Marco Santos
→ 15/12/2007 @23:04
O Bitaites ganhou os prémios de Melhor Blog Português 2007 e Melhor Blog Generalista 2007, e foi completamente arrasado na categoria Melhor Blog Geek 2007. Obrigado a todos os que votaram. Graças ao vosso voto, passei de geek a símbolo sexual. E um símbolo sexual generalista, ainda por cima. Ser generalista não é para todos.
O assédio é tanto que mal consigo escrever este post. Uma das mulheres já me subiu à janela e oiço foguetes lá fora. Ela está nua, a orquestra é pirosa, está ali um gajo duvidoso a querer oferecer-me CDs dos Village People e os foguetes sobem todos ao céu por minha causa.
Mas a propósito de prémios e concursos, queria recordar um daqueles posts que escrevo e costumam ser ignorados – talvez agora já não passe despercebido. Escrevi-o há alguns meses mas serve perfeitamente para a ocasião.
Quando alguém se inicia na blogosfera costuma ser alertado para os insultos ou críticas que os seus posts possam receber. Dá-se muita importância a isto, como se fossemos todos flores de estufa incapazes de ultrapassar as críticas, incluindo as injustas.
É verdade que ter um blogue exige capacidade de encaixe, mas nenhum adulto que conheça o mundo precisa de ser alertado para a hostilidade.
Se estamos mesmo determinados em emitir avisos à navegação, então que se alerte o blogger para algo muito mais importante: a inevitabilidade de ser elogiado.
O elogio na blogosfera acontece com mais frequência do que se possa imaginar – e mesmo sendo um elogio fácil, superficial ou interesseiro, pode deturpar o nosso sentido da realidade. Poderão dizer, por exemplo, que escrevemos muito bem. Que somos os maiores. Que o nosso blogue é o melhor de Portugal e arredores.
Mesmo quando são bem intencionados, os elogios são uma armadilha. Podem atrair trolls e fomentar a ira dos invejosos. E, pior ainda, fazem-nos correr o risco de concordar.
Se por exemplo a nossa escrita for elogiada de forma exagerada, devemos pensar primeiro se a razão para sobressairmos não estará antes relacionada com o facto de vivermos num país que lê pouco e escreve ainda menos. Basta escrevermos correctamente e com alguma graça para sermos vistos como suprasumos da blogosfera. Mas se este lago não fosse tão pequeno, seria muito mais difícil sermos tomados por peixe graúdo.
Blogosfera é partilha, troca, aprendizagem, escrita, exposição – não precisa de taças.
Portanto amanhã é apenas outro dia.
Marco Santos
→ 15/12/2007 @4:14

O Bitaites foi nomeado para melhor blogue em Artes/Cultura. O Cid rejubila
Como o Bitaites é efectivamente um blogue português e esteve activo em 2007, preenchia todos os requisitos para ser nomeado na categoria de Melhor Blog Português 2007. E assim foi. Uma pessoa na blogosfera sujeita-se às coisas mais escandalosas, incluindo o retumbante triunfo. Por esta altura até o Pacheco Pereira deve ter cá vindo espreitar, a ver se o Bitaites é a favor ou contra o Abrupto. E eu que nem sequer tenho um poema para lhe oferecer.
Como o Bitaites também gosta de generalizar, e este ano não foi excepção (ainda agora escrevi «coisas escandalosas» quando poderia ter escrito, sei lá, qualquer outra coisa), os leitores decidiram nomeá-lo como o Melhor Blog Generalista 2007. Eu sei, às vezes sou um bocadinho ambíguo. Esta nomeação é por isso aquilo a que se convencionou chamar de crítica construtiva. Obrigado. Em 2008 farei todos os possíveis para não ser nomeado. Prometo. Se não cumprir, votem em mim para a categoria Política e Sociedade.
É importante notar que este blogue esteve durante alguns meses deste ano agregado ao Planet Geek (PG) – só assim se justifica o facto de ter recebido uma terceira nomeação, desta vez para a categoria Melhor Blog Geek 2007. Para o ano a malta já esqueceu a minha passagem pelo PG e não devo ter hipóteses. Será mais uma gaveta onde não me entalam os dedos – a mais pesada de todas, a gaveta da informática.
De todas as nomeações, a mais surpreendente é a quarta – o Bitaites entrou na lista dos melhores para a categoria Artes/Cultura 2007. Se votaram em mim porque divulgo a música do mestre Frank Zappa… Bem! Subirei à cadeira da secretária para escrever um comovido post de agradecimento no qual prometerei nunca mais chamar-vos cambada de surdos. O problema é que eu sei muito bem que a maior parte de vocês não quer saber do grande Zappa para nada – cambada de surdos!
Portanto enfiaram-me o desgraçado do blogue em Artes/Cultura só para me lixar. Por causa dessa brincadeira, corro o risco de atrair os cagões invejosos da blogosfera. Vão chegar aqui convencidos de que o autor do «tal» blogue cultural não merece qualquer nomeação e se julga mais inteligente e culto do que todos os outros. Só largarão a zona de comentários quando todos estiverem absolutamente convencidos da minha mediocridade. Eu sei, sou um bocado excêntrico e rezingão. Às vezes até pareço um artista.
Por falar nisso: José Cid rula! Agora ponham-se na alheta.
Marco Santos
→ 14/12/2007 @9:40

Foto: John Decker (Frosty Window, via FrozenFlower)
Música: Sigur Rós (Untitled I)
Marco Santos
→ 12/12/2007 @17:48
Fui convidado a fazer parte do júri que escolherá os melhores blogues para cada uma das diversas categorias em concurso. São muitas – tenho lido dezenas de blogues, alguns que não conhecia e outros que não pretendo passar a conhecer. A iniciativa chama-se O Melhor Blogue Português 2007. Alinhei porque gosto do blogue do Rui, o mentor da iniciativa. Já estou arrependido.
Uma consequência embaraçosa de fazer parte de um júri é ser referido como um ‘peso pesado’ da blogosfera. Pá, vão chamar gordo ao Nuno Markl. Parvalhões.
O que me deixou ainda mais à rasca foi ter verificado que o meu blogue está nomeado em várias categorias. Se eu tenho o azar de ganhar uma, lá terei de aturar os justiceiros da blogosfera dizendo ah pois estão todos feitos uns com os outros.
Deixem-se de paneleirices. Não há razão para receios.
Quando chegar o momento de exercer o meu dever de voto, em vez de colocar o Bitaites onde ele deve estar, ou seja, nos primeiros lugares nas categorias em que está nomeado, vou pontuá-lo com um zero e deixá-lo sempre em último. Mais desonesto que isto não posso ser.
Marco Santos
→ 11/12/2007 @21:34
A gripe já passou, muito obrigado, mas a falta de paciência para escrever não. Pensava que era da gripe, mas a gripe já passou, muito obrigado, e a falta de paciência foi ficando. A farmácia de serviço não tem comprimidos para a desinspiração. Hei-de voltar ao normal.
Ah! Comprei um cão aos meus filhotes. Normalmente quando os adultos compram um cão aos filhotes fazem-no com nobres propósitos: as crianças ficarão encarregues do animal, assumirão a responsabilidade de cuidar de um ser vivo numa fase importante do seu processo de crescimento, o cão ajudá-los-á a crescer e a tornar-se menos egoístas, esse tipo de coisas. Foi mais ao menos nessas tretas que eu pensei quando (todo contente) me deixei levar na conversa.
O único problema nesta abordagem é quando o cão faz xixi e cocó. Os cães são seres vivos dotados de um aparelho digestivo que não só funciona muito bem como funciona muito bem em qualquer sítio, a qualquer hora. É como se tivéssemos um MacDonalds em casa.
Agora já nem dizemos «O raio do bicho voltou a largar uma póia» mas sim «Olha, temos mais um hambúrguer na sala».
Por esta altura já as nobres razões que nos levaram a comprar o cão às criancinhas mostram a sua verdadeira importância: exacto, nenhuma. Enquanto os nossos anjinhos continuam a desfrutar da companhia do cãozinho – limpo, desparasitado e satisfeito dos intestinos – cabe aos diligentes pais fazer aquilo em que se julgam incontestáveis especialistas: ralhar com o animal, mostrar-lhe onde deve fazer as suas necessidades e limpar trampa com uma mola no nariz.
Há quem diga que devemos dar-lhe umas palmadinhas para ele aprender. Dar umas palmadinhas é muito bonito de se dizer, mas o cachorro é pouco maior do que a palma da minha mão. E o cachorro é uma menina. A primeira vez que tentei impor a minha autoridade à base da pancadaria estava com tanto medo de magoar o animal que as minhas palmadas devem ter parecido festinhas: aliás, nos minutos seguintes a cadelinha seguiu-me aos pulos, muito satisfeita, à espera que lhe desse mais uma daquelas palmadas tão divertidas. Eu a querer educá-la e ela a interpretar o gesto como uma manifestação de amor sadomasoquista.
À segunda tentativa, deixei que o cheiro a merda me entrasse bem pelas narinas e experimentei dar-lhe uma palmada com mais força. O bichinho ganiu como um desalmado e eu senti-me um Guliver com bigodinho à Hitler, os meus braços como muros de um campo de concentração onde se praticam terríveis torturas aos inocentes e indefesos. Sim, estava a ouvir o The Wall dos Pink Floyd. Até um filhote de cachorro precisa de uma educação musical mais abrangente – não pode ser só Zappa, jazz e música erudita contemporânea.
Uma pessoa mais sensível do que eu acabou por me dizer Pá, eu sou uma pessoa mais sensível do que tu. Acho que é horrível bateres no pobre cão. Deves pegar num jornal e bater com o jornal no chão, enquanto ralhas com um tom desaprovador. Parece que a minha voz zangada e o barulho do jornal são suficientes para o assustar e, com o tempo, fazê-lo compreender.
Que tipo de jornal usarei? Haverá diferença entre bater-lhe com o Público ou o 24horas? Dou-lhe com uma crónica do Vasco Pulido Valente no focinho ou será a quadragésima reportagem sobre a Maddie suficiente para o desesperar? Se lhe bater com o Expresso, devo usar os suplementos todos também? Não correrei o risco de esmagar o animal com tanta informação? Que deverei dizer quando o cão quiser fazer xixi no tapete? Se não te portas bem bato-te com esta fotografia do Kadhafi!?
Portanto estamos neste ponto. A minha ideia de o transformar em cachorro-quente e acabar com este problema de uma vez por todas revelou-se pouco popular cá em casa. Não sei porquê.
Bom, assim não há meio de o blogue avançar.