30/Junho/2008

Quem quer provar espargo marciano?

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Faça favor de entrar, caro terráqueoLembram-se da missão Phoenix e da recolha de amostras de solo marciano para sabermos se ele é, de certa forma, comestível do ponto de vista de uma bactéria? Há novidades!

Os cientistas ainda não conseguiram responder à questão mais importante de todas, isto é, se em algum momento da história do planeta existiram condições para o surgimento da vida. Mas já estivemos mais longe de saber. E os primeiros indícios são animadores quanto às possibilidades de a vida não ser um «milagre» exclusivo deste minúsculo e insignificante planeta arrumado na periferia de uma galáxia vulgar.

As primeiras análises recolhidas pela sonda nas regiões polares de Marte mostram um tipo de solo com uma «sujidade» comparável à que podemos encontrar nas traseiras dos quintais da Terra (excepto cocó de cão, naturalmente). O químico Samuel Kounaves, entusiasmado, descreveu o tipo de solo nos termos mais terrestres possíveis: «Seria possível fazer crescer feijões, espargos e nabos neste tipo de solo, vocês sabem, esse tipo de coisas. Morangos já me parece mais difícil».

Estas conclusões não têm em conta a composição química da atmosfera e a ausência de água em estado líquido, mas servem para termos uma ideia de como o solo de Marte (pelo menos nas regiões polares) afinal não é demasiado ácido ou salgado, como se pensava, na verdade é bastante alcalino. «Um tipo de solo muito semelhante ao que se pode encontrar nos vales mais secos da Antártida», afirma Glen Nagle, responsável da NASA pela estação de rastreamento em Camberra, Austrália – «sítios onde existe água, onde a superfície tem vários tipos de minerais, cloreto, potássio, magnésio e outras coisas que podemos encontrar em solo terrestre».

A ideia de enviar uns quantos nabos e deixá-los florescer em Marte é tentadora. Eu ofereço-me já para fazer uma lista de uns quantos que não me importava de despachar. Infelizmente, existe um pequeno pormenor que impede a concretização desses planos: a realidade. Não obstante os nossos sonhos quanto ao passado de Marte, as condições actuais não favorecem os nabos ou qualquer outro tipo de vegetais: «Não existe água em estado líquido, é demasiado frio e portanto, acentua Glen Nagle, «se você tentasse comer um espargo marciano seria a pior dentada da sua vida».

«Um solo ácido e salgado pode ser muito interessante do ponto de vista mineralógico», diz Jon Clarke, da Mars Society Australia, «mas do ponto de vista de um organismo não é um solo muito hospitaleiro. E também não é bom para futuras missões tripuladas».

Portanto estamos melhor do que estávamos.

Dado que a sonda Phoenix descobriu uma camada de gelo poucos centímetros abaixo da superfície marciana, o próximo passo é analisar esse gelo. Objectivo: encontrar «pistas» que nos permitam dizer que a vida em Marte poderá ter realmente existido. Uma descoberta sensacional seria encontrarmos no gelo vestígios de moléculas orgânicas complexas. Agora é esperar que os instrumentos da sonda prossigam o seu trabalho sem problemas.

Existem várias formas de acompanhar as novidades da missão: via Twitter, com uma série de actualizações muito concisas com hiperligações a sites de interesse; um screensaver que recebe as últimas actualizações quando se activa; através da página oficial da missão (Phoenix Mars Mission) e pelos diversos blogues mantidos pelos membros da equipa.

Publicado por Marco Santos | Categoria: No mundo da Lua | 2 comentários »
30/Junho/2008

Enviou um e-mail e não obteve resposta?

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Por motivos que não interessam nem ao Diabo – e não me refiro ao Diabo criador da Jennifer Connelly – perdi os e-mails que me foram enviados nos últimos dias. Quem tentou entrar em contacto comigo e não obteve resposta, reenvie a mensagem ou contacte-me via Twitter. Pronto, é isso. Estou cheio de trabalho e com algumas dificuldades em actualizar o blogue – seja como for, tenho alguns posts em preparação e é possível que pelo menos um venha ainda a ser publicado hoje. Abraços e beijinhos.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Coisas do blogue | 3 comentários »
28/Junho/2008

E o Diabo criou a Jennifer

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Jennifer Connelly

Publicado por Marco Santos | Categoria: Wallpapers | 9 comentários »
27/Junho/2008

O Sol e as sombras

Dois ou três cliques na máquina só para testar; depois uma única, definitiva fotografia: está feita uma das imagens mais marcantes da década de 80.

Quando a fotógrafa Annie Leibovitz chega ao apartamento do casal, numa tarde soalheira de 8 de Dezembro de 1980, já tem uma ideia precisa do que deseja fazer: fotografar John Lennon e Yoko Ono abraçados, mas nus.

Dias antes um jornalista da revista Rolling Stone entrevistara Lennon a propósito do recente Double Fantasy, o primeiro disco de originais do ex-Beatle em cinco anos. Este é portanto um dos acontecimentos musicais do ano e ela está ali para fazer a foto de capa.

Leibovitz é já uma fotógrafa consagrada no meio artístico e jornalístico, embora ainda longe do actual reconhecimento popular que lhe valeu, entre outros, um contrato milionário para reproduzir o imaginário Disney recorrendo a nomes famosos do mundo das Artes e do Desporto.

Conhece John e Yoko desde os anos 70. Quando trabalhou com eles pela primeira vez, há dez anos, ainda fazia lembrar, segundo a própria Yoko, «uma adolescente muito tímida». Agora pede-lhes para tirar a roupa.

John Lennon, o rosto rebelde dos Beatles, não tem problemas em despir-se. Em segundos fica pronto. Yoko Ono está relutante em relação à nudez frontal, aceita despir-se apenas da cintura para cima. Leibovitz desaponta-se com a recusa de Yoko e, de rompante, diz-lhe para se deixar ficar como está.

Abraçam-se, ele nu, ela vestida. Dois ou três cliques na máquina só para testar, depois um único clique: está feita a grande foto de capa da Rolling Stone do dia 22 de Janeiro de 1981.

John Lennon e Yoko Ono fotogtafados por Annie Leibovitz

John Lennon e Yoko Ono fotografados por Annie Leibovitz a 8 de Dezembro de 1981

Cinco horas após esta sessão, à saída do apartamento onde abraçou Yoko para a Rolling Stone, Lennon é assassinado por um fã, Mark David Chapman, de 25 anos. Lennon tenta fugir, mas é atingido. Ainda tem forças para subir os seis primeiros degraus da escada da portaria, mas uma das balas desfizera-lhe a veia carótida. É o fim. Lennon perde oitenta por cento do sangue e é declarado morto após várias transfusões e tentativas de reanimação no hospital.

Cinco horas antes, o Sol ainda brilha para o autor do hino pacifista mais cantado do mundo, Give Peace a Chance. A sala onde decorre a sessão fotográfica deixa passar uma luz acolhedora sobre os ocupantes. Yoko recordará numa entrevista o ambiente «de confiança» em que a foto foi tirada: «Estávamos os dois confortáveis, inspirados». Leibovitz tem consciência da grande capa que acabou de conseguir, John e Yoko estão satisfeitos porque consideram que a fotografia «retrata fielmente» a relação do casal.

Aos olhares dos que sempre culparam Yoko Ono pela separação dos Beatles, a foto de Leibovitz mostra-a distante e calculista, inexpressivamente deixando-se envolver no abraço apaixonado e infantil de um homem vulnerável.

Por outro lado, o Lennon desta foto poderia ter inspirado o biólogo e escritor Jean Rostand a escrever «Aqueles que falam das alegrias do amor, por certo, nunca amaram. Amar um ser é senti-lo necessário, portanto, sentirmo-nos nós próprios numa incessante precariedade». E naquele beijo a Yoko, «um segredo que se diz na boca e não no ouvido».

Yoko, a cabra calculista que separou Lennon dos Beatles? Tanto tempo depois, a 30 de Setembro de 2004, afirmará à Rolling Stone a propósito desta foto que continua a questionar a cruel injustiça dos deuses: «Por que razão não fui eu avisada de que ele seria afastado de mim tão cedo, sem que tenha tido sequer hipótese de lhe dizer adeus?» Yoko na foto, fria, distante ou em paz? Olhem outra vez. «Amar é saborear nos braços de um ente querido a porção de céu que Deus depôs na carne»: Victor Hugo.

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26/Junho/2008

De regresso ao Ubuntu

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O meu modesto Desktop Ubuntu

Em dias de muito trabalho, temos de cortar nos divertimentos – o blogue é um principais e tem andado semi-abandonado. O pouco tempo que me resta diante do computador gasto-o a configurar o Ubuntu Linux e, de vez em quando, a desvendar-lhe os segredos – os que estão ao alcance de um newbie como eu, bem entendido.

Decidi-me a abandonar em definitivo o Windows no meu computador principal, restando apenas, por razões profissionais, uma instalação do Vista no portátil.

Embora o Microsoft Office 2007 seja superior ao OpenOffice (de longe) e não existam em Linux substitutos Open Source à altura para o Foobar e o Wavelab, tenho usado o Songbird para ouvir e organizar música e não desgosto. Enquanto não lançarem drivers para a minha placa de som externa da M-Audio, a Firewire Audiophile, vou usando a placa de som fornecida com a minha motherboard, a Asus Maximus Formula – não é má de todo.

À malta que aqui vem e utiliza Linux, deixo três websites que descobri, autênticos armazéns contendo muita informação sobre Ubuntu e outras distribuições: HowtoForge (guias, dicas, manuais sobre as principais distros e software Open Source), Tombuntu (muitas dicas dirigidas a quem utiliza Ubuntu) e o Ubuntu Unleashead (blogue com notícias, dicas, tweaks, downloads, enfim, o tipo de conteúdo que nos habituámos a ver em Windows – mas o mundo está a mudar!).

Publicado por Marco Santos | Categoria: Cenas Geek | 27 comentários »
25/Junho/2008

À procura de ícones?

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Quem anda sempre à procura de ícones novos vai adorar este site. É um motor de busca para ícones e até ao momento já indexou mais de 30 mil. O funcionamento é o habitual: escreve-se no campo de busca o nome da aplicação para a qual se procura um novo ícone e o resultado inclui o link para o download. Nem é preciso sair da página: é só escolher e descarregar. Icon Finder

Publicado por Marco Santos | Categoria: Links | 6 comentários »
24/Junho/2008

George Carlin, o homem das sete palavras

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A Religião convenceu as pessoas de que existe um homem invisível a viver no Céu, que observa tudo o que fazemos durante cada minuto de cada dia. E o homem invisível tem uma lista de dez coisas específicas que não quer que vocês façam. E se fizerem as coisas que o homem invisível não quer que façam, ele envia-vos para um sítio especial de fogo e fumo e tortura e angústia e grito e sofrimento para todo o sempre e até ao fim dos tempos.
Mas ele ama-vos. Ele ama-vos e precisa do vosso dinheiro. George Carlin

George CarlinA forma implacável como o comediante americano George Carlin atacou a Religião sempre me fez lembrar a luta que outro ícone da contracultura – Frank Zappa – travou na década de 80 contra a tele-evangelização, a fé no divino lucro e a isenção de impostos para as igrejas.

Zappa escreveu uma canção-manifestoHeavenly Bank Account – na qual retratava o típico pastor das tresmalhadas ovelhas do Senhor: «Cause he helps put/The Fear of God/In the Common Man/Snatchin’ up money/Everywhere he can/He’s got twenty million dollars/In his Heavenly Bank Account/You ain’t got nothin’, people». Carlin teria subscrito a denúncia sem hesitar.

Ambos partilhavam o mesmo tipo de eloquência feita de palavras e palavrões. Tanto um como outro enfrentaram os donos da moral e dos bons costumes. Eram homens observadores que não tinham medo de colocar questões – quanto mais incómodas, melhor. Zappa fazia-o sobretudo através da música, questionando-a e subvertendo-a, Carlin através do humor. Na base do que os dois faziam esteve sempre uma enorme inteligência e um gozo irresistível em desmontar tabus.

Foi a partir de um célebre número envolvendo apenas palavrões – sete – que George Carlin começou a ser mundialmente reconhecido. As sete palavras eram precisamente as expressões proibidas pelos censores da televisão e da rádio: shit, piss, cunt, fuck, cocksucker, motherfucker e tits. Por causa deste número – absolutamente brilhante – Carlin foi preso a 21 de Julho de 1972 sob a acusação de violar as leis sobre obscenidade.

A transmissão em 1978 de uma versão actualizada do mesmo número por uma estação de rádio em Nova Iorque levou o caso ao Supremo Tribunal. Os magistrados (5 a favor, 4 contra) consideraram que Carlin e a estação não tinham violado qualquer lei, pois o número «era indecente, mas não obsceno». «Indecente», já agora, é o que muitos comediantes sonham ser – e nem todos têm talento, coragem ou inteligência para o conseguir.

Domingo entrou no hospital da Califórnia a queixar-se de dores no peito. Morreu poucas horas depois. Tinha 71 anos. Os médicos anunciaram uma paragem cardíaca como a causa da morte, mas é provável que Deus tenha decidido vingar-se após tantas décadas de afrontas e Carlin passe a eternidade nas chamas do Inferno. Num dos seus números, Carlin desafiava Deus a provar a sua existência instigando-o a matar as pessoas na audiência. Uma vez que o blasfemo era o próprio comediante, o desafio na realidade era outro: Mata estes inocentes, como já o fizeste no passado. Religiosos, ambientalistas, feministas, políticos corruptos, racistas – todos eram levados pela corrente da sua lógica implacável.

Quando lhe questionaram por que razão tinha dado o título «Quando é que Jesus traz as costeletas?» a um dos seus livros, respondeu: «Porque consegue ofender ao mesmo tempo cristãos, muçulmanos, judeus e vegetarianos.» Eram assim as provocações de Carlin. Vai ter portanto o que merece: queimado por fogos que não existem num sítio especial que nunca ninguém viu, como de resto poderão confirmar pelos vídeos que se seguem.

Religion is bullshit | Ten Commandments | Seven Words | Saving the Planet | Feminist Blowjob | We Like War | On America | On White People

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24/Junho/2008

Admirando a paisagem

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Bela vista

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24/Junho/2008

Toshiba: e depois do HD-DVD

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Foi na sequência de uma breve viagem a Londres, a 17 de Junho, que Gustavo Dias assistiu à apresentação e ao lançamento mundial da nova gama de portáteis Qosmio da Toshiba.

Além de possuírem as últimas novidades no que toca à plataforma Centrino da Intel, designada por Montevina, os portáteis incluem algumas «surpresas» que a Toshiba apresenta como «o início da sua era pós HD-DVD».

Toshiba Qosmio X300

O modelo Toshiba Qosmio X300 apresentado em Londres

 

Com a derrota na guerra de formatos de armazenamento de conteúdo em alta definição para o Blu-Ray, a Toshiba enveredou por um novo caminho: segundo a empresa, o sucesso de soluções como os discos HD-DVD ou Blu-Ray será meramente temporário, dado que o futuro está na partilha via Internet. A Toshiba começou a investir no desenvolvimento de um sistema alternativo ainda antes do abandono do HD-DVD.

Este sistema encontra-se especialmente orientado para quem pretende experimentar a visualização alta definição sem ter necessariamente acesso a esse tipo de conteúdo.

Esta solução torna-se ideal para quem – como eu – possui uma grande colecção de filmes em DVD e custa muito a ideia de ter de substituir todos esses filmes por discos de alta definição. Com esta tecnologia da Toshiba, torna-se possível melhorar significativamente a qualidade, tornando-o num filme «digno» de alta definição.

Para executar em pleno todo o processo de upscaling de vídeo SD (Standard Definition) para HD (High Definition) a Toshiba decidiu desenvolver um processador específico de quatro núcleos dedicado. Este funciona em conjunto com o processador principal como se de um co-processador se tratasse.

Estamos assim perante um processador RISC Cell, o mesmo utilizado nas consolas de jogos Sony Playstation 3, mas desta vez com apenas quatro unidades SPE de 128 bit a 1,5GHz e unidades codificadoras e descodificadoras de vídeo MPEG2 e H.264.

Este processador permite que, em conjunto com software especialmente desenvolvido pela Ulead, como o seu DVD Player, consiga fazer upscaling de filmes em DVD de forma a torná-los equivalentes a vídeos HD, conforme eu vi ser demonstrado durante a apresentação.

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Publicado por Gustavo Dias | Categoria: Bits & Bytes | 4 comentários »