
Retratos do falecido actor Christopher Reeve e do actor Vincent Gallo
O vocalista dos Marilyn Manson (verdadeiro nome: Brian Warner, o criador da iconografia do grupo) usou a música e os videoclips como veículos para tornar quase disfuncionais os nossos conceitos do que é Belo e Horrível.
Os videoclips dos Marilyn Manson provocam-nos porque neles se mistura o que é feio e bonito, sóbrio e grotesco, sagrado e profano. O heavy metal deu-lhes o toque de agressividade e rebeldia que ajuda a vender mais discos, mas nesta orgia luxuriante das imagens a música nunca pareceu fundamental.
Os Marilyn Manson não agem segundo princípios morais, religiosos ou estéticos, mas como se o único propósito da sua existência fosse o de submeter esses princípios à vontade do indivíduo. Podemos dizer que aquilo é tudo teatro e é bem capaz de ser verdade – um teatro grotesco de marionetas filosóficas ou zombies declamando Nietzsche. Mas o problema é dizer-se isto como se o Teatro não tivesse importância na formação do indivíduo e fosse apenas um exercício de pose seguido de uma ida ao supermercado para comprar um saco de lágrimas.

Fibonacci e When I Get Old I Would Like a Drink, inspirada numa fotografia de William Burroughs
O vocalista dos Marilyn Manson não é um mero fenómeno de marketing ou viral, é um esquisóide que usa várias fontes – o surrealismo de Dali, as visões grotescas pintadas por Bosch, a Ficção Científica, os filmes de terror, o charme alienígena de David Bowie – para criar uma forma de expressão artística muito própria e genuína. Em Julho de 2005, falando sobre os seus planos de abandonar a carreira musical para se dedicar em exclusivo ao cinema, Marilyn disse à Rolling Stone não desejar mais «fazer arte que outras pessoas – particularmente as companhias discográficas – transformam em produtos. Eu apenas quero fazer Arte.» Já escreveu, produziu e realizou um filme onde também entra como actor e que ainda está por estrear: Phantasmagoria: The Visions of Lewis Carroll.
Também é fácil dizer-se, como fez o «bad boy» Eminem, que ele é o «craziest motherfucker i have ever knew». A loucura pressupõe uma certa inocência que Marilyn não tem. Até o apregoado «satanismo» da sua banda é justificado não pela «adoração ao Diabo», o que seria perfeitamente banal no contexto do heavy metal, mas por favorecer «a liberdade individual até às últimas consequências, como o super-homem de Nietzsche».
As aguarelas de Marilyn têm obtido algum reconhecimento mesmo fora do circuito dos fãs da banda: não são aguarelas agradáveis e chatas que podem ser colocadas na parede da sala sem provocar nenhum tipo de reacção; pelo contrário, são grotescas, viscerais, românticas – como a que mostra um par de namorados de mãos dadas assistindo ao Fim do Mundo – e às vezes propositadamente repulsivas, o que também não é novidade nenhuma para quem conhece a banda. Os auto-retratos também lá estão e mostram como, para Marilyn, espelho e papel de aguarela são a mesma coisa. Ver galeria aqui. Lido originalmente no blogue O Homem Que Sabia Demasiado.

John Lennon, Janis Joplin e Chris Mars
Mais músicos que desenham e pintam. O site YuppiePunk publicou um artigo com um apanhado crítico e bem-humorado de músicos que não só pintam como já mostraram os seus trabalhos em livros e exposições. A lista é longa e os estilos díspares – o conjunto de imagens aqui reunido mostra uma declaração de amor de John Lennon a Yoko Ono, um espantalho de Janis Joplin e um palhaço tenebroso de Chris Mars, do grupo The Replacements. Link






































