driver

Um peixe-gato tentou abocanhar uma bola de basquetebol e ficou preso. O bondoso senhor Bill Driver tentou tirar-lhe a bola da boca, não conseguiu e decidiu furá-la para libertar o animal. O registo fotográfico foi obtido pela esposa, Pam Driver. Mais aqui.
Espero que esta pequena história tenha contribuído para vos elevar o espírito. Comigo não resultou e até devo dizer que senti uma bizarra identificação com o peixe porque Lisboa é para mim o que a bola de basquetebol foi para o animal: um sufoco do caraças. Ainda bem que é sexta-feira, dia de furo e início do esvaziamento. Esvaziamento temporário… O pior do trabalho não é o trabalho em si, mas fazê-lo naquela cidade poluída, barulhenta e a abarrotar de carros que fumam charros de gasolina mal cheirosos. Bem, vou apanhar o raio do comboio.

→ 04/12/2008 @10:42

Post nº 1961

Bem, eu não sou propriamente um perito na matéria, mas tenho cá para mim que se uma pessoa está a conduzir um carro não é muito conveniente confundir o pedal do travão com o pedal do acelerador – sobretudo se tiver estacionado a poucos metros da entrada de uma loja. Não sei o que vocês acham.

→ 04/12/2008 @4:48

E agora, algo completamente indiferente

É verdade, antes que me esqueça: o Público noticia que uma eventual passagem do Benfica à próxima fase da Taça UEFA está dependente de uma dupla conjugação de resultados: por um lado, Olympiakos e Hertha devem empatar entre si; por outro, o Benfica tem de ganhar 8-0 ao Metalist no Estádio da Luz.

O que é isso para quem sofreu sete nos últimos dois jogos que fez? Familiarizados com o golo já estamos nós. E temos o factor casa, é muito importante, não se esqueçam. Dado que o jogo é na Luz, seja qual for a baliza onde a bola entrar, será sempre numa baliza propriedade da Benfica SAD. Não me venham com tretas, é o nosso estádio, a nossa relva, as nossas balizas e os golos também são nossos – que eu saiba ainda não os colocámos à venda. O Público portanto fez mal as contas: 4-4 é suficiente para seguir em frente. E é mais seguro.

Julgo que falo por todos os visitantes do Bitaites quando digo que a Taça UEFA este ano vai ser nossa – com peixinho cozido, lógica da batata e obviamente sem espinhas.

→ 04/12/2008 @4:28

Certamente, pá

Bill Evans

Bill Evans, pianista de jazz, um dos meus preferidos desde que o ouvi no mítico Kind of Blue, com Miles e Coltrane, um disco que me fez percorrer as discotecas como um tontinho à procura de mais jazz, jazz, jazz (dando assim o meu modesto contributo para a sobrevivência económica das editoras, essas pobres desgraçadas à beira da ruína desde que Tim Berners-Lee largou o biberão).

Nesta foto de Paul Slaughter encontra-se o mesmo Bill Evans cabisbaixo e envelhecido que vi nas imagens de um disco pirata muito manhoso (mal) gravado no Festival de Jazz de Monterey, o último em que participou antes de morrer e um dos melhores concertos que as minhas colunas já debitaram (e foram muitos!). Theme From MASH (aka Suicide Is Painless), o tema «perfeito» de outro grande disco – You Must Believe In Spring – é para o Paulo Querido e todos os amantes da música imortal. The present day composer refuses to die, já dizia o Varèse e repetia o Zappa – e muito bem. Toma.

→ 03/12/2008 @16:25

Doze rostos

Publicidade à Nikon

Esta série de quadros foi criada pela agência Euro RSCG, de Singapura, para promover a câmara digital Nikon S60, a máquina que capta 12 rostos. Vistas aqui em formato tão reduzido, as imagens não parecem grande coisa – excepto as raparigas, eu sei. Mas se clicarem em cada uma das fotos terão acesso à versão em alta resolução: aí já se percebe melhor a ideia.

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→ 03/12/2008 @12:35

Fotografia digital: o novo mundo das DSLR

Fotografia digital

2008 pode ser considerado pelos especialistas como o ano da afirmação do formato Digital Single Lens Reflex (DSLR), com o aparecimento de mais máquinas neste formato do que se julgava possível, e a redução de preços da grande maioria destes equipamentos para valores equivalentes (e alguns casos inferiores) a modelos Bridge e compactas.

Ao contrário do que aconteceu com as máquinas Polaroid, o formato de máquinas SLR conseguiu adaptar-se aos tempos modernos. Ao oferecer uma plataforma estável com todas as vantagens do formato digital para os profissionais da fotografia (seja em estúdio ou em campo), rapidamente os fotógrafos amadores procuraram livrar-se das suas limitadas máquinas digitais compactas e apostaram em soluções mais profissionais.

Apercebendo-se das possibilidades de um mercado ainda pouco explorado, as grandes marcas (Canon, Nikon, Pentax, Olympus) rapidamente começaram a lançar um sem-número de modelos, que vieram a sofrer actualizações que permitiram a qualquer um obter resultados fotográficos razoáveis.

O princípio de funcionamento das máquinas DSLR pouco ou nada varia do existente nas antigas SLR analógicas, continuando a predominar o sistema de espelhos e pentaprisma, que permite que a imagem reflectida no espelho que cobre o sensor seja reflectida de forma inversa, para depois ser reflectida pelo pentaprisma no seu formato original. Daqui se obtém uma imagem mais real do que a habitualmente captada pelos ecrãs LCD das máquinas compactas. Existe ainda a questão de em situações de muita luminosidade, a imagem obtida pelo LCD não ser visível, daí utilizar-se sempre o viewfinder (local onde vemos a imagem).

Para captar o interesse dos habituais utilizadores de modelos digitais compactos começam a aparecer máquinas com soluções Live View: estas permitem demonstrar no ecrã LCD (habitualmente utilizado para a configuração de funções como tempo de exposição, abertura, etc.) a imagem tal como seria vista pelo viewfinder. Outras marcas – como a Sony nas suas Alpha 300 e 350 – decidiram ir mais longe, oferecendo um LCD com Live View regulável em inclinação, que facilita a captação de imagens em locais de difícil acesso para se utilizar o viewfinder.

Segue-se uma compilação do melhor que o mercado português tem para oferecer, ao interesse de fotógrafos iniciados e profissionais, dos modelos mais baratos aos mais caros. Para quem acompanha pelo feed: o post é demasiado extenso e foi dividido em duas páginas para não atravancar o blogue.

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