Arquivos anuais: 2007

→ 13/11/2007 @16:26

2007: A Spice Odissey

Esta foto das Spice Girls… Ui. Nem sei como começar. Temos as mamocas e, sobretudo, o sorriso matreiro da girl do lado esquerdo… Tem muito spice, sim senhor. Saberá cantar? Bem, nada de perguntas parvas. Seja como for, leva já o selo de Aprovada. Aprovada!
Aquela loira acastanhada no meio mantém exactamente a mesma pose e expressão das fotos promocionais dos longínquos anos 90. E continua mais rígida que um ferro de engomar. Estas coisas são excelentes para a continuidade conceptual da banda. Muito bem, muito bem. Carimba-se já o selo na menina. Aprovada.
Depois olha-se para as outras girls e vislumbra-se qualquer coisa de tenebroso. Estou a falar da expressão delas. Os rostos. Há uma que faz lembrar a Meryl Streep e a Goldie Hawn naquele filme ‘A Morte Fica-vos Tão Bem’. Estão a ver a segunda tipa a contar do lado direito? A que está ao lado da sonsa? Porra. Que raio de sorriso é aquele? Que significado tem? A girl quer comer o teu zombie? Não combina. Nem mete medo nem excita. Nem faz rir nem chorar. Uma pessoa fica convencida de que o maxilar lhe vai cair assim que cantar uma nota mais aguda. Ou tentar comer o zombie. Será que o primeiro hit das meninas se chamará Zombie Sex? Isso já explicava muita coisa.
Quanto à outra que é casada com o David Beckham e parece um membro da família Adams, nem subindo a um escadote conseguirá cantar mais alto – não há problema! A música nunca foi uma grande preocupação das Spice Girls e não vejo qualquer motivo para mudar. Não vamos estragar tudo agora, não é? A Britney está gorda que nem um texugo e morta para os telediscos, para a música MTV, portanto, então que as Spice Girls ocupem o lugar deixado vago!

→ 13/11/2007 @13:11

Plugins WordPress que utilizo

De vez em quando recebo pedidos para fazer uma lista dos plugins WordPress que utilizo no Bitaites, pelo que decidi finalmente escrevê-la. Não me parece que existam aqui grandes novidades, mas se puder ser útil a alguém, força, sigam os links e experimentem no vosso blogue. E não me aborreçam com perguntas sobre como fazer funcionar os plugins. Em casos mais específicos, o próprio autor do plugin dá-se ao trabalho de publicar detalhadamente as instruções de instalação. Desenrasquem-se. Se eu consegui, vocês também conseguem.

Akismet
Há muito, muito tempo, o ex-primeiro-ministro e actual presidente Cavaco Silva proferiu uma declaração que ficaria para a história do fait-divers da politiquice portuguesa: «Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas!» O Akismet, a ferramenta anti-spam mais usada nos blogues, é mais ou menos assim e tem a vantagem de ser praticamente invisível. É raro um comentário legítimo passar como spam e um spam passar como comentário legítimo. E é uma escolha óbvia, sobretudo em conjunção com o plugin que se segue.

Bad Behavor
Esta é outra ferramenta anti-spam como o Akismet mas com uma abordagem diferente: bloqueia o acesso dos spambots ao blogue. Uso-o em combinação com o Akismet. Como os comentários são moderados, os meus problemas com spam estão muito próximos do zero.

Angsuman’s Multi-Page Plugin
Quando um post é muito extenso, divido-o em páginas para que não sobrecarregue o blogue. O plugin que possibilita essa paginação é este. Podem vê-lo em acção neste post. Quem o lê através do feed RSS, contudo, não vê a mudança de página. Há pessoas que deixam de visitar um blogue se ele não puder ser visto na totalidade a partir de um leitor de feed. Lamento, mas eu nem sequer gosto de feeds.

Browser Sniff
Quando vocês comentam, juntamente com o vosso nome surge o sistema operativo e o browser que utilizam quando escreveram o comentário. A culpa é deste plugin. Às vezes falha e mete os pés pelas mãos, mas gosto dele à mesma.

Feed Estatistics
Este plugin reúne estatísticas dos vossos feeds: quantos o subscrevem, quais os mais lidos, em que ficheiros clicam os subscritores, quanto vezes clicam num determinado link num post – esse tipo de dados.

FlickRSS
99 por cento dos blogues que conheço usam este plugin. Permite integrar com facilidade as fotos do Flickr no nosso blogue. Podemos mostrar as nossas fotografias ou fotografias ‘públicas’. Num caso ou noutro, podemos delimitar o que queremos mostrar usando simples ‘tags’. No caso do Bitaites, está configurado para mostrar apenas fotografias de mulheres. É o mais próximo que eu estive de ter um harém.

Páginas: 1 2

→ 13/11/2007 @2:39

Uma Foto e Uma Música [82]

Foto: Issa Sharp (Smoking And Drinking)
Música: Ani DiFranco (Tip Toe/Cradle and All)

→ 12/11/2007 @22:57

O mistério das lésbicas no blogue do Pedro Rebelo

Têm fantasias sexuais relacionadas com lésbicas? Então evitem a caixa de comentários do post sobre a série A Letra L, do blogue do Pedro Rebelo.
Querem já um link para as lésbicas do Pedro? Tenham calma. Os links são como aquelas cortinas que vocês afastam para cuscar o pipi da vizinha boa que não fechou a janela do quarto. São a versão moderna dos gambozinos do Hitchcock. E podem ser enganadores. Nunca se sabe a que conduz um link. A vizinha boa pode ser um travesti. O pi pode ser um pá. O rabinho pode largar pop-ups. Um post pode ser um fórum.
Lésbicas? Fantasias, poucas-vergonhas e a única expressão em francês que vocês aprenderam para além de Déjà vu? Desenganem-se, já disse. Metam-se no lugar do Pedro: imaginem-se escrevendo um texto sóbrio e nada espalhafatoso sobre a tal série de fufas chiques que dá na TV, a Letra L. O post é escrito a 23 de Junho do ano passado. O primeiro comentário registado pertence à Gigi – rapariga heterossexual para quem a série é «uma bananada pseudo-erótica sem piada nenhuma».
O Pedro responde e dá a sua opinião, a Gigi responde e dá a sua opinião, o Pedro responde e dá a sua opinião. Como sempre acontece nos blogues, a conversa acaba por morrer com a chegada de novos posts. Por esta altura, já o Pedro partiu para outra letra, digamos, e não lhe passa pela cabeça que o post se transformará no maior granel da história do Browserd e talvez da blogosfera.
A 30 de Junho, sete dias depois, aparece o primeiro L na caixa dos comentários. Luciana escreve «Oi pessoal! O L word eh tudo de bom. Pode ate ser um pouco glamouroso demais, mas pelo menos mostra um pouco da nossa realidade lesbica.» Eis que chega então a letra C, C de Cátia: «Olá. Também tenho visto essa série. É realmente interessante. Gosto da maneira como abordam o assunto.» Depois aparece outra letra C, C de Carolina: «Eu sou lésbica ainda não assumida, devido ao facto dos meus pais serem homofobicos, e concordo com a luciana é uma excelente série.»
Pedro, macho hospitaleiro, mete as meninas todas em fila e começa por dizer: «Olá Luciana, Cátia e Carolina. Bem vindas aqui ao sítio.» Mas depois aparece a letra V, de Vanessa, e comenta. A letra M, de Marta, e comenta. A letra S, de Sílvia, e comenta. E a Maria. E a Vânia. E a Carla.
Desde que publicou o post até agora, aquilo já vai em quase 2000 comentários. Dois mil. A Letra L é uma sopa de letras a fumegar no nariz do pobre blogger. A 5 de Julho, doze dias após a publicação original, o paciente Pedro já tem dificuldades em ser lido e comenta «Pois… Huuuummm… Isto está uma conversa de mulheres, certo? Já deu para entender. Vamos generalizar um pouco: olá a todas e bem vindas cá ao sítio. Não sei o que vos diga, certo? Sou gajo.»
É isso mesmo, Pedro. És gajo. Gajo que é gajo não sabe o que vos diga. Eu também sou gajo e tenho tantas coisas que não sei o que vos diga que até me admira como ainda não rebentei. Por isso te compreendo, irmão. Podes contar com a minha cumplicidade masculina (aquela solidariedade exclusiva entre machos que elas, lésbicas ou heterossexuais, não compreendem e invejam. Toma!). Que é a letra L comparada com a letra G? A letra G é nossa, pá. G de gajas que gostam de gajos. G de gajos que gostam de gajas. Ponto G. G de Gina. Sempre a bombar. G de geek. G de gasterisco. G de garanhão. G de garagem. G de gato. G de gay. Mau. É melhor mudar de página e deixar-me destas mariquices das letras.
Se alguma vez na vida tiveste uma fantasia sexual envolvendo fufas, Pedro, por esta altura já deve ter ido à vida. Talvez uma meia-dúzia de filmes pornográficos bem escolhidos possam reparar os danos que elas te causaram, mas sinceramente duvido. Dito por outras palavras: bem pode um gajo ficar deitado à espera que elas se reunam à volta do mastro do capitão como grumetes doidas – as lésbicas da Letra L, essas paneleiras de merda, têm a mania que são almirantes e ignoram a tua presença.
Estou na brincadeira com o Pedro, claro, mas estou a falar a sério. As lésbicas, não sei se estão a ver, também são mulheres. Mulheres paneleiras que não gostam de gajos. Algumas fazem tudo para ter voz de bagaço, mas continuam a ser gajas, gajas paneleiras que não gostam de gajos. Falam umas com as outras como falam as mulheres mas, como são paneleiras e provavelmente só gostarão de gajos tão paneleiros como elas, não prestam a devida atenção ao macho quando este, magnânimo e procriador, assume as despesas da conversa. Tanta generosidade deveria ser recompensada com um mínimo de solicitude embevecida. Nada.
O comportamento das lésbicas do Pedro Rebelo pode afectar o futuro relacionamento com as fêmeas heterossexuais. Por exemplo, será que elas nos aturam porque gostam das nossas pernas e não pensam noutra coisa a não ser apalpar-nos o rabo? Seremos apenas (que horror!) objectos sexuais? Deixámos de existir como pessoas? Será possível que as mulheres, paneleiras ou não, se tenham tornado tão… machistas? Onde é que o mundo vai parar? Então e ninguém queima umas cuecas ou umas peúgas, e se manifesta nas ruas?
Um acontecimento na caixa de comentários do Browserd é revelador deste estado de coisas. Recentemente – e porque uma página com tantos comentários já demorava a carregar – o Pedro resolveu ser um cavalheiro e criou blocos de 20 comentários cada só para facilitar a navegação às meninas. Paginou aquilo tudo. Até explicou o que tinha feito e perguntou se agora estava tudo a funcionar bem.
Elas continuaram tão entretidas a conversar umas com as outras que nem sequer responderam (*), as fufas ingratas. Duvido até que tenham lido. Talvez tenham pensado «Pronto, o peludo arranjou a canalização da casa – agora não serve para mais nada.» Mais nada?
Corre com elas, Pedro, corre com essas traidoras que resolveram ser lésbicas sem nós.

(*) Correcção: uma delas agradeceu.

→ 12/11/2007 @20:27

As melhores cidades para andar de bicicleta

A Virgin Vacations publicou uma lista das mais amigáveis cidades do mundo para quem anda de bicicleta, num total de 11 escolhidas. Nenhuma cidade portuguesa foi incluída na lista de honra, resultado que só poderá surpreender quem nunca andou de bike na vida. A campeã das campeãs é Amesterdão. A melhor cidade para ciclistas que fica mais perto de nós é Barcelona. A Virgin chegou a estas conclusões a partir de cinco critérios, enumerados e explicados no artigo da Wired (link) de onde saquei esta informação. Também existem bons vídeos para ver. A reportagem sobre Amesterdão deu-me vontade de ir até lá só para ter o gosto de pedalar entre pessoas para quem uma bicicleta não é sinónimo de pobreza, como acontece entre os aceleras portugueses, mas de cultura e sensatez.

→ 12/11/2007 @18:43

O fotógrafo do Amor e do Humor

Embora a fotografia mais conhecida de Robert Doisneau (1912-1994) seja Le Baiser de l’Hotel de Ville, Paris, 1950, transformada em ‘poster’ romântico, o que sobressai no portefólio deste magnífico fotógrafo francês é o sentido de humor e o amor incondicional por uma cidade e pelos seus habitantes.

Morreu a 1 de Abril de 1994, a poucos dias de completar 82 anos, e deixou-nos um legado precioso, um acervo de 145 mil negativos, a maior parte dos quais fotografias de Paris e dos parisienses.

Apesar do valor documental do seu trabalho, Doisneau nunca permitiu que fizessem dele um historiador da capital francesa.

«Fui uma falsa testemunha da minha época», afirmou uma vez. «Falsa» porque acreditava que «uma foto só deveria ser tirada quando o coração do fotógrafo estivesse repleto de amor pelos seus semelhantes».

Doisneau falava a sério e fazia o que dizia: em 1932, depois de publicar a sua primeira reportagem fotográfica, foi contratado pela Renault como fotógrafo industrial. Um emprego certo e bem remunerado, mas acabou por ser demitido por faltar com frequência ao trabalho, perdido em constantes deambulações por Paris.

Doisneau não amava carros e fábricas e linhas de montagem, era um artista e amava as pessoas. Não conseguia fotografar sem amar.

Mesmo nas suas fotografias mais humorísticas não existe distanciação ou uma mudança de perspectiva: Doisneau não goza, brinca. Para ele, «o humor é uma forma de modéstia, de não descrevermos as coisas, de lhe tocarmos com delicadeza, como um piscar de olhos. Humor é, ao mesmo tempo, máscara e discrição, um abrigo onde é possível esconder-se».

 

Um beijo milionário

É uma daquelas fotografias iconográficas: um casal de jovens amantes beijando-se em plena rua da romântica Paris, indiferentes ao que os rodeia. Ou não.

Robert Doisneau tirou-a em 1950, quando andava a fazer uma reportagem para a Life Magazine sobre jovens apaixonados em Paris. A foto permaneceu esquecida nos arquivos da revista mais de 30 anos, até que uma empresa de comercialização de posters, percebendo o potencial comercial da imagem, adquiriu os direitos de utilização. O sucesso foi estrondoso.

Le Baiser de l’Hotel de Ville, Paris, 1950 começou por ser um símbolo da Paris romântica dos meados do século XX, mas acabou por tornar-se o símbolo do próprio amor romântico. O mundo já venerara outro beijo, o da célebre escultura de Auguste Rodin, da década de 80 do século XIX, mas este beneficiou das maravilhas da impressão gráfica, multiplicou-se e cruzou os mares.

Este símbolo romântico do século XX nada teve de espontâneo. Doisneau reparara naqueles dois sentados numa esplanada e abordara-os, explicando-lhes que tipo de reportagem andava a fazer e pedindo-lhes que posassem a dar um beijo. Os jovens, que frequentavam uma escola de Teatro, concordaram.

O próprio fotógrafo contou a história da foto numa entrevista dada em 1992, confirmando a encenação: «Nunca me teria atrevido a fotografar pessoas assim, amantes beijando-se em plena rua». Não por vergonha, explica, mas porque «esses casais raramente são legítimos».

Doisneau resolveu falar do assunto porque, por essa altura, o sucesso dos posteres andava a fazer com que muitos «casais» se assumissem como os protagonistas da foto, procurando ganhar dinheiro fácil. O fotógrafo desmascarou-os a todos nessa entrevista, revelando, mais de 50 anos depois, a verdadeira identidade do casal: Françoise Bornet e Jacques Carteaud. Doisneau também contou que oferecera o original da foto à jovem poucos dias depois de ter sido publicada na revista.

Há dois anos, ela deu a cara para anunciar que O Beijo ia ser colocado à venda. O leilão, organizado pela Artcurial Briest-Poulain-Le Fur, teve um preço de licitação inicial de 20 mil euros, mas acabou por ser vendido por 155 mil.

Nessa ocasião Françoise encarregou-se de desfazer ainda mais a aura romântica da imagem quando afirmou que aquela «era uma foto que nunca devia ter existido, talvez por isso se quisesse livrar dela, mais do que pelo dinheiro» e revelando que, poucos meses depois do beijo apaixonado em Paris, ela e o namorado já tinham acabado.

Download: Dezenas de fotografias em alta definição de Robert Doisneau

→ 12/11/2007 @5:50

Cenas de FAQ e Alguidar

Autor: Alain Omer Duranceau