Sérgio, tens a certeza que a pergunta interessa?
O Sérgio Rebelo é um blogger que gosta de colocar os pontos nos is e, na ausência do i, insere-os na designação que dá aos seus blogues: Dois Ponto Cinco, Ponto Sapo.
Acredito que se o Sérgio fosse do FCP e quisesse abrir um blogue sobre o Benfica poderia chamá-lo A oito Pontos do Porto. Se o Sérgio fosse um membro mais activo de um clube de futebol, poderia resumir as actividades da claque dos SuperDragões no blogue Levou cinco Pontos no sobrolho. Finalmente, se o Sérgio quisesse abrir um para fabricar prémios ou memes, um Thinking Awards à portuguesa, poderia chamar-lhe Não dou Ponto sem nó.
Julgava eu que já tinha colocado um ponto final no assunto dos memes neste post; o Sérgio, teimoso como é, mandou-me à mesma o raio da coisa e com uma pergunta que me fez hesitar: Onde vou eu buscar as ideias para os Posts?
Isto já é abusar. Pior: é um trabalho digno do Ocean’s Eleven. Ele deve ter chegado aqui ao blogue na calada da noite, iludiu a vigilância do segurança da WebHS, que por acaso é um gajo guedelhudo e está sempre a ouvir trash metal nos phones, entrou no post sem ser detectado, montou uma bomba no ponto final que eu já colocara neste assunto e pum!, fê-lo explodir em reticências.
Portanto… Respondo ou não respondo? Desta vez abro uma excepção só para dizer que a pergunta está feita de forma ambígua e incorrecta. As minhas desculpas ao autor original, mas está. Além disso, adoro sabotar um meme.
Falando a sério, não creio que seja interessante saber o que me inspira: na base dessa pergunta está aquele velho mito, chamemos-lhe assim à falta de melhor, mito, segundo o qual qualquer trabalho criativo é fruto de momentos quase mágicos cujo segredo importa revelar. Deixem-se de merdas. Se blogar é uma arte é porque exige trabalho, pessoal. Muito trabalho e dedicação e sacrifício. Quanto ao que inspira o blogger, porque obviamente também existem momentos desses, acho que os posts já devem conter a resposta – se não a contém, então são posts falhados. E posts falhados são aqueles em que a maior parte da informação se perde no caminho que percorre entre quem escreve e quem lê.
Mais importante é perguntar: Como vais buscar ideias para um post quando não te sentes inspirado? Esta, sim, é uma boa pergunta porque corresponde ao desafio diário de quem tem de manter todos os dias um blogue para milhares.
Vá, Sérgio, agora é a tua vez. Já não é meme, é boomerang. Apanha!
Adenda Eis dois exemplos em que se nota inspiração e falta de trabalho:
Falta de trabalho: no post E depois eu é que sou machista deveria ter-me cingido aos factos relatados ou pensar melhor no verdadeiro significado daquela relação. Tentei ser engraçado e espalhei-me ao comprido porque, num certo sentido, tirei uma fotografia muito desfocada. Optei também pelo caminho mais fácil: ridicularizar a rapariga assumindo um ponto de vista falsamente machista. Lição a retirar: a ânsia de actualizar um blogue é a pior inimiga dos bons posts.
Um ponto de vista perspicaz sobre a questão (não) levantada pelo post foi apresentado pela visitante AnaEugénio. Neste caso, entrou em acção o ponto 5 da minha Arte de Blogar: Um comentário pertinente que defende uma opinião contrária à tua não te põe em causa, enriquece o teu blogue. Junta-o ao teu post e promove o confronto de ideias.
O exemplo de um post obviamente inspirado: aquele em que usei o rabo da Jennifer Lopez para explicar as partições de um disco rígido. Demorei 15 minutos a escrever aquilo e continua a ser o campeão da popularidade entre os geeks do Bitaites. Quanto ao que me inspirou, a resposta é óbvia.
Uma Foto e Uma Música [87]
Marcadores: Carla Bruni, Natacha Quester-Séméon, Sarkozy

Foto: Natacha Quester-Séméon (Portrait de la campagne de Sarkozy)
Música: Carla Bruni (Quelqu’un m’a dit)
Já passaram três anos desde que criei isto?
Uau. O primeiro post do Bitaites foi publicado a 1 de Fevereiro de 2005, mas na minha cabeça o verdadeiro dia de anos do blogue é hoje, 30 de Janeiro. Foi nesse dia – o do meu aniversário – que tomei a decisão de iniciar esta aventura maravilhosa e angustiante.
Portanto hoje o blogue faz três anos. E eu também. Três e mais uns quantos.
Obrigado pela vossa presença e pelos vossos comentários. Continuaria a escrevê-lo mesmo que o único visitante fosse eu, mas é sempre bom saber que vocês estão aí desse lado. Os emails que tenho recebido de pessoas que descobriram jazz ou Frank Zappa por causa do Bitaites são preciosos. E têm sido inúmeros! Também é bom saber que alguns de vós detestam jazz ou Zappa e, no entanto, prescindem de fazer julgamentos de valor sobre a pessoa que divulga – salutar lição de tolerância para quem acha que as suas pancadas são sempre melhores e mais legítimas que as pancadas dos outros.
Quanto ao bloguinhas, é para continuar.
Adenda: aceitam-se sugestões para o futuro.
Eu estava a torcer pelo touro
Marcadores: Nóias
O melhor que o meu dinheiro pode comprar
Marcadores: AMD, ATI, Brother, Canon, Creative, Fritzbox, Intel, LG, Logitech, Microsoft, nVidia, Olympus, Samsung
Combinando as grandes novidades de 2007 com as trazidas já este ano pela edição da Consumer Electronic Show (CES), é possível criar uma lista com os mais recomendáveis componentes que o nosso dinheiro pode comprar. Não é uma lista para multimilionários, mas para pessoas comuns.
Processadores – É o domínio quase total da Intel. A AMD ainda lançou, no final de 2007, a nova geração de processadores Quad-core, mas estes são difíceis de encontrar e não oferecem melhorias relativamente às soluções da rival. Tendo em conta o panorama actual do mercado, a melhor opção é adquirir um Intel Core 2 Quad, como o modelo Q9450 (310€), que utiliza já o novo núcleo Penryn de 45nm (nanómetros), funcionando a 2,66GHz, com 1333MHz de FSB e 12MB de cache L2.
Motherboards – Este mercado nunca esteve tão confuso. A coexistência de modelos com chipsets antigos e novos, tanto da Intel como da Nvidia, torna a escolha mais difícil.
Tendo em conta os recentes lançamentos – e comparando as funcionalidades oferecidas pelos principais modelos à venda actualmente – chega-se a uma escolha óbvia: a nova Asus X48 Rampage Formula. Equipada com o novo chipset de topo da Intel, o X48, esta motherboard suporta todo o tipo de funcionalidades actualmente existentes no mercado como, por exemplo, CrossFire e FSB de 1600MHz. Por 270€, consegue obter-se uma placa-mãe com um brilhante desempenho e que suporta memorias DDR2.
Uma Foto e Uma Música [86]

Foto: Christina McNeill (Meet Uncle John) | Música: Prince (Kiss)
Três razões para evitar escrever posts à base de emails
1. Originalidade. As fotografias e anedotas que recebemos na caixa do correio podem ser muito engraçadas, mas têm dois problemas: não são nossas e não fomos nós que as descobrimos. Se abriste um blogue apenas para reproduzir conteúdo feito ou reunido por outras pessoas, então este post não te interessa. Qualquer um pode abrir um blogue, mas nem todos podem ser bloggers. Quero eu dizer com isto que manter um blogue exige trabalho, capacidade de sacrifício e, acima de tudo, vocação. Antes de começares a fazer como os outros e copiar conteúdo para manter artificialmente o teu blogue moribundo, não será preferível descobrir um meio de melhor expressar a tua individualidade?
2. Credibilidade. Normalmente as pessoas que compilam emails com fotos, anedotas ou outros textos que encontram na Net não se preocupam com direitos de autor. Se copiarmos de forma cega o conteúdo que nos chega à caixa de correio, corremos o risco de ser acusados de plágio mesmo que a nossa intenção não tenha sido copiar, mas divertir. Dado que a identidade de um blogue depende não só da força da nossa presença na Net mas também da credibilidade perante os visitantes, uma acusação de plágio pode significar um rombo nos nossos planos de criar o melhor blogue do mundo. E se alguém gozar contigo porque levas isto tudo demasiado a sério, manda-o foder: para esse, um blogue é apenas um passatempo; para ti, é um legado que deixas aos outros. Não esperes que toda a gente seja capaz de compreender isto.
3. Presença. O blogger pode sentir perante o blogue e os seus visitantes o mesmo compromisso que um editor assume com prazos de publicação, mas não tem obrigação de ser neutral ou factual. Um blogger não deve ser ideologicamente púdico. Blogar é uma forma de celebrarmos as conquistas de Abril e não devemos ter medo das palavras e escrever precisamente conquistas de Abril, mesmo assim, à comuna, se nos apetecer e fizer sentido, indiferentes ao facto de causarmos arrepios a um gajo de direita reaccionário. Porque uma das grandes atracções dos blogues – tanto para quem os faz como para quem os lê – é a possibilidade de tomar conhecimento com presenças que, sendo próximas ou longínquas, sentimos como verdadeiras. Que afinidade poderemos criar com os nossos visitantes se nos limitarmos a copiar código do YouTube ou conteúdo de um email?

























