Arquivos mensais: Dezembro 2007

→ 07/12/2007 @18:37

Gloriosos Momentos da Blogosfera [4]

Há coisas que não fazem sentido. Um bife sem batatas fritas. Uma cerveja sem gás. Jesus sem a cruz. A Internet sem este blogue. De todas as coisas que não fazem sentido alguma será mais estranha do que estrelas sem luz? ()

in Nos Cromos do Cosnos

Este é um blogue onde se documenta a paixão do autor pelos fenómenos do Universo. Já aqui no Bitaites se falou nele. Tem lugar cativo nos links. Álvaro Damiaças deveria ser também conhecido como um magnífico escultor de narizes de cera.

→ 07/12/2007 @15:57

Eles preferem as carecas

→ 07/12/2007 @15:40

Subjectividade masculina

‘Meu amor’ logo pela manhã é agradável de ouvir, mas o mundo seria muito mais simples se elas dissessem ‘Meu amo’. O problema do amor é mesmo esse: tem um ‘r’ a mais.
Até os filósofos e os poetas concordam. Zaratustra, que era indiscutivelmente um gajo persa, arranhou em pleno século VII a.C. as seguintes palavras

A mulher deve adorar o homem como a um Deus. Todas as manhãs, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados sobre o peito, perguntar-lhe: ‘Senhor, que desejais que eu faça?’

Tão lindo! Zaratustra era mais do que um gajo persa, era um gajo persa visionário. Aproveito para formular um desejo do fundo do meu coração: que as ideias progressistas deste notável poeta e filósofo possam um dia ser adoptadas neste mundo obscuro.
Enquanto a hora da libertação não surge e a mulher se esquiva à luz do macho, vamos depositando as nossas esperanças numa simples letra. Pobre letra, que se sujeita a tantos maus-tratos.
As mulheres são muito impacientes em relação ao ‘r’ e têm tendência a recriminá-lo porque, ao saltar da palavra amor, julgam que o ‘r’ está a fugir às suas responsabilidades.
É muito injusto, miúdas. Passar do amor para a adoração incondicional ao macho é, em si, uma grande responsabilidade. E responsabilidade também começa com ‘r’. Não se trata de uma mera coincidência. Nunca subestimem o poder do R. Não se diz o ‘Sei da Relva’, diz-se ‘O Rei da Selva’ – e há bons motivos para que estas coisas sejam assim. A César o que é de César. Se o nome de César começasse com ‘r’ (em vez de acabar), dificilmente se teria deixado apunhalar pelos senadores.
O ‘r’ ajuda-nos a cumprir um desígnio cósmico que vem dos tempos em que Eva trincava maçãs. Homem que é homem desconfia sempre de frutos que contenham um ‘c’ de cedilha. À nossa Eva, contudo, aquela cedilha no ‘c’ deve ter parecido um brinco ou um brinde do Bolo-Rei. Adão era na altura um inocente, mas os seus descendentes sabem agora que uma característica comum às Evas é a irresistível atracção por tudo o que se pode pendurar.
Eva não soube estar quieta junto ao seu homem. Foi logo coscuvilhar com a serpente. Se calhar bebeu uns copos com a cobra, grande galdéria. Saiu Eva e regressou Uva. Lá está. Escolheu as letras erradas. Se tivesse a sensatez de Adão ainda hoje estaríamos todos a fazer nudismo nas praias do Paraíso e não usávamos blogues para nos provocar uns aos outros. Eva caiu em tentação e Adão zangou-se com ela, e com razão – foi o primeiro de muitos homens a zangarem-se com razão. Aliás, foi assim que Adão ficou com um ‘til’ em cima do ‘a’: Eva provocou-lhe as primeiras rugas na testa.
As mulheres são cruéis. Amor, amo? Estamos a falar de um ‘r’ minúsculo, raparigas. Tenham calma. Se ainda fosse um ‘r’ maiúsculo, poder-se-ia dizer ‘Pronto, é um R grande, sabe-se defender.’ Agora o ‘r’ do amor é uma coisa pequenina. Quase indefesa. Tadinha da letra. É para mimar, não é para bater. É para abraçar e dar beijinhos, não é para dar palmadas.
O ‘r’ minúsculo deve ser levado a sério, não é um filhote de cão que se castiga quando faz xixi fora do penico e se recompensa com umas festinhas quando acerta. Se a fêmea não cuida da dignidade do macho latino, quem cuidará?

Em resposta ao desafio do companheiro d’ além-mar Sérgio Grigoletto

→ 04/12/2007 @18:02

Pausa.

Tenho andado a chocar uma gripe e hoje atacou em força. Estou sem pachorra nenhuma para actualizar o blogue. Só tenho energias para fungar: com alguma sorte, talvez ainda consiga levantar os braços para festejar a passagem do Benfica à Taça UEFA. Se o Benfica não passar, sempre posso dizer que escrevi este post enquanto delirava com febre. Agora preparo-me para exigir todas as mordomias a que um macho doentinho tem direito. :mrgreen:

Vá, fiquem bem. Até breve.

→ 04/12/2007 @16:53

Incommunicado

Fotografia: Yuri Matte

→ 03/12/2007 @20:07

É futebol, deixem lá.

O Camacho diz que para ganharmos ao Shakhtar Donetsk temos de ser uma grande equipa como o FC Porto, que levou porrada do Liverpool mas veio à Luz para ganhar e conseguiu. «Temos de fazer como eles». Link para a notícia do jornal Record

É por causa de saídas como esta que gosto do Camacho. Não conheço nenhum treinador que tenha passado pelo Benfica e fosse capaz de fazer do principal rival um exemplo a seguir. Reconhecer os méritos do adversário é uma atitude mentalmente saudável – e esta qualidade faz dele uma raridade no universo esquizofrénico benfiquista.

À medida que a época se vai perdendo e a glória se evapora, os adeptos vão voltar à conversa de sempre: o Camacho não presta, o Camacho é bom, este árbitro foi comprado pelo Pinto da Costa, aquele também vai ser, este jogador não presta, este é bom, quem vamos contratar a seguir. É sempre o mesmo paleio. Estamos a construir uma equipa há vários anos e sempre a mudar de jogadores, mas parece que ninguém dá por nada. Estamos tão obcecados com a mística que já nem damos pelo método.

Época após época, frustração após frustração, lá continuaremos a esperar pela Glória como se o próprio Dom Sebastião fosse benfiquista. Somos um clube anacrónico: conquistámos dimensão europeia num período em que Salazar proclamava um Portugal orgulhosamente só. Deu para encher a barriga de glória nos anos 60, mas mais de quarenta anos depois ainda continuamos sem perceber que a estátua de Eusébio não ganha jogos nem revoluciona mentalidades.

Troquem a treta da mística pela lucidez. Por que razão o Mourinho triunfou no Porto e foi corrido do Benfica? Por que razão o Jesualdo foi corrido do Benfica e triunfa no Porto?

Deixem-se de caganças baseadas em conquistas que não podemos repetir: os tempos são outros. Deixem-se de desculpas esfarrapadas: aprendam com a consistência do nosso principal adversário. Se queremos ser os maiores, temos de ser humildes.

→ 03/12/2007 @17:17

Estou chateado e não é por causa do Benfica, juro!

Esta cambada deve pensar que eu não tenho mais nada para fazer do que me chatear com a merda da bola. Lá porque vocês vivem com uma tonta intensidade estes episódios do futebol também sou obrigado a alinhar na parvoíce? A pulga Quaresma saltitou de alegria e gritou Gooolo! mesmo nas barbudas barbas do Glorioso e agora estou condenado a coçar-me a época toda até fazer ferida?! Tenham juízo! Que interessam as vitórias do FC Porto ou as derrotas do grande Benfica? Relativizem, cambada! Para o ano há mais cerveja e já ninguém se vai lembrar deste maldito barril. Cambada de fanáticos! Barrigudos! Bêbados! Foliões! Irresponsáveis!