Quem quer provar espargo marciano?
Lembram-se da missão Phoenix e da recolha de amostras de solo marciano para sabermos se ele é, de certa forma, comestível do ponto de vista de uma bactéria? Há novidades!
Os cientistas ainda não conseguiram responder à questão mais importante de todas, isto é, se em algum momento da história do planeta existiram condições para o surgimento da vida. Mas já estivemos mais longe de saber. E os primeiros indícios são animadores quanto às possibilidades de a vida não ser um «milagre» exclusivo deste minúsculo e insignificante planeta arrumado na periferia de uma galáxia vulgar.
As primeiras análises recolhidas pela sonda nas regiões polares de Marte mostram um tipo de solo com uma «sujidade» comparável à que podemos encontrar nas traseiras dos quintais da Terra (excepto cocó de cão, naturalmente). O químico Samuel Kounaves, entusiasmado, descreveu o tipo de solo nos termos mais terrestres possíveis: «Seria possível fazer crescer feijões, espargos e nabos neste tipo de solo, vocês sabem, esse tipo de coisas. Morangos já me parece mais difícil».
Estas conclusões não têm em conta a composição química da atmosfera e a ausência de água em estado líquido, mas servem para termos uma ideia de como o solo de Marte (pelo menos nas regiões polares) afinal não é demasiado ácido ou salgado, como se pensava, na verdade é bastante alcalino. «Um tipo de solo muito semelhante ao que se pode encontrar nos vales mais secos da Antártida», afirma Glen Nagle, responsável da NASA pela estação de rastreamento em Camberra, Austrália – «sítios onde existe água, onde a superfície tem vários tipos de minerais, cloreto, potássio, magnésio e outras coisas que podemos encontrar em solo terrestre».
A ideia de enviar uns quantos nabos e deixá-los florescer em Marte é tentadora. Eu ofereço-me já para fazer uma lista de uns quantos que não me importava de despachar. Infelizmente, existe um pequeno pormenor que impede a concretização desses planos: a realidade. Não obstante os nossos sonhos quanto ao passado de Marte, as condições actuais não favorecem os nabos ou qualquer outro tipo de vegetais: «Não existe água em estado líquido, é demasiado frio e portanto, acentua Glen Nagle, «se você tentasse comer um espargo marciano seria a pior dentada da sua vida».
«Um solo ácido e salgado pode ser muito interessante do ponto de vista mineralógico», diz Jon Clarke, da Mars Society Australia, «mas do ponto de vista de um organismo não é um solo muito hospitaleiro. E também não é bom para futuras missões tripuladas».
Portanto estamos melhor do que estávamos.
Dado que a sonda Phoenix descobriu uma camada de gelo poucos centímetros abaixo da superfície marciana, o próximo passo é analisar esse gelo. Objectivo: encontrar «pistas» que nos permitam dizer que a vida em Marte poderá ter realmente existido. Uma descoberta sensacional seria encontrarmos no gelo vestígios de moléculas orgânicas complexas. Agora é esperar que os instrumentos da sonda prossigam o seu trabalho sem problemas.
Existem várias formas de acompanhar as novidades da missão: via Twitter, com uma série de actualizações muito concisas com hiperligações a sites de interesse; um screensaver que recebe as últimas actualizações quando se activa; através da página oficial da missão (Phoenix Mars Mission) e pelos diversos blogues mantidos pelos membros da equipa.



A forma implacável como o comediante americano 
























